Unsuk Chin é uma multi-premiada compositora sul-coreana, desde há largos anos sediada na Alemanha, em Berlim, após ter recebido uma bolsa para lá estudar, corria o longínquo ano de 1985.
Tal como tem acontecido com um número apreciável de compositores contemporâneos, Chin não escapou a colaborar com o Ensemble InterContemporain, colaboração essa que teve o seu início em 1994. Este grupo de música de câmara, refira-se, foi formado em 1976 por Pierre Boulez (1925-2016).
Unsuk Chin celebra hoje o seu 58º aniversário.
CD
Unsuk Chin Cello Concerto. Piano Concerto. Su.
Alban Gerhardt (violoncelo), Sunwook Kim (piano), Wu Wei (sheng)
Seoul Philharmonic Orchestra
Myung-Whun Chung
Deutsche Grammophon 481 0971 (2014)
Malcolm Sargent foi um maestro inglês reconhecido pela queda que tinha para as obras vocais, mas também pela incansável divulgação das obras dos seus compatriotas. Foi o maestro principal dos famosos Concertos Promenade, entre 1948 e 1967, ano da sua morte. Dirigiu inúmeras last nights dos Proms, devendo-se-lhe em grande parte a popularidade de que elas atualmente ainda gozam. Mas, se por um lado lá brilhou, por outro também fez brilhar, e foi no seu reinado que se verificaram as estreias nos Proms de alguns dos mais reputados maestros da altura, como Pierre Boulez (1925-2016), Carlo Maria Giulini (1914-2005), Bernard Haitink (1929-), Georg Solti (1912-1997) e Leopold Stokowski (1882-1977).
As composições de Edward Elgar (1857-1934) foram presença assídua nos concertos e nas gravações de Malcolm Sargent, e é com ambos que ficamos hoje, dia em que passam 123 anos sobre o nascimento deste maestro.
CD
Frederick Delius Violin Concerto Edward Elgar Violin Concerto in B minor, Op.61.
Albert Sammons (violino)
Liverpool Philharmonic Orchestra, Malcolm Sargent
New Queen's Hall Orchestra, Henry Wood
Naxos Historical 8.110951 (1929, 1944)
Edward Elgar Elgar's Interpreters on Record, Volume 5 The Dream of Gerontius (excerpts). Caractacus (excerpts). With Proud Thanksgiving.
I. Baillie, E. Suddaby (soranos), A. Desmond, M. Brunskill, M. Jarred (contratenores),
H. Nash, W. Widdop, E. Reach (tenores), A. Cranmer, E. Brown (barítonos),
H. Stevens, K. Falkner (baixos)
Hallé Choir
Hallé Orchestra, Malcolm Sargent
City of Birmingham Symphony Orchestra, Stanford Robinson
Elgar Editions EECD003-5
Edward Elgar Enigma Variations Albert Coates Purcell Suite Gustav Holst The Perfect Fool, Op.39 Georg Friedrich Handel Messiah, HWV56 - Overture; Pastoral Symphony Samuel Coleridge-Taylor Othello Suite, Op.79.
London Symphony Orchestra
Malcolm Sargent
Beulah 2PD13
O IRCAM ("Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique") é uma associação sem fins lucrativos, fundada na década de 1970 por Pierre Boulez (1925-2016) a partir de um convite que lhe foi dirigido pelo presidente francês Georges Pompidou (1911-1974), com o objectivo de investigar a expressão musical, nomeadamente a relacionada com música eletroacústica.
Do curriculum do compositor inglês Jonathan Harvey (1939-2012) faz parte uma passagem pelo IRCAM, onde esteve na década de 1980 precisamente por convite de Pierre Boulez, tendo composto nesse período um conjunto apreciável de obras. Missa brevis é uma obra posterior, escrita em 1995, já depois de ter regressado a Inglaterra.
A estreia da Missa brevis teve lugar no dia 9 de Julho de 1995, passam hoje 22 anos.
CD
Jonathan Harvey The Angels. Dum transisset Sabbatum. Missa brevis. Marahi. How could the soul not take flight. Sweet / Winterhart.
Noëmi Schindler (órgão)
Les Jeunes Solistes
Rachid Safir
Soupir S215
A 3ª edição do Festival Internacional de Música de Marvão decorrerá entre os dias 22 e 31 deste mês, com um muito interessante programa que pode ser consultado aqui. Um dos participantes será o soprano alemão Juliane Banse que, por uma coincidência notável, faz anos hoje.
Uma das especialidades de Banse tem sido a obra do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911), em particular a Sinfonia nº4, que já gravou com alguns dos maiores maestros: Pierre Boulez (1925-2016), Giuseppe Sinopoli (1946-2001) e Claudio Abbado (1933-2014).
Uma vez que o aniversário do nascimento de Mahler teve lugar há poucos dias (nasceu no dia 7 de Julho de 1860), faz todo o sentido trazer aqui Banse e a Sinfonia Nº4 de Mahler: além de um duplo aniversário ainda chamamos a atenção para um importante festival de música que vai decorrer em Portugal.
CDs
Gustav Mahler Symphony No.4 in G major.
Juliane Banse (soprano)
Dresden Staatskapelle
Giuseppe Sinopoli
Profil PH07047
Gustav Mahler Symphony No.4 in G major.
Juliane Banse (soprano)
Cleveland Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 463 257-2
Entre 1942 e 1945, Pierre Boulez (1925-) estudou no Conservatório de Paris com Olivier Messiaen (1908-1992), como aluno das famosas aulas de análise. Na segunda metade dessa década de 40, Boulez desenvolveu o seu estilo musical partindo do serialismo introduzido por Arnold Schoenberg (1874-1951).
Desses estudos resultaram 2 Sonatas para Piano, a primeira de 1946, a outra de 1948, e uma Cantata, também de 1948, Le Soleil des eaux. A Segunda Sonata para Piano foi inclusivamente a obra que lhe granjeou fama, inicialmente pela circulação da partitura, publicada em 1950, e, mais tarde, pela sua estreia pública em Darmstadt, em 1952, com Yvonne Loriod (1924-) ao piano. Loriod que, em 1961, iria casar com... Olivier Messiaen...
Le marteau sans maitre consolidaria definitivamente a reputação de Pierre Boulez, uma obra para contralto e 6 instrumentistas, escrita entre 1953 e 1955, numa altura em que o compositor tinha já largado o serialismo puro e duro. Esta foi a 3ª obra em que Boulez utilizou poemas de René Char (1907-1988), depois de o ter feito nas cantatas Visage nuptial, de 1946, e Le Soleil des eaux, de 1948. Para esta obra Boulez inspirou-se em Pierrot Lunaire, de Schoenberg, só que concebeu uma obra bem mais complexa. De tal forma que vários músicos hesitaram em pegar-lhe e, aquando da preparação para a sua estreia, houve um que perguntou a Boulez "onde estava a poesia", ao que ele respondeu que "ela está lá"... A referida estreia teve lugar no dia 18 de Junho de 1955.
CD
Pierre Boulez Le Marteau sans maïtre. Dérive 1. Dérive 2. Hilary Summers (meio-soprano) Ensemble Intercontemporain Pierre Boulez Deutsche Grammophon 20/21 477 5327
Antes de virar dramaturgo, o alemão Frank Wedekind (1864-1918) teve uma vida deveras aventurosa, boémia a maior do tempo, com passagens pelo circo, pela prisão (como hóspede...) e por vários cabarets. A estadia na prisão, diga-se, foi o resultado mais visível de uma das suas primeiras actividades como escritor. Mais tarde, já como dramaturgo, não deixou de agitar as almas dos seus contemporâneos, pela forma como abordou temas como a sexualidade. Entre outras, escreveu duas obras, Der Erdgeist e Die Büchse der Pandora, com o mesmo personagem central, Lulu, uma mulher sensual e de instintos animalescos.
Em Maio de 1905 a peça Die Büchse der Pandora estava em cena em Viena e, entre os que a ela assistiram, contou-se o jovem Alban Berg (1885-1935), vivamente impressionado com "a nova direcção, e o ênfase que dava à sensualidade". Lá impressionado pode ter ficado, mas o que é certo é que só começaria a trabalhar na ópera Lulu mais de 20 anos depois, tendo ele próprio tratado do libreto, a partir das duas referidas obras de Wedekind. A ópera foi banida mesmo antes de finalizada, pois os estômagos nazis não conseguiam digerir tão ostensiva provocação, em que os amantes de Lulu morrem sucessivamente, de morte morrida ou matada; após uma passagem pela prisão, Lulu acaba como prostituta nas ruas de Londres, sendo assassinada pelo famoso Jack the Ripper.
Alban Berg não viveu o suficiente para terminar a ópera, mas ainda teve tempo para, a pedido do maestro Erich Kleiber (1890-1956), escrever uma suite orquestral nela baseada. É que Kleiber não era homem para ceder facilmente aos caprichos dos nazis e, na impossibilidade de apresentar a ópera, desafiou-os interpretando a respectiva suite. Escusado será dizer que teve que se pirar de imediato do país...
A ópera, no ponto em que Berg a deixou, foi estreada em Zurique há 70 anos, no dia 2 de Junho de 1937. O compositor austríaco Friedrich Cerha (1926-) trabalhou durante 12 anos na orquestração do 3º acto, e esta versão completa foi estreada por Pierre Boulez em Paris no dia 24 de Fevereiro de 1979.
CD
Alban Berg Lulu. Teresa Stratas, Yvone Minton (sopranos), Hanna Schwarz, Franz Mazura, Toni Blankenheim (barítonos), Kenneth Riegel, Robert Tear, Helmul Pampuch (tenores), Gerd Nienstedt (baixo) Paris Opera Orchestra Pierre Boulez Deutsche Grammophon The Originals 463 617-2
DVD
Alban Berg Lulu. C. Schäfer (soprano), W. Schöne (barítono), D. Kuebler, S. Drakulich, N. Jenkins (tenores), K. Harries, P. Bardon (meios-sopranos), N. Bailey, J. Vieira, D. Maxwell (baixos) London Philharmonic Orchestra Andrew Davis Warner Music Vision 0630 15533-2
O nome de Siegfried Palm (1927-2005) não dirá grande coisa a muito boa gente, nem o seu falecimento, de que se assinalará o 1º aniversário no próximo dia 6 de Junho, mereceu menções especiais nos meios de comunicação social. Apesar de ele ter sido o violoncelista principal de várias orquestras e de ter contribuído significativamente para o aumento do repertório para violoncelo, ao motivar diversos compositores a escrever obras para esse instrumento: Bernd Allois Zimmermann (1918-1970), e o seu Canto de speranza, Boris Blacher (1903-1975), com o Concerto para Violoncelo, Krzysztof Penderecki (1933-), com o Capriccio per Siegfried Palm, e György Ligeti (1923-), com o Concerto para Violoncelo, para apenas referir uns quantos compositores e algumas obras.
O Concerto para Violoncelo de Ligeti, para uma orquestra reduzida, de apenas 14 músicos, foi escrito em 1966 e dedicado precisamente a Siegfried Palm, que o iria estrear no dia 19 de Abril de 1967, com a Orquestra Sinfónica da Rádio de Berlim dirigida por Henrick Czyz. À data da composição desta obra, Ligeti, compositor húngaro nascido em território que é hoje parte da Roménia, vivia em Viena, para onde se tinha mudado em 1959. É que ele foi mais uma das vítimas do Estalinismo, com as suas obras, demasiado aventurosas, a serem proibidas pelas autoridades.
Neste disco o violoncelo é tocado por Jean-Guihen Queyras, que é acompanhado pelo Ensemble InterContemporain, dirigido por Pierre Boulez, que hoje celebra o seu 81º aniversário.
Boulez conducts Ligeti Concerto for Piano and Orchestra. Concerto for Violoncello and Orchestra. Concerto for Violin and Orchestra. Pierre-Laurent Aimard (piano), Jean-Guihen Queyras (violoncelo), Saschko Gawruloff (violino) Ensemble InterContemporain Pierre Boulez Deutsche Grammophon 439 808-2 (1992, 1993)
O início de Pierre Boulez como compositor esteve frequentemente relacionado com o poeta, igualmente francês, René Char (1907-1998), ao utilizar poemas de Char nas cantatas Visage nuptial (1946) e Le Soleil des eaux (1948), bem como em Le Marteau sans maître (1953-5), uma obra para voz (contralto) e 6 instrumentalistas.
René Char
Le Marteau sans maître (O Martelo sem Mestre) marcaria definitivamente o primeiro período criativo de Boulez, tendo constituído o seu maior sucesso até então. Curiosamente, à data, Boulez era mais apreciado na Alemanha do que propriamente em França, onde tardou a ser devidamente reconhecido. Pierre Boulez desenvolveria em paralelo uma carreira de maestro, tendo estado à frente, nomeadamente, da Orquestra Sinfónica da BBC e da Filarmónica de Nova Iorque.
Pierre Boulez, Bruno Mantovani
Em 1976, Boulez fundou o Ensemble InterContemporain, um grupo permanente, constituído por 31 músicos, com o objectivo de divulgar a música moderna (do século XX e, agora, também a do século XXI).
Le Marteau sans maître será a principal obra a ser interpretada esta noite na Casa da Música, precisamente pelo Ensemble InterContemporain, acompanhado da contralto Hilary Summers. A reger o grupo vai estar François-Xavier Roth. A primeira parte do concerto será preenchida com Le sette chiese, do compositor francês Bruno Mantovani (1974-), uma obra escrita em 2002 e destinada também ao Ensemble InterContemporain.
O desNorte não pretende ser conhecido como o Blogue de Agramonte, pelo que sempre que a ocasião se proporciona faz o devido louvor aos vivos, nomeadamente aqueles que se vão ouvindo por estes recantos. Não poderia assim passar sem menção especial este dia, em que o compositor e maestro francês Pierre Boulez comemora o seu 80º aniversário.
A influência de Boulez na música do século XX vem de antes, com a adopção do serialismo, método de composição iniciado por Schoenberg (1874-1951), e em particular com a publicação das Structures, em 1952, e de Le marteau sans maître, em 1954. Foi aliás na década de 50 que conheceu Karlheinz Stockhausen (1928-) e que juntos lideraram o vanguardismo na Europa. E assim, no dia em que o compositor e maestro completa 80 anos, nós aqui damos especial destaque à faceta de compositor:
CDs
Pierre Boulez Répons. Dialogue de l'ombre double. Alain Damiens (clarinete) Ensemble Intercontemporain Pierre Boulez Deutsche Grammophon 457 605-2
Pierre Boulez Sur Incises. Messagesquisse. Anthèmes II. Jean-Guihen Queyras(violoncelo), Hae-Sun Kang (violino) Ensemble Intercontemporain Pierre Boulez Deutsche Grammophon 463 375-2
Pierre Boulez Rituel: In memoriam Maderna. Notations - I; II; III; IV & VII. Figures-Doubles-Prisme. Lyon National Orchestra David Robertson Naïve Montaigne MO782163
Igor Stravinsky Le Sacre du Printemps. Claude Debussy La Mer. Pierre Boulez Notations VII. Chicago Symphony Orchestra Daniel Barenboim Teldec 8573-81702-2
Claude Debussy 12 Études. Pierre Boulez Piano Sonata No.2. Maurizio Pollini Deutsche Grammophon 471 359-2