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24/12/2015

Poetas #8: Louis Aragon (1897-1982)

Louis Aragon, Louis Andrieux de nascença, foi um poeta e romancista francês, membro fundador do movimento surrealista, em conjunto com os escritores e poetas André Breton (1896-1966) e Philippe Soupault (1897-1990). Após a adesão ao Partido Comunista, em 1927, acabou por abandonar o surrealismo, virando-se para a exaltação do comunismo, através de vários romances devidamente revolucionários.

Aragon não escapou às agruras da 2ª Guerra Mundial, tendo sido mobilizado logo em 1939, e vindo depois a tornar-se membro da Resistance. Mais tarde celebraria a resistência francesa em diversos textos, nomeadamente em La Diane française, uma colecção de poemas de que faz parte, por exemplo, La Rose et le Réséda:

Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Tous deux adoraient la belle
Prisonnière des soldats
Lequel montait à l'échelle
Et lequel guettait en bas
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Qu'importe comment s'appelle
Cette clarté sur leur pas
Que l'un fut de la chapelle
Et l'autre s'y dérobât
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Tous les deux étaient fidèles
Des lèvres du coeur des bras
Et tous les deux disaient qu'elle
Vive et qui vivra verra
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Quand les blés sont sous la grêle
Fou qui fait le délicat
Fou qui songe à ses querelles
Au coeur du commun combat
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Du haut de la citadelle
La sentinelle tira
Par deux fois et l'un chancelle
L'autre tombe qui mourra
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Ils sont en prison Lequel
A le plus triste grabat
Lequel plus que l'autre gèle
Lequel préfère les rats
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Un rebelle est un rebelle
Deux sanglots font un seul glas
Et quand vient l'aube cruelle
Passent de vie à trépas
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Répétant le nom de celle
Qu'aucun des deux ne trompa
Et leur sang rouge ruisselle
Même couleur même éclat
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Il coule il coule il se mêle
À la terre qu'il aima
Pour qu'à la saison nouvelle
Mûrisse un raisin muscat
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
L'un court et l'autre a des ailes
De Bretagne ou du Jura
Et framboise ou mirabelle
Le grillon rechantera
Dites flûte ou violoncelle
Le double amour qui brûla
L'alouette et l'hirondelle
La rose et le réséda

Foi também durante essa guerra que o compositor francês Francis Poulenc (1899-1963) compôs e publicou Deux Poemes de Louis Aragon, que incluo mais abaixo numa interpretação do soprano francês Régine Crespin (1927-2007). Ou de como a guerra acabou por juntar a música de um católico fervoroso aos poemas de um comunista convicto...

Louis Aragon faleceu há 33 anos, no dia 24 de Dezembro de 1982.


CD



Hector Berlioz
Les nuits d'été, Op.7.
Maurice Ravel
Shéhérazade.
Claude Debussy
Trois chansons de Bilitis.
Francis Poulenc
Banalités. Deux poèmes de Louis Aragon.
Régine Crespin (soprano), John Wustman (piano)
L'Orchestre de la Suisse Romande
Ernest Ansermet
Decca Legends 460 973-2


Internet



Louis Aragon
PoemHunter.com / poetica / Wikipedia

Francis Poulenc
The Official Website / Bach Cantatas Website / Naxos / Wikipedia

06/04/2007

Pianistas #17: Pascal Rogé (1951-)

Recentemente assistimos a um concerto em que a Orquestra Nacional do Porto foi dirigida pelo maestro Michael Zilm (1957-), para interpretar a 6ª Sinfonia de Gustav Mahler (1860-1911). Na altura aproveitei para me lamentar da menor qualidade da actual programação da Casa da Música, opinião partilhada por muito boa gente. Havia que evitar eventuais depressões, pelo que aqui o agregado, após aturada reflexão e em jeito de compensação, decidiu mudar de ares musicais, embora apenas por um fim-de-semana. O de 21 e 22 de Abril, para ser mais preciso, aproveitando os Dias da Música no Centro Cultural de Belém. Uma excelente razão para nos deslocarmos à capital, pois claro!

Na abertura vamos encontrar de novo Michael Zilm, desta vez à frente da Orquestra Metropolitana de Lisboa. Do programa constarão duas obras do compositor francês Francis Poulenc (1899-1963): Aubade, concerto coreográfico para piano e dezoito instrumentos, e o Concerto para Dois Pianos e Orquestra. Para bater nas teclas teremos os pianistas Ami Hakuno e Pascal Rogé (1951-). Este último, alvo da minha admiração há já muitos anos, celebra hoje o seu 56º aniversário.

Pode-se afirmar que Pascal Rogé vai jogar em casa; apesar de ter um repertório deveras alargado, deu sempre especial ênfase à música dos seus compatriotas, com particular destaque precisamente para Poulenc, de quem gravou o ciclo completo das obras para piano. Foi ainda com um disco deste compositor que Pascal Rogé, em 1988, ganhou um prémio Gramophone para o melhor disco instrumental desse ano.


Internet

Pascal Rogé
Official Website / Wikipedia / Schmidt Artists International, Inc. / Hexagone.net / clarion seven muses

14/08/2006

CDs #90: George Prêtre, Poulenc

Quando neste postal de Janeiro do ano passado por aqui se falou do compositor francês Maurice Duruflé (1902-1986), mencionou-se o facto de ter sido professor no Conservatório de Paris. Pois um dos alunos de Duruflé foi o maestro francês Georges Prêtre, nascido em Waziers82 anos.


Georges Prêtre

Prêtre dedicou-se especialmente à ópera, e destacou-se ainda nas interpretações das obras do seu compatriota Francis Poulenc (1899-1963).


Maurice Duruflé, Francis Poulenc

O disco hoje trazido é totalmente preenchido com obras de Poulenc: Les Biches, música para um bailado que teve a sua estreia no dia 6 de Janeiro de 1924; Aubade, igualmente escrita para bailado e estreada a 21 de Janeiro de 1930; e, finalmente, Les Animaux modèles, ainda para um bailado, e estreada na Ópera de Paris no dia 8 de Agosto de 1942. O maestro é, naturalmente, Georges Prêtre, que dirige a Orquestra Filarmonia
e a Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire.



Francis Poulenc
Les Biches, FP36. Pastourelle, FP45. Aubade, FP51. Les Animaux modèles, FP111.
Gabriel Tacchino (piano)
Ambrosian Singers
Philharmonia Orchestra
Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire
Georges Prêtre
EMI Great Artists of the Century 5 62958-2
(gravações: 1980 - Les Biches, Pastourelle; & 1965)


Internet

http://www.byu.edu/music/areas/keyboard/Organ/composers/durufle.html
http://www.geocities.com/Vienna/2820/duru.html
http://www.musica.gulbenkian.pt/?cgi-bin/wnp_db_dynamic_record.pl?dn=db_musica_biographies_pt&sn=musica&orn=409
http://www.opera.it/Operaweb/en/riferimenti/protagonisti/direttori/pretre/scheda.html
http://www.classical.net/music/comp.lst/poulenc.html

29/05/2006

Obras para Bailado #2: A Sagração da Primavera, de Stravinsky

Num curto espaço de 3 anos o compositor russo Igor Stravinsky (1882-1971) compôs outras tantas obras para os Ballets Russes de Sergei Diaghilev (1872-1929): O Pássaro de Fogo (1910), Pétrouchka (1911) e A Sagração da Primavera (1913). Diaghilev viria ainda a encomendar obras a outros reputados compositores, como Claude Debussy (1862-1918), Francis Poulenc (1899-1963), Sergei Prokofiev (1891-1953), Maurice Ravel (1875-1937) e Richard Strauss (1864-1949), mas a colaboração com Stravinsky acabaria por ser a mais notável, até pelo impacto produzido.

A reputação de Stravinsky ficou estabelecida desde logo com essas 3 obras e, se O Pássaro de Fogo representou o seu maior sucesso até então, a estreia d'A Sagração da Primavera ficaria um marco na história da música, pela descomunal escandaleira que provocou.

Conta-nos Stravinsky que, quando se encontrava ainda ocupado a terminar O Pássaro de Fogo, surgiu-lhe a ideia para a nova obra, com a "visão de um grande rito sacrificial pagão, em que velhos sábios observam uma jovem a dançar até à morte, sacrificada para assim obterem as boas graças do Deus da Primavera". Daqui também o subtítulo da obra, Quadros da Rússia Pagã. O público parisiense, habituado a bailados clássicos, cultos, não estava de forma alguma preparado para tais desvios, com rituais de fertilidade, sacrifícios e uma coreografia longe dos padrões da época, e reagiu violentamente. Houve de tudo um pouco, desde assobiadelas, insultos vários e agressões múltiplas, até uma intervenção policial, incapaz, contudo, de colocar um fim no caos que se verificava na sala. Não que tal tenha propriamente desagradado a Diaghilev, constando que terá mesmo afirmado que "era aquilo que tinha desejado". Verdade ou não, lá publicidade ao evento foi coisa que não faltou...

A referida estreia teve lugar no Teatro dos Campos Elísios, em Paris, no dia 29 de Maio de 1913, e à frente da orquestra esteve Pierre Monteux
(1875-1964).


CDs




Igor Stravinsky
The Rite of Spring.
Alexander Scriabin
Le poème de l'extase, Op.54.
Kirov Orchestra
Valery Gergiev
Philips 468 035-2

Igor Stravinsky
Petrushka. The Rite of Spring.
Boston Symphony Orchestra
Pierre Monteux
RCA Red Seal 82876 62314-2

Igor Stravinsky
Apollo (1947 version). The Rite of Spring (1947 revised version).
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI Classics 7 49636-2

Igor Stravinsky
Petrushka (original 1911 version). The Rite of Spring.
Columbia Symphony Orchestra
Igor Stravinsky
CBS Masterworks MK 42433

Igor Stravinsky
The Rite of Spring.
Sergei Prokofiev
Symphony No.5 in B flat, Op.100.
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 463 613-2

Igor Stravinsky
The Rite of Spring.
Pierre Boulez
Notations VII.
Claude Debussy
La mer.
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim
Teldec 8573-81702-2


Internet

Igor Stravinsky
Classical Music Pages
/ IRCAM / Wikipedia / bbc.co.uk / igorstravinsky.com

Sergei Diaghilev
Wikipedia / Sergei Diaghilev / Ballets Russes / Diaghilev's Ballets Russes

08/07/2005

SACDs #1: Saint-Saëns, Debussy, Ibert, Boston Symphony, Münch

O maestro alsaciano Charles Münch (1891-1968) deu particular destaque à divulgação da música francesa, tendo, por exemplo, estreado obras de Francis Poulenc (1899-1963), Jacques Ibert (1890-1962) e Arthur Honegger (1892-1955) que, apesar de suíço, viveu a maior do tempo em Paris.


Charles Münch

Charles Münch esteve à frente da Orquestra Sinfónica de Boston
entre 1949 e 1962, tendo introduzido ao público americano inúmeras obras de compositores franceses, patrocinando simultaneamente compositores seus contemporâneos. O SACD que aqui se traz hoje contém gravações, efectuadas na 2ª metade dos anos 50, de 3 compositores franceses: Camille Saint-Saëns (1835-1921), Claude Debussy (1862-1918) e Jacques Ibert.


Saint-Saëns, Debussy, Ibert

A interpretação da Sinfonia Nº3 de Saint-Saëns é fenomenal, tendo sido possível na altura ultrapassar as dificuldades técnicas associadas à sua gravação, relacionadas com a audição do órgão e o seu balanço com os restantes instrumentos da orquestra. Grandes audições!


SACD



Camille Saint-Saëns
Symphony No.3 in C minor, "Organ".
Claude Debussy
La Mer.
Jacques Ibert
Escales (Ports of Call).
Berj Zamkochian (órgão)
Boston Symphony Orchestra
Charles Münch
RCA Red Seal 82876-61387-2


Internet

http://www.radiofrance.fr/chaines/france-musiques/biographies/fiche.php?numero=273
http://www.bso.org/genC/genCone.jhtml?id=bcat1080001&area=bso

24/10/2004

Concertos #1

No centenário da morte do compositor checo Antonin Dvorák (1841-1904), nada melhor do que ter a hipótese de ouvir ao vivo uma das suas mais emblemáticas obras. Foi ontem, Sábado, e a obra em causa o Stabat Mater. Para os menos atentos, refira-se que Stabat Mater ("Estava a mãe [do Salvador]"), é um poema do século XIII de autor anónimo, que fez parte da liturgia romana, foi banido pelo Concílio de Trento e recuperado nos inícios do século XVIII. Vários compositores escreveram partituras para esse poema, desde Domenico Scarlatti (1685-1757) até mais recentemente Rossini (1792-1868), Verdi (1813-1901), Poulenc (1899-1963) e, naturalmente, Dvorák.


Antonin Dvorak

O Stabat Mater foi composto por Dvorák num período dramático da sua vida em que, no espaço de um mês, perdeu os seus dois filhos (um por ingestão de veneno, outro vítima de varíola). Nessa altura pegou nos esboços anteriormente abandonados e atirou-se furiosamente ao trabalho. Completou a obra em 2 meses!, mas teve que esperar 3 anos pela sua estreia.

O concerto teve lugar na Igreja de S. Francisco, no Porto, e a interpretação esteve a cargo de:

Larissa Savchenco (meio-soprano), Ana Ester Neves (soprano)
Pedro Chaves (tenor), Ruben Amoretti (baixo)
Orfeão de Pamplona, Alfonso Huarte
Orquestra do Norte, José Ferreira Lobo

Foi uma óptima audição! Antonin Dvorák e a Igreja de S. Francisco voltarão a ser certamente assunto para futuras páginas. Por agora, ficam por aqui algumas fotos da igreja, tiradas antes do concerto.


Igreja de S. Francisco