Mostrar mensagens com a etiqueta Schoenberg. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Schoenberg. Mostrar todas as mensagens

12/08/2018

Compositores #133: John Cage (1912-1992)

Há exatamente 9 anos, neste dia 12 de Agosto, prometi que quando aqui voltasse a falar do compositor norte-americano John Cage aproveitaria para trazer à baila obras mais sonoras do que os famosos 4'33".

Henry Cowell (1897-1965) foi um dos professores de Cage e foi também quem, em 1938, aconselhou Cage a encontrar-se com o igualmente compositor Lou Harrison (1917-2003), ele próprio um antigo aluno de Cowell. Por curiosidade referira-se que Cage e Harrison tiveram ainda outro professor em comum, Arnold Schoenberg (1874-1951).

Henry Cowell e John Cage tinham em comum o gosto pela dança e pela música para instrumentos de percussão. Cage compôs várias obras para estes instrumentos e chegou mesmo a organizar um grupo de percussão para percorrer a costa oeste dos Estados Unidos, e que em muito ajudou à sua reputação como compositor, numa altura em que era ainda pouco conhecido (estávamos nos finais da década de 1930).

John Cage faleceu há 26 anos, no dia 12 de Agosto de 1992.


CD



John Cage
The Works for Percussion I
Credo in Us (two versions). Imaginary Landscapes I-V.
Percussion Group Cincinnati
CCM Percussion Ensemble
James Culley
Mode MODE229


YouTube




John Cage
Official Website / Casa da Música / Wikipedia

06/05/2018

Poetas #14: Maurice Maeterlinck (1862-1949)

O título deste texto é um pouco (bastante...) redutor, dado que o belga Maurice Maeterlinck, além de poeta, foi dramaturgo e ensaísta. Foi também bastante bom a copiar obras de outros, como o provam as acusações de plágio relacionadas com a sua obra La Vie des Termites, publicada em 1926. Voltando às coisas positivas, e que felizmente abundam, merecem realce os vários e importantes prémios atribuídos a Maeterlinck, com destaque para o Nobel da Literatura em 1911, assim como também, para mim, deveremos assinalar o facto de variadíssimas obras deste autor terem servido de base / inspiração para obras musicais.

Uma delas foi indubitavelmente Pelléas et Mélisande, uma peça que escreveu em 1892 e que teve a sua estreia nos palcos (parisienses) no dia 17 de Maio de 1893. A lista de compositores que nela se inspiraram é deveras impressionante:

Claude Debussy (1862-918) - ópera
Gabriel Fauré (1845-1924) - suite orquestral
Arnold Schoenberg (1874-1951) - poema sinfónico
Jean Sibelius (1865-1957) - música de cena
William Wallace (1860-1940) - suite para orquestra

Maurice Maeterlinck faleceu há 69 anos, no dia 6 de Maio de 1949.


CDs




William Wallace
Creation Symphony in C sharp minor. Prelude To The Eumenides.
Pelléas and Mélisande Suite.
BBC Scottish Symphony Orchestra
Martyn Brabbins
Hyperion CDA66987
(1997)

Claude Debussy
Pelléas et Mélisande
Wolfgang Holzmair, Laurent Naouri, Jérôme Varnier (barítonos), Anne Sofie von Otter,
Florence Couderc (soranos), Alain Vernhes (baixo), Hanna Schaer (meio-soprano)
Radio France Chorus
French National Orchestra
Bernard Haitink
Naïve V4923
(2001)

Arnold Schoenberg
Pelleas und Melisande
Richard Wagner
Siefried Idyll
Orchestra of the Deutsche Opera
Christian Thielemann
Deutsche Grammophon 469 008-2

Jean Sibelius
Symphonies - No.4, Op.63 and No.7, Op.105. Tapiola, Op.112.
Suite from 'Pelléas et Melisande', Op.46.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4041-2


YouTube





Maurice Materlinck
Nobelprize.org / Encyclopaedia Britannica / Wikipedia

01/10/2017

Música de Câmara #1: Chamber Concerto, de György Ligeti

Friedrich Cerha (1926-) nasceu em Viena, Áustria, e lá efectuou também os estudos musicais, na Academia de Música e na Universidade. Além da sua (principal) actividade de compositor, Cerha destacou-se na interpretação de obras de outros compositores intimamente ligados a Viena: Alban Berg (1885-1935), Arnold Schoenberg (1874-1951) e Anton Webern (1883-1945), os elementos mais destacados da Segunda Escola de Viena.

O compositor György Ligeti nasceu na Roménia em Maio de 1923, tendo vivido na Hungria desde o final da 2ª Guerra Mundial até 1956, ano em que a revolução que teve lugar naquele país fez com que Ligeti se tivesse mudado para Viena. Foi neste cidade que, liberto das rédeas curtas impostas pelo regime comunista húngaro, começou a compor obras mais arrojadas, que o tornariam num dos compositores avant-garde mais relevantes na segunda metade do século XX.

No dia 1 de Outubro de 1970, passam hoje 47 anos, Friedrich Cerha dirigiu em Berlim o grupo Die Reihe na estreia do Concerto de Câmara de György Ligeti.


CD



György Ligeti
'Clear or Cloudy - Complete Recordings on Deutsche Grammophon'.
Various artists, including
Wiener Biäsersolisten, LaSalle Quartet, Wiener Philharmoniker, Claudio Abbado,
London Sinfonietta, Ensemble Intercontemporain, Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 477 6443


Internet



György Ligeti
The Guardian / allmusic / Wikipedia

30/04/2017

Poetas #13: Jens Peter Jacobsen (1847-1885)

O poeta (e romancista e cientista) dinamarquês Jens Peter Jacobsen teve uma vida muito curta (faleceu pouco depois de ter completado 38 anos) e uma obra não muito vasta, mas suficientemente relevante para ter marcado e influenciado muito boa gente, contando-se entre ela nomes como Henrik Ibsen (1828-1906), D. H. Lawrence (1885-1930), Thomas Mann (1875-1955) e Rainer Maria Rilke (1875-1926), para mencionar apenas alguns.

Na Primavera do primeiro ano do século XX o compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951) iniciou a escrita do oratório Gurrelieder, com base em poemas de Jens Peter Jacobsen. A composição propriamente dita ficou terminada no ano seguinte, mas a orquestração apenas ficaria finalizada em 1911. É que aquilo que o compositor começou por pensar que seria um trabalho ligeiro acabou por se revelar bem mais complexo, pois não tardou a aperceber-se de que os textos de Jacobsen pediam e mereciam algo de bastante mais profundo.

Jens Peter Jacobsen faleceu há 132 anos, no dia 30 de Abril de 1885.


CD



Arnold Schoenberg
Gurrelieder.
Karita Mattila (soprano), Anne Sophie von Otter (mio-soprano), Thomas Moser,
Philips Langridge (tenores), Thomas Quasthoff (baixo-barítono)
Berlin Radio Chorus
Berlin Philharmonic Orchestra
Simon Rattle
EMI 5 57303-2
(2001)


Internet



Jens Peter Jacobsen
Goodreads / Denmark.dk / Wikipedia

04/12/2016

Poetas #11: Stefan George (1868-1933)

Para as suas obras vocais (canções, cantatas, etc.) os compositores socorreram-se frequentemente de poemas de autores mais ou menos conhecidos, havendo casos em que essa associação entrou definitivamente para a história da música (ex.: os ciclos de canções de Franz Schubert e de Robert Schumann baseados em poemas de Heinrich Hein).

Stefan George foi um poeta alemão cujos versos davam um particular relevo ao poder e ao heroísmo, características que lhe terão valido uma especial admiração por parte dos simpatizantes do movimento nacional socialista. Uma ideologia que o poeta nunca professou, ao ponto de ter abandonado o país pouco depois da chegada ao poder dos nazis.

Dos vários compositores que musicaram poemas seus, os da Segunda Escola de Viena destacaram-se claramente, em especial o pai dessa escola, Arnold Schoenberg (1874-1951). Até aqui tudo mais ou menos normal; o que é menos usual, contudo, é que uma das obras em que Schoenberg utilizou poemas de Stefan George foi num... quarteto de cordas, no caso o segundo.

Stefan George faleceu há 83 anos, no dia 4 de Dezembro de 1933.


CDs



Arnold Schoenberg
String Quartets - No.1 in D minor, Op.7; No.2 in F sharp minor, Op.10; No.3, Op.30;
No.4, Op.37; in D major.
Anton Webern
Five Movements from String Quartet, Op.5. String Quartet. Six Bagatelles for String Quartet, Op.9.
Alban Berg
Lyric Suite for String Quartet. String Quartet, Op.3.
Margaret Price (soprano)
LaSalle Quartet
Brilliant Classics 9016

Arnold Schoenberg
String Quartet No.2, Op.10.
Anton Webern
Six Bagatelles, Op.9. Langsam, 'Schmerz immer, Blick nach oben'.
Alban Berg
Lyric Suite.
Sandrine Piau (soprano), Marie-Nicole Lemieux (contralto)
Quatuor Diotima
Naïve V5240
(2010)

Arnold Schoenberg
Complete String Quartets.
Alban Berg
Lyric Suite - String Quartet. String Quartet, Op.3.
Anton Webern
String Quartet, Op.5 - 5 movements.
Juilliard Quartet
United Archives UAR023
(1950-1952)


Internet



Stefan George
The Guardian / Encyclopedia.com / Wikipedia

13/09/2014

Quintetos de Sopros #1: Quinteto de Sopros, Op.26, de Schoenberg

O 50º aniversário do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951) ficou marcado pela estreia de uma obra para flauta, oboé, clarinete, trompa e fagote, o Quinteto de Sopros, Op.26. Temos então, neste dia, uma dupla celebração: os 140 anos passados sobre o nascimento do compositor, e os 90 anos da estreia desta obra.

Que, apesar de estruturada de uma forma clássica (com 4 andamentos, mais ou menos tradicionais), resulta da aplicação do método de composição desenvolvido por Schoenberg, com os doze sons. Foi escrito numa altura (entre Abril e Julho de 1923) em que ainda tinha algumas incertezas quanto à viabilidade e sucesso deste seu novo método; foi, na realidade, a segunda obra que escreveu utilizando as 12 notas, e a primeira em larga escala e com vários andamentos que compôs em 15 anos.


CD


Arnold Schoenberg
Chamber Symphony No.2, Op.38. Wind Quintet, Op.26. Die glückliche Hand, Op.18.
Mark Beesley (baixo), Simon Joly Chorale, New York Woodwind Quintet
Philharmonia Orchestra
Robert Craft
Naxos 8.557526
(2000, 2004)


Internet




Arnold Schoenberg

18/03/2012

Sextetos de Cordas #1: Verklärte Nacht, de Arnold Schoenberg

Richard Dehmel (1863-1920) foi um importante poeta e escritor alemão, tendo sido por mais de uma vez alvo de acusações de obscenidade e blasfémia, sendo que um tribunal alemão chegou mesmo a ordenar a queima de uma das suas obras, o volume de poesia Weib und Welt. Como é normal nestas coisas, ou este poeta nunca para aqui seria chamado..., houve vários compositores que nele se inspiraram para algumas das suas composições, como Richard Strauss (1864-1949), Alexander Zemlinsky (1871-1942) e Arnold Schoenberg (1874-1951).

Schoenberg começou muito cedo a socorrer-se da obra de Dehmel: 3 das 4 canções que formam o seu opus 2 utilizam versos desse poeta e no mesmo ano em que as compôs, 1899, foi de novo nele que foi buscar inspiração para um sexteto de cordas. Verklärte Nacht (Noite Transfigurada) baseia-se no poema homónimo de Dehmel, pertencendo precisamente ao tal volume banido, Weib und Welt.

Descreve uma história um bocado insólita para servir de pretexto para um sexteto de cordas (uma mulher, durante um passeio ao fim do dia, confidencia ao amante que, ainda antes de o conhecer, ficou grávida de outro, ao que este responde que o amor que sentem um pelo outro tudo superará) mas, aqui entre nós, o que interessa é o resultado final, traduzido num extraordinário sexteto para 2 violinos, 2 violas e 2 violoncelos. Há ainda uma versão para orquestra de cordas elaborada pelo próprio Schoenberg em 1917 e posteriormente revista em 1943.

O sexteto de cordas Verklärte Nacht foi estreado há 110 anos, no dia 18 de Março de 1902.


CDs



Arnold Schoenberg
Variations for Orchestra, Op.31. Verklärte Nacht, Op.4.
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 415 326-2
(1993)

Johannes Brahms
Symphony No.1 in C minor, Op.68.
Arnold Schoenberg
Verklärte Nacht, Op.4.
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Testament SBT1431
(1988)


Internet



Arnold Schoenberg
Arnold Schönberg Center / ThinkQuest / G. Schirmer Inc. / Classical Net /allmusic / Answers.com / Bach Cantatas Website / Wikipedia

21/12/2008

Quartetos de Cordas #7: Quarteto de Cordas Nº2, de Arnold Schoenberg

O desenvolvimento da música atonal por parte da 2ª Escola de Viena, encabeçada pelo compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951) e os seus alunos Alban Berg (1885-1935) e Anton Webern (1883-1945), deu-se na primeira metade do século XX, principalmente a partir do início da década de 1920, após a publicação da Suite para Piano de Schoenberg.

Schoenberg escreveu 4 quartetos de cordas, se esquecermos, naturalmente, aqueles que compôs na juventude (e de que só um sobreviveu a partitura). Os Quartetos de Cordas Nºs 3 e 4, conforme já aqui referi, resultaram de encomendas de Elizabeth Sprague Coolidge (1864-1953) e foram compostos em 1927 e 1936, respectivamente, pertencendo portanto ao período atonal do compositor.

O Quarteto de Cordas Nº2 pertence ainda então ao período pré-atonal, e foi escrito entre 1907 e 1908. A estreia, no dia 21 de Dezembro de 1908, passam hoje 100 anos, foi um caos, com o público apanhado desprevenido pelas ostensivas liberdades dissonantes, e a reagir em conformidade. Relata quem lá esteve que "as elegantes senhoras enfiavam os sensíveis dedos nos delicados ouvidinhos, e os cavalheiros, na maioria idosos, soltavam lágrimas de comoção"...

Essa estreia contou com o Quarteto Rosé, formado em 1882 pelo violinista Arnold Rosé (1863-1946), e com o soprano Marie Gutheil-Schoder (1874-1935), para cantar os versos do poeta alemão Stefan George (1868-1933) nos e 4º andamentos do quarteto. Refira-se, a terminar, que esta obra marcou a transição entre as fases tonal e atonal de Arnold Schoenberg, que só bastantes anos mais tarde escreveria de novo uma obra tonal.


CD



Arnold Schoenberg
Complete String Quartets.
Alban Berg
Lyric Suite - String Quartet. String Quartet, Op.3.
Anton Webern
String Quartet, Op.5 - 5 movements.
Juilliard Quartet
United Archives UAR023
(1950-1952)


Internet

Arnold Schoenberg
Arnold Schoenberg Center / Classical Music Pages / G. Schirmer Inc. / Naxos / suite101.com / P. Q. P. Bach / Answers.com / Classical Music Archives / Arnold Schoenberg & The Second Vienna School / Wikipedia

29/08/2008

Escritores #8: Maurice Maeterlinck (1862-1949)

O compositor francês Claude Debussy (1862-1918), apesar de ter ensaiado outras tentativas, nomeadamente a partir da obra The Fall of the House of Usher de Edgar Allan Poe (1809-1849), apenas nos deixou uma ópera completa, Pelléas et Mélisande. Esta descreve-nos as desventuras de Golaud, o marido ciumento, e Mélisande, a infeliz esposa que viria a derreter-se de amores por Pelléas, meio-irmão de Golaud. Este, depois de suspeitas várias, lá logrou ouvir a troca de juras de amor entre Mélisande e Pelléas e, louco de raiva, matou o meio-irmão logo ali. Mélisande, por sua vez, viria a morrer pouco depois de dar à luz a filha do casal, deixando Golaud divido entre os remorsos de ter eventualmente contribuído para a morte da esposa e os ciúmes dos amores desta por Mélisande. A estreia desta ópera teve lugar em Paris, no dia 30 de Abril de 1902.

Mais modesto, o compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) limitou-se, em 1905, a compôr a música de cena Pelléas et Mélisande, estruturada em 8 andamentos. Exibindo um tom menos emocional e mais escuro do que o da ópera de Debussy, esta obra de Sibelius foi estreada em Helsínquia no dia 17 de Março de 1905.

Já andava Debussy entretido a escrever a ópera e Patrick Campbell (1865-1940), uma famosa actriz inglesa, pediu-lhe para escrever uma música de cena para a peça Pelléas et Mélisande, entusiasmada como estava depois de assistir à respectiva estreia londrina, em 1895. Campbell queria traduzi-la para inglês e incluí-la no seu repertório, mas Debussy, indiferente a tais excitações, mandou-a às urtigas. A nossa actriz, contudo, não era senhora de desistir facilmente, virando-se então para Gabriel Fauré (1845-1924), e dessa vez com mais sucesso. Demasiado ocupado na altura, Fauré deixou a orquestração a cargo do seu aluno Charles Koechlin (1867-1950) mas, perante o sucesso obtido, viria posteriormente a extrair dela uma suite sinfónica, que ele próprio orquestrou e que teria a sua estreia no dia 3 de Fevereiro de 1901.

Ainda nos inícios do século XX, um compositor já nosso bem conhecido, Richard Strauss (1864-1949), desconhecendo que Debussy já tinha iniciado tal empreitada, sugeria a Arnold Schoenberg (1874-1951) que compusesse uma ópera igualmente baseada na peça Pelléas et Mélisande. Schoenberg, todavia, optaria por escrever um poema sinfónico, que o próprio compositor estrearia em Viena no dia 26 de Janeiro de 1905. Sem grande sucesso, diga-se, que só viria a encontrar uns anos mais tarde. Tal como no caso de Debussy, esta obra acabou por ser a única do género escrita por Schoenberg, que não mais se viraria para os poemas sinfónicos.

Todas estas obras, como está bom de ver, basearam-se na peça Pelléas et Mélisande do poeta e dramaturgo belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), Prémio Nobel da Literatura em 1911, e que nasceu no dia 29 de Agosto de 1862, passam hoje 146 anos.


Internet

Maurice Maeterlinck
Nobelprize.org / Symbolism and Maurice Maeterlinck / biographybase / Famous Belgians / Algosobre / Maurice Maeterlinck / Wikipedia

04/06/2008

SACDs #22: Zemlinsky, Lyrische Symphonie

Não é muito simpático para alguém que dedicou grande parte da sua vida à composição ficar para a posteridade apenas pelo facto de ter sido professor de Arnold Schoenberg (1874-1951), mas foi mais ou menos isso o que aconteceu com Alexander Zemlinsky (1871-1942). Zemlinsky nasceu em Outubro de 1871 em Viena, a cidade capital da música, berço da 2ª Escola de Viena; só que, apesar de ter de certo modo preparado o terreno para Schoenberg, Alban Berg (1885-1935) e Anton Webern (1883-1945), Zemlinsky nunca se rendeu à atonalidade, e esta passagem ao lado da modernidade contribuiu em muito para o facto de a sua música apenas ter começado a ser regularmente interpretada no último quartel do século XX, umas boas dezenas de anos após a sua morte, portanto.

Mal adaptado ao ambiente vienense, Zemlinsky viveu em Praga entre 1911 e 1927, e é desse período que datam algumas das suas obras mais importantes. De entre elas destaca-se a Sinfonia Lírica que, como o nome diz e um pouco à moda de Gustav Mahler (1860-1911), combina os géneros sinfónico e vocal. O próprio compositor não fez segredo do seu modelo inspirador e, em Setembro de 1922, escreveu ao seu editor (*): "This Summer I've written something along the lines of The Song of the Earth. I haven't got a name for it yet. It consists of seven related songs for baritone, soprano and orchestra, to be played without a break". Zemlinsky baseou-se em poemas de Rabindranath Tagore (1861-1941) que, ao ganhar o Prémio Nobel da Literatura em 1913, tornou-se no primeiro laureado do continente asiático.

A Lyrische Symphonie foi estreada pelo autor, em Praga, no dia 4 de Junho de 1924. As interpretações neste disco, fabulosas, estão a cargo do soprano Christine Schäfer (1965-) e do barítono Matthias Goerne (1967-), com Christoph Eschenbach (1940-) a dirigir a Orquestra de Paris. Excelentes audições, pois claro!

(*) All Music Guide to Classical Music, Backbeat Books, 2005




Alexander Zemlinsky
Lyrische Symphonie, Op.18.
Christine Schäfer (soprano), Matthias Goerne (barítono)
Orchestre de Paris
Christoph Eschenbach
Capriccio 71 081
(2005)


Internet

Alexander Zemlinsky
Alexander Zemlinsky / Carolina Classical Connection / Wikipedia / Crítico

09/01/2008

Quartetos de Cordas #5: Quarteto de Cordas Nº4, de Arnold Schoenberg

Há pouco tempo referimos por estas páginas que a norte-americana Elizabeth Sprague Coolidge (1864-1953) foi uma importante patrona da música da primeira metade do século XX em geral, e da música de câmara em particular.

Um dos compositores beneficiados foi o austríaco (de nascimento) Arnold Schoenberg (1874-1951) que, na segunda metade da década de 1920, recebeu uma encomenda de que resultariam os seus quartetos de cordas nºs 3 e 4. Uma atitude corajosa da senhora, é bom que se diga, dados os antecedentes de Schoenberg no género: o primeiro quarteto que escreveu tinha sido vaiado em Viena, cidade natal do compositor, aquando da estreia, a 5 de Fevereiro de 1907, tendo a estreia do segundo, uma das suas primeiras aventuras atonais, sido o mais completo desastre, com as madames em sobressalto a enfiar os dedinhos nas orelhas e os cavalheiros um bocado perdidos no meio da confusão.

Ambas as estreias tinham tido lugar em Viena e, apesar de na altura da referida encomenda Schoenberg viver em Berlim, mostra bem que Sprague Coolidge não se tinha deixado impressionar pelas reacções negativas de então. O Quarteto de Cordas Nº4 foi composto entre Abril e Julho de 1936, já se encontrava Schoenberg nos Estados Unidos, país onde se tinha finalmente estabelecido depois de ter abandonado Berlim em 1933, pelos habituais problemas com as autoridades nazis. A estreia, ocorrida em Los Angeles no dia 9 de Janeiro de 1937, passam hoje 71 anos, contou com a interpretação do Quarteto Kolisch, que tinha sido formado em Viena em 1922 com o principal objectivo de tocar as obras de Schoenberg. A sua estreita associação a este compositor fez com que os seus membros, que se encontravam em Paris aquando da anexação da Áustria pela Alemanha, se vissem compelidos a procurar ares mais respiráveis, o que viria a tornar possível o reencontro com Schoenberg , em Los Angeles. Schoenberg, refira-se, tinha por este quarteto uma enorme admiração.


CD



Arnold Schoenberg
String Quartets Nos.1-4.
Kolisch Quartet
Archiphon ARC-103/4


Internet

Arnold Schoenberg
Arnold Schoenberg Center / Classical Music Pages / G. Schirmer Inc. / The Music Chamber / W. W. Norton & Company / Wikipedia / Naxos

30/10/2007

CDs #137: Britten, String Quartets, 3 Divertimenti

Elizabeth Sprague Coolidge (1864-1953), nascida passam hoje 143 anos, estudou piano e composição, mas para a história ficou o seu patronício da música, com especial destaque para a música de câmara. No início de 2005 falámos, neste texto, do importante apoio que deu ao compositor inglês Frank Bridge (1879-1941), que chegaria inclusivamente a receber a Medalha Elizabeth Sprague Coolidge, por eminentes serviços à música de câmara. A lista de compositores a quem encomendou obras é impressionante, incluindo nomes como os de Bartók (1881-1945), Britten (1913-1976), Prokofiev (1891-1953), Ravel (1875-1937), Schoenberg (1874-1951) e Stravinsky (1882-1971).

Em 1939, Benjamin Britten, anti-militarista, zarpou em direcção aos Estados Unidos, acompanhado do seu amigo, o tenor Peter Pears (1910-1986), e por lá ficou até 1942. Nesse curto espaço de tempo compôs obras das mais significativas, como o ciclo de canções Seven Sonnets of Michelangelo, o Concerto para Violino e a Sinfonia da Requiem. É ainda deste seu período americano o Quarteto de Cordas Nº1, uma encomenda de Elizabeth Sprague Coolidge, obviamente. Escrito no Verão de 1941, foi estreado em Los Angeles em Setembro desse ano pelo... Coolidge Quartet.

O Segundo Quarteto, escrito 3 anos depois do regresso a terras de sua majestade, em 1945, resultou de uma encomenda para comemorar os 250 anos passados sobre o falecimento do compositor inglês do período barroco Henry Purcell (1659-1695), pelo que foi estreado no dia 21 de Novembro de 1945. Encomenda tornada ainda mais adequada pela conhecida influência que a música deste compositor teve sobre Britten, que viria a citá-lo nalgumas das suas obras posteriores, nomeadamente em Young Person's Guide to the Orchestra, composta no ano seguinte.

O Quarteto de Cordas Nº3 foi uma das últimas obras de Britten; escrito no Outono de 1975, foi estreado no dia 19 de Dezembro de 1976 pelo bem conhecido Quarteto Amadeus, apenas duas semanas depois da morte do compositor. Foi o testamento musical de Britten, geralmente entendido como o seu adeus à vida.




Benjamin Britten
String Quartet No.1 in D, Op.25.
String Quartet No.2 in C, Op.36.
String Quartet No.3, Op.94.
Three Divertimenti.
Belcea Quartet
EMI Classics 5 57968-2
(2003)


Internet

Benjamin Britten
Wikipedia
/ Classical Music Pages / bbc.co.uk / Opera Stanford

Elizabeth Sprague Coolidge
Wikipedia / A Permanent Home for Music

18/06/2007

Obras Vocais #7: Le marteau sans maître, de Pierre Boulez

Entre 1942 e 1945, Pierre Boulez (1925-) estudou no Conservatório de Paris com Olivier Messiaen (1908-1992), como aluno das famosas aulas de análise. Na segunda metade dessa década de 40, Boulez desenvolveu o seu estilo musical partindo do serialismo introduzido por Arnold Schoenberg (1874-1951).

Desses estudos resultaram 2 Sonatas para Piano, a primeira de 1946, a outra de 1948, e uma Cantata, também de 1948, Le Soleil des eaux. A Segunda Sonata para Piano foi inclusivamente a obra que lhe granjeou fama, inicialmente pela circulação da partitura, publicada em 1950, e, mais tarde, pela sua estreia pública em Darmstadt, em 1952, com Yvonne Loriod (1924-) ao piano. Loriod que, em 1961, iria casar com... Olivier Messiaen...

Le marteau sans maitre
consolidaria definitivamente a reputação de Pierre Boulez, uma obra para contralto e 6 instrumentistas, escrita entre 1953 e 1955, numa altura em que o compositor tinha já largado o serialismo puro e duro. Esta foi a 3ª obra em que Boulez utilizou poemas de René Char (1907-1988), depois de o ter feito nas cantatas Visage nuptial, de 1946, e Le Soleil des eaux, de 1948. Para esta obra Boulez inspirou-se em Pierrot Lunaire, de Schoenberg, só que concebeu uma obra bem mais complexa. De tal forma que vários músicos hesitaram em pegar-lhe e, aquando da preparação para a sua estreia, houve um que perguntou a Boulez "onde estava a poesia", ao que ele respondeu que "ela está lá"... A referida estreia teve lugar no dia 18 de Junho de 1955.


CD



Pierre Boulez
Le Marteau sans maïtre. Dérive 1. Dérive 2.
Hilary Summers (meio-soprano)
Ensemble Intercontemporain
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 20/21 477 5327


Internet

Pierre Boulez
IRCAM
/ Andante / Classical Music Pages / Wikipedia / Radio France

29/01/2007

Compositores #77: Luigi Nono (1924-1990)

Em 1946, um alemão de nome Wolfgang Steinecke criou a Escola Internacional de Verão, na cidade de Darmstadt, com o intuito de promover a nova música. A 2ª Grande Guerra tinha acabado há pouco tempo, portanto, e havia que recuperar desse período negro. Escuro também do ponto de vista musical, pois claro, basta que nos lembremos de que o regime nazi tinha, por exemplo, banido por completo as obras da 2ª Escola de Viena. Antes da guerra, Arnold Schoenberg (1874-1951) tinha dado início ao serialismo, método a que os professores de Darmstadt regressaram dando, contudo, bem mais relevância às obras de Anton Webern (1883-1945) do que às do próprio Schoenberg. Coisas da vida...

A lista de nomes que passaram por Darmstadt mostra a enorme importância que os cursos tiveram para a música do século XX: Olivier Messiaen, Pierre Boulez, Karlheinz Stockhausen, Luigi Nono, Luciano Berio, Bruno Maderna. Uma das obras marcantes desse período, Mode de valeurs et d'intensités, foi escrita por Messiaen, que foi professor em Darmstadt entre 1949 e 1951, durante um desses cursos.

O italiano Luigi Nono passou por ser um dos mais radicais desse grupo, pela sua militância política, que o levou a combinar com frequência textos políticos radicais com música revolucionária. A sua ligação a Schoenberg foi bem para além do uso do serialismo nas suas primeiras obras; antes de mais, pelo facto de a sua primeira obra orquestral, estreada em Darmstadt em 1950, chamar-se Variazioni canoniche sulla serie dell'op.41 di Arnold Schoenberg; e por, 5 anos depois, ter casado com Nuria, filha de Schoenberg...

Luigi Nono nasceu há 83 anos, no dia 29 de Janeiro de 1924.


CD



Luigi Nono
No hay caminos, hay que caminar... Andrei Tarkovsky.
Variazioni canoniche. Varianti. Incontri.
Mark Kaplan (violino)
Basel Symphony Orchestra
Mario Venzago
Col legno WWE1CD31822


Internet

Luigi Nono
Archivio Luigi Nono
/ Wikipedia / Classical Music Pages / IRCAM / Schott Music

24/12/2006

Compositores #76: Alban Berg (1885-1935)

Passam hoje 71 anos sobre o falecimento do compositor austríaco Alban Berg (1885-1935). Se Mozart (1756-1791), Beethoven (1770-1827) e Schubert (1797-1828) formaram aquela que foi conhecida como a 1ª Escola de Viena, Berg, juntamente com Arnold Schoenberg (1874-1951) e Anton Webern (1883-1945) deram origem à 2ª Escola de Viena.

E se a 1ª escola marcou a transição do classicismo para o romantismo, sendo Schubert normalmente considerado o primeiro compositor romântico, a marcou decisivamente a música do século XX, com a introdução dos sistemas atonal e serial, surgidos como oposição ao sistema tonal e aos seus conceitos (tónica, consonância, hierarquia das notas, cadência,...). Alban Berg iniciou os estudos musicais em 1904, com Schoenberg. Foi nesse mesmo ano que Webern começou também a ter lições privadas com Schoenberg, diferindo apenas no facto de Webern já ter formação musical anterior.

Apesar de ter aderido às modernidades introduzidas por Schoenberg, a verdade é que Berg nunca negou a influência que Brahms (1833-1897), Schumann (1810-1856), Wagner (1813-1883) e, especialmente, Mahler (1860-1911) tiveram na sua música. A influência de Mahler é evidente na sua primeira obra, a Sonata para Piano, escrita entre 1907 e 1908, e vai-se fazendo sentir em diversas obras que compôs posteriormente, como as 3 Peças Orquestrais, de 1915, e a ópera Wozzeck, terminada em 1922. O sucesso de Wozzeck, estreada em Berlim no dia 14 de Dezembro de 1925, trouxe a Berg o reconhecimento generalizado e o desafogo financeiro. Na altura à frente da orquestra esteve o maestro Erich Kleiber
, o tal que levou a efeito 137 ensaios até a achar em condições...


CDs




Alban Berg
Violin Concerto.
Wolfgang Rihm
Gesungene Zeit.
Anne-Sophie Mutter (violino)
Chicago Symphony Orchestra
James Levine
Deutsche Grammophon 437 093-2

Alban Berg
Piano Sonata, Op.1.
Arnold Schoenberg
3 Piano Pieces, Op.11. 6 Little Piano Pieces, Op.19. 5 Piano Pieces, Op.23.
Suite for Piano, Op.25. Piano Piece, Op.33a. Piano Piece, Op.33b.
Anton Webern
Variations, Op.27.
Peter Hill (piano)
Naxos 8.553870

Alban Berg
Lulu suite. 3 Pieces for Orchestra, Op.6.
Margaret Price (soprano)
London Symphony Orchestra
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon The Originals 449 714-2

Alban Berg
Wozzeck.
Walter Berry, Max Lorenz, Murray Dickie, Peter Klein, Karl Dönch,
Christel Goltz
Vienna State Opera Chorus & Orchestra
Karl Böhm
Andante AND3060

Alban Berg
Lulu.
Teresa Stratas, Yvonne Minton, Hanna Schwarz,Frans Mazura, Kenneth Riegel,
Robert Tear, Toni Blankenheim, Helmut Pampuch, Gerd Nienstedt
Paris Opera Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon The Originals 463 617-2


Internet

Alban Berg: Biografia 1
/ Biografia 2 / Biografia 3