Apesar do compositor francês Jules Massenet (1841-1912) ter composto obras dentro de vários géneros, é indubitável que o operático foi aquele onde registou maior sucesso, em particular graças a 3 óperas: Manon, estreada em Janeiro de 1884; Werther, estreada em Fevereiro de 1892; e Thaïs, estreada em Março de 1894.
Em 1863, ano em que venceu o Prix de Rome, Massenet iniciou a escrita de um Concerto para Piano. Não foi coisa de gestação fácil, pois apenas viria a finalizá-lo em 1902, tendo a estreia tido lugar no Conservatório de Paris no dia 1 de Fevereiro de 1903, com o pianista Louis Diémer. A recepção não foi de grande entusiasmo e o concerto, assim como apareceu, também desapareceu, raramente tendo sido tocado desde então.
Louis Diémer (1843-1919) um nome pouco ou nada conhecido hoje em dia, foi um importante compositor e pianista francês, mais importante como pianista do que como compositor, verdade seja dita, apesar da extensa obra que nos deixou. Foi dedicatário de várias, importantes, obras, nomeadamente do Concerto para Piano em fá menor de Édouard Lalo (1823-1892), do Concerto para Piano nº5 de Camille Saint-Saëns (1835-1921), bem como do referido Concerto para Piano de Massenet.
Jules Massenet faleceu há 105 anos, no dia 13 de Agosto de 1912.
CD
Jules Massenet Piano Concerto in E flat major. César Franck Les djinns, Op.45. Symphonic Variations, M46.
Idil Biret (piano)
Bilkent Symphony Orchestra
Alain Pâris
Alpha ALPHA104
O meu professor de inglês do ensino secundário, o professor Macedo, era um calmeirão bem disposto, dotado de um agudo sentido de humor, nunca deixando sem um comentário adequado as nossas respostas mais disparatadas. Quando estas passavam o limite do imaginável limitava-se a disparar um "a ignorância é muito atrevida", ao mesmo tempo que as bochechas bem guarnecidas ajudavam a compor um largo sorriso, que tão bem recordo passados todos estes anos.
Pois a ignorância, no caso a minha, continua a fazer das suas, e foi por via dela que este blogue agora tem o aspecto que tem. Ao procurar resolver um pequeno problema com a template do desNorte, fui brindado com uma mensagem do Blogger informando-me de que esta, pela sua antiguidade, tinha sido descontinuada e que, por via disso, não era mais possível disponibilizar qualquer tipo de suporte. Não dando a velha havia que espetar com uma nova em cima, pensei, o que foi rapidamente executado e com os resultados que estão à vista: as várias ligações que tanto trabalharam deram a preparar (para blogues, orquestras, editoras, etc.) desapareceram completamente e já desisti de as tentar repor. O que vale é que, sendo o número de leitores (muito) pequeno, as consequências nunca serão devastadoras...
Como o foram, por exemplo, e agora estou de volta ao tema habitual que por aqui nos mantém entretidos, no dia 28 de Junho de 1928, quando um incêndio destruiu o interior da Salle Pleyel, em Paris, palco das estreias de obras de vários compositores consagrados. Uma delas foi do Concerto para Piano Nº2 do compositor francês Camille Saint-Saëns (1835-1921), uma obra que, curiosamente, foi composta precisamente por causa dessa sala. É que o já nosso bem conhecido pianista Anton Rubinstein (1829-1894) tinha pedido a Saint-Saëns que lá lhe organizasse um concerto mas, como a sala já tinha ocupação para as 3 semanas seguintes, o compositor achou que teria tempo para preparar algo de novo, até como compensação pela demora. O pouco tempo de gestação não impediu que, com os anos, este se viesse a revelar o mais popular dos 5 concertos para piano que escreveu. A falta de tempo de preparação não evitou, contudo, o falhanço da estreia, ocorrida no dia 13 de Maio de 1868, passam hoje 144 anos.
CDs
Camille Saint-Saëns
Piano Concertos - No.1 in D, Op.17; No.2 in G minor, Op.22; No.3 in E flat, Op.29;
Camille Saint-Saëns (1835-1921), um músico e compositor do mais precoce que se pode imaginar, escreveu música cobrindo quase todos os géneros, do orquestral ao sinfónico, passando pelo instrumental, vocal, sagrado e operático, sem esquecer as obras que compôs para conjuntos de câmara. A sua importância na cena musical francesa nem sempre foi reconhecida, chegando ao ponto de, nos finais do século XIX, ser mais admirado fora de portas do que propriamente em França. Claude Debussy (1862-1918) foi um dos que se juntou à festa, apresentando ironicamente Saint-Saëns como "o homem que mais sabe de música no mundo inteiro"...
A 7ª edição do Concurso Internacional Tchaikovsky teve lugar entre os dias 10 de Junho e 9 de Julho de 1982, tendo Viktoria Mullova (1959-) vencido a competição de violino, com o júri a ser presidido por Leonid Kogan (1924-1982). Na modalidade de violoncelo o vencedor foi o brasileiro António Meneses (1957-), eleito por um júri de que fazia parte Natalia Gutman (1942-), violoncelista que tivemos o prazer de ouvir na Casa da Música em Setembro de 2006. No próximo Sábado será então a vez de Meneses lá aparecer, em mais uma dose de perfume brasileiro que nos será servida este ano. O Concerto para Violoncelo e Orquestra Nº1 de Saint-Saëns será uma das obras que constará do programa; o compositor francês compôs dois concertos para este instrumento, sendo que este primeiro foi escrito entre 1872 e 1873, e estreado no dia 19 de Janeiro de 1873.
Programa
Camille Saint-Saëns Concerto Nº1 para Violoncelo e Orquestra, Op.33. Silvestre Revueltas Sensemayà. Heitor Villa-Lobos Fantasia para Violoncelo e Orquestra. Robert Schumann Sinfonia Nº2, Op.61. António Meneses (violoncelo) Orquestra Nacional do Porto Klaus Weise
Já por diversas vezes por aqui fomos referindo o Prix de Rome, uma vezes para referir os felizes vencedores, outras para falar dos não vencedores. No grupo destes últimos encontramos nomes bem sonantes, como os de Camille Saint-Saëns (1835-1921) e Maurice Ravel (1875-1937). O que nos permite, logo à partida, questionar os critérios utilizados e, porque não?, o mérito do próprio prémio. Quando alguém como Ravel concorre por 4 vezes e nunca ganha e, entre os vencedores, encontramos nomes como Albert Androt (1781-1804) ou Guillaume Bouteiller (1877-?), não será ilegítimo de todo levantarmos algumas dúvidas quanto à justeza das decisões tomadas. Adiante.
Pois em 1830 coube a Hector Berlioz (1803-1869) vencer esse prémio, não sem que antes tivesse tido várias desilusões: uma primeira tentativa frustrada, em 1826; no ano seguinte, o mesmo resultado; em 1828, ano em que concorreu com Herminie, a coisa já correu melhor, e obteve um 2º prémio; um ano depois, apresentando-se com La Mort de Cléopâtre viu a vida a andar de novo para trás, nada tendo ganho; até que, em 1830, obteve o almejado Prémio de Roma, com a cantata La Dernière Nuit de Sardanapale. Do mal o menos, Berlioz lá acabou por ganhar o bendito prémio...
Berlioz, o mais representativo compositor francês da sua época e um dos expoentes do romantismo francês, deixou-nos uma obra extraordinária, nomeadamente as grandes peças orquestrais e vocais. Muitas delas baseadas em textos de Shakespeare (1564-1616) e de Goethe (1749-1832), dois autores que passou a admirar particularmente desde que, em 1827, teve a oportunidade de assistir a representações de várias peças de ambos.
Foi o caso da abertura O Rei Lear, composta por Berlioz em 1831, quando se encontrava em Nice, obviamente inspirado na tragédia homónima de Shakespeare. A obra espelha o desespero do velho, destronado e errante rei, apenas acompanhado de sua filha Cordélia. A estreia desta obra teve lugar há 174 anos, no dia 9 de Abril de 1834, com o maestro Narcisse Girard (1798-1860). O mesmo que, em Novembro desse mesmo ano, iria estrear a sinfonia Harold em Itália, que Berlioz compôs por solicitação de Niccolò Paganini (1782-1840).
CD
Hector Berlioz Overtures from Le Carnaval Romain, King Lear, Waverley, Les Francs-Juges and Le Corsaire. Overture and March from Les Troyens. Royal Philharmonic Orchestra Thomas Beecham Sony Classical SMK89807 (1954)
O espanhol Pablo de Sarasate (1844-1908) foi dos maiores virtuosos do violino de todos os tempos, tendo atingindo uma enorme popularidade e tocado um pouco por todo o lado. É assim natural que alguns, importantes, compositores seus contemporâneos lhe tenham dedicado obras, como foi o caso do francês Camille Saint-Saëns (1835-1921), que lhe dedicou, nomeadamente, os seu Concertos para Violino Nº1 e Nº3.
Sarasate desde muito jovem tinha mostrado uma enorme vocação para tocar o violino, e tinha apenas 12 anos quando foi enviado para Paris para prosseguir os estudos. Passariam apenas 3 anos até que Saint-Saëns lhe dedicasse então o seu primeiro concerto para violino e, em 1861, Sarasate venceria o Primeiro Prémio do Conservatório dessa cidade. Em 1880 o compositor francês iria compor o seu terceiro e último concerto para violino, que voltaria a dedicar ao virtuoso espanhol; o próprio Sarasate asseguraria a sua estreia nesse mesmo ano.
Estruturado em 3 andamentos, este concerto, tal como todas as outras obras que Saint-Saëns escreveu para este violinista, dá amplas possibilidades ao solista de exibir toda a sua técnica. Não se limita a ser, contudo, uma obra onde apenas existem efeitos pirotécnicos para deslumbramento das plateias.
CDs
Camille Saint-Saëns Violin Concerts - No.1 in A, Op.20; No.2 in C, Op.58; No.3 in B minor, Op.61. Philippe Graffin (violino) BBC Scottish Symphony Orchestra Martyn Brabbins Hyperion CDA67074
Camille Saint-Saëns Piano Concertos. Violin Concertos - No.1; No.3. Cello Concertos - No.1; No.2. Symphony No.3, "Organ". Pascal Rogé (piano), Kyung-Wha Chung (violino), Lynn Harrell (violoncelo), Peter Hurford (orgão) Montreal Symphony Orchestra Charles Dutoit Decca 475 465-2
Camille Saint-Saëns Violin Concerto No.3, Op.61. Caprice d'après l'Etude en forme de valse, Op.52. Caprice andalous, Op.122. Wedding Cake, Op.76. Heini Kärkkäinen (piano), Jean-Jacques Kantorow (violino) Tapiola Sinfonietta Kees Bakels BIS BIS-CD1470
Na chamada época de férias, o Porto fecha definitivamente as portas, em particular no que à cultura diz respeito. Talvez porque pense que só por cá fica quem a tal é forçado, certamente gentes desprovidas de interesses culturais, e que quem para cá vem sempre tem esplanadas e umas quantas praias, devidamente condimentadas com a famosa nortada, não havendo assim necessidade de lhes proporcionar quaisquer outras alternativas. Ou seja, só cá fica quem não tem dinheiro e só para cá vem quem é desprovido de miolos. O resultado é o que se sabe: durante todo o mês de Agosto não se passa absolutamente nada na cidade. Parece que houve um conjunto de velhos reumáticos que, devidamente idolatrado e pago a peso de ouro, acedeu a abanar os ossos e a dar muitos berros, estes possivelmente como resultado da referida maleita, mas concordarão que tal nunca será o suficiente para alterar a nossa visão do panorama geral.
Daí só agora regressarmos aos nossos muito apreciados concertos, que o responsável da programação da Casa da Música foi colocar os brincos a brilhar para outras paragens, e a Casa alinhou pela abstinência geral. Das curiosidades do concerto que lá terá lugar amanhã, faz parte uma obra do compositor francês Edouard Lalo (1823-1892), que permitirá a muito boa gente descobrir que afinal ele sempre compôs algo para além da famosa Symphonie Espagnole. Lalo, que nos anos 50 do século XIX fez parte de um movimento que procurou reavivar em França o interesse pela música de câmara, encontrou na Société Nationale de Musique, fundada em 1871, o veículo ideal para a divulgação das suas obras. A sociedade tinha como objectivo inicial a promoção da música francesa e dos jovens compositores daquele país, e foi fundada pelo poeta Romain Bussine (1830-1899) e pelo já nosso bem conhecido compositor Camille Saint-Saëns (1835-1921).
Na década de 1870, Lalo escreveria algumas das suas mais significativas obras, como o Concerto para Violino, a referida Sinfonia Espanhola, a Fantaisie norvegienne e o Concerto para Violoncelo. Este último passa por ser o seu mais conhecido concerto, superando em popularidade o que escreveu para piano e os dois que compôs para violino. Finalizado em 1877 e estruturado em 3 andamentos, um perfume espanhol exala de todos eles, ou não fosse Lalo descendente dos nossos vizinhos ibéricos. Do programa farão ainda parte obras de Georges Bizet (1838-1875), Camille Saint-Saëns (o Concerto para Violoncelo, bem apropriado neste contexto) e Paul Dukas (1865-1935). O violoncelo ficará a cargo da russa Natalia Gutman.
Georges Bizet L'Arlésienne, Suites I e II. Edouard Lalo Concerto para Violoncelo e Orquestra em ré menor. Camille Saint-Saëns Concerto para Violoncelo e Orquestra Nº1. Paul Dukas O Aprendiz de Feiticeiro. Natalia Gutman (violoncelo) Orquestra Nacional do Porto Marc Tardue
Em Outubro do ano passado, quando falámos por aqui de um disco com obras do compositor húngaro Franz Liszt (1811-1886), referimos o facto de o período que ele passou como Kapellmeister em Weimar ter sido o mais produtivo da sua vida. Datam dessa época, nomeadamente, a Sonata para Piano em si menor, a Sinfonia Fausto, baseada na Divina Comédia de Dante (1265-1321), dois Concertos para Piano e 12 Poemas Sinfónicos.
Estes últimos foram escritos no espaço de uma década, entre 1848 e 1858, e a designação foi dada pelo próprio Liszt a estas obras orquestrais de um único movimento, inspiradas noutras formas artísticas, como a poesia ou a pintura, ou mesmo por lendas ou factos históricos. Tal pode ser constatado de imediato pelos nomes que deu a alguns desses poemas sinfónicos: Les Préludes, Orpheus, Tasso, Mazeppa, Prometheus, Festklänge, Hungaria, Heroïde funèbre, Ce qu'on entend sur la montagne, Die Ideale, Hunnenschalacht e Hamlet.
Liszt não terá sido o inventor dos poemas sinfónicos, mas foi certamente o primeiro a dar-lhes um especial relevo, posteriormente reforçado por compositores como Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893), Bedrich Smetana (1824-1884), Camille Saint-Saëns (1835-1921) e, principalmente, Richard Strauss (1864-1949).
Ce qu'on entend sur la montagne foi o primeiro poema sinfónico que escreveu, entre 1848 e 1849. O mais popular de todos foi desde sempre o terceiro que compôs, Les Préludes que, todavia, nasceu de roupagem diferente. Na realidade começou por ser, aí por volta de 1844, o movimento introdutório daquilo que pretendia que viesse a ser uma obra coral baseada em 4 poemas do poeta francês Joseph Autran (1813-1877), e que se chamaria Les Quatre Elements. Liszt não viria a terminá-la e, em 1854, a referida introdução ganharia vida e nome próprios, este baseado numa ode de um outro poeta francês, Alphonse de Lamartine (1790-1869):
"What else is our life than a series of preludes to an unknown song, whose first and solemn notes are sounded by death?"
Franz Liszt faleceu há 120 anos, no dia 31 de Julho de 1886.
Franz Liszt Symphonic Poems, Volume 1. Ce qu'on entend sur la montagne, S95. Tasso: Lamento e Trionfo, S96. Les Préludes, S97. Orpheus, S98. BBC Philharmonic Orchestra Gianandrea Noseda Chandos CHAN10341 (2004)
Não será grande exagero afirmar que Franz Liszt (1811-1886) criou a moderna técnica do piano. Há muitos anos, aliás, um insuspeito Camille Saint-Saëns (1835-1921) chegou mesmo a dizer:
"A l'encontre de Beethoven méprisant les fatalités de la physiologie et imposant aux doigts contrariés et surmenés sa volonté tyrannique, Liszt les prend et les exerce dans leur nature, de manière à obtenir, sans les violenter, le maximum d'effet qu'ils sont susceptibles de produire".
Curiosa, esta comparação efectuada por Saint-Saëns, se nos lembrarmos que foi Liszt quem andou por meio mundo a exibir os dotes de virtuoso do piano para arranjar dinheiro para erguer um monumento a Beethoven em Bona...
A música de Liszt influenciou compositores como Bartók, Busoni, Debussy, Schoenberg e Wagner, para referir apenas alguns (dos mais relevantes). Naturalmente que as peças para piano, largamente maioritárias na sua obra, têm um destaque particular. E um fraquinho particular tenho eu pela Sonata em si menor, já anteriormente referida por estas bandas a propósito de um outro disco. Extraordinário é o facto desta obra fundamental do repertório pianístico, terminada em Fevereiro de 1853, tenho sido estreada apenas em Julho... de 1857, por Hans von Bülow (1830-1894). O mesmo que estreou o Concerto para Piano Nº2 de Tchaikovsky (1840-1893) e que, já morto, inspirou Gustav Mahler (1860-1911) a terminar a Sinfonia Nº2...
Em 1980 o pianista chileno Claudio Arrau (1903-1991), nascido passam hoje 103 anos, recebeu a medalha Hans von Bülow, atribuída pela Orquestra Filarmónica de Berlim. Virtuoso do piano, especialmente brilhante em Beethoven, salientou-se igualmente no repertório romântico e, em particular, na música de Liszt. Que enche por completo o (extraordinário) disco aqui hoje trazido, gravado entre 1969 e 1970, e reeditado pela Philips em 2001 inserido na colecção 50 Great Recordings. Grandes gravações, grandes audições!!!
Franz Liszt Sonata in B minor. Bénédiction de Dieu dans la solitude. Zwei Konzertetüden. Vallée d'Obermann (from Années de pèlerinage). Claudio Arrau (piano) Philips 464 713-2
O Prix de Rome foi instituído em 1663 em França, onde na altura reinava Luís XIV, e destinava-se a premiar jovens artistas, entre os 15 e os 30 anos, de diversas áreas: arquitectura, pintura, escultura, a que se juntou, em 1803, a composição musical. Foi abolido em 1968 e, durante os cerca de 165 anos em que os compositores puderam concorrer, aconteceu o inevitável: ganharam alguns dos grandes, como Hector Berlioz (1803-1869), Georges Bizet (1838-1875) e Claude Debussy (1862-1918), mas também ficaram de fora outros, como Camille Saint-Saëns (1835-1921) e Maurice Ravel (1875-1937). O caso de Ravel chegou a causar algum escândalo na altura, por ter concorrido por 4 vezes, entre 1901 e 1905, e ter ficado sempre a ver navios... Por essa altura, Ravel estava associado a um grupo de artistas de várias áreas, os "Apaches", de que também fazia parte o pianista espanhol Ricardo Viñes (1875-1943). Foi Viñes que apresentou a Ravel a obra Gaspard de la nuit: fantaisies à la manière de Rembrandt et de Callot, do poeta Aloysius Bertrand (1807-1841). Bertrand, considerado um dos mais originais poetas do romantismo francês, foi um dos precursores da poesia em prosa, sendo Gaspard de la nuit a sua obra mais significativa, embora publicada postumamente.
Dos 65 pequenos poemas que constituem essa obra, Ravel acabou por seleccionar 3: Ondine, Le Gibet e Scarbo, que ilustrou numa extraordinária peça para piano e dedicou, respectivamente, ao pianista Harold Bauer (1873-1951), ao crítico Jean Marnold e ao igualmente pianista Rudolf Ganz (1877-1972). Designada pelo próprio Ravel como "poemas para piano", Gaspard de la nuit é uma das mais significativas obras para piano, de Ravel e do século XX.
A estreia teve lugar há 97 anos, no dia 9 de Janeiro de 1909, com Ricardo Viñes ao piano. O mesmo que já anteriormente tinha estreado várias outras obras de Ravel, como Pavane pour une infante défunte, Jeux d'eaux e Miroirs.
CDs
Maurice Ravel Gaspard de la nuit. Sergei Rachmaninov Preludes, Op.23 Nos.1, 2, 5 & 6. Prelude, Op.32 No.12. Études tableaux, Op.39 Nos.3 & 5. Elégie, Op.3 No.1. Moments musicaux, Op.16 Nos.3-6. Andrei Gavrilov (piano) EMI Red Line 5 69869-2
Maurice Ravel Gaspard de la nuit. Sonatine for piano. Robert Schumann 8 Fantasiestücke, Op.12. Martha Argerich (piano) EMI 5 57101-2
O maestro alsaciano Charles Münch (1891-1968) deu particular destaque à divulgação da música francesa, tendo, por exemplo, estreado obras de Francis Poulenc (1899-1963), Jacques Ibert (1890-1962) e Arthur Honegger (1892-1955) que, apesar de suíço, viveu a maior do tempo em Paris.
Charles Münch
Charles Münch esteve à frente da Orquestra Sinfónica de Boston entre 1949 e 1962, tendo introduzido ao público americano inúmeras obras de compositores franceses, patrocinando simultaneamente compositores seus contemporâneos. O SACD que aqui se traz hoje contém gravações, efectuadas na 2ª metade dos anos 50, de 3 compositores franceses: Camille Saint-Saëns (1835-1921), Claude Debussy (1862-1918) e Jacques Ibert.
Saint-Saëns, Debussy, Ibert
A interpretação da Sinfonia Nº3 de Saint-Saëns é fenomenal, tendo sido possível na altura ultrapassar as dificuldades técnicas associadas à sua gravação, relacionadas com a audição do órgão e o seu balanço com os restantes instrumentos da orquestra. Grandes audições!
SACD
Camille Saint-Saëns Symphony No.3 in C minor, "Organ". Claude Debussy La Mer. Jacques Ibert Escales (Ports of Call). Berj Zamkochian (órgão) Boston Symphony Orchestra Charles Münch RCA Red Seal 82876-61387-2
Duas das mais apreciadas obras para violoncelo, um dos mais conceituados intérpretes do instrumento, uma orquestra no seu apogeu e um maestro à altura das circunstâncias. Este último, o italiano Carlo Maria Giulini, está de parabéns, pois hoje comemora o seu 91º aniversário. E nós também, por termos o privilégio de, entre outros igualmente extraordinários, podermos ouvir o disco objecto do postal de hoje.
Carlo Maria Giulini
Enquanto violista Giulini tocou sob a orientação de maestros como Wilhelm Furtwängler (1886-1954), Otto Klemperer (1885-1973) e Bruno Walter (1876-1962). Destes três só um não se daria mal com a ascensão do nacional-socialismo, mas isso são outras histórias... Como maestro, Giulini esteve à frente, entre outras, das orquestras do Teatro alla Scala de Milão, Filarmónica de Viena, Sinfónica de Chicago e Filarmónica de Londres.
Estas gravações dos Concertos para Violoncelo de Dvorák (1841-1904) e Saint-Saëns (1835-1921) foram efectuadas em Londres em Abril e Maio de 1977. As obras foram cuidadosamente ensaiadas pela orquestra, contudo sem a presença do solista, Mstislav Rostropovich (1927-), que chegou atrasado por dificuldades nas ligações aéreas. Problema? Nenhum!: sentou-se, preparou-se, e menos de um minuto depois estavam a gravar. Resultado? Um daqueles discos para a ilha deserta...
Antonín Dvorák Cello Concerto in B minor, Op.104. Camille Saint-Saëns Cello Concerto No.1 in A minor, Op.33. Mstislav Rostropovich London Philharmonic Orchestra Carlo Maria Giulini EMI GROC 5 67593-2
Assinalam-se hoje os 80 anos da morte do compositor francês Gabriel Fauré, ocorrida no dia 4 de Novembro de 1924.
Gabriel Fauré
Fauré fez os primeiros estudos musicais na École Niedermeyer, onde esteve cerca de 12 anos e chegou a ser aluno de Saint-Saëns (texto CDs #6, de 30 de Setembro).
Louis Niedermeyer
Viria posteriormente a ser professor de composição no Conservatório, onde teve como alunos, entre outros, Maurice Ravel e Nadia Boulanger (ver texto Compositores #7, de 22 de Outubro). Compreender-se-á então melhor o empenho de Nadia Boulanger na divulgação da música de Fauré, tida por demasiado moderna para a época e portanto de difícil aceitação. Fauré foi director do Conservatório entre os anos de 1905 e 1920.
Pouco prolífico, dedicou-se fundamentalmente aos géneros
vocal, com destaque para os ciclos de canções, para a música instrumental, através de obras para piano, e para a música de câmara. Compôs ainda um Requiem, em 1887, e uma ópera, Pénélope, em 1913.
Por vezes há coisas que ficam interminavelmente na lista de compras. Aconteceu no meu caso com O Carnaval dos Animais, de Camille Saint-Saëns, que por lá andou uma boa dezena de anos. Assunto agora resolvido com um CD emitido pela Virgin Classics no ano passado, e acabado de receber. Boas audições para a véspera do Dia Mundial da Música!
CD
Camille Saint-Saëns Le Carnaval des Animaux. Fantaisie pour violon & harpe, Op.124. Romance pour violoncelle & piano, Op.36. Prière pour violoncelle & piano, Op.158. Mon coeur s'ouvre à ta voix (Samson et Dalila). Septuor pour piano, trompette, 2 violons, alto, violoncelle & contrebasse, Op.65. Renaud Capuçon, Esther Hoppe (violins), Gautier Capuçon (cello), Frank Braley, Michel Dalberto (pianos), Emmanuel Pahud (flute), Paul Meyer (clarinet), David Guerrier (trumpet), Marie-Pierre Langlamet (harp), Béatrice Muthelet (viola), Janne Saksala (double-bass), Florent Jodelet (percussion) Virgin Classics 5 45603 2