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29/01/2017

Compositores #123: Havergal Brian (1876-1972)

"This work has been inside my heart for a lifetime and naturally there is inside it all those who have been very dear to me - who helped and moulded me". Foi assim que Havergal Brian descreveu a sua 1ª sinfonia numa carta que escreveu ao seu amigo e igualmente compositor inglês Granville Bantock (1868-1946).

Está bom de ver que Brian tinha um grande coração, ou não seja esta sua primeira sinfonia uma das mais longas de que há registo ultrapassando nesse aspecto, por exemplo, a de Gustav Mahler (1860-1911). A duração a rondar 1 hora e 45 minutos valeu-lhe mesmo uma entrada no Guiness World Records como "a mais longa sinfonia". Além da sua duração, a sinfonia destaca-se ainda pelo elevado número de instrumentistas que são necessários, perto de 200; se a estes somarmos os cantores (estamos a falar de uma "sinfonia vocal"), então poderemos estar a falar de um total de 800 intérpretes envolvidos, algo que certamente contribui para que esta sinfonia não seja tocada mais vezes.

Havergal Brian nasceu há 141 anos, no dia 29 de Janeiro de 1876.


CDs



Havergal Brian
Symphony No.1, 'Gothic'.
Eva Jenisová (soprano), Dagmar Pecková (contralto), Vladimír Dolezal (tenor), Peter Mikulás (baixo)
Slovak Opera Chorus
Slovak Folk Ensemble Chorus
Lúcnica Chorus
Slovak Philharmonic Chorus
Slovak Philharmonic Orchestra
Ondrej Lenárd
Naxos 8.557418-19
(1989)

Havergal Brian
Symphony No.1, 'Gothic'.
Susan Gritton (soprano), Christine Rice (contralto), Peter Auty (tenor), Alastair Miles (baixo),
David Goode (órgão)
Bach Choir
Brighton Festival Chorus
Huddersfield Choral Society
London Symphony Chorus
BBC National Orchestra of Wales
BBC Concert Orchestra
Martin Brabbins
Hyperion CDA67971/2
(2011)


Internet




Havergal Brian
The Havergal Brian Society / Naxos / the guardian / Wikipedia

19/08/2015

Sinfonias #51: Sinfonia Nº1, de George Enescu

Apesar de ser considerado o mais importante dos compositores romenos, o virtuosismo de George Enescu (1881-1955), o violinista, eclipsou em larga medida a sua faceta de compositor. Foi como intérprete, aliás, que teve a oportunidade de partilhar os palcos com outros grandes nomes, como o pianista Alfred Cortot (1877-1962), o violoncelista Louis Fournier ou o igualmente pianista Alfredo Casella (1883-1947).

Foi precisamente a este último que Enescu dedicou a sua Sinfonia Nº1, escrita em 1905 e estreada no dia 21 de Janeiro do ano seguinte. São óbvias as influências germânicas (Brahms, Wagner) e francesas (Berlioz, Franck) nesta obra, naturais para quem estudou as respectivas escolas, primeiro em Viena e logo depois em Paris.

George Enescu nasceu há 134 anos, no dia 19 de Agosto de 1881.


CDs


George Enescu
Symphony No.1 in E flat major, Op.13. Suite No.3 in D major, "Villageoise", Op.27.
BBC Philharmonic Orchestra
Gennady Rozhdestvensky
Chandos CHAN9507
(1995, 1996)

George Enescu
Symphonies - No.1 in E flat major, Op.13; No.2 in A major, Op.17; No.3 in C major, Op.21.
Vox Maris.
Catherine Sydney (soprano), Marius Brenciu (tenor)
Les Éléments Chamber Choir
Monte-Carlo Philharmonic Orchestra
Lyon National Orchestra
Lawrence Foster
EMI Classics 5 86604-2
(1990, 1992, 2004)


Internet



George Enescu

21/04/2013

Sinfonias #45: Sinfonia Nº1, de Sergei Prokofiev

A primeira experiência do compositor russo Sergei Prokofiev (1891-1953) na música sinfónica ocorreu em plena 1ª Grande Guerra, tendo composto a sua 1º Sinfonia entre 1916 e 1917. Prokofiev tinha uma sólida formação musical, tendo estudado, nomeadamente, com Reinhold Glière (1875-1956), Anatoly Lyadov (1855-1914) e Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908), e esta sua estreia no género teve um êxito assinalável, tanto na Rússia como fora dela.

O nome dado a esta sinfonia pelo próprio compositor, "Clássica", é uma das várias curiosidades que a rodeiam: é que Prokofiev foi um inovador na cena musical russa (e internacional), sendo geralmente reconhecido como um vanguardista, pelo que a estrutura e desenvolvimentos clássicos desta sua primeira sinfonia são de certo modo surpreendentes.

A estreia da Sinfonia Nº1 de Sergei Prokofiev ocorreu há 95 anos, no dia 21 de Abril de 1918.


CDs


Sergei Prokofiev
The Complete Symphonies.
London Symphony Orchestra
Valery Gergiev
Philips 475 7655
(2004)

Sergei Prokofiev
Symphonies - No.1 in D major "Classical", Op.25; No.3 in C minor, Op.44.
Philadelphia Orchestra
Riccardo Muti
Philips 432 992-2

Sergei Prokofiev
Symphonies - No.1 in D major,'Classical', Op.25; No.5 in B flat major, Op.100;
No.6 in E flat major, Op.111.
Paris Conservatoire Orchestra
Suisse Romande Orchestra
Ernest Ansermet
Decca Eloquence 480 0834
(1951, 1953, 1961, 1964)


Internet



Sergei Prokofiev

20/11/2009

Sinfonias #38: Sinfonia Nº1, de Gustav Mahler

Quando toca a sinfonistas há dois nomes que me vêm de imediato à cabeça, Anton Bruckner (1824-1896) e Gustav Mahler (1860-1911), o que, não sendo uma ideia propriamente consensual, também não causará celeuma por aí além.

A primeira incursão de Mahler no mundo sinfónico ocorreu em 1884 mas, curiosamente, escrever uma sinfonia era algo que não estava de modo algum nos planos iniciais. O objectivo era, isso sim, o de compor um poema sinfónico, no caso em duas partes, baseado, embora numa adaptação livre, na obra Titan do escritor alemão Jean Paul (1763-1825). Mahler não partiu do zero, tendo começado por aproveitar vários extractos de obras suas anteriores, o que, não sendo por si só um grande problema, acabou por fazer com que o resultado musical não batesse certo com o conteúdo em que era suposto basear-se. Para grandes males, grande remédios, pelo que, em vez de um poema sinfónico ganhámos uma sinfonia, a primeira de uma série que acabaria por se revelar um dos monumentos mais importantes da grande música.

Por curiosidade, refira-se que, no 3º andamento desta 1ª sinfonia, Mahler apresenta a sua versão da conhecidíssima melodia popular francesa Frère Jacques, bem mais lúgubre e sombria do que a versão original.

A Sinfonia Nº1 de Gustav Mahler foi estreada no dia 20 de Novembro de 1889, passam hoje 120 anos.


CDs




Gustav Mahler
Symphony No.1 in D.
Symphonie-Orchester der Bayerischen Rundfunks
Rafael Kubelik
Audite 95.467
(1979)

Gustav Mahler
Symphonies Nos.1-10. Das Lied von der Erde.
Marianne Haggander, Kristina Laki, Lucia Popp, Julia Varady,
Maria Venuti (sopranos), Maria Lipovsek, Florence Quivar
(meios-sopranos), Ann Howells, Gwendolyn Killebrew (contraltos),
Ben Heppner, Paul Frey (tenores), Alan Titus (barítono),
Siegfried Vogel (baixo)
West German Radio Symphony Orchestra
Gary Bertini
EMI Classics 3 40238-2

Gustav Mahler
Symphony No.1 in D.
Alban Berg
Piano Sonata, Op.1 (orquestração de Theo Verbey).
Royal Concertgebouw Orchestra
Riccardo Chailly
Decca 448 813-2

Gustav Mahler
Symphony No.1.
Bamberg Symphony Orchestra
Jonathan Nott
Tudor CD7147
(2005, 2006)


SACD



Gustav Mahler
Symphony No.1.
London Symphony Orchestra
Valery Gergiev
LSO Live LSO0663


DVD



Gustav Mahler
Symphony No.1 in D. Symphony No.8 in E flat.
Julia Varady, Jane Eaglen, Susan Bullock (sopranos), Trudeliese
Schmidt, Jadwiga Rappé (altos), Kenneth Riegel (tenor), Eike
Wilm Schulte (barítono), Hans Sotin (baixo)
London Symphony Chorus
London Philharmonic Choir
Chicago Symphony Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Klaus Tennstedt
EMI Classics 3 67443-9


Internet



Gustav Mahler
International Gustav Mahler Society / The Gustav Mahler Society / The Mahler Archives / Classical Music Pages / Classical Net / ANDaNTE / Naxos / Answers.com / MusicWeb International / suite101.com / Wikipedia

31/03/2009

SACDs #23: Schumann, Symphony No.1, Overtures

A carreira pianística do alemão Robert Schumann (1810-1856) acabou antes de começar, pela impossibilidade de utilizar um dos dedos da mão direita, por um de dois motivos, ambos suficientemente românticos: segundo uns, tal ter-se-á ficado a dever à utilização de uma engenhoca, inventada pelo próprio Schumann, para dar mais consistência aos dedos; segundo outros, porventura mais atentos à apetência de Schumann pela boa vida, foi consequência de medicamentos tomados para a sífilis. Perdeu-se um pianista mas ganhou-se um compositor, e logo o arquétipo do romântico.

Mais à-vontade em obras instrumentais para piano, género a que pertencem os seus primeiros 23 opus, Schumann teve algumas dificuldades em saltar para o sinfónico. 1841 foi um ano charneira: depois de uma experiência no início da década de 1830, foi nesse ano que Schumann se rendeu decisivamente ao género sinfónico, com a composição da Sinfonia Nº1, Op.38, e da Abertura, Scherzo e Final, Op.52, ambas apresentadas neste disco. A sinfonia foi escrita num ápice, esboçada em meros 4 dias, entre 23 e 26 de Janeiro de 1841, e a 20 de Fevereiro encontrava-se já totalmente orquestrada. Um marco importante, registado pela esposa, Clara Schumann (1819-1896), no seu diário, ao referir que Robert Schumann "tinha finalmente chegado ao patamar onde ele, com a sua imaginação viva, realmente pertencia".

Com a Primavera a servir de inspiração, os movimentos desta sinfonia chegaram a ter nomes sugestivos, como "O Acordar da Primavera" e "O Pico da Primavera", que, contudo, foram retirados pelo autor ainda antes da primeira edição. Parece que Schumann não apreciava indicações programáticas, pelo que apenas a própria sinfonia teve direito a nome, obviamente... Primavera.

A estreia, em Leipzig, a 31 de Março de 1841, passam hoje 168 anos, teve um outro grande compositor, Felix Mendelssohn (1809-1847), à frente da orquestra.




Robert Schumann
Symphony No.1 in B flat major, Op.38, "Spring".
Overture to Schiller's "Braut von Messina", Op.100.
Overture to the Opera "Genoveva", Op.81.
"Zwickau Symphony" in G minor. Overture, Scherzo and Finale, Op.52.
Swedish Chamber Orchestra
Thomas Dausgaard
BIS BIS-SACD-1569
(2005, 2006, 2007)


Internet

Robert Schumann
Biography / Classical Music Pages / Classical Archives / Karadar Classical Music / Naxos / Essentials of Music / Wikipedia / gmn ClassicalPlus

24/07/2008

Sinfonias #30: Sinfonia Nº1, de Alan Rawsthorne

O inglês Alan Rawsthorne (1905-1971), falecido passam hoje 37 anos, entrou tardiamente nas lides musicais tendo, antes disso, tentado seguir carreira primeiro como dentista, depois na arquitectura. Por via disso, quando entrou para o Royal Manchester College of Music (RMCM), hoje Royal Northern College of Music (RCNM) após a fusão em 1973 com a Northern School of Music, já tinha cerca de 20 anos.

Só nos finais da década de 30 é que Rawsthorne começou a ser notado, através de obras como Theme and Variations for Two Violins (1937), Symphonic Studies (1938) e Four Bagatelles for Piano (1938). As obras concertantes, por outro lado, apenas começaram a aparecer nos anos 40, com o Primeiro Concerto para Piano, em 1942 e o Primeiro Concerto para Violino, este escrito em 1948, já depois de terminada a Grande Guerra, portanto.

À semelhança de Johannes Brahms
(1833-1897) que, quando compôs a 1ª Sinfonia já contava com 43 anos, Rawsthorne escreveu a sua 1ª Sinfonia em 1950 tendo, quando a terminou, 45 anos de idade. A obra foi bastante bem recebida na estreia, que teve lugar no dia 15 de Novembro de 1950, e esteve a cargo da Orquestra Sinfónica da BBC dirigida pelo grande maestro Adrian Boult (1889-1983).

Alan Rawsthorne apenas comporia mais 2 sinfonias, uma em 1959 e a e última em 1964.


CD



Alan Rawsthorne
Symphony No.1. Symphony No.2, "A Pastoral Symphony". Symphony No.3.
Charlotte Ellett (soprano)
Bournemouth Symphony Orchestra
David Lloyd-Jones
Naxos 8.557480
(2004)


Internet

Alan Rawsthorne
The Friends of Alan Rawsthorne
/ bbc.co.uk / Wikipedia / Naxos.com

Adrian Boult
Bach Cantatas / Wikipedia

10/06/2008

Sinfonias #28: Sinfonia Nº1, de Anton Bruckner

O dia 10 de Junho de 1865 foi marcante para Richard Wagner (1813-1882), pela estreia de Tristan und Isolde, mas foi-o também para o compositor austríaco Anton Bruckner (1824-1896) que, tendo assistido a essa estreia, desenvolveu uma admiração enorme pelo compositor alemão.

Nesse mesmo ano Bruckner começou a trabalhar naquela que seria a sua Sinfonia Nº1, que, apesar de ter levado essa numeração, não foi a sua primeira obra do género; antecederam-na a Sinfonia Nº0, "Die Nullte
", de 1863, e a Sinfonia Nº00, "Sinfonia Estudo", de 1864. A Sinfonia Nº1, pela altura em que foi escrita, mostra, naturalmente, óbvias influências de Wagner. Esta sinfonia, tal como aconteceu à maior parte das outras, viria mais tarde a ser revista pelo seu autor, eternamente indeciso quanto às suas próprias capacidades e à qualidade das suas obras; à versão original, a "de Linz", sucedeu a versão "de Viena", quando Bruckner a reviu em 1891.

Apesar de Hans von Bülow (1830-1894), pianista, maestro e professor (de, entre outros, Vianna da Motta), ter ficado deveras impressionado com os esboços desta sinfonia quando Bruckner lhos mostrou em Munique, em 1865, o compositor austríaco não conseguiu arranjar alguém que se dignasse tocá-la, pelo que foi ele mesmo a estreá-la, no dia 9 de Maio de 1868. Seria um dos últimos acontecimentos de relevo do "período Linz" de Bruckner que, no Verão desse ano, haveria de se mudar para Viena, para o último período da sua carreira.


CDs



Anton Bruckner
Symphony No.1 in C minor (1866 version).
Symphony No.3 in D minor - Bewegt, quasi Andante (1876 version).
Royal Scottish National Orchestra
Georg Tintner
Naxos 8.554430

Anton Bruckner
Symphony No.1 in C minor (1866 version).
Wiener Philharmoniker
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 453 415-2


Internet

Anton Bruckner
Tribute to Anton Bruckner
/ The Immortal Bruckner / Wikipedia / Classical Music Pages

Hans von Bülow
Naxos / Wikipedia

Vianna da Motta
Conservatório Nacional / Biography / Compositores Portugueses

12/05/2008

SACDs #20: Shostakovich, Symphonies Nos.1 & 6

O ano de 2006 foi também o do centenário do nascimento do compositor russo Dmitri Shostakovich (1906-1975), motivo pelo qual se falou dele por aqui variadíssimas vezes. No ano passado continuamos a trazê-lo para estas bandas, nomeadamente para abordar a sua Sinfonia Nº15, por sinal a última por ele composta. Um disco que contém as Sinfonias Nºs 1 e 6 deste compositor é o motivo de o convidar novamente para este canto, no dia em que passam 82 anos sobre a estreia da primeira delas.

É sabido que Shostakovich manteve uma relação ambígua com as autoridades soviéticas, que não o livrou, contudo, de ter levado algumas reprimendas, por algumas das suas obras não estarem lá muito de acordo com os cânones oficiais. Em 1948 foi acusado de perversidades formalistas, um pecado de dimensões dificilmente imagináveis pelo comum dos mortais; em meados da década de 1920, quando escreveu a sua primeira sinfonia, gozava da liberdade criativa exclusiva dos compositores (ainda) pouco conhecidos, tendo dela feito bom uso para escrever aquela que seria a sua obra de graduação no Conservatório. O enorme sucesso obtido na estreia chamou não só a atenção dos grandes intérpretes, como os maestros Leopold Stokowski (1882-1977) e Bruno Walter (1876-1962), como também, inevitavelmente, do censor Andrei Zhdanov (1896-1948) e respectiva companhia, que o passaram a seguir com dedicada atenção, de que resultou um primeiro puxar de orelhas em 1936 e as consequentes aventuras que rodearam as suas quarta e quinta sinfonias. Histórias para outra altura...




Dmitri Shostakovich
Symphony No.1 in F minor, Op.10.
Symphony No.6 in B minor, Op.54.
Russian National Orchestra
Vladimir Jurowski
Pentatone PTC 5186 068
(2004)


Internet

Dmitri Shostakovich
P. Q. P. Bach / Classical Music Pages / Classical Net / Wikipedia / BBC / Naxos

06/04/2008

Sinfonias #26: Sinfonia Nº1, de Witold Lutoslawski

Witold Lutoslawski (1913-1994) é geralmente apresentado como um dos grandes nomes da música polaca da 2ª metade do século XX, e se não o é em relação à primeira tal se deve em grande parte às autoridades nazis. A invasão da Polónia pelos alemães no início de Setembro de 1939, que marcou o início da II Grande Guerra, trouxe com ela, além de todos os outros males, a instalação de um regime censório, especialmente vigilante no que respeitava às artes em geral e às musicais em particular. Lutoslawski foi mobilizado logo no início da guerra e feito prisioneiro pouco depois, tendo logrado evadir-se e regressado a Varsóvia. Consta que tal foi feito a pé, numa passeata aí de uns 400 quilómetros...

A primeira obra orquestral de Lutoslawski, as Variações Sinfónicas, tinha sido composta em 1938 e estreada em Junho do ano seguinte, poucos meses antes do despoletar do conflito mundial. Por essa altura o compositor já tinha iniciado a composição da Sinfonia Nº1, processo entretanto interrompido e retomado mais tarde, já a guerra se aproximava do seu termo. Terminada em 1947, a sinfonia seria estreada no dia 6 de Abril de 1948, passam hoje 60 anos, naquilo que foi desde logo considerado como um notável acontecimento musical na Polónia do pós-guerra.

Só que um azar raramente vem só, e depois dos nazis foi a vez das autoridades soviéticas, que iriam ditar as leis naquele país até 1989, meterem o bedelho nos assuntos artísticos, sob o manto do malfadado Realismo Socialista. Esta sinfonia de Lutoslawski foi de imediato rotulada de formalista, por não-conforme, como tudo aquilo que soava a moderno. Depois de entrar para a lista negra rara ou dificilmente de lá se saía, pelo que se entrou num período em que as obras deste compositor poucas vezes seriam interpretadas, e só para os finais da década de 1950 é que a sua reputação começou a subir, dentro e fora da Polónia.


CD



Witold Lutoslawski
Symphony No.1. Silesian Triptych. Jeux vénetiens.
Chantefleurs et Chantefables. Postlodium I.
Olga Pasiecznik (soprano)
Polish National Radio Symphony Orchestra
Antoni Wit
Naxos 8.554283


Internet

Witold Lutoslawski
Polish Culture / Naxos / ChesterNovello / Classical Music Pages / Wikipedia / Classical Net / Karadar Classical Music

04/11/2007

CDs #139: Barbirolli at the Proms

Em várias passagens da Sinfonia Nº1 do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897) ficamos com a sensação de estarmos a ouvir Beethoven, algo inesperado atendendo ao facto de Brahms ter pertencido ao período romântico. Só que Brahms foi o mais clássico dos compositores do romântico tardio, por isso muito admirado por aqueles que não se reviam nas modernices de Richard Wagner (1813-1883) e outros que tal. Os nossos ouvidos, portanto, não nos enganaram, quanto a isso podemos ficar sossegados; um já nosso bem conhecido, Hans von Bülow (1830-1894), chegou mesmo ao ponto de afirmar ser esta a "10ª de Beethoven"... Parece, aliás, que Brahms sentiu de sobremaneira a responsabilidade de ser considerado o sucessor de Ludwig van Beethoven (1770-1827), ao ponto de ter levado mais de 20 anos até se decidir a publicar a primeira sinfonia; na verdade, iniciou-a em 1855 mas apenas a terminou em 1876, tendo a estreia, consta que assim um bocado à experiência, ocorrido a 4 de Novembro de 1876, passam hoje 131 anos.

Em Agosto de 1954 o maestro inglês John Barbirolli (1899-1970) teve mais uma das suas vastas participações nos Concertos Promenade, e uma das obras em que nessa altura dirigiu a sua Hallé Orchestra foi precisamente a Sinfonia Nº1 de Brahms. A ligação de Barbirolli a estes concertos durou mais de 50 anos, tendo começado em 1916, como violoncelista da Queen's Hall Orchestra, e terminado apenas em 1969. Era suposto Barbirolli ter lá voltado em Agosto de 1970, mas faleceu em Julho.

Apesar de ter tocado muitas vezes Brahms durante os 27 anos em que esteve à frente da Hallé Orchestra, Barbirolli nunca gravou comercialmente a 1ª Sinfonia (o mesmo, aliás, se aplica à 2ª Sinfonia), o que só vem valorizar ainda mais esta gravação.




Joseph Haydn
Overture - The Uninhabited Island.
The Creation - In Native Worth.
Johannes Brahms
Symphony No.1 in C minor, Op.68.
David Galliver (tenor)
Hallé Orchestra
John Barbirolli
Guild GHCD 2320
(1954)


Internet

Johannes Brahms
Johannes Brahms WebSource / Essentials of Music / Classical Music Pages / Wikipedia / Naxos

21/03/2007

Sinfonias #21: Sinfonia Nº1, de Sergei Taneyev

Em 1874, após a célebre cena da recusa de Nikolai Rubinstein (1835-1881) em tocá-lo, acabou por caber a Hans von Bülow (1830-1894) a honra de estrear o Concerto para Piano e Orquestra Nº1 de Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893). Foi em Boston e no dia 25 de Outubro de 1875, e esta história já aqui foi contada há uns anitos. Esta acabou mesmo por ser a única obra para piano e orquestra de Tchaikovsky que não foi estreada pelo pianista Sergei Taneyev (1856-1915): o Concerto para Piano e Orquestra Nº2 foi por ele estreado no dia 11 de Março de 1881, e o Nº3 no dia 7 de Janeiro de 1895.

Taneyev não foi apenas um notabilíssimo pianista: foi também um reputado professor e um dos mais importantes compositores russos na viragem para o século XX. Relembro aquilo que dele disse o pianista Mikhail Pletnev (1957-): "(...) foi uma figura chave na história da música russa, o maior polifonista depois de Bach". Um pouco exagerado, talvez, mas revelador de uma admiração extrema por parte dum dos maiores pianistas do nosso tempo. Taneyev escreveu principalmente música de câmara; a sua obra mais conhecida, contudo, é uma ópera, Oresteya. Compôs também 4 sinfonias, das quais apenas a última foi publicada em vida do compositor, em 1901, o que levou a que, erradamente, seja ainda hoje por vezes identificada como a sua Sinfonia Nº1, Op.12. A Sinfonia Nº1 foi estreada no dia 21 de Março de 1898, passam hoje 109 anos. A verdadeira ou a falsa?!


Internet

Sergei Taneyev
Wikipedia / Sergey Ivanovich Taneyev / Naxos / allmusic / ANDaNTE

04/10/2005

Sinfonias #8: Sinfonia Nº1, de Antonín Dvorák

Enquanto por cá nos vamos entretendo a esquecer os mortos e a crucificar os vivos, vilipendiando-os de formas inacreditáveis, outros, porventura mais avisados e, certamente, mais ajuízados, recordam e homenageiam os seus maiores, que o futuro existe (apenas?) para quem respeita o seu passado.

Quem, como nós recentemente, tiver a oportunidade de vaguear por Praga, não pode deixar de ficar impressionado com o orgulho com que por lá preservam e exibem a sua história, dando o devido realce aos seus principais intervenientes. O Museu Nacional de Praga, que encima orgulhosamente a Praça Venceslau, é disso um exemplo magnífico. De entre as largas dezenas de estátuas que preenchem vários dos seus espaços, destaco duas, de dois autênticos heróis nacionais checos: as dos compositores Bedrich Smetana (1824-1884) e Antonín Dvorák (1841-1904).




De Dvorák já por aqui falámos mais do que uma vez: a propósito do centenário da sua morte, assinalado no ano passado neste postal
e, mais recentemente, para chamar a atenção de um disco contendo o seu Concerto para Violoncelo, com a orquestra dirigida pelo saudoso Carlo Maria Giulini (1914-2005). Houve ainda um outro postal, publicado em finais de Julho, nessa altura para falar do Quarteto de Cordas Nº10. Desta vez o móbil é o aniversário da estreia da Sinfonia Nº1, ocorrida em Brno no dia 4 de Outubro de 1936.


Antonín Dvorák

Ao contrário do que se poderia pensar, a Sinfonia Nº1 de Dvorák foi a última das suas 9 sinfonias a ser estreada! Foi mesmo a única a ser estreada no século XX. E porquê? É que foi com essa obra que Dvorák se apresentou num concurso na Alemanha e, não só foi recusada, como ainda não lhe devolveram sequer a partitura! Esta seria encontrada apenas em 1925, quando se julgava perdida para todo o sempre, até pelo facto do próprio autor ter afirmado que tinha procedido à sua destruição.

Uma última curiosidade: até 1917, quando finalmente Otakar Sourek colocou ordem na casa, reinou a confusão quanto à numeração das sinfonias de Dvorák. A aparecia como , por exemplo, e as 4 primeiras nem na lista apareciam. O famoso síndroma da 9ª sinfonia...


CDs



Antonín Dvorák
Symphony No.1 in C minor, B9. Legends, Op.59 Nos.1-5.
Slovak Philharmonic Orchestra
Stephen Gunzenhauser
Naxos 8.550266

Antonín Dvorák
Symphonies - No.1 in C minor, B9; No.2 in B flat, B12; No.3 in E flat, B34.
Staatskapelle Berlin
Otmar Suitner
Berlin Classics 0092 822BC


Internet

http://membres.lycos.fr/magnier/composit/smetana.html
http://members.tripod.com/~Nash_K/main.html
http://www.classicalarchives.com/bios/codm/dvorak.html
http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/dvorak.html
http://www.fuguemasters.com/dvorak.html

21/04/2005

Sinfonias #4: Sinfonia Nº1, Op.25, de Prokofiev

Circunstâncias várias têm feito com que ainda por aqui não se tenha falado do compositor russo Sergei Prokofiev (1891-1953) a quem muitos chamavam de enfant terrible, para sua notória satisfação...



É que Prokofiev, igualmente um pianista prodigioso, começou desde cedo a abanar o establishment, com obras extravagantes e ultramodernas. Os Concertos para Piano Nº1 e Nº2 foram disso exemplos perfeitos, tal o impacto que causaram. Hoje, contudo, trazemos aqui uma outra composição, por passarem exactamente 87 anos sobre a sua estreia: a Sinfonia Nº1, denominada Clássica. Raramente os nomes são dados ao acaso, e aqui tem a ver com o facto de esta apresentar um estilo marcadamente clássico, bem diferente do das suas anteriores composições, talvez para acalmar as almas mais indignadas antes de nova investida...


CDs



Toscanini conducts music from Russia.
Prokofiev
Symphony No.1, "Classical", Op.25.
Glinka
Jota aragonesa.
Mussorgsky
Pictures at an Exhibition.
Tchaikovsky
Manfred Symphony, Op.58. Symphony No.6, "Pathétique", op.74.
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Music & Arts CD-1115

Prokofiev
Symphony No.1, "Classical", Op.25. Symphony No.3, Op.44.
Philadelphia Orchestra
Riccardo Muti
Philips 432 992-2