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02/06/2013

CDs #229: Sir Edward Elgar Conducts Elgar

Na primeira obra que aparece neste disco, Falstaff (Estudo Sinfónico), o compositor inglês Edward Elgar (1857-1934) apresenta-nos um Sir John Falstaff menos cómico e patético do que nas peças de William Shakespeare (1564-1616), em particular em The Merry Wives of Windsor. Elgar apresenta-no-lo grande, sim, e borrachão, também, mas igualmente cavalheiro e soldado, um retrato mais simpático do que o original. Já na morte de Falstaff o compositor não se desviou do cenário trágico descrito por Shakespeare: repudiado pelo seu amigo Prince Hal depois deste ter chegado ao trono, como Henrique V, Falstaff morre triste e abandonado (e provavelmente bêbedo) numa taberna.

O CD apresenta-nos ainda outras 2 obras deste compositor, o Concerto para Violoncelo e a Nursery Suite, com a particularidade de as orquestras (Sinfónica de Londres e Nova Sinfonia) serem dirigidas pelo próprio Elgar. Claro que não podemos esperar grande qualidade sonora de gravações (mono) efectuadas entre 1928 e 1931, mas é como tudo na vida: ao fim de alguns minutos de audição já ajustámos os nossos padrões...

Edward Elgar nasceu há 156 anos, no dia 2 de Junho de 1857.


CD



Sir Edward Elgar Conducts Elgar
Falstaff Symphonic Study in C minor, Op.68. Cello Concerto in E minor, Op.85.
Nursery Suite.
Beatrice Harrison (violoncelo)
London Symphony Orchestra
New Symphony Orchestra
Edward Elgar
Dutton CDBP9776
(1932, 1928, 1931)


Internet




Edward Elgar
The Elgar Society / Bach Cantatas Website / allmusic / Naxos / Boosey & Hawkes / Wikipedia

17/06/2009

Óperas #21: Roméo et Juliette, de Charles Gounod

Foi logo no início da década de 1850 que o compositor francês Charles Gounod (1818-1893) escreveu a sua primeira ópera que, por evidente falta de qualidades dramáticas, foi um rotundo insucesso. As duas que se seguiram não contribuíram de forma alguma para aumentar o prestígio de Gounod até que, em 1859, teve lugar a estreia de Faust, uma das óperas mais bem sucedidas de sempre.

O sucesso foi enorme e nunca mais repetido com qualquer outra obra sua, nomeadamente com a ópera Roméo et Juliette, que estreou em Paris em Abril de 1867. Os libretistas Jules Barbier (1825-1901) e Michel Carré (1821-1872) seguiram de muito perto o texto de William Shakespeare (1564-1616), embora conservando apenas os elementos mais significativos Se Hector Berlioz (1803-1869) já não tinha ficado nada convencido com a utilização que Vincenzo Bellini (1801-1835) tinha feito da obra do poeta inglês, na sua ópera I Capuleti e i Montecchi, muito menos o terá ficado com a de Gounod, não só pela chegada tardia ao grupo (a primeira metade do século XIX em Paris tinha ficado marcada por uma shakespearmania...), como pela óbvia fonte de inspiração: a sinfonia dramática Roméo et Juliette, de... Berlioz!

Charles Gounod nasceu há 191 anos, no dia 17 de Junho de 1818.


CDs



Charles Gounod
Roméo et Juliette.
Plácido Domingo, Paul Clarke (tenores), Ruth Ann Swenson, Susan
Graham (sopranos), Alastair Miles (baixo), Kurt Ollmann, Alan
Vernhes, Christopher Maltman (barítonos), Sarah Walker (meio-soprano)
Bavarian Radio Chorus
Munich Radio Orchestra
Leonard Slatkin
RCA Red Seal 09026 68440-2
(1995)

Farrar in French Opera.
Ambroise Thomas
Mignon - Connais-tu le pays?
Georges Bizet
Carmen - L'amour est un oiseau rebelle (Habanera); Si tu m'aimes, Carmen.
Charles Gounod
Roméo et Juliette - Je veux vivre (Waltz)
Jules Massenet
Manon - Allons! Il le faut... Adieu, notre petite table.
Thaïs - Te souvient-il du lumineux voyage.
Jacques Offenbach
Les Contes d'Hoffmann - Belle nuit, ô nuit d'amour.
Geraldine Farrar (soprano), Edmond Clément, Giovanni Martinelli (tenores),
Antonio Scotti, Pasquale Amato (barítonos)
Milan La Scala Orchestra
Arturo Toscanini
Nimbus NI7872

Janine Micheau
French Opera Arias.
Arias by Gustave Charpentier, Ambroise Thomas, Jacques Offenbach,
Charles Gounod, Georges Bizet, Emmanuel Chabrier.
Janine Micheau (soprano), Jean Mollien, Libero de Luca, Pierre
Gianotti (tenores)
Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire
Paris National Opera Theater Orchestra
Alberto Erede, Roger Désormière, Jean Fournet
Testament SBT1347


Internet



Charles Gounod
Charles Gounod - His life, his works... / Answers.com / Naxos / Classical Net / Suite101.com / Bach Cantatas Website / Classical Archives / 8notes.com / Wikipedia

09/04/2008

Obras Orquestrais #16: Abertura O Rei Lear, de Hector Berlioz

Já por diversas vezes por aqui fomos referindo o Prix de Rome, uma vezes para referir os felizes vencedores, outras para falar dos não vencedores. No grupo destes últimos encontramos nomes bem sonantes, como os de Camille Saint-Saëns (1835-1921) e Maurice Ravel (1875-1937). O que nos permite, logo à partida, questionar os critérios utilizados e, porque não?, o mérito do próprio prémio. Quando alguém como Ravel concorre por 4 vezes e nunca ganha e, entre os vencedores, encontramos nomes como Albert Androt (1781-1804) ou Guillaume Bouteiller (1877-?), não será ilegítimo de todo levantarmos algumas dúvidas quanto à justeza das decisões tomadas. Adiante.

Pois em 1830 coube a Hector Berlioz (1803-1869) vencer esse prémio, não sem que antes tivesse tido várias desilusões: uma primeira tentativa frustrada, em 1826; no ano seguinte, o mesmo resultado; em 1828, ano em que concorreu com Herminie, a coisa já correu melhor, e obteve um 2º prémio; um ano depois, apresentando-se com La Mort de Cléopâtre viu a vida a andar de novo para trás, nada tendo ganho; até que, em 1830, obteve o almejado Prémio de Roma, com a cantata La Dernière Nuit de Sardanapale. Do mal o menos, Berlioz lá acabou por ganhar o bendito prémio...

Berlioz, o mais representativo compositor francês da sua época e um dos expoentes do romantismo francês, deixou-nos uma obra extraordinária, nomeadamente as grandes peças orquestrais e vocais. Muitas delas baseadas em textos de Shakespeare (1564-1616) e de Goethe (1749-1832), dois autores que passou a admirar particularmente desde que, em 1827, teve a oportunidade de assistir a representações de várias peças de ambos.

Foi o caso da abertura O Rei Lear, composta por Berlioz em 1831, quando se encontrava em Nice, obviamente inspirado na tragédia homónima de Shakespeare. A obra espelha o desespero do velho, destronado e errante rei, apenas acompanhado de sua filha Cordélia. A estreia desta obra teve lugar há 174 anos, no dia 9 de Abril de 1834, com o maestro Narcisse Girard (1798-1860). O mesmo que, em Novembro desse mesmo ano, iria estrear a sinfonia Harold em Itália, que Berlioz compôs por solicitação de Niccolò Paganini (1782-1840).


CD



Hector Berlioz
Overtures from Le Carnaval Romain, King Lear, Waverley,
Les Francs-Juges and Le Corsaire. Overture and March from Les Troyens.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SMK89807
(1954)


Internet

Hector Berlioz
The Hector Berlioz Website
/ Classical Music Pages / Wikipedia / Hector Berlioz / Óperas

Prémio de Roma
Le concours du Prix de Rome / Wikipedia

11/03/2008

DVDs #16: I Capuleti e i Montecchi, Vincenzo Bellini

Vincenzo Bellini (1801-1835) não teve muito tempo para escrever a ópera I Capuleti e i Montecchi, depois do seu colega de profissão Nicola Vaccai (1790-1848) não ter dado conta do recado. A direcção do Teatro La Fenice, de Veneza, virou-se então para Bellini, a quem encomendou uma ópera para a época de Carnaval que se avizinhava. Contou para tal com a preciosa ajuda do libretista, igualmente italiano, Felice Romani (1788-1865) que, para o efeito, pegou num libreto que tinha escrito 5 anos antes para a ópera Giuletta e Romeo de... Nicola Vaccai e deu-lhe umas voltas.

Romani baseou-se num libreto de Giuseppe Maria Foppa (1760-1845) que, por sua vez, tinha-se baseado na 33ª das 50 pequenas histórias Il Novellino escritas por Masuccio Salernitano (1410-1475), que contava a história de Mariotto e Giannozza. Ou de Giuletta e Romeo, como posteriormente o escritor Luigi da Porto (1485-1529) lhes chamou quando, por volta de 1530, escreveu a sua novela, provavelmente inspirada na de Salernitano. E terão sido todas estas e, principalmente, The Tragical History of Romeus and Juliet, do poeta inglês Arthur Brooke, que serviram de inspiração a William Shakespeare (1564-1616).

Bellini tinha já obtido vários sucessos operáticos, nomeadamente com as ópera Il Pirata, de 1827, e La straniera, de 1829. Sucesso esse que Zaira, também escrita em 1829, esteve longe de registar. Fiasco será, porventura, a classificação mais acertada... Pelo que se compreende a felicidade do compositor pela forma como I Capuleti e i Montecchi foi recebida na estreia, a 11 de Março de 1830. Atente-se neste extracto de uma carta que escreveu na altura, extracto este que vem no livrinho que acompanha o DVD: "Mio caro Lamperi, a quest'ora saprai il felice incontro che ha avuto la mia opera I Capuleti ed i Montecchi, andata in scena il giorno 11 di questo mese. Per darti un'idea del piacere che ha destato ti dico che dalla prima reppresentazione alla quarta, che è stata domenica, il fanatismo à arrivato se non al di là, simile a quello del Pirata e della Straniera in Milano (...)".

Espantoso sucesso atendendo a que, dado o aperto de tempo, Bellini utilizou em 8 dos seus 10 números músicas inicialmente compostas para outras óperas, E é ainda uma das poucas óperas do bel canto que se vai mantendo no repertório...




Vincenzo Bellini
I Capuleti e i Montecchi.
Patrizia Ciofi, Clara Polito (sopranos), Danilo Formaggia,
Nicola Amodio (tenores), Federico Sacchi (baixo)
Bratislava Chamber Chorus
Orchestra Internazionale d'Italia
Luciano Acocella
(2005)


Internet

Vincenzo Bellini
OperaGlass
/ Wikipedia / Vincenzo Bellini / Classical Net

Felice Romani
Wikipedia / Opera Italiana

06/11/2005

Concertos #27

A peça O Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare (1564-1616), serviu de inspiração a muita gente das mais diversas áreas, nomeadamente da 7ª arte e da musical. A primeira obra siginificativa neste último campo, que é aquele que aqui nos interessa, baseada nesta peça, foi a semi-ópera The Fairy Queen, escrita em 1692 pelo compositor inglês do período barroco Henry Purcell (1659-1695).



O extraordinário concerto a que tive a sorte de poder assistir ontem começou e acabou com outras 2 obras inspiradas nesta comédia de Shakespeare: a Abertura Óberon, de Carl Maria von Weber (1786-1826), e a música de cena Sonho de Uma Noite de Verão
, de Felix Mendelssohn (1809-1847).


Carl Maria von Weber

Weber foi o fundador da ópera romântica alemã, tendo obtido o seu primeiro grande sucesso com Der Freischütz, composta em 1821. Sob convite, viria depois a escrever Oberon, cuja estreia teria lugar no Covent Garden, de Londres, no dia 12 de Abril de 1826. Contrariando a opinião do seu médico, Weber deslocou-se a Londres para assistir à estreia. Lá faleceu em Junho, na véspera de regressar à Alemanha.

As interpretações estiveram a cargo das sopranos Charlotte Mobbs, Katharine Fuge e Elin Manahan Thomas, das meios-sopranos Clare Wilkinson, Margaret Cameron e Frances Bourne, e da Orchestre Révolutionnaire et Romantique, dirigida pelo maestro John Eliot Gardiner.


John Eliot Gardiner

De Gardiner falarei certamente noutras alturas, quem está por dentro destes assuntos sabe que este antigo aluno de Nadia Boulanger
(1887-1979) é hoje (e de há umas décadas para cá...) um dos maestros mais conceituados, especialista em interpretações utilizando instrumentos da época, e fundador e director artístico do Monteverdi Choir (1964), dos English Baroque Soloists (1978) e da Orchestre Révolutionnaire et Romantique (1990).


Programa

Carla Maria von Weber
Abertura Óberon.
Felix Mendelssohn
Sinfonia Nº3, Op.56, "Escocesa".
Sonho de Uma Noite de Verão, Op.61.


Internet

John Eliot Gardiner: Biografia 1
/ Biografia 2 / Official website of the Monteverdi Choir, English Baroque Soloists & Orchestre Révolutionnaire et Romantique
Carl Maria von Weber: Biografia 1
/ Biografia 2 / Óperas