Karl Amadeus Hartmann (1905-1964) foi um compositor alemão que ganhou especial proeminência após o final da Segunda Grande Guerra, ao organizar uma série de concertos na sua terra natal, Munique, designada por Musica Viva, com o objectivo de divulgar os compositores do século XX. Autor de óperas, música vocal, de câmara e instrumental e de concertos, foi na vertente sinfónica que mais se salientou. A primeira incursão no género foi Miserae, um poema sinfónico estreado em Praga em 1935, e que mereceu a reprovação do regime nazi, o que acabou por impedir a sua interpretação por longo tempo em solo germânico.
Hartmann compôs um total de 8 sinfonias, escritas entre 1936 (Sinfonia Nº1, revista em 1950) e 1962, o ano anterior ao da sua morte. A Sinfonia Nº4, composta entre 1947 e 1948, aproveitou parte de um anterior Concerto para Cordas e Soprano, de 1938, e iria ser estreada pela Orquestra Sinfónica da Rádio da Baviera no dia 2 de Abril de 1948, passam hoje 69 anos.
A 3ª edição do Festival Internacional de Música de Marvão decorrerá entre os dias 22 e 31 deste mês, com um muito interessante programa que pode ser consultado aqui. Um dos participantes será o soprano alemão Juliane Banse que, por uma coincidência notável, faz anos hoje.
Uma das especialidades de Banse tem sido a obra do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911), em particular a Sinfonia nº4, que já gravou com alguns dos maiores maestros: Pierre Boulez (1925-2016), Giuseppe Sinopoli (1946-2001) e Claudio Abbado (1933-2014).
Uma vez que o aniversário do nascimento de Mahler teve lugar há poucos dias (nasceu no dia 7 de Julho de 1860), faz todo o sentido trazer aqui Banse e a Sinfonia Nº4 de Mahler: além de um duplo aniversário ainda chamamos a atenção para um importante festival de música que vai decorrer em Portugal.
CDs
Gustav Mahler Symphony No.4 in G major.
Juliane Banse (soprano)
Dresden Staatskapelle
Giuseppe Sinopoli
Profil PH07047
Gustav Mahler Symphony No.4 in G major.
Juliane Banse (soprano)
Cleveland Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 463 257-2
A frequência com que novos textos desaguam aqui no desNorte não é muito diferente daquela com que o nosso Presidente aparece em público, apenas os motivos não serão exactamente os mesmos ("medo do povo" não encabeça propriamente a lista dos meus maiores receios...). Há mais de um ano que o compositor alemão Robert Schumann (1810-1856) não era para aqui chamado, por via da tal baixa frequência, falha hoje ultrapassada, no dia em que passam 160 anos sobre a estreia da sua Sinfonia Nº4, ocorrida a 3 de Março de 1853.
Muitas vezes, no que toca à numeração das obras, o que parece não é, e esta sinfonia esteve longe de ser a última das 4 que Schumann compôs. A explicação para este fenómeno é simples: Schumann começou a trabalhar nela em 1841, pouco depois de ter terminado a 1ª sinfonia, mas iria publicá-la apenas em 1853. Nesse intervalo de tempo não só efectuou algumas alterações à obra como aproveitou para compor as 2ª e 3ª sinfonias, pelo que, quando a suposta 2ª nasceu já era a 4ª...
CDs
Robert Schumann Symphonies - No.1 in B flat, Op.38; No.2 in C, Op.61; No.3 in E flat, Op.97; No.4 in D minor, Op.120. Concert for 4 Horns, Op.86.
Roger Montgomery, Gavin Edwards, Susan Dent, Robert Maskell (trompas)
Orchestre Révolutionnaire et Romantique
John Eliot Gardiner
Archiv Production 457 591-2
Robert Schumann Genoveva - Overture, Op.81. Piano Concerto in A minor, Op.54. Symphony No.4 in D minor, Op.120.
Martha Argerich (piano)
Leipzig Gewandhaus Orchestra
Riccardo Chailly
Decca 475 8203 (2006)
Robert Schumann Symphonies - No.3, 'Rhenish', Op.97; No.4, Op.120. Manfred Overture, Op.115.
Hermann und Dorothea, Op.126.
Swedish Chamber Orchestra
Thomas Dausgaard
BIS BIS-SACD1619
'Munch conducts Romantic Favourites'. Robert Schumann Cello Concerto in A minor, Op.129. Symphony No.4 in D minor, Op.120. Richard Strauss Tod und Verklärung. Don Juan, Op.20. Orchestral Songs. Ein Heldenleben, Op.40. Divertimento (after Couperin), Op.86. Johannes Brahms Concerto for Violin, Cello and Orchestra, Op.102. Symphony No.2, Op.73. Academic Festival Overture, Op.80. Piano Concerto No.1. Antonín Dvorák Symphony No.9 in E minor, 'From the New World', Op.95.
Pierre Fournier, Samuel Mayes (violoncelos), Zino Francescatti, Richard Burgin (violinos),
Rudolph Serkin (piano), Irmgard Seefried (soprano)
Boston Symphony Orchestra
Charles Munch
West Hill Radio Archive WHRA6017
'Sir Adrian Boult - The 1956 Nixa-Westminster Stereo Recordings, Vol.2'. Robert Schumann Complete Symphonies. Hector Berlioz Overtures.
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
First Hand Records FHR07
Temos estado ausentes, mas sempre empenhados nas nossas actividades quotidianas. O regresso aqui ao desNorte far-se-á lenta mas seguramente, com as coisas da música ainda como pilar principal, e outros temas de interesse (viagens, fotografia) a pontuarem ocasionalmente. Enquanto andámos longe destas paragens continuámos a comprar discos, a ouvir música e a ler sobre música, embora não tanto como desejaríamos, pois a vida não está fácil para ninguém (pelo menos para ninguém que conheçamos), e o tempo disponível para os hobbies já não é o que era.
O que não mudou foi a nossa paixão pela música do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911), um dos grandes sinfonistas de todos os tempos. Nos últimos dias, em particular, temos andado às voltas com a sua 4ª Sinfonia, talvez a mais atípica que compôs. Mais jovial que qualquer uma das anteriores, é também a de menor duração, para já não falar do facto de ter nascido ao contrário; na verdade, o quarto e último andamento resultou do aproveitamento de sobras do ciclo de canções Das Knaben Wunderhorn, tendo os outros 3 andamentos sido compostos a partir dele.
Uma grande sinfonia, com algumas excelentes gravações disponíveis no mercado, pelo que temos dado o nosso precioso tempo por muito bem empregue...
Gustav Mahler nasceu há 150 anos, no dia 7 de Julho de 1860.
P.S.
Notícias perturbadoras, estas que nos chegam de longe. Um dos nossos pianistas de eleição, além de maestro de créditos mais do que firmados. Fazemos votos para que tudo não passe de um lamentável mal-entendido, mas...
CDs
Gustav Mahler Symphony No.4. Juliane Banse (soprano) Cleveland Orchestra Pierre Boulez Deutsche Grammophon 463 257-2 (1998)
Gustav Mahler Symphony No.4. Margaret Price (soprano) London Philharmonic Orchestra Jascha Horenstein Classics for Pleasure 5 74882-2 (1970)
Gustav Mahler Symphonies 1-10. Das Lied von der Erde. Kölner Rundfunk-Sinfonieorchester Gary Bertini EMI Classics 3 40238-2 (1984, 1985, 1987, 1990, 1991)
Gustav Mahler Symphony No.4. Juliane Banse (soprano) Staatskapelle Dresden Giuseppe Sinopoli Profil PH07047
Bruno Walter The Vienna Farewell Concert. Franz Schubert Symphony No.8 in B, "Unfinished". Gustav Mahler Symphony No.4 in G. Three Lieder. Elisabeth Schwarzkopf (sop) Vienna Philharmonic Orchestra Bruno Walter Music & Arts CD-4705(2)
SACD
Gustav Mahler Symphony No.4. Miah Persson (soprano) Budapest Festival Orchestra Iván Fischer Channel Classics CCSSA26109 (2008)
A Pristine Classical é uma editora a todos os títulos admirável; apesar de ser pequena, dispõe de um catálogo único de gravações históricas (dificilmente se encontra uma outra que se lhe aproxime neste aspecto) e, desde Fevereiro de 2005, de um site onde nos é oferecido um generoso número de alternativas para adquirir discos. Podemos optar por fazer o download, em MP3 ou FLAC de 16 ou 24 bits, ou encomendar os discos, que podemos receber em versão premium (com caixa e capa) ou standard (sem caixa nem capa), sendo que os preços dependem do tipo (qualidade) de versão escolhida (MP3 ou FLAC) e da duração dos discos. Sem esquecer, claro, o facto de ser o próprio fundador da editora, Andrew Rose, a contactar-nos directamente caso coloquemos alguma questão. Foi este mesmo Andrew Rose, devo referir, quem demonstrou a marosca das supostas gravações de Joyce Hatto (1928-2006), provando que aquilo era tudo uma aldrabice pegada.
Encomendei recentemente dois discos desta editora, contando ambos com o maestro italiano Arturo Toscanini (1867-1957). Num deles dirige a Orquestra Sinfónica da NBC na Sinfonia Nº4 de Jean Sibelius (1865-1957), a mais severa de todas as que este compositor escreveu. Reflexo não só da situação que o seu país, a Finlândia, vivia, sofrendo forte repressão da Rússia, de que era à época uma mera província, como também do seu estado de saúde, uma vez que lhe tinha sido diagnosticado em 1907 um câncro na garganta. É também conhecido o desdenho com que Sibelius encarava a grandiosidade das sinfonias de Gustav Mahler (1860-1911) e dos poemas sinfónicos de Richard Strauss (1864-1949), respondendo com a austeridade levada quase ao extremo desta sinfonia, em que muito raramente todos os instrumentos da orquestra são chamados a tocar simultaneamente.
Começada em 1910, a sinfonia foi estreada no dia 3 de Abril de 1911, com Sibelius a dirigir a orquestra. Sem grande sucesso, o que até não se pode considerar uma surpresa, algo que se foi repetindo um pouco por toda a parte, onde ela ia sendo tocada. Assim foi também nos Estados Unidos, onde coube precisamente a Toscanini a honra da primeira apresentação; ao ponto de a ter repetido de imediato nesse concerto, a ver se o público à segunda a entendia. Sem sucesso...
Jean Sibelius Symphony No.4 in A minor, Op.63. George Enescu Romanian Rhapsody Op.11, No.1. Edward Elgar Introduction and Allegro, Op.47. Ralph Vaughan Williams Fantasia on a Theme by Thomas Tallis. NCB Symphony Orchestra Arturo Toscanini Pristine Classical PASC087 (1940, 1945)
Da primeira que por aqui falámos do compositor austríaco Franz Schubert (1797-1828), referimos o facto de ele ter escrito para cima de 600 canções, apesar de ter falecido com 31 anos apenas. Indubitavelmente que Schubert deu ao lieder um estatuto de que nunca antes tinha gozado, o que teve como contrapartida o facto de, enquanto vivo, ser quase exclusivamente conhecido como um compositor de canções, deixando os outros géneros a que se dedicou com igual brilho injustamente esquecidos.
Um desses géneros foi o sinfónico, tendo escrito 9 sinfonias, embora deixando algumas delas inacabadas; isto, claro, se esquecermos aquilo que viria a ser eventualmente a 10ª, mas da qual apenas deixou alguns esboços pianísticos, por ter falecido entretanto. Uma vez que morreu ainda jovem, é natural que tenha composto as primeiras sinfonias quando era muito novo; a Sinfonia Nº4, "Trágica", foi escrita em 1816, ainda não tinha o compositor 20 anos, mas foi apenas estreada no dia 19 de Novembro de 1849, exactamente 21 anos após a sua morte. Nela não se reconhecem ainda distintamente os sons do romântico, mas antes as influências clássicas vienenses, de Haydn (1732-1809), Mozart (1756-1791) e Beethoven (1770-1827). Ao contrário de outros casos, foi o próprio compositor que deu o nome à sinfonia, apesar do tom geral da mesma não ser tão trágico quanto isso...
CDs
Franz Schubert Symphonies Nos.1-6, 8 & 9. Staatskapelle Dresden Colin Davis RCA Red Seal 82876 60392-2
Franz Schubert The 10 Symphonies. Academy of St Martin in the Fields Neville Marriner Philips 470 886-2
Felix Mendelssohn Die schone Melusine, Op.32. Franz Schubert Symphony No.4 in C minor, "Tragic", D417. Berlin Philharmonic Orchestra Nikolaus Harnoncourt Teldec 4509-94543-2
Apesar de atormentado pela crescente surdez que, entre outras coisas, fez aumentar a sua faceta anti-social, a primeira década do século XIX revelou-se extremamente produtiva para o compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827); entre 1800 e 1808 compôs, nomeadamente, as primeiras 6 sinfonias, 11 sonatas para piano, várias peças de câmara, 2 concertos para piano, 1 concerto para violino, 1 missa e a ópera Fidelio (que reveria em 1814).
No Verão de 1806, e num curto espaço de tempo, escreveu a Sinfonia Nº4, sob encomenda do conde Franz von Oppersdorf, que foi igualmente o dedicatário. A sinfonia que a antecedeu, "Sinfonia Heróica", não tinha registado grande sucesso na estreia pública, em Abril de 1805, chegando a ser apelidada de "interminável", para o que terão certamente contribuído as durações dos primeiros andamentos (a do 1º a rondar os 15 minutos, não lhe ficando a do 2º muito atrás...). O ambiente mais colorido e vivaz da Sinfonia Nº4 dever-se-á muito possivelmente ao facto do compositor estar na altura novamente caído de amores, na caso por Thérèse von Brunsvik (1775-1861), sua aluna e futura dedicatária da Sonata para Piano Nº24, composta em 1809 e apropriadamente intitulada de "A Thérèse".
Depois de uma primeira audição privada, em Março de 1807, em casa do príncipe Lobkowitz, a sinfonia foi estreada em público no dia 15 de Novembro desse ano, passam hoje 201 anos. Teve uma recepção bem mais calorosa que a anterior, se bem que só após a terceira audição se possa falar em êxito estrondoso.
CDs
Ludwig van Beethoven Symphonies - No.3 in E flat, "Eroica", Op.55; No.4 in B flat, Op.60. Zürich Tonhalle Orchestra David Zinman Arte Nova Classics 74321 59214-2 (1998)
Ludwig van Beethoven Symphonies - No.4 in B flat, Op.60 and No.5 in C minor, Op.67. Coriolan Overture, Op.62. Swedish Chamber Orchestra Thomas Dausgaard Simax PSC1180
Ludwig van Beethoven Symphonies - No.4 in B flat, Op.60; No.5 in C minor, Op.67. Egmont Overture, Op.84. Philharmonia Orchestra Otto Klemperer Testament SBT1407
Ludwig van Beethoven Complete Symphonies. Janice Watson (soprano), Catherine Wyn-Rogers (meio-soprano), Stuart Skelton (tenor), Detlef Roth (baixo) Edinburgh Festival Chorus Scottish Chamber Orchestra Philharmonia Orchestra Charles Mackerras Hyperion CDS44301-5
Ludwig van Beethoven Complete Symphonies and Selected Overtures. Jarmila Novotna (soprano), Kerstin Thorborg (meio-soprano), Jan Peerce (tenor), Nicola Moscona (baixo) Westminster Cathedral Choir NBC Symphony Orchestra Arturo Toscanini Music & Arts CD-1203(5) (1939)
Ludwig van Beethoven Prometheus Overture, Op.43. Symphony No.4 in B major, Op.60. Wolfgang Amadeus Mozart Flute Concerto No.1, KV313. Eduard Scherbachev (flauta) Moscow Philharmonic Symphony Orchestra Kyrill Kondrashin Melodya MELCD10 01007 (1964, 1965, 1967)
Ludwig van Beethoven Symphony No.4 in B flat, Op.60. Symphony No.8 in F major, Op.93. Vienna Philharmonic Orchestra Wilhelm Furtwängler Nuova Era 013.6310 (1953, 1954)
Ludwig van Beethoven Symphonies. Overtures. Anna-Kristiina Kaappola (soprano), M. Beate Kielland (meio-soprano), Markus Schäfer (tenor), Thomas Bauer (barítono) Anima Eterna Jos van Immerseel Zig Zag Territories ZZT080402-6 (2008)
Ludwig van Beethoven Die Symphonien. Berlin Philharmonic Orchestra Claudio Abbado Deutsche Grammophon 477 5864
SACD
Ludwig van Beethoven Symphonies - No.4 in B flat, Op.60 and No.5 in C minor, Op.67. Minnesota Orchestra Osmo Vänskä BIS BIS-SACD1416 (2004)
O ano de 1877 foi dos mais marcantes na vida do jovem Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893), embora nem sempre pelos melhores motivos. Foi o ano em que, procurando contrariar a sua natureza, casou com Antonina Milyukova (1849-1917), que era sua aluna no Conservatório de Moscovo. Foi um completo desastre, tendo vivido em conjunto apenas algumas semanas. Esse ano marcou também o início do patrocínio de Nadezhda von Meck (1831-1894), e assistiu à consagração definitiva do compositor, com a estreia do Lago dos Cisnes.
Apesar da tentativa de suicídio, consequência mais visível dos destroços do casamento de curta duração, Tchaikovsky teve força de espírito para prosseguir com a composição daquela que viria a ser a sua 4ª Sinfonia, que tinha começado a esboçar no ano anterior. Saber agradecer nunca ficou mal a ninguém, pelo que o nosso compositor dedicou esta sinfonia à patrona, conforme anunciou em carta que escreveu a Nadezhda von Meck em Maio de 1877: "Neste momento estou absorvido com a sinfonia que comecei a escrever ainda no Inverno e que pretendo dedicar-lhe, pois encontrará aí ecos das suas ideias e dos seus sentimentos mais profundos".
A estreia, sem grande sucesso, teve lugar em Moscovo, no dia 10 de Fevereiro de 1878, passam hoje 130 anos. À frente da orquestra esteve um já nosso velho conhecido, Nikolai Rubinstein (1835-1881).
CDs
Piotr Ilyich Tchaikovsky Violin Concerto in D major, Op.35. Symphony No.4 in F minor, Op.36. Pinchas Zukerman (violino) Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks Rafael Kubelik Audite 95.490
Piotr Ilyich Tchaikovsky Symphony No.4 in F minor, Op.36. Vienna Philharmonic Orchestra Valery Gergiev Philips 475 6196 (2002)
Piotr Ilyich Tchaikovsky Symphony No.4 in F minor, Op.36. Symphony No.5 in E minor, Op.64. Symphony No.6 in B minor, Op.74, "Pathétique". Leningrad Philharmonic Orchestra Evgeny Mravinsky Deutsche Grammophon 419 745-2 (1960/1)
Piotr Ilyich Tchaikovsky Symphony No.4 in F minor, Op.36. Dmitri Shostakovich Cello Concerto No.1 in E flat, Op.107. Mstislav Rostropovich (violoncelo) Leningrad Philharmonic Orchestra Gennadi Rozhdestvensky BBC Legends BBCL4143-2
Piotr Ilyich Tchaikovsky Symphony No.4 in F minor, Op.36. Modest Mussorgsky Pictures at an Exhibition (orch. Ravel). Orchestre National du Capitole de Toulouse Tugan Sokhiev Naïve V5068
A viragem da década de 1830 para 1840 coincidiu com mudanças significativas na produção musical do compositor alemão Robert Schumann (1810-1856). Na verdade, se anteriormente tinha escrito principalmente música para piano, em 1840, conforme já aqui referido, dedicou-se quase em exclusivo à música vocal para, no ano seguinte, virar-se para a música sinfónica. Entre Janeiro e Fevereiro de 1841 comporia aquela que seria a sua Sinfonia Nº1, estreada no dia 31 de Março desse mesmo ano, com Felix Mendelssohn (1809-1847) a dirigir a orquestra. Com apreciável sucesso, diga-se, apesar do desconhecimento do público em relação à existência de um Schumann sinfónico.
Logo de seguida começou a trabalhar numa nova sinfonia que, por vicissitudes várias, viria a ser a sua Sinfonia Nº4... Estreada na sua versão original no dia 6 de Dezembro de 1841, esteve longe de registar o sucesso da 1ª, pelo que o compositor optou por retirá-la de cena; nessa ocasião a orquestra foi regida por Ferdinand David (1810-1873), que era igualmente um violinista virtuoso, tendo sido o solista na estreia do Concerto para Violino de... Mendelssohn. Só depois da estreia da Sinfonia Nº3, a 6 de Fevereiro de 1851, é que Schumann iria rever aquela que deveria ter sido a segunda sinfonia, e estrear a nova versão no dia 3 de Março de 1853, já sob a designação de Sinfonia Nº4, Op.120, e com o próprio Schumann na regência.
A interpretação aqui hoje trazida não se encontra à venda em formato CD (apenas em DVD), podendo sendo adquirida através da Decca Concerts. Pelo que o título deste texto está errado mas, à falta de melhor...
Robert Schumann faleceu há 151 anos, no dia 29 de Julho de 1856.
Robert Schumann Genoveva: Overture, Op.81. Piano Concerto in A minor, Op.54.Symphony No.4 in D minor, Op.120. Martha Argerich (piano) Gewendhausorchester Leipzig Riccardo Chailly Decca Concerts (2006/7)
Da mudança de Anton Bruckner (1824-1896) para Viena, com o intuito de alargar os seus horizontes musicais, resultou um dos mais importantes legados sinfónicos. Bruckner escreveu e reescreveu várias sinfonias, sendo mais um dos que encalhou na 9ª, de que apenas completou 3 movimentos. Quase todas as suas sinfonias foram objecto de revisões mais ou menos extensas, que levaram à existência de várias versões para a mesma sinfonia.
A Sinfonia Nº4, estreada no dia 20 de Fevereiro de 1881, não foi, naturalmente, excepção. O que teve como consequência, também natural, o facto de a versão original, de 1874, ter sido apenas publicada em... 1975! A versão mais usual resultou da combinação dos resultados de duas revisões efectuadas pelo compositor:
- da de 1878 sairam os 3 primeiros andamentos (dos quais os 2 primeiros resultaram de revisões das versões originais e o terceiro, um scherzo, foi composto na altura);
- o último andamento, finale, foi fornecido pela revisão de 1880 (claro está que este mesmo andamento já tinha sido retocado em 1878...)
A estreia desta sinfonia, com Hans Richter (1843-1916) a dirigir a Orquestra Filarmónica de Viena, foi um enorme sucesso, ao ponto de Bruckner, no fim de cada andamento, ter sido forçado a fazer elegantes vénias para o público, em agradecimento dos estrondosos aplausos. Esta sinfonia é também conhecida por "Romântica", pelo facto de amigos do compositor terem-lhe solicitado que ela evocasse imagens do período medieval, com cavaleiros, castelos, e tudo o mais que lhe aprouvesse. Consta que Bruckner aceitou a sugestão mas não a levou muito a sério, ao ponto de ter afirmado algum tempo depois que "já se tinha esquecido da imagem que tinha em mente quando compôs o último andamento"...
CDs
Anton Bruckner Symphony No.4, "Romantic". Berlin Philharmonic Orchestra Günter Wand RCA Victor Red Seal 09026 68839-2 (1998)
Anton Bruckner Symphony No.4, "Romantic". Berlin Philharmonic Orchestra Hans Knappertsbusch Archipel ARPCD0044 (1944)
Anton Bruckner Symphony No.4, "Romantic". Berlin Philharmonic Orchestra Herbert von Karajan Deutsche Grammophon Entrée 477 5006 (1975)
Anton Bruckner Symphony No.4, "Romantic". Berlin Philharmonic Orchestra Eugen Jochum Deutsche Grammophon 427 200-2
All Music Guide to Classical Music, editado pela Backbeat Books Guia da Música Sinfónia, de François-René Tranchefort The Oxford Companion to Music, editado por Edison Latham