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17/02/2019

Compositores #135: Oskar Merikanto (1868-1924)


Quando falamos de compositores finlandeses em geral, ou mesmo apenas dos do século XIX em particular, o nome de Oskar Merikanto dificilmente será dos primeiros a virem à baila. Claro que o facto de ter sido um exato contemporâneo de Jean Sibelius (1865-1957) não ajudou muito à sua causa... Não será obviamente o facto de aparecer aqui neste canto obscuro que o irá tirar das trevas, mas ninguém poderá afirmar que não tentei...

Oskar Merikanto faleceu há 95 anos, no dia 17 de Fevereiro de 1924.

Nota: Como, e muito bem, alguém escreveu nos comentários, os discos incluídos não se referem a Merikanto pai (Oskar), mas a Merikanto filho (AArre), ele também compositor. As obras do filho têm sido um pouco mais felizardas em disco, com interpretações de qualidade superior. Isso e a minha asneirada resultaram numa involuntária homenagem simultânea a pai e filho...


SACD



Oskar Merikanto
Symphonies - No.1 in B minor, Op.5; No.3.
Turku Philharmonic Orchestra
Petri Sakari
Alba ABCD336
(2010)


YouTube




Oskar Merikanto
AllMusic / Arkiv Music / Wikipedia

08/12/2018

Obras Orquestrais #36: Karelia Suite, de Jean Sibelius

Em Março de 1809 a Finlândia, ao perder a guerra em que estava envolvida, passou a fazer parte do Império Russo, situação que se manteve até 1917, não muito distante do final da 1ª Grande Guerra. Compreende-se que, durante o século XIX, e com o passar dos anos, fossem aumentando entre os finlandeses sentimentos nacionalistas, que os foram expressando das mais diversas formas. Uma delas, inevitavelmente, a musical, com grande destaque para o mais proeminente compositor finlandês, Jean Sibelius (1865-1957).

Uma das primeiras obras de Sibelius foi a música de cena Karelia, composta em 1893 e que refletia na perfeição a onda de fervor nacionalista que a Finlândia atravessava. Satisfeito com a receção mas não propriamente com a obra, mais tarde condensou-a em três movimentos, tendo daí resultado a Suite Karelia, ainda hoje uma das suas mais populares composições.

Jean Sibelius nasceu há 153 anos, no dia 8 de Dezembro de 1865.


CDs



Jean Sibelius
Finlandia, Op.26. Karelia Suite, Op.11. Lemminkainen Suite, Op.22.
Iceland Symphony Orchestra
Petri Sakari
Naxos 8.554265
(1997)

Jean Sibelius
Press Celebrations Music. Complete Karelia Music.
Tellu Virkalla, Anna-Kaisa Liedes (sopranos), Juha Kotilainen (barítono)
Tampere Philharmonic Choir
Tampere Philharmonic Orchestra
Tuomas Ollila
Ondine ODE9130
(1998)

Jean Sibelius
Karelia Suite, Op.11. Luonnotar, Op.70. Andante festivo.
The Oceanides, Op.73. King Christian, Op.27.
Soile Isokoski (soprano)
Gothenburg Symphony Orchestra
Neema Järvi
Deutsche Grammophon 447 760-2


YouTube



Jean Sibelius
Classic fM / AllMusic / Wikipedia

06/05/2018

Poetas #14: Maurice Maeterlinck (1862-1949)

O título deste texto é um pouco (bastante...) redutor, dado que o belga Maurice Maeterlinck, além de poeta, foi dramaturgo e ensaísta. Foi também bastante bom a copiar obras de outros, como o provam as acusações de plágio relacionadas com a sua obra La Vie des Termites, publicada em 1926. Voltando às coisas positivas, e que felizmente abundam, merecem realce os vários e importantes prémios atribuídos a Maeterlinck, com destaque para o Nobel da Literatura em 1911, assim como também, para mim, deveremos assinalar o facto de variadíssimas obras deste autor terem servido de base / inspiração para obras musicais.

Uma delas foi indubitavelmente Pelléas et Mélisande, uma peça que escreveu em 1892 e que teve a sua estreia nos palcos (parisienses) no dia 17 de Maio de 1893. A lista de compositores que nela se inspiraram é deveras impressionante:

Claude Debussy (1862-918) - ópera
Gabriel Fauré (1845-1924) - suite orquestral
Arnold Schoenberg (1874-1951) - poema sinfónico
Jean Sibelius (1865-1957) - música de cena
William Wallace (1860-1940) - suite para orquestra

Maurice Maeterlinck faleceu há 69 anos, no dia 6 de Maio de 1949.


CDs




William Wallace
Creation Symphony in C sharp minor. Prelude To The Eumenides.
Pelléas and Mélisande Suite.
BBC Scottish Symphony Orchestra
Martyn Brabbins
Hyperion CDA66987
(1997)

Claude Debussy
Pelléas et Mélisande
Wolfgang Holzmair, Laurent Naouri, Jérôme Varnier (barítonos), Anne Sofie von Otter,
Florence Couderc (soranos), Alain Vernhes (baixo), Hanna Schaer (meio-soprano)
Radio France Chorus
French National Orchestra
Bernard Haitink
Naïve V4923
(2001)

Arnold Schoenberg
Pelleas und Melisande
Richard Wagner
Siefried Idyll
Orchestra of the Deutsche Opera
Christian Thielemann
Deutsche Grammophon 469 008-2

Jean Sibelius
Symphonies - No.4, Op.63 and No.7, Op.105. Tapiola, Op.112.
Suite from 'Pelléas et Melisande', Op.46.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4041-2


YouTube





Maurice Materlinck
Nobelprize.org / Encyclopaedia Britannica / Wikipedia

28/12/2014

Sinfonias #50: Sinfonia Nº3, de Carl Nielsen

A única vez que estive para ouvir ao vivo uma sinfonia do compositor dinamarquês Carl Nielsen (1865-1931) foi em Fevereiro de 2005, na Casa da Música, mas "motivos técnicos" forçaram o cancelamento do concerto. Uma pena, pois foi precisamente no domínio sinfónico que este compositor nórdico mais se salientou, se bem que nunca tenha atingido a projecção do finlandês Jean Sibelius (1865-1957).

Nielsen compôs 6 sinfonias, num período de tempo superior a 30 anos, entre 1891 e 1925. A delas, escrita entre 1910 e 1911, foi aquela que lhe granjeou mais reconhecimento internacional, após a estreia caseira a 28 de Dezembro de 1912, passam hoje 102 anos, num concerto em que ele mesmo dirigiu a orquestra. A sinfonia nº3 é a única das 6 que Nielsen compôs que inclui partes vocais.

Um dos factores para o sucesso além fronteiras após a estreia em Copenhaga foi seguramente o facto de ter sido apadrinhada por uma das melhores orquestras do velho continente, a Royal Concertgebouw Orchestra de Amesterdão.


CD


Carl Nielsen
Symphonies - No.3, 'Sinfonia espansiva', Op.27; No.5, Op.50.
Ruth Güldbaek (soprano), Erik Sjoberg (barítono)
Danish State Radio Symphony Orchestra
John Frandsen, Erik Tuxen
Guild Historical GHCD2340
(1950, 1955)


Internet



Carl Nielsen

09/10/2014

Sinfonias #49: Sinfonia Nº7, de Einojuhani Rautavaara

Einojuhani Rautavaara (1928-) é geralmente considerado como o maior compositor finlandês desde Jean Sibelius (1865-1957), o que é (mais ou menos) o mesmo que dizer que é o mais divulgado compositor contemporâneo do seu país.

Rautavaara só por aqui tinha passado uma vez, há 8 anos, aquando do seu 78º aniversário. Regressa hoje, embora por um motivo diferente, pois desta vez é pelo 86º aniversário... E com aquela que passa por ser a sua sinfonia mais emblemática, a nº7, "Angel of Light", de 1994. Foi com ela que se afirmou definitivamente no panorama internacional, se bem que já fosse devidamente apreciado desde a década de 1970 em diversos círculos musicais, em particular europeus.


CD


Einojuhani Rautavaara
Symphony No.7, 'Angel of Light'. Cantus arcticus, Op.61. Dances with the Winds, Op.69.
Petri Alanko (flauta)
Lahti Symphony Orchestra
Osmo Vänskä
BIS BIS-CD1038


Internet



Einojuhani Rautavaara

08/12/2013

Sinfonias #46: Sinfonia Nº5, de Jean Sibelius

O compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) contava já 33 anos e uma apreciável experiência na escrita de música orquestral quando se rendeu ao género sinfónico, a que regressaria regularmente durante cerca de duas décadas e meia.

À altura da composição da Sinfonia Nº5 o mundo atravessava tempos conturbados, pois estava-se em plena 1ª guerra mundial. Sibelius compôs várias versões (3, para ser mais preciso), entre 1915 e 1919, sendo que ele próprio dirigiu a orquestra na estreia da última delas, no dia 21 de Outubro de 1921, em Helsínquia.

A primeira versão, também com o compositor a liderar as hostes, tinha tido lugar por altura do seu 50º aniversário, no dia 8 de Dezembro de 1915, passam hoje 98 anos. As (significativas) alterações que lhe introduziu posteriormente revelaram-se acertadas, visto ser esta a mais popular das 7 sinfonias que compôs.


CDs





The Sibelius Edition.
Jean Sibelius
Symphonies 1-7.
Hallé Orchestra
John Barbirolli
EMI Classics 5 67299-2

Jean Sibelius
Symphonies - No.5 in E flat major, Op.82; No.6 in D minor, Op.104. Tapiola, Op.112.
Boston Symphony Orchestra
Colin Davis
Philips 468 198-2

Jean Sibelius
Symphony No.5 in E flat major, Op.82 (orig. 1915 version). En Saga, Op.9 (orig. 1892 version).
Lahti Symphony Orchestra
Osmo Vänskä
BIS BIS-CD800

Jean Sibelius
Symphonies - No.2 in D major, Op.43; No.5 in E flat major, Op.82.
Royal Philharmonic Orchestra
Hallé Orchestra
John Barbirolli
Testament SBT1418
(1968)

Jean Sibelius
Symphonies - No.4 in A minor, Op.63; No.5 in E flat, Op.82.
The Swan of Tuonela, Op.22 No.2. Finlandia, Op.26.
Philadelphia Orchestra
Eugene Ormandy
Pristina Audio PASC177
(1950, 1954)

Jean Sibelius
Symphonies 1-7.
Moscow Radio Symphony Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky
Melodyia MELCD10 01669

The Sibelius Edition - Volume 12 (Symphonies)
Jean Sibelius
Symphonies 1-7.
Lahtin Symphony Orchestra
Osmo Vänskä, Jaakko Kuusisto
BIS BIS-CD1933/35

Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37.
Jean Sibelius
Symphony No.5 in E flat major, Op.82.
Glenn Gould (piano)
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Sony Classical 88697 28782-2


Internet



Jean Sibelius
Sibelius / Sibelius 2015 / allmusic / Classical Net / Naxos / Classical Archives / Wikipedia


22/08/2013

CDs #232: The Art of Ivry Gitlis

Em boa hora a editora Brilliant Classics lembrou-se de editar um CD triplo com gravações do violinista israelita Ivry Gitlis (1922-), pois estamos em presença de um grande intérprete, pouco conhecido do público em geral. O disco, lançado já no decorrer deste ano e abrangendo gravações que vão de 1953 a 1962, cobre uma boa parte do repertório central deste músico, com obras que vão dos grandes compositores românticos aos mais representativos do século XX.

Apesar de nunca ter pertencido ao "mainstream", teve uma longa e bem sucedida carreira, com estreias de grande sucesso em França, em 1951, e nos Estados Unidos, em 1955, a que se foram sucedendo digressões por vários países e continentes. No YouTube está disponível uma gravação de um desses concertos de 1955 nos Estados Unidos, do Concerto para Violino de Jean Sibelius (1865-1957), que também consta deste disco, com George Szell (1897-1970) à frente da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque (concerto gravado no dia 18 de Dezembro de 1955 no Carnegie Hall, Nova Iorque).

É, desde 1990, Embaixador da Boa Vontade da UNESCO.

Ivry Gitlis celebra hoje o seu 91º aniversário.


CD



The Art of Ivry Gitlis
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Violin Concerto in D, Op.35.
Max Bruch
Violin Concerto No.1 in G minor, Op.26.
Jean Sibelius
Violin Concerto in D minor, Op.47.
Felix Mendelssohn
Violin Concerto in E minor, Op.64.
Béla Bartók
Violin Concerto No.2, Sz112.
Alban Berg
Violin Concerto.
Paul Hindemith
Violin Concerto in D.
Igor Stravinsky
Violin Concerto in D.
Ivry Gitlis (violino)
Vienna Symphony Orchestra, Heinrich Hollreiser, Jascha Horenstein
Pro Musica Symphony, Vienna, William Strickland
Westphalia Symphony Orchestra, Hubert Reichert
Concerts Colonne Orchestra, Harold Byrns
Brilliant Classics  9145


Internet



Ivry Gitlis
Legendary Violinists / allmusic / Aurora Chamber Music / UNESCO / Wikipedia

24/03/2013

Sinfonias #44: Sinfonia Nº7, de Jean Sibelius

Passaram 7 anos desde a última vez que aqui falei da Sinfonia Nº7 do compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957), e no entretanto muita coisa aconteceu no que à grande música diz respeito. Também muita coisa aconteceu e mudou em muitas outras áreas, sendo a nossa (des)governação uma das poucas excepções: continuamos a ter irresponsáveis e incompetentes à frente dos nossos (desgraçados) destinos...

Voltando ao assunto que aqui mais nos interessa, perguntarão que raio se poderá então ter passado para voltar agora à mesma obra?! Certamente que Sibelius não a terá revisto entretanto, mas houve uma série de novas leituras da mesma, merecedoras de se juntarem à short list publicada em Março de 2006, e suficientemente relevantes para este regresso, no dia em que passam 89 anos sobre a respectiva estreia.

Refira-se que esta foi a última sinfonia composta por Sibelius. Sabe-se que chegou a iniciar uma oitava, mas a meio do processo mudou de ideias e destruiu a partitura, pelo que dela nada se conhece. Se tivesse deixado escapar alguns rabiscos já alguém se teria arrogado o direito de a terminar, inevitavelmente imbuído do espírito do compositor; como isso não parece ter acontecido, sempre estamos livres de tal...


CDs


Jean Sibelius
Symphonies - No.4, Op.63 & No.7, Op.105. Tapiola, Op.112.
Suite from "Pelléas et Mélisande", Op.46.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4041-2
(1954, 1955)

The Sibelius Edition.
Jean Sibelius
Symphonies 1-7.
Hallé Orchestra
John Barbirolli
EMI Classics 5 67299-2

Jean Sibelius
Symphonies - No.3, Op.52 & No.7, Op.105.
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO Live LSO0552
(2003)

Jean Sibelius
Symphony No.7, Op.105. Tapiola. The Oceanides. Pelléas et Mélisande.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
EMI Classics 5 09692-2
(1955)

Jean Sibelius
Symphonies - No.1 in E minor, Op.39; No.7 in C major, Op.105.
Finlandia, Op.26 No.7. Pelléas et Mélisande, Op.46 (excerpts).
Helsinki City Symphony Orchestra
Leopold Stokowski
Guild GMCD2341
(1953)

Jean Sibelius
Symphonies 1-7.
Moscow Radio Symphony Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky
Melodyia MELCD10 01669

'The Sibelius Edition, Vol.12'.
Jean Sibelius
Symphonies 1-7.
Lahti Symphony Orchestra
Osmo Vänskä, Jaakko Kuusisto
BIS BIS-CD1933/5

Franz Schubert
Symphony No.8, "Unfinished", D759.
Jean Sibelius
Symphony No.7, Op.105.
Georges Bizet
Jeux d'enfants - La toupie; La poupée; Trompette et tambour.
Maurice Ravel
Daphnis et Chloé - Suite No.2.
Philharmonia Orchestra
Royal Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
BBC Legends BBCL4039-2
(1963, 1964)


Internet



Jean Sibelius

17/03/2013

Obras Orquestrais #22: Pelléas et Mélisande, de Jean Sibelius

Aquando da passagem de mais um aniversário do nascimento do poeta, dramaturgo e ensaísta belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), no caso o 146º, trouxe aqui uma lista de compositores que escreveram obras baseadas na sua peça Pelléas et Mélisande, escrita em 1892. Um deles, conforme referi na altura, foi o compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957), que compôs a música de cena Pelléas et Mélisande em 1905. Duas coincidências (uma algo relevante, a outra curiosa...):

- 1905 foi também o ano em que Sibelius efectuou a primeira visita a Inglaterra;
- Ao mesmo tempo que escrevo este texto. o canal Mezzo live HD está a transmitir da Opéra Comique a ópera... Pelléas et Mélisande de Claude Debussy (1862-1918).

A estreia da música de cena Pelléas et Mélisande de Jean Sibelius teve lugar no dia 17 de Março de 1905, passam hoje 108 anos.


CDs


Jean Sibelius
Symphonies - No.4, Op.63 and No.7, Op.105. Tapiola, Op.112.
Suite from 'Pelléas et Melisande', Op.46.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4041-2

Jean Sibelius
Symphony No.7, Op.105. Tapiola. The Oceanides. Pelléas et Mélisande.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
EMI Classics 5 09692-2
(1955)

Jean Sibelius
Symphonies - No.1 in E minor, Op.39; No.7 in C major, Op.105.
Finlandia, Op.26 No.7. Pelléas et Mélisande, Op.46 (excerpts).
Helsinki City Symphony Orchestra
Leopold Stokowski
Guild GMCD2341
(1953)


Internet



Jean Sibelius

08/12/2009

SACDs #24: Sibelius, Symphony No.2, Pohjola's Daughter

Depois de vários séculos em que fez parte da Suécia, a Finlândia viu-se transformada num grão-ducado russo a partir de 1809, situação em que se manteria por um pouco mais de um século. Os sentimentos nacionalistas foram entretanto crescendo, principalmente a partir da segunda metade do século XIX e, pouco depois da Revolução de Outubro de 1917, de que resultou a subida dos bolcheviques ao poder, a Finlândia solicitou e obteve a almejada independência.

Um dos marcos mais significativos neste processo foi a edição, em 1835, do primeiro volume do poema épico Kalelava, resultante da recolha e compilação de folclore finlandês efectuadas por Elias Lönnrot (1802-1884). No ano seguinte lançaria um segundo volume, mas é a edição que publicou em 1849, em que novos poemas foram adicionados, que é considerada definitiva. Este poema serviu de inspiração a muitas obras, nomeadamente musicais, e já por aqui falámos de uma delas, a propósito de um outro disco: a Sinfonia Kullervo, de Jean Sibelius (1865-1857), estreada, com grande sucesso, no dia 28 de Abril de 1892. Mais para o final dessa década, em Novembro de 1899, Sibelius estrearia o quadro sinfónico Finlândia, um manifesto contra a ocupação russa.

Cada nova obra do compositor passou a ser de imediato interpretada como mais um grito de revolta contra o opressor, independentemente de ser esse o caso ou não e das afirmações do próprio Sibelius. Foi o caso da sua Sinfonia Nº2, a obra central do disco que aqui hoje trago. Em 1901, quando se encontrava em Itália, Sibelius começou a compor uns temas à volta da lenda de Don Juan, pensando ele que dali resultariam alguns poemas sinfónicos. Em vez disso resultou a sua Segunda Sinfonia, terminada em Janeiro do ano seguinte, estava já Sibelius de novo na Finlândia. Estreada no dia 8 de Março de 1902, os finlandeses reconheceram nela um novo grito de revolta contra o invasor...

Jean Sibelius nasceu há 144 anos, no dia 8 de Dezembro de 1865.




Jean Sibelius
Pohjola's Daughter, Op.49. Symphony No.2 in D major, Op.43.
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO Live LSO0605
(2005, 2006)


Internet



Jean Sibelius
Jean Sibelius - the website / Helsinki.fi / Jean Sibelius / Virtual Finland / Classic Music Pages / Classical Net / Wikipedia / Naxos / Classical Archives / Karadar Classical Music

03/04/2009

CDs #199: Toscanini Conducts His Contemporaries

A Pristine Classical é uma editora a todos os títulos admirável; apesar de ser pequena, dispõe de um catálogo único de gravações históricas (dificilmente se encontra uma outra que se lhe aproxime neste aspecto) e, desde Fevereiro de 2005, de um site onde nos é oferecido um generoso número de alternativas para adquirir discos. Podemos optar por fazer o download, em MP3 ou FLAC de 16 ou 24 bits, ou encomendar os discos, que podemos receber em versão premium (com caixa e capa) ou standard (sem caixa nem capa), sendo que os preços dependem do tipo (qualidade) de versão escolhida (MP3 ou FLAC) e da duração dos discos. Sem esquecer, claro, o facto de ser o próprio fundador da editora, Andrew Rose, a contactar-nos directamente caso coloquemos alguma questão. Foi este mesmo Andrew Rose, devo referir, quem demonstrou a marosca das supostas gravações de Joyce Hatto (1928-2006), provando que aquilo era tudo uma aldrabice pegada.

Encomendei recentemente dois discos desta editora, contando ambos com o maestro italiano Arturo Toscanini (1867-1957). Num deles dirige a Orquestra Sinfónica da NBC na Sinfonia Nº4 de Jean Sibelius (1865-1957), a mais severa de todas as que este compositor escreveu. Reflexo não só da situação que o seu país, a Finlândia, vivia, sofrendo forte repressão da Rússia, de que era à época uma mera província, como também do seu estado de saúde, uma vez que lhe tinha sido diagnosticado em 1907 um câncro na garganta. É também conhecido o desdenho com que Sibelius encarava a grandiosidade das sinfonias de Gustav Mahler (1860-1911) e dos poemas sinfónicos de Richard Strauss (1864-1949), respondendo com a austeridade levada quase ao extremo desta sinfonia, em que muito raramente todos os instrumentos da orquestra são chamados a tocar simultaneamente.

Começada em 1910, a sinfonia foi estreada no dia 3 de Abril de 1911, com Sibelius a dirigir a orquestra. Sem grande sucesso, o que até não se pode considerar uma surpresa, algo que se foi repetindo um pouco por toda a parte, onde ela ia sendo tocada. Assim foi também nos Estados Unidos, onde coube precisamente a Toscanini a honra da primeira apresentação; ao ponto de a ter repetido de imediato nesse concerto, a ver se o público à segunda a entendia. Sem sucesso...




Jean Sibelius
Symphony No.4 in A minor, Op.63.
George Enescu
Romanian Rhapsody Op.11, No.1.
Edward Elgar
Introduction and Allegro, Op.47.
Ralph Vaughan Williams
Fantasia on a Theme by Thomas Tallis.
NCB Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Pristine Classical PASC087
(1940, 1945)


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Jean Sibelius
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29/08/2008

Escritores #8: Maurice Maeterlinck (1862-1949)

O compositor francês Claude Debussy (1862-1918), apesar de ter ensaiado outras tentativas, nomeadamente a partir da obra The Fall of the House of Usher de Edgar Allan Poe (1809-1849), apenas nos deixou uma ópera completa, Pelléas et Mélisande. Esta descreve-nos as desventuras de Golaud, o marido ciumento, e Mélisande, a infeliz esposa que viria a derreter-se de amores por Pelléas, meio-irmão de Golaud. Este, depois de suspeitas várias, lá logrou ouvir a troca de juras de amor entre Mélisande e Pelléas e, louco de raiva, matou o meio-irmão logo ali. Mélisande, por sua vez, viria a morrer pouco depois de dar à luz a filha do casal, deixando Golaud divido entre os remorsos de ter eventualmente contribuído para a morte da esposa e os ciúmes dos amores desta por Mélisande. A estreia desta ópera teve lugar em Paris, no dia 30 de Abril de 1902.

Mais modesto, o compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) limitou-se, em 1905, a compôr a música de cena Pelléas et Mélisande, estruturada em 8 andamentos. Exibindo um tom menos emocional e mais escuro do que o da ópera de Debussy, esta obra de Sibelius foi estreada em Helsínquia no dia 17 de Março de 1905.

Já andava Debussy entretido a escrever a ópera e Patrick Campbell (1865-1940), uma famosa actriz inglesa, pediu-lhe para escrever uma música de cena para a peça Pelléas et Mélisande, entusiasmada como estava depois de assistir à respectiva estreia londrina, em 1895. Campbell queria traduzi-la para inglês e incluí-la no seu repertório, mas Debussy, indiferente a tais excitações, mandou-a às urtigas. A nossa actriz, contudo, não era senhora de desistir facilmente, virando-se então para Gabriel Fauré (1845-1924), e dessa vez com mais sucesso. Demasiado ocupado na altura, Fauré deixou a orquestração a cargo do seu aluno Charles Koechlin (1867-1950) mas, perante o sucesso obtido, viria posteriormente a extrair dela uma suite sinfónica, que ele próprio orquestrou e que teria a sua estreia no dia 3 de Fevereiro de 1901.

Ainda nos inícios do século XX, um compositor já nosso bem conhecido, Richard Strauss (1864-1949), desconhecendo que Debussy já tinha iniciado tal empreitada, sugeria a Arnold Schoenberg (1874-1951) que compusesse uma ópera igualmente baseada na peça Pelléas et Mélisande. Schoenberg, todavia, optaria por escrever um poema sinfónico, que o próprio compositor estrearia em Viena no dia 26 de Janeiro de 1905. Sem grande sucesso, diga-se, que só viria a encontrar uns anos mais tarde. Tal como no caso de Debussy, esta obra acabou por ser a única do género escrita por Schoenberg, que não mais se viraria para os poemas sinfónicos.

Todas estas obras, como está bom de ver, basearam-se na peça Pelléas et Mélisande do poeta e dramaturgo belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), Prémio Nobel da Literatura em 1911, e que nasceu no dia 29 de Agosto de 1862, passam hoje 146 anos.


Internet

Maurice Maeterlinck
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