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03/02/2019

CDs #240: Mendelssohn - Complete Organ Sonatas

Henry Cephas Lincoln foi um construtor de órgãos inglês que, após um período de aprendizagem na firma Flight and Robson, passou, aí por volta de 1810, a trabalhar na do pai, e foi também por isso que passou a vida a fabricar órgãos... Um deles, e porventura o mais emblemático que construiu, foi o órgão que ainda hoje se encontra na Ballroom do Palácio de Buckingham, aquele T775 que fica ali para os lados de Westminster.


O compositor alemão Felix Mendelssohn (1809-1847) visitou por 10 vezes a Grã-Bretanha, a primeira delas em 1829 e a última em 1847, o ano da sua morte. No decorrer dessas visitas Mendelssohn teve a oportunidade de tocar várias vezes no Palácio de Buckingham para a Rainha Vitória (1819-1901) e para o Príncipe Alberto (1819-1861), mas nunca no referido órgão, pois este, apesar de construído em 1818, só na década de 1850 foi transferido para aquele palácio.

Problema esse que não se colocou ao pianista inglês William Whitehead (1970-), que não desaproveitou a oportunidade para, em Abril de 2009, pôr as mãos nesse órgão e gravar este excelente disco que aqui trago hoje, dia em que passam 210 anos sobre o nascimento de Mendelssohn.




Felix Mendelssohn
Organ Sonatas, Op.65 - No.1 in F minor; No.2 in C minor; No.3 in A major;
No.4 in B flat major; No.5 in D major; No.6 in D minor.
William Whitehead (órgão)
Chandos CHAN10532
(2009)


YouTube



Felix Mendelssohn
Encyclopaedia Britannica / Casa da Música / Wikipedia

15/11/2015

Sinfonias #52: Sinfonia Nº5, de Mendelssohn

No dia 25 de Junho de 1830 teriam lugar em Berlim as cerimónias que assinalariam o tricentenário da Confissão de Augsburgo, e o compositor alemão Felix Mendelssohn (1809-1847) planeava estrear uma sinfonia que iria compor especialmente para aquela ocasião, a "Sinfonia da Reforma".

Uma série de percalços, contudo, que passaram por problemas de saúde que enfrentou e por sensíveis questões políticas e religiosas que se foram colocando, fizeram com que os planos de Mendelssohn saíssem furados, e no dia planeado acabou por não haver sinfonia para ninguém.

A estreia acabaria por ter lugar, ainda em Berlim, numa audição privada no dia 15 de Novembro de 1832, passam hoje 183 anos, com os músicos a serem dirigidos pelo próprio compositor. Seria a primeira e última vez que ele dirigiria esta obra.


CDs



Felix Mendelssohn
Symphonies - No.4 in A, 'Italian', Op.90 (original and revised versions); No.5 in D, 'Reformation', Op.107.
Vienna Philharmonic Orchestra
John Eliot Gardiner
Deutsche Grammophon 459 156-2

Felix Mendelssohn
Symphonies - No.3 in A minor, 'Scottish', Op.56; No.5 in D, 'Reformation', Op.107.
Dresden Staatskapelle
Colin Davis
Profil Medien PH05048


Internet



Felix Mendelssohn
Felix Mendelssohn / Bach Cantatas Website / allmusic / Wikipedia

28/09/2014

Violinistas #14: Alina Ibragimova (1985-)

A aniversariante de hoje é a violinista russa Alina Ibragimova, nascida no dia 28 de Setembro de 1985. Embora muito jovem, tem um repertório já muito interessante e diversificado, que vai do barroco (J. S. Bach) ao (quase) contemporâneo (K. A. Hartmann, N. Roslavets), passando pelos grandes clássicos (L. v. Beethoven).


Não deixando de fora o período romântico, conforme se pode verificar pela gravação em anexo, em que interpreta o Concerto para Violino e Orquestra em mi menor de Felix Mendelssohn (1809-1847), com a orquestra (Radio Kamer Filharmonie) a ser dirigida pelo maestro belga Philippe Herreweghe (1947-).


Internet



Alina Ibragimova

15/10/2007

CDs #133: Nash Ensemble, Beethoven, Mendelssohn

A precocidade de Felix Mendelssohn (1809-1847) já foi aqui anteriormente mencionada, quando trouxemos a este canto o Sonho de Uma Noite de Verão. Posteriormente voltámos a falar deste compositor alemão, nessa altura para abordar as últimas obras que compôs. Onde se incluiu o oratório Elijah, de que se falará noutra altura a propósito de um outro disco.

Voltando à precocidade, refira-se que cedo o banqueiro Abraham Mendelssohn (1776-1835) se apercebeu dos dotes musicais dos seus 4 filhos, em particular dos de Felix. Este, na verdade, exibia múltiplos talentos além dos musicais, desde a equitação às línguas antigas, passando pela matemática e pela... dança. Dinheiro era um bem pouco escasso naquela freguesia, pelo que Abraham lhes providenciou os mais reputados professores, com destaque para o de composição, Carl Zelter (1758-1832), amigo pessoal de Goethe (1749-1832).

Em 1825 a família Mendelssohn mudou-se para o Palácio Recksche, geralmente descrito como uma sumptuosa mansão, no número 3 da Leipziger Strasse, em Berlim. Aí começam a ter lugar os Domingos musicais, tornando o lar Mendelssohn um dos pontos mais importantes da cena musical da cidade. A primeira peça lá tocada foi um octeto escrito por Felix Mendelssohn, e que foi dedicado ao violinista e professor Eduard Rietz (1802-1832), por quem tinha uma particular admiração. Terminado há 182 anos, em Outubro de 1825, foi estreado poucos dias depois pelo dedicatário.

Esta foi sempre uma das obras favoritas do seu autor, tendo recebido ainda rasgados elogios de Robert Schumann (1810-1856), que sobre ela afirmou: "Nem nos tempos antigos, nem nos nossos dias, se encontra uma perfeição maior num mestre tão jovem". (*)

(*) Guia da Música de Câmara, de François-René Tranchefort, edição de Outubro de 2004




Ludwig van Beethoven
Clarinet Trio in B flat, Op.11.
Felix Mendelssohn
Octet in E flat major, Op.20.
Nash Ensemble
Wigmore Hall Live WHLive0001
(2005)


Internet

Felix Mendelssohn
Felix Mendelssohn / Classical Music Pages / Wikipedia / Naxos / The Symphony / The John F. Kennedy Center for the Performing Arts

29/07/2007

CDs #125: Robert Schumann, Piano Concerto, Symphony No.4

A viragem da década de 1830 para 1840 coincidiu com mudanças significativas na produção musical do compositor alemão Robert Schumann (1810-1856). Na verdade, se anteriormente tinha escrito principalmente música para piano, em 1840, conforme já aqui referido, dedicou-se quase em exclusivo à música vocal para, no ano seguinte, virar-se para a música sinfónica. Entre Janeiro e Fevereiro de 1841 comporia aquela que seria a sua Sinfonia Nº1, estreada no dia 31 de Março desse mesmo ano, com Felix Mendelssohn (1809-1847) a dirigir a orquestra. Com apreciável sucesso, diga-se, apesar do desconhecimento do público em relação à existência de um Schumann sinfónico.

Logo de seguida começou a trabalhar numa nova sinfonia que, por vicissitudes várias, viria a ser a sua Sinfonia Nº4... Estreada na sua versão original no dia 6 de Dezembro de 1841, esteve longe de registar o sucesso da , pelo que o compositor optou por retirá-la de cena; nessa ocasião a orquestra foi regida por Ferdinand David (1810-1873), que era igualmente um violinista virtuoso, tendo sido o solista na estreia do Concerto para Violino de... Mendelssohn. Só depois da estreia da Sinfonia Nº3, a 6 de Fevereiro de 1851, é que Schumann iria rever aquela que deveria ter sido a segunda sinfonia, e estrear a nova versão no dia 3 de Março de 1853, já sob a designação de Sinfonia Nº4, Op.120, e com o próprio Schumann na regência.

A interpretação aqui hoje trazida não se encontra à venda em formato CD (apenas em DVD), podendo sendo adquirida através da Decca Concerts. Pelo que o título deste texto está errado mas, à falta de melhor...

Robert Schumann faleceu há 151 anos, no dia 29 de Julho de 1856.




Robert Schumann
Genoveva: Overture, Op.81. Piano Concerto in A minor, Op.54. Symphony No.4 in D minor, Op.120.
Martha Argerich (piano)
Gewendhausorchester Leipzig
Riccardo Chailly
Decca Concerts
(2006/7)


Internet

Robert Schumann Robert Schumann Gesellschaft / Classical Music Pages / Classical Net / Wikipedia / Carolina Classical Connection / Robert Schumann: Then, Now and Always

14/05/2007

Compositores #81: Fanny Mendelssohn (1805-1847)

Apesar de, tal como o irmão, ter desde muito cedo mostrado um enorme talento para a música, Fanny Mendelssohn nunca teve a vida facilitada nessa área, pelo simples facto de ser do sexo feminino. Felix Mendelssohn (1809-1847), ao mesmo tempo que solicitava frequentemente as opiniões da irmã sobre as obras que ia compondo, exortava-a a nada publicar, no que era coadjuvado pelo pai de ambos...

O pintor Wilhelm Hensel (1794-1861), irmão da poetisa Luise Hensel (1798-1876), aprendeu a pincelar em Paris, cidade onde teve ainda a oportunidade de exibir bons dotes para a escrita. Talvez os ares internacionais lhe tenham ajudado a ter uma mente mais aberta do que a de uma boa parte dos seus contemporâneos, pois mais tarde, bem casado com Fanny Mendelssohn, foi dos poucos a incentivá-la, não só a compor, como a procurar editar as obras. Tarefa difícil, está bom de ver, e, das poucas que conseguiu editar, algumas foram-no sob o nome do irmão (opp. 8 & 9). O destino tem destas coisas...

Fanny Mendelssohn faleceu há 160 anos, no dia 14 de Maio de 1847. A maioria das suas obras apenas seria publicada a partir da década de 80... do século XX...


CDs



Fanny Mendelssohn
Lieder.
Susan Gritton (soprano), Eugene Asti (piano)
Hyperion CDA67110
(1999)

First Encounter
Johannes Brahms
3 Duets, Op.20 - Weg der Liebe I; Die Boten der Liebe.
Antonín Dvorák
9 Moravian Duets, B62.
Felix Mendelssohn
6 Duets, Op.63.
Fanny Mendelssohn-Hensel
Wenn ich in deine Augen sehe. Im wunderschönen Monat Mai.
Aus meinen Tränen spriessen.
Robert Schumann
3 Lieder, Op.43 - Wenn ich ein Vöglein wär. Spanische
Liebeslieder, Op.138 - Bedeckt mich mit Blumen. Spanisches
Liederspiel, Op.74 - Erste Begegnung; Liebesgram; Botschaft.
Barbara Bonney (soprano), Angelika Kirchschlager (meio-soprano),
Malcolm Martineau (piano)
Sony Classical SK93133

Clara Schumann
Sonata for Piano.
Felix Mendelssohn
Piano Concerto.
Fanny Mendelssohn-Hensel
Das Jahr - February (Scherzo); March (Agitato); May: Spring Song;
September: On the River; December (Allegro molto).
Robert Schumann
Piano Concerto.
Jennifer Eley (piano)
English Chamber Orchestra
Sayard Stone
Koch International 37197-2


Internet

Fanny Mendelssohn
Women of Note / W. W. Norton & Company / Female Ancestors / Wikipedia

07/02/2007

Concertos para Piano #6: Concerto para Piano Nº1, de John Field

Os poucos, mas bons, que por aqui vão passando, já sabem do gosto exacerbado de John Field (1782-1837) pela pinga, que acabaria por lhe prejudicar seriamente a saúde e levar a uma morte prematura. Ironia do destino, a estreia do seu Concerto para Piano Nº1, no dia 7 de Fevereiro de 1799, em Londres, ocorreu no âmbito de um concerto destinado a apoiar "velhos e decadentes músicos ingleses"...

Nessa altura, contudo, o irlandês John Field, com apenas 17 anos, estava no início de uma brilhante carreira. Como pianista, obviamente, admirado por muitos dos mais reputados compositores do seu tempo, mas também como compositor. É que Field, de quem hoje poucos falam, abriu caminho para os grandes românticos, como Frédéric Chopin
(1810-1849), Felix Mendelssohn (1809-1847) e Robert Schumann (1810-1856).

Ao contrário dos noturnos, que lhe garantiram um lugar para a posteridade, as suas obras orquestrais (leia-se concertos para piano) não fazem parte do repertório usual; tal explicar-se-á por o compositor não ter atingido o mesmo brilhantismo neste género, o que muitos atribuem ao facto de, a partir de certo altura da sua vida, ter passado a ter uma visão do mundo geralmente desfocada...


CDs



John Field
Piano Concerto No.1 in E flat major.
Piano Concerto No.2 in A flat major.
Míceál O'Rourke (piano)
London Mozart Players
Matthias Bamert
Chandos CHAN9368
(1994)

John Field
Piano Concerto No.1 in E flat major.
Piano Concerto No.3 in E flat major.
Benjamin Frith (piano)
Northern Sinfonia
David Haslam
Naxos 8.553770


Internet

John Field
Classical Net
/ Wikipedia / NNDB / John Field: The Irish Romantic / Karadar Classical Music / Piano Society :: Nocturnes

05/01/2007

Concertos para Violino #4: Concerto para Violino Nº1, de Max Bruch

Max Bruch (1838-1920) não será, seguramente, dos compositores mais conceituados, com tudo o de subjectivo que tal opinião acarreta. O facto de se ter dedicado assiduamente a escrever bonitas e imaginativas melodias, mas marcadamente conservadoras, explica tal facto. Explica ainda o de raramente por aqui termos mencionado o seu nome; e, se tal aconteceu, foi devido às suas actividades de professor na Berlin Hochschule für Musik, onde leccionou entre 1890 e 1910. Compôs obras corais, óperas, sinfonias e concertos. E, se em vida, foi considerado principalmente como um compositor de obras vocais, foram as concertantes que lhe sobreviveram, das poucas obras que dele vão sendo tocadas. Destas, o lugar de honra vai direitinho para o Concerto para Violino Nº1 que, dos 3 que escreveu para esse instrumento é, de longe, o mais executado. O que é de todo notável, se nos lembrarmos de que esta foi a primeira obra orquestral de grandes dimensões publicada pelo compositor, e com a qual obteve um sucesso impossível de atingir por qualquer outras das suas obras.

Denotando fortes influências de Felix Mendelssohn
(1809-1847) e Johannes Brahms (1833-1897) foi, tal como o Concerto para Violino deste último, dedicado ao grande violionista Joseph Joachim (1831-1907) que, também aqui, foi responsável pela introdução de alterações significativas na partitura. É que, afinal, nem tudo foram facilidades!: inicialmente esboçada em 1857, teve a sua estreia apenas em 1866 e, diga-se em abono da verdade, com pouco sucesso. O que levou Bruch a retirá-la e a introduzir-lhe alterações, várias delas sugeridas por Joseph Joachim, a quem a obra foi dedicada e que a estreou no dia 5 de Janeiro de 1868.


CDs



Max Bruch
Violin Concerto No.1 in G minor, Op.26.
Carl Nielsen
Violin Concerto, FS61.
Nikolaj Znaider (violino)
London Philharmonic Orchestra
Lawrence Foster
EMI 5 56906-2
(1999)

Max Bruch
Violin Concertos - No.1 in G minor, Op.26; No.3 in D minor, Op.58.
Pablo de Sarasate
Navarra, Op.33.
Chloë Hanslip, Mikhail Ovrutsky (violinos)
London Symphony Orchestra
Martyn Brabbins
Warner Classics 0927-45664-2

Max Bruch
Violin Concerto No.1 in G minor, Op.26.
Felix Mendelssohn
Violin Concerto in E minor, Op.64.
Midori (violino)
Berlin Philharmonic Orchestra
Mariss Jansons
Sony Classical SK87740

The Art of Nathan Milstein
Concertos by Bach, Beethoven, Bruch, Lalo and Brahms.
Nathan Milstein (violino)
ORTF National Orchestra
Antál Dorati, István Kertész
Music & Arts CD-1168
(1955, 1959, 1961, 1963)


Internet

Max Bruch
Wikipedia
/ Boosey & Hawkes / Naxos

22/12/2006

Concertos #49

O alemão Felix Mendelssohn (1809-1847) nunca correspondeu, nem de perto nem de longe, ao perfil típico do compositor romântico, que era suposto ser um libertino e levar uma vida, no mínimo, atribulada. Mendelssohn, oriundo de uma família judaica, burguesa e culta (uma não implicando necessariamente a outra...), teve uma vida que, de uma forma geral, pode ser descrita como pacata. O seu envolvimento com a música começou muito cedo e, com 7 anos, chegou a ter lições de piano em Paris com Marie Bigot (1786-1820), principalmente conhecida por, pelos vistos, ser a intérprete favorita de Beethoven (1770-1827).

O casal Abraham e Lea, além de Felix, teve mais 3 filhos: Fanny, Rebecca e Paul. Fanny Mendelssohn (1805-1847), refira-se, foi igualmente uma reputada pianista e compositora. Mas voltando ao nosso assunto: logo à nascença, os pais decidiram baptisar os filhos e, em 1822, eles mesmos converteram-se ao cristianismo. Pois foi no âmbito desse esforço de cristianização que Mendelssohn escreveu música coral sacra, com saliência para os Salmos. Hoje, naquele que será o último concerto a que assistiremos este ano, iremos começar precisamente por ouvir um desses salmos, o Salmo 42, Op.42, "Wie der Hirsch schreit", composto por Mendelssohn em 1837.

A segunda parte deste concerto, que terá lugar na Casa da Música, será preenchida com a Missa em dó menor, KV427, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Fica bem, terminar assim as nossas comemorações do ano Mozart que, naquilo que nos diz respeito, começaram com este DVD e meteram pelo meio uma visita a Salzburgo.


Felix Mendelssohn
Salmo 42, Op.42.
Wolfgang Amadeus Mozart
Missa em dó menor, KV427.
Letizia Scherrer, Katalin Halmai (sopranos),
Jan Kobow (tenor), João Fernandes (baixo)
Orquestra Gulbenkian
Michel Corboz


Internet

Felix Mendelssohn
Wikipedia / Classical Music Pages / The Works of the Composer Mendelssohn / Felix Mendelssohn

20/10/2006

CDs #101: The Art of Campoli

Rezam as crónicas que o violinista italiano Alfredo Campoli (1906-1991) foi sempre um homem modesto, adepto da discrição, e que se sentia incomodado com a etiqueta de virtuoso que muitos lhe atribuíam. Talvez por via disso não conste da maioria dos dicionários, livros e enciclopédias dedicados às coisas da música. E talvez isso também explique o esquecimento em comemorar o centenário do seu nascimento, hoje assinalado.

Para se ter uma ideia do seu virtuosismo precoce, que o tinha, refira-se que, a partir de 1913, tinha Campoli apenas 7 anos, foi impedido de entrar em concursos de violino, porque... obtinha invariavelmente o 1º prémio. A proibição durou 2 anos, pois havia que dar a oportunidade a outros! Os reconhecimentos e distinções regressariam naturalmente e, em 1919, ser-lhe-ia atribuída uma medalha de ouro pela interpreção do Concerto para Violino de Felix Mendelssohn (1809-1847), precisamente uma das obras constantes do disco ora aqui trazido. Concerto este que Campoli terá tocado mais de 900 vezes...

Dificuldades financeiras fizeram-no criar a sua própria orquestra de música ligeira, após o final da 1ª Grande Guerra. Que obteve um sucesso estrondoso, diga-se, granjeando fama qb ao nosso violinista. Curiosamente, Campoli terminaria com a orquestra aquando da 2ª Guerra Mundial, para que ele próprio pudesse visitar as forças no terreno, tendo para elas tocado inúmeras vezes. Em 1944, Campoli tocou o Concerto para Violino, Op.77, de Johannes Brahms (1833-1897) nos Concertos Promenade, com o seu fundador, Henry Wood (1869-1944) a reger a orquestra.

Neste disco Campoli interpreta ainda o Concerto para Violino de Edward Elgar (1857-1934), com o inglês Adrian Boult (1889-1983) a dirigir a Orquestra Filarmónica de Londres
. Boult tinha uma grande admiração por Campoli e uma vez, após terem executado o Concerto para Violino de Brahms, maestro e orquestra ovacionaram Campoli durante 3 minutos, bem medidos, para evidente embaraço do italiano...




The Art of Campoli
Felix Mendessohn
Concerto for Violin and Orchestra in E minor, Op.64.
Edward Elgar
Concerto for Violin and Orchestra in B minor, Op.61.
Alfredo Campoli (violino)
London Philharmonic Orchestra
Eduard van Beinum, Adrian Boult
Beulah 4PD10
(1949, 1954)


Internet

Alfredo Campoli
Biography
/ The New York Times

01/09/2006

CDs #93: Schumann, Brahms, Curzon, Budapest String Quartet

É de todo apropriado considerar 1842 como o "ano da música de câmara" de Robert Schumann (1810-1856) que, nesse ano e num curto espaço de 8 meses, compôs algumas das suas mais importantes obras, como os 3 Quartetos de Cordas, o Quinteto para Piano e Cordas e a Phantasiestücke. Foi o seu primeiro ciclo de música de câmara, durante o qual não se dedicou a qualquer outro género musical, e o único em que escreveria peças para mais de 3 instrumentos.

Do Quinteto para Piano e Cordasaqui falámos anteriormente, e do apreço que por ele mostraram tanto Richard Wagner (1813-1883) como Felix Mendelssohn (1809-1847). Este último teve mesmo intervenção decisiva na versão final da obra, dedicada e destinada a Clara Schumann (1819-1896), presumivelmente com o fito de celebrar o fim da longa espera pelo casamento, pela oposição obstinada do pai de Clara (história contada aqui). Foi Mendelssohn quem substituiu uma Clara indisposta na primeira audição privada da obra, no dia 6 de Dezembro de 1842 e, de imediato, propôs algumas alterações, nomeadamente nos e 3º andamentos. Propostas aceites por Schumann, e já introduzidas aquando da estreia pública do quinteto, no dia 8 de Janeiro de 1843, dessa vez já com Clara Schumann ao piano, acompanhada por músicos do Gewandhaus.

Esta obra é, indubitavelmente, uma das mais importantes de todo o repertório de música de câmara, e o autor do texto que acompanha o disco aqui trazido hoje, Tully Potter, afirma mesmo que "Robert Schumann never wrote anything better than this Piano Quintet, one of the most perfect creations in Western music". As interpretações neste disco estão a cargo do grande pianista inglês Clifford Curzon (1907-1982) e do Quarteto de Cordas de Budapeste.

Clifford Curzon faleceu há 24 anos, no dia 1 de Setembro de 1982.




Robert Schumann
Quintet in E flat major for Piano and Strings, Op.44.
Johannes Brahms
Quartet No.2 in A major for Piano and Strings, Op.26.
Clifford Curzon (piano)
Budapest String Quartet
Naxos 8.110306
(1951, 1952)


Internet

Robert Schumann
Biography
/ Classical Music Pages / Wikipedia

Clifford Curzon
Decca / Wikipedia

Budapest String Quartet
Biography / Wikipedia

05/07/2006

Concertos #42

No próximo dia 29 de Julho assinalam-se os 150 anos do falecimento do compositor alemão Robert Schumann (1810-1856), um dos mais importantes compositores do período romântico. É, aliás, geralmente considerado como um dos que melhor personalizou o ideal romântico, pelas obras que criou e pela vida que teve.

Aqui merece especial relevo a odisseia por que passou para conseguir casar com Clara Wieck (1819-1896), filha do seu professor Friedrich Wieck (1785-1873), por quem Schumann se tinha apaixonado aí por volta de 1835. Enlace a que o pai Wieck se opôs de todas as formas e feitios, de tal forma que o casamento apenas teria lugar em Setembro de 1840.

E se até aí Schumann tinha composto maioritariamente música para piano, nesse ano dedicou-se essencialmente a escrever canções, datando dessa altura mais de metade da sua produção do género. Virou-se depois para a música orquestral e, num curto espaço de 4 dias, entre 23 e 26 de Janeiro de 1841, esboçou aquela que viria a ser a sua Sinfonia Nº1. A orquestração ficaria finalizada no mês seguinte, e a estreia aconteceria a 31 de Março de 1841, com Felix Mendelssohn (1809-1847) à frente da orquestra. Pouco à-vontade nas grandes orquestrações, Schumann comporia apenas mais 3 sinfonias.

É com esta sinfonia que na próxima 6ª Feira a Casa da Música
iniciará a integral das sinfonias de Schumann. Desta vez à frente da Orquestra Nacional do Porto estará o maestro Dietfried Bernet. E estaremos lá nós também, claro!


Programa

Anton Webern
Passacaglia, Op.1.
Robert Schumann
Sinfonia Nº1.
Johannes Brahms
Sinfonia Nº1.
Orquestra Nacional do Porto
Dietfried Bernet


Internet

Robert Schumann
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Classical Net / Carolina Classical

12/01/2006

CDs #67: Beethoven, Brahms, Violin Concertos

A estreia do Concerto para Violino de Beethoven, no dia 23 de Dezembro de 1806, esteve longe de ser aquilo a que se poderia chamar um grande sucesso. Consta que Franz Clement, o violinista na estreia, mal teve tempo para estudar o concerto, terminado por Beethoven pouco tempo antes, tendo mesmo tocado a parte solo sem nunca a ter ensaiado. Além disso, os 3 andamentos foram tocados separadamente e nos intervalos, para entreter a audiência, Clement exibiu alguns dos seus dotes como, por exemplo, tocar com o violino de pernas para o ar...

Passar-se-iam largos anos sem que o concerto entrasse definitivamente no repertório internacional, até que Joseph Joachim (1831-1907) o tocou em Londres em 1844, com Felix Mendelssohn (1809-1847) a dirigir a orquestra. E foi assim que um adolescente pegou numa obra por muitos considerada impossível de ser tocada e a transformou numa das mais admiradas e interpretadas.

Joseph Joachim viria mesmo a ser o principal elo de ligação entre as duas obras que constituem o disco hoje aqui trazido: no Verão de 1878, Johannes Brahms (1833-1897) finalizaria o seu Concerto para Violino, dedicado ao seu amigo de longa data Joseph Joachim e por este estreado no dia 1 de Janeiro de 1879, após algumas modificações impostas pelo violinista, conforme recentemente aqui referimos.

Para o Concerto para Violino de Beethoven a RCA juntou, em 1940, duas das suas principais estrelas: o violinista norte-americano de origem russa Jascha Heifetz (1901-1987) e o maestro italiano Arturo Toscanini (1867-1957). Em 1937, a National Broadcasting Company (NBC) convidou o maestro, na altura com 70 anos, a dirigir uma orquestra acabada de formar com músicos do mais alto calibre, a NBC Symphony Orchestra
. Pretendia-se que, semanalmente, a orquestra tocasse para emissões radiofónicas, bem como gravasse frequentemente discos. A gravação do Concerto para Violino de Beethoven foi um dos resultados dessas decisões.

Arturo Toscanini faleceu há 49 anos, no dia 16 de Janeiro de 1957.



Ludwig van Beethoven
Violin Concerto in D major, Op.61.
Johannes Brahms
Violin Concerto in D major, Op.77.
Jascha Heifetz (violino)
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitzky
Naxos Historical 8.110936
(1940, 1939)


Internet

Ludwig van Beethoven
LvBeethoven.com
/ Beethoven: A Musical Titan / Classical Music Pages

Joseph Joachim
Biografia
/ NNDB / Wikipedia

Arturo Toscanini
Toscanini Online
/ The Recorded Legacy / Opera Italiana

08/01/2006

Quintetos com Piano #1: Quinteto para Piano e Cordas, Op.44, de Schumann

"O seu Quinteto, meu muito caro Schumann, agradou-me deveras; pedi à sua cara esposa que o tocasse duas vezes. Ainda trago muito presentes no espírito os dois primeiros andamentos. Quanto ao Finale, ter-me-ia sem dúvida agradado mais se o tivesse podido escutar uma vez isoladamente. Vejo o caminho que pretende seguir, e posso assegurar-lhe que é também o meu, nele se encontra a única possibilidade de salvação: a beleza".

O texto é de Richard Wagner (1813-1883), após ter ouvido, em Dresden, o Quinteto para Piano e Cordas, Op.44, de Robert Schumann (1810-1856). Estava-se em Fevereiro de 1843 e a obra tinha sido estreada pouco tempo antes, no dia 8 de Janeiro, passam hoje 163 anos.

Não foi opinião consensual, todavia, e, como em (quase) tudo na vida, houve quem não nutrisse especial admiração pela obra. A começar por Hector Berlioz (1803-1869), alvo de um ódio de estimação de Clara Schumann, pelo facto de a audição do quinteto o ter deixado "indiferente, frio e mesmo impertinente". E já agora Franz Liszt (1811-1886) que, em Junho de 1848, não se limitou a não gostar da obra, ainda fez questão de troçar dela e referir-se a Mendelssohn (1809-1847) de uma forma pouco simpática.

A admiração de Schumann por Mendelssohn já vinha do passado, desde a altura em que este terminou os seus Quartetos, Op.44, aí por volta de 1838. Estes quartetos viriam a influenciar decisivamente Schumann que, assim que terminou os seus, em 1842, fez questão de que Mendelssohn os ouvisse logo que possível, o que veio a acontecer em Setembro desse ano. O próprio Schumann viria depois a revelar o prazer que sentiu quando Mendelssohn exprimiu admiração pelo que acabara de ouvir. Compreender-se-á então o sururu que a atitude de Liszt levantou, apenas meio ano depois do falecimento de Mendelssohn e sabendo o quanto Schumann tinha ficado afectado pelo trágico acontecimento.


CDs



Robert Schumann
Piano Concerto in A minor, Op.54. Piano Quintet in E flat major, Op.44.
Maria João Pires (piano), Augustin Dumay, Renaud Capuçon (violinos),
Gérard Caussé (viola), Jian Wang (violoncelo)
Chamber Orchestra of Europe
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 463 179-2

Robert Schumann
Andante and Variations, Op.46. Fantasiestück, Op.73.
Märchenbilder, Op.113. Piano Quintet, Op.44.
Martha Argerich, Alexandre Rabinovitch (pianos), Mischa Maisky,
Natalia Gutman (violoncelos), Marie Luise Neunecker (trompa),
Dora Schwazberg, Lucy Hall (violinos), Nobuko Imai (viola)
EMI 5 57308-2

Robert Schumann
Piano Quintet in E flat major, Op.44.
Johannes Brahms
Piano Quartet No.2 in A major, Op.26.
Clifford Curzon (piano), Budapest Quartet
Naxos 8.110306

Robert Schumann
Piano Quintet in E flat major, Op.44.
Gabriel Fauré
Piano Quintet No.2 in C minor, Op.115.
James Ehnes, Mira Wang (violinos), Naoko Shimizu (viola),
Jan Vogler (violoncelo), Louis Lortie (piano)
Sony Classical SMK93038


Internet

Robert Schumann: Catalogue
/ Carolina Classical / Classical Music Pages

20/11/2005

Pianistas #7: Anton Rubinstein (1829-1894)

A família Rubinstein esteve ligada ao compositor russo Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) nalguns dos mais importantes momentos da sua carreira, algo que já por aqui tivemos a oportunidade de referir no passado: Tchaikovsky foi aluno de Anton Rubinstein no Conservatório de S. Petersburgo, em meados dos anos 60 e, mais tarde, em 1874, ir-se-ia dar a cena da recusa de Nikolai Rubinstein (1835-1881), irmão de Anton, em tocar o seu Concerto para Piano Nº1.


Anton Rubinstein

Anton Rubinstein, falecido há 111 anos, é aqui apresentado como pianista, porque foi como tal que começou por se notabilizar. Menino prodígio, com 11 anos já realizava turnés europeias e, ainda muito novo, teve a oportunidade de se cruzar com Frédéric Chopin
(1810-1849), Franz Liszt (1811-1886) e Felix Mendelssohn (1809-1847).

Rubinstein foi um crítico do movimento nacionalista russo, cujo rosto mais visível foi o grupo Os Cinco, de que por aqui
se falou há uns dias atrás, e que lhe valeu mesmo uma troca de mimos com Mily Balakirev (1837-1910). É que Rubinstein fundou a Sociedade Musical Russa, em 1859, e o Conservatório de S. Petersburgo, em 1862, para "combater o amadorismo desse movimento nacionalista"...

Até 1867, Rubinstein foi director e professor do Conservatório, período durante o qual teve Tchaikovsky como aluno. Depois, voltou à sua carreira de pianista e dedicou-se igualmente à composição. Esta última faceta será porventura a menos conhecida nos dias de hoje, apesar de ter registado alguns sucessos enquanto vivo. Prolífico, escreveu cerca de 2 dezenas de óperas, oratórios, 6 sinfonias, 5 concertos para piano, música de câmara e obras vocais.

Tem-se assistido, nos últimos tempos, a um reavivar do interesse pela obra de Rubinstein, e ainda recentemente a Hyperion lançou um disco com o Concerto para Piano Nº4. Já o encomendei há várias semanas mas, aparentemente, está sem stock em Inglaterra. Talvez consequência dos sarilhos em que aquela editora se meteu...


CD



Xaver Scharwenka
Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.32.
Anton Rubinstein
Piano Concerto No.4 in D minor, Op.70.
Marc-André Hamelin (piano)
BBC Scottish Symphony Orchestra
Michael Stern
Hyperion CDA67508


Internet

Anton Rubinstein: Biografia 1
/ Biografia 2 / Biografia 3

06/11/2005

Concertos #27

A peça O Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare (1564-1616), serviu de inspiração a muita gente das mais diversas áreas, nomeadamente da 7ª arte e da musical. A primeira obra siginificativa neste último campo, que é aquele que aqui nos interessa, baseada nesta peça, foi a semi-ópera The Fairy Queen, escrita em 1692 pelo compositor inglês do período barroco Henry Purcell (1659-1695).



O extraordinário concerto a que tive a sorte de poder assistir ontem começou e acabou com outras 2 obras inspiradas nesta comédia de Shakespeare: a Abertura Óberon, de Carl Maria von Weber (1786-1826), e a música de cena Sonho de Uma Noite de Verão
, de Felix Mendelssohn (1809-1847).


Carl Maria von Weber

Weber foi o fundador da ópera romântica alemã, tendo obtido o seu primeiro grande sucesso com Der Freischütz, composta em 1821. Sob convite, viria depois a escrever Oberon, cuja estreia teria lugar no Covent Garden, de Londres, no dia 12 de Abril de 1826. Contrariando a opinião do seu médico, Weber deslocou-se a Londres para assistir à estreia. Lá faleceu em Junho, na véspera de regressar à Alemanha.

As interpretações estiveram a cargo das sopranos Charlotte Mobbs, Katharine Fuge e Elin Manahan Thomas, das meios-sopranos Clare Wilkinson, Margaret Cameron e Frances Bourne, e da Orchestre Révolutionnaire et Romantique, dirigida pelo maestro John Eliot Gardiner.


John Eliot Gardiner

De Gardiner falarei certamente noutras alturas, quem está por dentro destes assuntos sabe que este antigo aluno de Nadia Boulanger
(1887-1979) é hoje (e de há umas décadas para cá...) um dos maestros mais conceituados, especialista em interpretações utilizando instrumentos da época, e fundador e director artístico do Monteverdi Choir (1964), dos English Baroque Soloists (1978) e da Orchestre Révolutionnaire et Romantique (1990).


Programa

Carla Maria von Weber
Abertura Óberon.
Felix Mendelssohn
Sinfonia Nº3, Op.56, "Escocesa".
Sonho de Uma Noite de Verão, Op.61.


Internet

John Eliot Gardiner: Biografia 1
/ Biografia 2 / Official website of the Monteverdi Choir, English Baroque Soloists & Orchestre Révolutionnaire et Romantique
Carl Maria von Weber: Biografia 1
/ Biografia 2 / Óperas