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28/07/2019

Pianistas #64: Colin Horsley (1920-2012)

Lennox Berkeley (1903-1989) foi um dos muitos, e brilhantes, compositores que passou pelas aulas de Nadia Boulanger (1887-1979), que frequentou entre 1927 e os inícios da década de 1930. O facto de ter também estudado com Maurice Ravel (1875-1937), vir-se-ia a traduzir numa notória influência francesa na sua obra. Desta constam várias peças para piano, alguma das quais escritas para o pianista neo-zelandês Colin Horsley. E não foi necessário que as partituras viajassem até aos antípodas (ou perto disso), deu-se apenas o caso de Horsley ter vivido a maior parte da sua vida no Reino Unido...

Esta estreita ligação a Lennox Berkeley é, sem dúvida, o melhor cartão de apresentação de Colin Horsley. Sendo que nas costas desse cartão terão que constar obrigatoriamente os nomes de outros dois grandes intérpretes, o trompista Dennis Brain (1921-1957) e o violinista Max Rostal (1905-1991), com quem tocou frequentemente.

Colin Horsley faleceu há 7 anos, no dia 28 de Julho de 2012.


CDs



Frederick Delius
Violin Sonata No.2.
Edward Elgar
Violin Sonata in E minor, Op.82.
William Walton
Violin Sonata.
Max Rostal (violino), Colin Horsley (piano)
Testament SBT1319

Lennox Berkeley
Piano Sonata in A major, Op.20. Six Preludes, Op.23. Scherzo in D major, Op.32 No.2.
Impromptu in G minor, Op.7 No.1.
Arthur Benjamin
Pastorale, Arioso and Finale. Scherzino. Études Improvisées. Siciliana.
Colin Horsley, Lamar Crowson (pianos)
Lyrita REAM2109


YouTube




Colin Horsley
The Guardian / The Independent / The Telegraph / Wikipedia

19/05/2019

Clarinetistas #4: Fiona Cross (1966-)


Joseph Horovitz (1926-) é um compositor (e maestro) britânico, nascido em Viena mas residente em Inglaterra desde muito novo, com a família a mudar-se para aquele país em 1938 para fugir dos nazis. Foi mais um dos alunos que passou pelas aulas de Nadia Boulanger (1877-1979) que, como professora, foi das personalidades que mais marcaram a música do século passado.

O conjunto de obras de Horovitz não é muito extenso, chegando, no caso das obras orquestrais, os dedos das duas mãos para as contar. Uma delas é um Concerto para Clarinete, escrito em 1956 e que aqui aparece interpretado pela nossa aniversariante de hoje, a clarinetista Fiona Cross, nascida neste dia 20 de Maio mas do ano de graça de 1966.


CD



Joseph Horovitz
Four Concertos
Clarinet Concerto. Concerto for Euphonium and Chamber Orchestra.
Violin Concerto. Jazz Concerto for Piano, String and Percussion.
Fiona Cross (clarinete), Steven Mead (euphonium),
Andrew Haveron (violino), David Owen Norris (piano)
Royal Ballet Sinfonia
Joseph Horovitz
Dutton Digital Epoch CDLX7188


Fiona Cross
Manchester Camerata / Trinity Laban Conservatoire of Music and Dance / Adderbury Ensemble

23/04/2017

Pianistas #50: Colin Horsley (1920-2012)

Lennox Berkeley (1903-1989) foi mais um dos ilustres alunos da extraordinária professora Nadia Boulanger (1887-1979), que começou pela composição mas que cedo se virou para o ensino, após a morte em 1918 da sua irmã Lili Boulanger (1893-1918). E que sucesso ela teve no ensino, a lista dos alunos que passaram pelas suas aulas é algo de único no mundo da música.


Pois do inglês Lennox Berkeley diz-se habitualmente que deixou uma marca indelével na música britânica, apesar de não ter atingido a notoriedade de Benjamin Britten, Michael Tippett ou William Walton, o que é, simultaneamente, uma coisa simpática e assim não tão simpática para se dizer sobre alguém, mas que, neste caso, não andará longe da realidade.

O pianista Colin Horsley não era inglês, longe disso (se atendermos ao facto da Nova Zelândia ficar do outro lado do globo...), mas foi estudar para Londres em 1936 e acabaria por desenvolver toda a sua carreira em Inglaterra. Além de ter encomendado algumas obras a Lennox Berkeley, teve a oportunidade de estrear um apreciável número de outras deste compositor, entre as quais, em 1948, o Concerto para Piano, uma obra que tinha sido finalizada nesse mesmo ano.

Colin Horsley nasceu no dia 23 de Abril de 1920, passam hoje 97 anos.


CDs



'Colin Horsley - Rachmaninoff Preludes & Transcriptions'
Colin Horsley (piano)
Atoll Music ACD442
(1954-59)

Frederick Delius
Violin Sonata No.2.
Edward Elgar
Violin Sonata in E minor, Op.82.
William Walton
Violin Sonata.
Max Rostal (violino), Colin Horsley (piano)
Testament SBT1319

Lennox Berkeley
Piano Sonata in A major, Op.20. Six Preludes, Op.23. Scherzo in D major, Op.32 No.2.
Impromptu in G minor, Op.7 No.1.
Arthur Benjamin
Pastorale, Arioso and Finale. Scherzino. Études Improvisées. Siciliana.
Colin Horsley, Lamar Crowson (pianos)
Lyrita REAM2109


Internet



Colin Horsley
The Telegraph / the guardian / Independent / Wikipedia

16/04/2017

Obras Orquestrais #33: Lichens, de Iannis Xenakis

Iannis Xenakis (1922-2001) cedo começou a utilizar nas suas composições os vastos conhecimentos matemáticos que possuía, baseando muitas das suas obras em programas informáticos e equações matemáticas por ele desenvolvidos. Não será, portanto, de admirar, que vários distintos nomes da música o tenham rejeitado como aluno, numa altura em que ele já vivia em Paris: Nadia Boulanger (1887-1979), primeiro, Arthur Honegger (1892-1955) e Olivier Messiaen (1908-1992), depois. Este último, sabedor do curriculum do candidato a aluno, depois de salientar a idade de Xenakis (na altura com quase 30 anos) e a sorte que este tinha em ser grego, arquitecto e ter estudado matemática, aconselhou-o a tirar o melhor partido de tudo isso nas suas obras musicais e... despachou-o...

Xenakis deixou-nos um significativo conjunto de obras instrumentais, de música de câmara, orquestrais e "avant-garde". Lichens, de 1983, é uma obra orquestral para 96 músicos, com uma duração aproximada de 16 minutos, e que foi estreada pela Orquestra Filarmónica de Liège, dirigida por Pierre Bartholomée (1937-), no dia 16 de Abril de 1984, passam hoje 33 anos.


CD



Iannis Xenakis
Jonchaies. Shaar. Lichens. Antikhthon.
Luxembourg Philharmonic Orchestra
Arturo Tamayo
Timpani 1C1062


Internet



Iannis Xenakis
Iannis Xenakis / the guardian / Wikipedia

12/11/2016

Compositores #119: Walter Piston (1894-1976)

O norte-americano Walter Piston foi mais um do notável conjunto de alunos de Nadia Boulanger (1887-1979), no seu caso em meados da década de 1920. Para que não deixemos ninguém para trás, refira-se que nessa passagem por Paris também passou pelas aulas de Paul Dukas (1865-1935).

Após o regresso aos Estados Unidos, e a par com a docência e a escrita, dedicou-se à composição, criando um conjunto de obras especialmente notadas pela utilização de formas musicais mais tradicionais, longe das modernices de outros seus contemporâneos. Escreveu oito sinfonias, três das quais (as , e ) por encomenda da Orquestra Sinfónica de Boston e do seu maestro titular Serge Koussevitzky (1874-1951), o que atesta da estreita relação desenvolvida entre eles.

Dos vários prémios recebidos constam dois Pulitzer, precisamente por duas das sinfonias que compôs, as nº3 e nº7, e uma colecção muito apreciável de oito doutoramentos honoris causa.

Walter Piston faleceu há 40 anos, no dia 12 de Novembro de 1976.


CDs



Walter Piston
Violin Concertos - No.1; No.2. Fantasia for Violin and Orchestra.
James Buswell (violino)
Ukraine National Symphony Orchestra
Theodore Kushar
Naxos 8.559003
(1998)

Walter Piston
Symphony No.4. Capriccio. Three New England Sketches.
Seattle Symphony Orchestra
Gerard Schwarz
Naxos 8.559162
(1991)

Walter Piston
The Incredible Flutist. Fantasy for English Horn. Suite for Orchestra.
Concerto for String Quartet, Wind Instruments and Percussion. Psalm and Prayer of David.
Scott Goff (flauta), Glen Danielson (trompa), Therese Wunrow(harpa)
Juilliard Quartet
Seattle Symphony Chorale
Seattle Symphony Orchestra
Gerard Schwarz
Delos DE3126
(1991, 1992)


Internet



Walter Piston
Music Sales Classical / Naxos / Wikipedia

16/10/2016

Obras para Bailado #7: Rodeo, de Aaron Copland

A década de 1930 viu o compositor norte-americano Aaron Copland (1900-1990) antigo aluno de Nadia Boulanger (1887-1979) em Paris, adoptar um estilo mais popular. Além da Sinfonia Nº3, datam deste período as suas músicas para bailado mais conhecidas: Appalachian Spring, Billy the Kid e Rodeo.

Já por aqui falei amiúde dos Ballets Russes, do empresário Sergei Diaghilev (1872-1929), principalmente a propósito da sua ligação às obras de Igor Stravinsky (1882-1971). Em 1937 alguns dissidentes desse grupo criaram um outro, a que deram o nome de Ballet Russe de Monte Carlo que, enquanto durou a 2ª Guerra Mundial, andou em turné pelos Estados Unidos.

Rodeo nasceu, assim, de uma encomenda do Ballet Russe de Monte Carlo à coreógrafa Agnes de Mille (1905-1993) que, por sua vez, escolheu Aaron Copland para tratar da parte musical. A estreia, com um sucesso enorme, teve lugar a 16 de Outubro de 1942, passam hoje 74 anos.


CD



Aaron Copland
The Populist.
Appalachian Spring. Billy the Kid. Rodeo.
San Francisco Symphony Orchestra
Michael Tilson Thomas
RCA Red Seal 09026 63511-2
(1999)


Internet



Aaron Copland
Copland House / American Masters / Music Academy Online / Wikipedia

15/11/2014

Maestros #64: Daniel Barenboim (1942-)

Daniel Barenboimaqui tinha passado como pianista, que foi como se iniciou no mundo da música, e hoje, dia do seu 72º aniversário, regressa como maestro, vertente em que se tem igualmente notabilizado.

A etapa mais importante na sua formação como regente terá tido lugar em Salzburgo quando, em meados da década de 1950, lá teve aulas com o compositor, maestro e professor Igor Markevitch (1912-1983). Apesar de nunca se ter dedicado à composição, foi um dos privilegiados que teve a oportunidade de ter aulas de teoria e composição com Nadia Boulanger (1887-1979).

Quando se fala de Barenboim tem que se falar inevitavelmente da orquestra West-Eastern Divan, que ele fundou em 1999 em conjunto com Edward Said (1935-2003), um intelectual palestiniano detentor igualmente de cidadania norte-americana. Uma orquestra que é formada por músicos de Israel, da Palestina e de outros países árabes, para promover a coexistência pacífica entre os povos.


CDs


Richard Strauss
Ein Heldenleben, Op.40. Till Eulenspiegels, Op.28. Lustige Streiche, Op.28.
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim
Erato 2292-45621-2

Johannes Brahms
Violin Concerto in D major, Op.77. Piano Sonata No.3 in D minor, Op.108.
Daniel Barenboim (piano), Maxim Vengerov (violino)
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim
Teldec 0630-17144-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Concerto for Two Pianos in E flat, K365/K316a. Piano Concerto No.27 in B flat, K595.
Sonata for Two Pianos in D, K448.
Clifford Curzon, Benjamin Britten, Daniel Barenboim (pianos)
English Chamber Orchestra
Daniel Barenboim
BBC Legends BBCL4037-2

Pierre Boulez
Notations VII.
Claude Debussy
La mer.
Igor Stravinsky
The Rite of Spring.
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim
Teldec 8573-81702-2

Richard Wagner
Tannhäuser.
Peter Seiffert, Gunnar Gudbjörnsson, S. Rügamer (tenores), Jane Eaglen, Waltraud Meier,
Dorothea Röschmann (sopranos), Thomas Hampson (bar); R. Pape, A. Reiter (basses)
Berlin State Opera Chorus
Berlin Staatskapelle
Daniel Barenboim
Teldec 8573-88064-2

Richard Wagner
Der Ring des Nibelungen.
John Tomlinson, Philip Kang (baixos), Birgitta Svendén, Jane Turner (meios-sopranos),
Eva Johansson, Anne Evans, Nadine Secunde (sopranos), Siegfried Jerusalem, Poul Elming (tenores)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Daniel Barenboim
Warner Classics 2564-62091-2
(1991, 1992)

The Ramallah Concert
Ludwig van Beethoven
Symphony No.5 in C minor, Op.67.
Edward Elgar
Variations on an Original Theme, 'Enigma' - Nimrod.
Wolfgang Amadeus Mozart
Sinfonia Concertante in E flat major, K297b.
Mohamed Saleh (oboé), Kinan Azmeh (clarinete), Mor Biron (fagote), Sharon Polyak (trompa)
West-Eastern Divan Orchestra
Daniel Barenboim
Warner Classics 2564-62791-2

Hector Berlioz
Symphonie Fantastique, Op.14.
Berlin Philharmonic Orchestra
Daniel Barenboim
CBS Masterworks MK 39859

Ludwig van Beethoven
Triple concert in C, Op.56. Fantasia in C minor, 'Choral Fantasy', Op.80.
Itzhak Perlman (violino), Daniel Barenboim (piano), Yo-Yo Ma (violoncelo)
Chor Der Deutschen Staatsoper
Berlin Philharmonic Orchestra
Daniel Barenboim
EMI Classics 5 55516-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.18 in B flat major, K456; No.19 in F major, K459.
Daniel Barenboim (piano)
Berlin Philharmonic Orchestra
Daniel Barenboim
Teldec 90674-2

René Pape
Wagner Arias
René Pape (baixo), Placido Domingo (tenor)
Staatskapelle Berlin
Daniel Barenboim
Deutsche Grammophon 477 6617

Edward Elgar
Cello Concerto in E minor, Op.85.
Elliott Carter
Cello Concerto.
Max Bruch
Kol Nidrei, Op.47.
Alisa Weilerstein (violoncelo)
Staatskapelle Berlin
Daniel Barenboim
Decca 478 2735
(2012)

Giuseppe Verdi
Messa da Requiem.
Anja Harteros (soprano), Elina Garanca (meio-soprano), Jonas Kaufamnn (tenor), René Pape (baixo)
Chorus del Teatro Alla Scala, Milan
Orchestra del Teatro Alla Scala
Daniel Barenboim
Decca 478 5245
(2012)


Internet



Daniel Barenboim

10/06/2012

Quartetos de Cordas #9: Quarteto de Cordas Nº3, de Philip Glass

O compositor americano Philip Glass (1937-) foi um dos que mais contribuiu para a minha transição da música pop/rock para a música erudita, pelas pontes que ele próprio estabeleceu entre esses dois mundos. E assim, ao lote de músicos pelos quais eu nutria uma enorme admiração, como Brian Eno (1948-), David Byrne (1952-) ou Ravi Shankar (1920-), a partir de certa altura foi-se juntando Glass, que com todos eles colaborou. Primeiro com Shankar, que conheceu em Paris em meados da década de 1960, quando lá estudava com a nossa já muito bem conhecida compositora e professora Nadia Boulanger (1887-1979).

Terminados os estudos parisienses, em 1967 deu-se o regresso de Philip Glass a Nova Iorque, mas apenas em 1976 obteve o primeiro sucesso significativo, com a ópera Einstein on the Beach. Na década seguinte colaboraria com Paul Schrader (1946-) na banda sonora do filme Mishima: A Life in Four Chapters, sobre a vida do dramaturgo e novelista japonês Yukio Mishima (1925-1970). Dessa banda sonora Glass extrairia posteriormente um quarteto de cordas que, desse modo, ganharia vida própria, algo explicado pelo próprio compositor: "At the time of writing the film music, I anticipated the String Quartet section would be extracted form the film score and made into a concert piece in its own right".

A estreia pública do Quarteto de Cordas Nº3, "Mishima", teve lugar no dia 10 de Junho de 1985, passam hoje 27 anos.


CD



Philip Glass
String Quartets 1-4.
Carducci String Quartet
Naxos 8.559636
(2008)


Internet




Philip Glass

19/10/2009

Compositores #101: Geirr Tveitt (1908-1981)

Voltamos à Noruega, depois da incursão que lá fizemos há algum tempo a propósito de um concerto a que assistimos na Casa da Música, com o violoncelista Truls Mørk (1961-) e o pianista Håvard Gimse (1966-). Fazê-mo-lo para assinalar a pssagem de mais um aniversário do nascimento do compositor Geirr Tveitt, um dos mais marcantes do seu país, principalmente durante a primeira metade do século XX, mas também um dos mais polémicos.

Ao contrário de vários outros que por aqui já passaram, Tveitt não começou tão cedo quanto isso a dedicar-se à música, e já tinha 20 anos quando foi para Leipzig para estudar composição e piano. Passaria depois algum tempo em Paris, nos anos 30, onde teve como professores alguns já nossos velhos conhecidos: Nadia Boulanger (1887-1979), pois claro, e ainda Arthur Honegger (1892-1955) e Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Não demoraria muito para que Tveitt fosse o principal rosto da música contemporânea norueguesa, além de ter uma bem sucedida carreira como pianista. Deu sempre uma relevância particular ao tom nacionalista, fazendo uso frequente das inúmeras melodias populares norueguesas que foi recolhendo ao longo da vida.

O cenário mudou após o final da 2ª Grande Guerra, e a música de Tveitt saiu de moda, havendo uma desconfiança generalizada em relação a tudo o que transpirasse a nacionalismo. A sua ligação ao filósofo Hans S. Jacobsen também não ajudou muito: Jacobsen, e por tabela Tveitt, refutava em absoluto o cristianismo, mas foi a sua posterior adesão à Assembleia Nacional, um partido de ideologia pró-nazi, que fez com que o caldo se entornasse. Tanto quanto se sabe Tveitt, apesar de alinhado por tais ideais, nunca foi membro da referida Assembleia Nacional; para os seus compatriotas, contudo, isso era apenas um pequeno detalhe, e daí até o votarem ao ostracismo foi um pequeno passo.

Geirr Tveitt nasceu há 101 anos, no dia 19 de Outubro de 1908.


CDs



Geirr Tveitt
A Hundred Hardanger Tunes, Op.151 - Suite No.1;
Suite No.4, "Wedding Suite".
Royal Scottish National Orchestra
Bjarte Engeset
Naxos 8.555078

Geirr Tveitt
A Hundred Hardanger Tunes, Op.151 - Suite No.2, "Fifteen Mountain Songs";
Suite No.5, "Troll-tunes".
Royal Scottish National Orchestra
Bjarte Engeset
Naxos 8.555770

Geirr Tveitt
Piano Concerto No.4, "Aurora Borealis", Op.130.
Variations on a Folksong from Hardanger.
Håvard Gimse, Gunilla Süssmann (pianos)
Royal Scottish National Orchestra
Bjarte Engeset
Naxos 8.555761


Internet



Geirr Tveitt
NationMaster.com / Naxos / Wikipedia / Answers.com / Norway - The Official Site in Japan / Music Information Centre Norway

29/02/2008

Concertos #64

Aos poucos os alunos de Nadia Boulanger (1887-1979) vão por aqui desfilando, chegando hoje a vez do norte-americano Elliott Carter (1908-), que em Dezembro deste ano celebra o seu centenário. É para assinalar tão notável efeméride que o agrupamento londrino The Nash Ensemble vai interpretar amanhã na Gulbenkian cinco obras de câmara deste compositor, certamente o menos jovem ainda em actividade, que escreveu a sua primeira ópera em 1998, quando contava já a vetusta idade de... 90 anos! Concerto a que iremos ter a felicidade de assistir, em mais uma das nossas cada vez mais frequentes deslocações sulistas. Ou a forma que encontrámos de compensar os desgostos nortenhos...

Recorde-se que Elliott Carter estudou em Paris na primeira metade da década de 1930, estudos esses que incluiram as tais lições privadas com Nadia Boulanger. Regressou depois aos Estados Unidos e, a par com a composição, dedicou-se imenso ao ensino (agora como professor...), sobretudo a partir de 1940. Entre 1948 e 1950 ensinou na Columbia University, em Nova Iorque, a sua cidade natal. É desse período que data uma das obras que vai ser tocada, a Sonata para Violoncelo, iniciada em 1948, e que marcou a transição de um estilo mais popular, à la Copland, para um marcado por ritmos mais complexos.

Além das de Carter, serão interpretadas obras de Thomas Adès (1971-), Oliver Knussen (1952-) e Igor Stravinsky (1882-1971), num programa com o seguinte alinhamento:

Thomas Adés
Catch.
Elliott Carter
Scrivo in vento.
Oliver Knussen
Cantata para oboé e trio de cordas.
Elliott Carter
Sonata para Violoncelo. Esprit Rude / Esprit Doux.
Quarteto com Oboé. Canon for 4.
Igor Stravinsky
História do Soldado.


Internet

Elliott Carter
Carter Centenary Home / G. Schirmer Inc. / Guardian / Classical Net / Naxos / Boosey & Hawkes / Wikipedia

26/12/2007

CDs #146: Lennox Berkeley, Symphonies 1 & 2

Nunca é tarde para corrigir omissões passadas, e por isso aqui vai: em Outubro de 2004 listei aqui alguns dos alunos de Nadia Boulanger (1887-1979), a eminente compositora, maestrina e professora, onde apareciam alguns nomes sonantes e outros que nem por isso; ausentes estiveram vários, pois claro, e um deles foi o nosso convidado de hoje, o compositor inglês Lennox Berkeley (1903-1989). Tendo nós uma acentuada tendência para esquecermos os nossos melhores, não admira que aqui e ali também nos vamos esquecendo dos melhores dos outros, pelo que a minha falha não será demasiado grave, por seguir a tendência geral...

Segundo o livreco que acompanha o CD, Lennox foi apresentado em 1926 a Nadia Boulanger pelo maestro inglês Anthony Bernard (1891-1963); segundo outras fontes foi Maurice Ravel (1875-1937) quem, após dar uma vista de olhos nalgumas composições do jovem Berkeley, o aconselhou a ter aulas com aquela professora. Estas versões não parecem incompatíveis de todo, pelo que me permito concluir que foi Ravel quem fez a sugestão e Bernard quem tratou das apresentações! Berkeley ficaria por Paris até 1932.

Berkeley sentia-se em casa em França, por ventura mais em casa do que no seu país natal, e tal reflectiu-se igualmente na sua música, que nunca esteve perto de representar as tradições inglesas, ao contrário da dos seus compatriotas Edward Elgar (1857-1934) e Vaughan Williams (1872-1958), por exemplo. Será essa umas das razões para nunca ter atingido em Inglaterra o grau de reconhecimento de outros compositores seus contemporâneos, como William Walton (1902-1983) e Michael Tippett (1905-1998)

Neste disco temos 2 das 4 sinfonias que compôs: a Sinfonia Nº1, terminada em 1941 e estreada a 8 de Julho de 1843; e a Sinfonia Nº2, composta na década de 1950, estreada a 24 de Fevereiro de 1959, e revista duas décadas depois, versão esta que é a que consta do disco.




Lennox Berkeley
Symphony No.1, Op.16. Symphony No.2, Op.51 (rev. 1976).
London Philharmonic Orchestra
Norman del Mar, Nicholas Braithwaite
Lyrita SRCD249
(1975, 1978)


Internet

Lennox Berkeley
The Lennox Berkeley Society / MusicWeb International / Chester Novello / Wikipedia / Naxos

03/12/2006

CDs #107: Henryk Szeryng & Gary Graffman at the Library of Congress

Ao mostrar desde muito cedo enormes qualidades para tocar violino, Henryk Szeryng (1918-1988) teve a oportunidade de estudar com alguns dos mais reputados professores: com Carl Flesch (1873-1944) em Berlim, nos inícios da década de 30, e com Nadia Boulanger (1887-1979), em Paris. Entretanto, em 1933, já tinha tido a sua estreia concertante, em Varsóvia, com o Concerto para Violino de Beethoven, com a orquestra dirigida por Bruno Walter (1876-1962).

Com a 2ª Guerra Mundial, Szeryng ofereceu-se como voluntário e, fluente como era em várias línguas, acabou por ficar como tradutor do general Wladyslaw Sikorski (1881-1943), primeiro-ministro do governo polaco no exílio. Foi também no exercício dessas funções que Szeryng ajudou imensos compatriotas a obter refúgio no México, país para onde ele próprio se mudaria após o fim da guerra. Em 1946 obteria cidadania mexicana, e teria provavelmente mantido a carreira de violinista em banho maria não fosse o encontro, na Cidade do México, em 1954, com o pianista Artur Rubinstein (1887-1982), polaco de nascimento. Este lá o convenceu a regressar aos palcos e, 2 anos depois, Szeryng fazia a sua estreia em Nova Iorque e provava ser um dos melhores violinistas da sua geração. Daria recitais por mais 30 anos...

No dia 3 de Dezembro de 1971, Henryk Szeryng e o pianista norte-americano Gary Graffman (1928-) deram um recital na Biblioteca do Congresso (The Library of Congress
), em Washington, que ficou registado e de que resultou o presente disco. Refira-se que da colecção da biblioteca, além de mais de 29 milhões de livros, fazem parte mais de 2 milhões de gravações!



Great Performances from the Library of Congress, Volume 22.
Johannes Brahms

Sonata No.1 in G major, Op.78.
Robert Schumann
Sonata No.1 in A minor, Op.105.
Ludwig van Beethoven
Andante, piu tosto allegretto from Sonata in A major, Op.12 No.2.
Wolfgang Amadeus Mozart
Rondo: Allegro from Sonata in C major, K296.
Henryk Szeryng (violino), Gary Graffman (piano)
Bridge 9179


Internet

Henryk Szeryng
Biography
/ Legendary Violinists / Wikipedia

Gary Graffman
Biography / International Creative Management / Wikipedia

01/09/2005

Pianistas #4: Clifford Curzon (1907-1982)

Já por aqui falámos duas vezes do pianista inglês Clifford Curzon: a primeira, em Outubro do ano passado, por ter sido um dos alunos de Nadia Boulanger (1887-1979), e a segunda, em Janeiro deste ano, quando rabiscámos umas coisas a propósito de um CD em que Curzon interpreta magistralmente obras de Mozart (1756-1791), compositor de que ele foi um dos maiores intérpretes de sempre.


Clifford Curzon

Hoje, dia em que passam 23 anos sobre o falecimento de Clifford Curzon, trazemos aqui um CD com obras de Robert Schumann (1810-1856) e Johannes Brahms (1833-1897). As honras da casa estão a cargo do Budapest String Quartet, agrupamento formado em 1917 com base na Orquestra da Ópera de Budapeste, que passada apenas uma década já era composto por elementos russos, e que acabaria por assentar arraiais nos Estados Unidos...

À data destas gravações (1951-2), o quarteto era composto por:

Joseph Roisman, Jac Gorodetzky (violinos)
Boris Kroyt (viola)
Mischa Schneider (violoncelo)


Budapest String Quartet

Além das gravações em estúdio constantes do disco em causa, Curzon e o Budapest String Quartet gravaram ainda os quintetos de Brahms e de Antonin Dvorák (1841-1904). Histórias futuras...



Robert Schumann
Quintet in E flat major, Op.44.
Johannes Brahms
Quartet No.2 in A major, Op.26.
Clifford Curzon (Piano)
Budapest String Quartet
Naxos 8.110306


Internet

http://my.dreamwiz.com/fischer/Curzon/curzon-e.htm
http://www.sonyclassical.com/artists/budapest_string_quartet/bio.html