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11/01/2015

Pianistas #41: Irene Scharrer (1888-1971)

A primeira pianista a passar por aqui foi a inglesa Myra Hess (1890-1965), já lá vão mais de 10 anos. Hoje a convidada é uma outra pianista, igualmente inglesa, Irene Scharrer de seu nome. Que, além do instrumento de eleição, teve vários outros pontos em comum com Myra Hess: ambas estudaram na Royal Academy of Music, onde foram alunas de Tobias Matthay (1858-1945), e tocaram frequentemente em conjunto, tanto peças para dois pianos como para piano a quatro mãos.

A certa altura Irene Scharrer estava destinada a ser a intérprete a estrear o Concerto para Piano do inglês Edward Elgar (1857-1934), pelo menos parecia ser essa a intenção do compositor. Que ela colaborou com Elgar durante o processo de escrita desta obra é indiscutível, conforme se pode confirmar pela entrada (retirada daqui) do dia 27 de Outubro de 1918 do diário de Alice Elgar, esposa do compositor (note-se que Irene Lubbock era o novo nome de Irene Scharrer, resultante do casamento recente):

"E. and A. at The Hut - mild day but damp - not out and Irene Lubbock came to lunch and then E. played her P. Concerto phrase and she did it beautifully and E. told her she shd. have the 1st. performance so she was absolutely delighted - Then Frank and Irene & Mr. Spring Rice went to Eton by river & Mr. C. Lennox came and had most interesting talk and E. played to him wh. made him vapid with delight."

A morte de Alice Elgar, em Abril de 1920, adiou (ainda mais) a composição deste concerto e, apesar de a ele ter regressado frequentemente, nunca o viria a terminar, tendo-nos deixado apenas esboços.

Irene Scharrer faleceu no dia 11 de Janeiro de 1971, passam hoje 44 anos.


CD


Irene Scharrer: The Complete Electric and Selected Acoustic Recordings
Irene Scharrer (piano)
London Symphony Orchestra, Henry Wood
New Symphony Orchestra, Landon Ronald
APR APR6010
(1925-1933)


Internet



Irene Scharrer


13/03/2008

Pianistas #22: Gerald Moore (1899-1987)

Em condições para nós hoje dificilmente imagináveis, a pianista inglesa Myra Hess (1890-1965) manteve os seus recitais da hora de almoço durante o decorrer da 2ª Guerra Mundial, história já contada aqui e aqui. Foi um exemplo extraordinário de cooperação entre as artes, com a pictórica a ser substituída pela musical: os quadros tinham sido retirados da National Gallery como medida de precaução, entraram Myra Hess e os músicos por ela convidados.

Um deles foi o pianista, igualmente inglês, Gerald Moore, que lá foi falar da arte de acompanhar. "Arte de acompanhar?!", interrogar-se-ão alguns. É que Gerald Moore elevou essa arte a um patamar jamais atingido anteriormente, ao ponto de se poder afirmar que trocou a lógica do sistema: cantor(a) que fosse por ele acompanhado(a), ou já era consagrado(a) ou para lá certamente caminhava! E tocou com grandes cantores, como Janet Baker (1933-), Victoria de los Angeles (1923-2005), Dietrich Fischer-Dieskau (1925-), Hans Hotter (1909-2003) e Elisabeth Schwarzkopf (1915-2006), ajudando a divulgar algumas das canções (lieder) menos conhecidas de Franz Schubert (1797-1828), Richard Strauss (1864-1949) e Hugo Wolf (1860-1903). Quase tudo músicos e compositores que já por aqui passaram.

Gerald Moore deixou os palcos há 40 anos, em 1967, mais de 40 depois de se ter estreado, e faleceu há 21, no dia 13 de Março de 1987.


CDs





Franz Schubert
Die schöne Müllerin. Nacht und Träume. Ständchen.
Du bist die Ruh'. Erlkönig.
Dietrich Fischer-Dieskau (barítono),
Jorg Demus, Gerald Moore (pianos)
Deutsche Grammophon 463 502-2

Franz Schubert
Lieder.
Dietrich Fischer-Dieskau (barítono), Gerald Moore (piano)
EMI Encore 5 74754-2

Franz Schubert
Lieder - Die schöne Müllerin; Winterreise; Schwanengesang.
Dietrich Fischer-Dieskau (barítono), Gerald Moore (piano)
Deutsche Grammophon 477 5765

Franz Schubert
Winterreise, D911.
Dietrich Fischer-Dieskau (barítono), Gerald Moore (piano)
INA Mémoire Vive IMV058

Hand Hotter
Wolf Lieder Recital.
Hans Hotter (baixo-barítono), Gerald Moore (piano)
Testament SBT1197

Elisabeth Schwarzkopf
The unpublished EMI Recordings 1955-1984.
Elisabeth Schwarzkopf (soprano), Gerald Moore,
Walter Gieseking (pianos)
Testament SBT1206

The Fabulous Victoria de Los Angeles
A Lifetime Achievement.
Victoria de los Angeles (soprano), Gerald Moore (piano)
French Radio National Chorus
Lamoureux Concert Orchestra
French Radio National Orchestra
Jean-Pierre Jacquillat, Thomas Beecham
Testament SBT1246

The Very Best of Janet Baker.
Janet Baker (meio-soprano), Gerald Moore, Geoffrey Parsons,
Daniel Barenboim, André Previn (pianos)
John Alldis Choir
Ambrosian Singers
Academy of St Martin in the Fields
English Chamber Orchestra
National Philharmonic Orchestra of London
Hallé Orchestra
London Symphony Orchestra
Neville Marriner, Fruhbeck de Burgos, Adrian Boult,
John Barbirolli, André Previn, Philip Ledger
EMI 5 75069-2

de los angeles
Berlioz - Scarlatti - Handel - Schubert - Schumann -
Stravinsky - Ravel - Duparc - Brahms
Victoria de los Angeles (soprano), Gerald Moore (piano)
BBC Symphony Orchestra
Rusolf Schwarz
BBC Legends BBCL4101-2

Dietrich Fischer-Dieskau
An die Musik.
Dietrich Fischer-Dieskau (barítono), Daniel Barenboim,
Jorg Demus, Gerald Moore, Sviatoslav Richter, Wolfgang
Sawallisch, Karl Engel, Hermann Tottcher (pianos)
Berlin Philharmonic Orchestra
Karl Böhm, Ferenc Fricsay
Deutsche Grammophon 477 5556

Dietrich Fischer-Dieskau
Die Salzburger Liederabende 1956-1965.
Dietrich Fischer-Dieskau (barítono), Gerald Moore,
Erik Werba (pianos), Irmgard Seefried (soprano)
Orfeo d'Or C339 050T


Internet

Gerald Moore
allmusic / Wikipedia / Answers.com

08/11/2007

CDs #140: Bax, Piano Sonatas Nos.1 and 2

O londrino Tobias Matthay (1858-1945), de quem já aqui se falou anteriormente, foi um dos mais influentes professores de piano entre os finais do século XIX e a primeira metade do século XX, tendo passado pelas suas classes alguns notáveis músicos, como York Bowen (1884-1961), Myra Hess (1890-1965), Harriet Cohen (1895-1967), Clifford Curzon (1907-1982), Moura Lympany (1916-2005) e Arnold Bax (1883-1953). Tal como aconteceu com York Bowen, as primeiras obras de Bax foram maioritariamente escritas para o piano; só que, ao contrário de Bowen, as carreiras de Bax como pianista e compositor não foram um sucesso imediato. As suas composições, no entanto, lá foram lenta mas seguramente ganhando popularidade e, na segunda metade da década de 1910, era ver Harriet Cohen e Myra Hess pelarem-se para tocarem as suas obras... Com uma certa supremacia de Harriet Cohen, há que reconhecer, com quem Bax estabeleceu uma relação especial e a quem dedicou várias dessas obras.

A prova de que o sucesso imediato não é obrigatoriamente sinónimo de sucesso duradouro é o facto de a música de Bax ser hoje em dia bem mais divulgada do que a de Bowen. Excepto para os estimados leitores do desNorte, evidentemente, já que tanto um como o outro vão aparecendo por estas páginas! Indubitavelmente que à editora low-cost Naxos cabe uma boa dose da responsabilidade pelo facto de Bax não ser menos conhecido na actualidade. Um dos discos que editou, em 2004, contém algumas das suas obras para piano, com especial destaque para as duas primeiras das 4 sonatas que compôs. A primeira delas foi escrita por Bax em 1910, quando se encontrava na Ucrânia; a versão original foi estreada por Myra Hess em Abril de 1911, e a definitiva por Harriet Cohen em Junho de 1920. Pouco antes Bax tinha terminado a segunda sonata, estreada em Novembro de 1919 pelo seu amigo Arthur Alexander e, na sua versão revista, por Harriet Cohen, em Junho do ano seguinte. Parece que esta sonata foi também dedicada a Harriet Cohen, mas como a dedicatória no manuscrito foi rabiscada por ela mesma há algumas dúvidas...




Arnold Bax
Piano Sonata No.1 in F sharp minor. Piano Sonata No.2.
Dream in Exile: Intermezzo. Burlesque. Nereid. In a Vodka Shop.
Ashley Wass (piano)
Naxos 8.557439
(2003)


Internet

Tobias Matthay
Royal Academy of Music / The American Matthay Association for Piano / Wikipedia

Arnold Bax
The Sir Arnold Bax Website / Naxos / Wikipedia / Karadar Classical Music

19/02/2006

CDs #72: Joseph Szigeti, Brahms

33 anos faleceu um extraordinário violinista, Joseph Szigeti (1892-1973), norte-americano de origem húngara. Tendo dado nas vistas desde muito novo, Joseph Joachim (1831-1907) chegou a propor dar-lhe aulas, numa altura, em 1906, em que Szigeti vivia na Alemanha. Declinou a oferta e preferiu mudar-se para Londres, onde viveu até 1913 e teve a oportunidade de ser dirigido por Thomas Beecham (1879-1961) e de tocar com músicos como a soprano Nellie Melba (1861-1931) e os pianistas Wilhelm Backhaus (1884-1969) e Myra Hess (1890-1965).

Numa das obras constantes do disco aqui hoje trazido, o Quarteto para Piano Nº3 de Johannes Brahms (1833-1897), Szigeti é acompanhado precisamente por Myra Hess, bem como pelo violista Milton Katims (1909-) e pelo violoncelista Paul Tortelier (1914-1990). Este quarteto de Brahms nasceu de parto difícil, aí coisa para ter durado uns bons 20 anos! Começado a conceber em 1856, apenas em 1875 o compositor o terminaria tendo, no entretanto, conhecido várias versões e arranjos. A estreia, em Fevereiro de 1876, contou com o próprio Brahms ao piano.

1856, recordemos, foi o ano da morte de Robert Schumann (1810-1856), depois de, 2 anos antes, ter começado a sofrer de alucinações e tentado o suicídio, o que impressionou profundamente Brahms. Este quarteto é assim atravessado por uma atmosfera sombria, de quase desespero, espelho dos acontecimentos à altura em que começou a ser escrito, e que resistiu às alterações posteriormente introduzidas pelo compositor. Que, aquando da sua publicação, escreveu ao editor:

"Na capa deve ter uma fotografia, de uma cabeça com uma pistola a ela apontada. Isto dar-lhe-á uma ideia da música. Para o efeito, envio-lhe uma fotografia minha!..."



Johannes Brahms
Violin Sonata No.1 in G, Op.78.
Piano Quartet No.3 in C minor, Op.60.
Joseph Szigeti (violino), Mieczyslaw Horszowski, Myra Hess (pianos),
Milton Katims (viola), Paul Tortelier (violoncelo)
Biddulph 80212-2
(1951, 1952)


Internet

Brahms
Johannes Brahms WebSource
/ Classical Music Pages

Szigeti
Legendary Violinists
/ Wikipedia

25/11/2004

Músicos #2: Myra Hess (1890-1965)

Os intérpretes estiveram até agora ausentes do desNorte, algo que carecia de ser rapidamente corrigido. Aproveito então o 39º aniversário do falecimento da extraordinária pianista inglesa Myra Hess, que hoje se assinala, para começar a colmatar essa falha.


Myra Hess

Nascida em Londres a 25 de Fevereiro de 1890, aos 5 anos já tocava os primeiros acordes no piano, aos 7 estudava na Guildhall School of Music
, passando posteriormente para a Royal Academy of Music, onde foi aluna de Tobias Matthay.

A estreia aconteceu em Londres em 1907, tinha Myra Hess 17 anos, com Thomas Beecham (1879-1961) à frente da orquestra. A obra escolhida foi o Concerto para Piano Nº4 de Ludwig van Beethoven (1770-1827).

Aos 18 anos escreveu um ensaio a que chamou Como tocar Beethoven, o que surpreendeu os meios musicais londrinos, não habituados a semelhantes audácias juvenis...

Houve dois momentos cruciais que catapultaram a sua carreira: em Fevereiro de 1912 interpretou o Concerto para Piano de Schumann em Amesterdão, com a Concertgebouw Orchestra dirigida por Willem Mengelberg (1871-1951), e em 1922 deu o seu primeiro concerto em Nova Iorque, que resultou num sucesso estrondoso.

O seu repertório, inicialmente muito vasto, foi reduzido ao longo do tempo, acabando por se concentrar num pequeno número de compositores, entre os quais Beethoven, Mozart e Schumann. As suas interpretações de Schumann foram particularmente apreciadas, e hoje temos a felicidade de as poder saborear através de algumas gravações disponíveis no mercado (ver lista mais abaixo).

Ao longo da sua carreira tocou com alguns dos mais conceituados músicos, formando uma lista notável: Ernest Ansermet (de que falei no post do dia 11 de Novembro), Thomas Beecham, Adrian Boult, Pablo Casals, Serge Koussevitsky, Willem Mengelberg, Dimitri Mitropoulos, Isaac Stern, Leopold Stokowski, Arturo Toscanini, Bruno Walter.




Durante a II Guerra Mundial Myra Hess organizou uma série de recitais à hora de almoço na National Gallery
, em Londres. Foram mais de 1300 os concertos efectuados, que não foram interrompidos mesmo quando Londres estava a ser bombardeada, e que lhe valeram ter sido nomeada Dama do Império Britânico. Grande senhora, grandes audições!


CDs



The Complete Pre-war Schumann Recordings.
Myra Hess, piano
Orquestra, Walter Goehr
Naxos Historical 8.110604

Beethoven. Wagner.
Myra Hess (piano)
NBC Symphony Orchestra, Arturo Toscanini
Naxos Historical 8.110804

Live Recordings from the University of Illinois, 1949.
Brahms. Chopin. Schubert. Scarlatti.
Myra Hess, piano
APR APR5520


Internet