O norte-americano Walter Piston foi mais um do notável conjunto de alunos de Nadia Boulanger (1887-1979), no seu caso em meados da década de 1920. Para que não deixemos ninguém para trás, refira-se que nessa passagem por Paris também passou pelas aulas de Paul Dukas (1865-1935).
Após o regresso aos Estados Unidos, e a par com a docência e a escrita, dedicou-se à composição, criando um conjunto de obras especialmente notadas pela utilização de formas musicais mais tradicionais, longe das modernices de outros seus contemporâneos. Escreveu oito sinfonias, três das quais (as 2ª, 3ª e 6ª) por encomenda da Orquestra Sinfónica de Boston e do seu maestro titular Serge Koussevitzky (1874-1951), o que atesta da estreita relação desenvolvida entre eles.
Dos vários prémios recebidos constam dois Pulitzer, precisamente por duas das sinfonias que compôs, as nº3 e nº7, e uma colecção muito apreciável de oito doutoramentos honoris causa.
Walter Piston faleceu há 40 anos, no dia 12 de Novembro de 1976.
CDs
Walter Piston Violin Concertos - No.1; No.2. Fantasia for Violin and Orchestra.
James Buswell (violino)
Ukraine National Symphony Orchestra
Theodore Kushar
Naxos 8.559003 (1998)
Walter Piston Symphony No.4. Capriccio. Three New England Sketches.
Seattle Symphony Orchestra
Gerard Schwarz
Naxos 8.559162 (1991)
Walter Piston The Incredible Flutist. Fantasy for English Horn. Suite for Orchestra. Concerto for String Quartet, Wind Instruments and Percussion. Psalm and Prayer of David.
Scott Goff (flauta), Glen Danielson (trompa), Therese Wunrow(harpa)
Juilliard Quartet
Seattle Symphony Chorale
Seattle Symphony Orchestra
Gerard Schwarz
Delos DE3126 (1991, 1992)
Serge Koussevitzky (1874-1951) foi o maestro principal da Orquestra Sinfónica de Boston entre 1924 e 1949, o que dá uma boa ideia do sucesso que teve por aquelas bandas. O concerto inaugural dessa orquestra teve lugar no dia 22 de Outubro de 1881, pelo que à data das celebrações do 50º aniversário era Koussevitzky o seu principal regente. Para assinalar condignamente essa data o nosso maestro não se fez rogado na lista de compras, tendo encomendado obras a alguns dos mais importantes compositores: Howard Hanson, Paul Hindemith, Sergei Prokofiev, Maurice Ravel, Albert Roussel. A esta lista deveremos acrescentar ainda Igor Stravinsky (1882-1971) que, para o efeito, escreveu a Symphony of Psalms.
Curiosamente, a estreia acabaria por ter lugar em Bruxelas, no dia 13 de Dezembro de 1930, passam hoje 85 anos, com a Orquestra da Sociedade Filarmónica local a ser dirigida pelo nosso já bem conhecido Ernest Ansermet (1883-1969). A cidade de Boston apenas a ouviria 6 dias depois...
CDs
Igor Stravinsky Symphony of Psalms. Symphony in Three Movements. Symphonies of Wind Instruments.
Berlin Radio Chorus
Berlin Philharmonic Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 457 616-2
Igor Stravinsky Symphony of Psalms. Les Noces. Threni: The Lamentations of Jeremiah.
A. Wells, J. Moffat (sopranos), S. Bickley, J. Lane (meios-sopranos), M. Hill, J. Cornwell (tenores)
A. Ewing, D. Wilson-Johnson, M. Robson (baixos)
Tristan Fry Percussion Ensemble
Simon Joly Chorale
Philharmonia Orchestra
Robert Craft
Koch International Classics KICCD7514
Igor Stravinsky Symphony of Psalms. Cantata on old English texts. Mass. Babel. Credo. Pater noster. Ave Maria.
Mary Ann Hart (meio-soprano), Thomas Bogdan (tenor), David Wilson-Johnson (narrador), Michael Parloff, Bart Feller (flautas)
S. Taylor (oboé), M. Feld (cora), F. Sherry (violoncelo)
Gregg Smith Singers
Simon Joly Chorale
Philharmonia Orchestra
St Luke's Orchestra
Robert Craft
Naxos 8.557504 (1992, 1995, 2001, 2002)
Igor Stravinsky Symphony in Three Movements. Symphony of Psalms. Symphony in C.
Berlin Radio Choir
Berlin Philharmonic Orchestra
Simon Rattle
EMI 2 07630-0
O nome de Henry Lee Higginson (1834-1919) não dirá muito a muita gente, mas a verdade é que este homem de negócios e filantropo ficará para a história como o fundador da Orquestra Sinfónica de Boston. Começou a trabalhar na ideia em 1856, mas apenas 25 anos depois, na Primavera de 1881, a coisa ganhou realmente forma, culminando no concerto inaugural da orquestra no dia 22 de Outubro desse mesmo ano.
Grande apreciador da tradição musical alemã, Higginson foi indo sucessivamente à Europa central recrutar os maestros titulares, numa lista de prestígio que incluiu, por exemplo, Arthur Nikisch (1855-1922), que a dirigiu entre 1889 e 1893. A este primeiro período da orquestra, o período alemão, seguiu-se, a partir de 1918, o período francês, com a entrada ao serviço de Henri Rabaud (1873-1949) que, contudo, só se aguentou no poleiro 1 ano, sendo substituído por Pierre Monteux (1875-1964), bem menos conservador que o seu antecessor e, curiosamente, grande apreciador da música... alemã. Outra curiosidade tem a ver com o facto de a orientação tendencialmente francesa da orquestra não ter sido interrompida com a entrada, em 1924, do maestro russo Serge Koussevitzky, por várias e boas razões:
Koussevitzky tinha vivido anteriormente em Paris, onde promoveu (e continuou a organizar mesmo depois de se mudar para os Estados Unidos) uma série de concertos (os "Concertos Koussevitzky");
A orquestra manteve uma política de recrutamento de músicos franceses ou com formação musical francesa, para assim garantir o ADN do conjunto.
O sucesso de Koussevitzky à frente da orquestra foi inegável, medido até pelo tempo em que lá se manteve como maestro principal: 25 anos (a anterior melhor marca era de 8...).
Serge Koussevitzky faleceu há 61 anos, no dia 4 de Junho de 1951.
CDs
Sergei Prokofiev
Symphony No.5 in B flat, Op.100. Piano Concerto No.3 in C, Op.26.
Sergei Prokofiev (piano)
Boston Symphony Orchestra, Serge Koussevitzky
London Symphony Orchestra, Piero Coppola
Dutton Laboratories CDBP9706
(1946)
Modest Mussorgsky
Pictures at an Exhibition.
Maurice Ravel
Rapsodie espagnole. Ma Mere l'Oye. Bolero.
Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitzky
Naxos Historical 8.110154
(1930, 1945, 1947)
Great Conductors of the 20th Century - Serge Koussevitzky
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.5 in E minor, Op.64.
Sergei Rachmaninov
The Isle of the Dead, Op.29.
Franz Liszt
Mephisto Waltz No.1, S110.
Jean Sibelius
Symphony No.7 in C major, Op.105.
Roy Harris
Symphony No.3.
Ludwig van Beethoven
Symphony No.5 in C minor, Op.67.
Boston Symphony Orchestra
BBC Symphony Orchestra
London Philharmonic Orchestra
EMI / IMG Artists 5 75118-2
(1933, 1934, 1936, 1939, 1944, 1945)
Richard Strauss
Don Juan. Op.20.
Béla Bartók
Concerto for Orchestra, Sz116.
Igor Stravinsky
Elegiac Chant - Ode.
Carl Maria von Weber
Oberon - Overture.
Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitzky
Guild GHCD2321
(1943-48)
Ralph Vaughan Williams Symphony No.5 in D. Piotr Ilyich Tchaikovsky Francesca da Rimini, Op.32. Modest Mussorgsky Khovanshchina - Prelude. A Night on the Bare Mountain.
Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitzky
Guild GHCD2324 (1943-48)
Richard Wagner Der fliegende Hollander: Overture. Lohengrin - Act I: Prelude. Parsifal - Act I: Prelude; Act III: Good Friday Spell. Siegfried Idyll. Johannes Brahms Academic Festival Overture, Op.80.
Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitzky
Naxos Historical 8.111283 (1946, 1947, 1949)
Serge Koussevitzky - A Conductor of the 20th Century Wolfgang Amadeus Mozart Symphony No.34 in C major, K338. Ludwig van Beethoven Symphony No.5 in C minor, Op.67. Franz Schubert Symphony No.8 in B minor, D759, 'Unfinished'. Hector Berlioz La Damnation de Faust, Op.24. Harold en Italie, Op.16. Piotr Ilyich Tchaikovsky Romeo and Juliet Overture. Johannes Brahms Symphony No.4 in E minor, Op.98. Academic Festival Overture, Op.80. Richard Wagner Der fliegende Holländer - Overture. Richard Strauss Till Eulenspiegels lustige Streiche, Op.28. Franz Liszt Mephisto Waltz No.1. Jean Sibelius Symphony No.2 in D major, Op.43.
Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitzky
United Archives UAR022
Ludwig van Beethoven Violin Concerto in D, Op.61. Johannes Brahms Violin Concerto in D, Op.77.
Jascha Heifetz (violino)
NBC Symphony Orchestra, Arturo Toscanini
Boston Symphony Orchestra, Serge Koussevitzky
Naxos Historical 8.110936 (1939, 1940)
William Kapell Plays Khachaturian Aram Khachaturian Piano Concerto in D flat. Ludwig van Beethoven Piano Concerto No.2 in B flat, Op.19. Dmitri Shostakovich Preludes, Op.34 - No.5 in D; No.10 in C sharp minor; No.24 in D minor. William Kapell (piano) NBC Symphony Orchestra, Vladimir Golschmann Boston Symphony Orchestra, Serge Koussevitzky Dutton Laboratories CDBP9701
(1944, 1946)
Ludwig van Beethoven Piano Concerto No.2 in B flat, Op.19. Franz Schubert Moment musical, D780 No.3. Waltzes - D145, Nos.2 & 6; D365, Nos.26, 32 & 34. German Dances, D783 - Nos.6 & 7. Ländler, D734 - Nos.1 & 2. Impromptu, D935 No.2. Claude Debussy Children's Corner. Dmitri Shostakovich Three Preludes, Op.34. Frédéric Chopin Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35. Aram Khachaturian Piano Concerto. Sergei Rachmaninov Rhapsody on a Theme of Paganini, Op.43.
William Kapell (piano)
NBC Symphony Orchestra, Vladimir Golschmann
Boston Symphony Orchestra, Serge Koussevitzky
Chicago Symphony Orchestra, Fritz Reiner
RCA Red Seal 74321 84595-2 (1946, 1949, 1950, 1951, 1952, 1953)
Nos finais da década de 1850 o pianista e compositor russo Mily Balakirev (1837-1910) fundou o Grupo dos Cinco, ambicionando criar uma escola de composição tipicamente russa. Em plena 1ª Guerra Mundial, a organização de um concerto no estúdio do pintor Émile Lejeune (1885-1964) deu origem, a partir de uma ideia de Erik Satie (1866-1925), a Les Nouveaux Jeunes, um grupo formado pelos mais relevantes compositores franceses da altura. Satie abandonaria o grupo cerca de um ano depois e, com os compositores que sobraram, em Janeiro de 1920 dar-se-ia o arranque oficial de Les Six, nome atribuído pelo compositor e crítico musical Henri Collet (1885-1951), que assim estabeleceu um óbvio paralelo com o referido Grupo dos Cinco.
Do grupo Les Six faziam parte Georges Auric (1899-1983), Louis Durey (1888-1979), Darius Milhaud (1892-1974), Francis Poulenc (1899-1963), Germaine Tailleferre (1892-1983) e Arthur Honegger (1892-1955). Este último, de ascendência suíça, passou por ser um dos mais importantes do grupo, apesar de, conforme reconhecido pelo próprio, não ter fortes laços musicais com os restantes membros, e da sua ligação aos movimentos de reacção aos ideais impressionistas e wagnerianos, que estiveram na origem da criação do grupo, serem meramente superficiais. Honegger tinha origens germânicas, além de ter vivido e estudado algum tempo em Zurique, e quando chegou a Paris para estudar no Conservatório, em 1911, era um entusiasta da música de Richard Wagner (1813-1883), pelo que se compreenderão as suas reticências...
Naquela altura Honegger vivia em Le Havre, que fica a perto de 200Km de Paris, e deslocava-se à capital de comboio. Daqui terá nascido o seu fascínio por locomotivas, que serviu de inspiração para uma das suas mais conhecidas e bem sucedidas obras, Pacific 231 (2 pequenas rodas laterais à frente, 3 grandes rodas centrais e 1 roda atrás), composta em 1923 e estreada no dia 8 de Maio de 1924 pelo maestro Serge Koussevitzky (1874-1951).
Arthur Honegger nasceu há 117 anos, no dia 10 de Março de 1892.
CDs
Arthur Honegger Symphonies - No.2; No.3, "Liturgique". Pacific 231. Oslo Philharmonic Orchestra Mariss Jansons EMI 5 55122-2
Arthur Honegger Symphonies - No.2; No.3, "Liturgique". Berlin Philharmonic Orchestra Herbert von Karajan Deutsche Grammophon 423 242-2
Arthur Honegger Sonatina, H80. Bohuslav Martinu Duo No.1, H157. Johann Sebastian Bach Die Kunst der Fuge, BWV1080 - Canon alla ottava; Canon alla duodecima in contrapuncto all quinta. Matthias Pintscher Study I for 'Treatise on the Veil'. Maurice Ravel Sonata for Violin and Violoncello. Frank Peter Zimmermann (violino), Heinrich Schiff (violoncelo) ECM New Series 476 3150
SACD
Francis Poulenc Gloria. Arthur Honegger Symphony No.3, H186, 'Liturgique'. Luba Orgonásová (sop) Netherlands Radio Choir Royal Concertgebouw Orchestra Mariss Jansons RCO Live RCO06003
Em 1936 o compositor norte-americano Samuel Barber (1910-1981) compôs o Quarteto de Cordas, Op.11, o único, aliás, que deixou completo. Dois anos depois, Barber orquestrou o início do andamento lento, o segundo, que Arturo Toscanini (1867-1957) estreou no dia 5 de Novembro de 1938, com direito a transmissão radiofónica. O Adágio para Cordas (Adagio for Strings) acabou por se tornar numa das mais populares obras orquestrais de sempre, ofuscando quase por completo as restantes obras de Barber.
Samuel Barber gozou de grande popularidade, com diversas obras encomendadas por entidades prestigiadas e estreadas por músicos dos mais notáveis, como o referido Arturo Toscanini e Serge Koussevitsky (1874-1951). Aparentemente, já que não é versão consensual, Knoxville: Summer of 1915 resultou de uma encomenda da soprano Eleanor Steber (1914-1990), amiga pessoal do compositor. A estreia teve lugar em Abril de 1948, com a própria Eleanor Steber e a Orquestra Sinfónica de Boston dirigida por Koussevitsky.
Para o ambiente bucólico da obra, descrita por Barber como "rapsódia lírica", contribui grandemente o texto do poeta norte-americano James Agee (1909-1955), um poema em prosa que descreve um fim de tarde em família, visto pelos olhos de uma criança. No disco hoje aqui trazido, daqueles que custam tuta e meia, as interpretações estão a cargo da soprano Karina Gauvin e da Royal Scottish National Orchestra, dirigida por aquela que será possívelmente a mais conceituada maestrina da actualidade, a igualmente americana Marin Alsop.
Samuel Barber Knoxville: Summer of 1915, Op.24. Second Essay for Orchestra, Op.17. Third Essay for Orchestra, Op.47. Toccata Festiva, Op.36. Karina Gauvin (soprano), Thomas Trotter (órgão) Royal Scottish National Orchestra Marin Alsop Naxos 8.559134