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14/05/2008

SACDs #21: Richard Strauss, Josephs Legende

A peixeirada em que se transformou a estreia do bailado A Sagração da Primavera, com música de Igor Stravinsky (1882-1971), em Maio de 1913, aqui referida, não fez o empresário russo Sergei Diaghilev (1872-1929) abrandar o ritmo de encomendas de novas obras para os espectáculos dos seus Ballets Russes. A prová-lo está o facto de não ter demorado muito a encomendar uma a Richard Strauss (1864-1949), o único compositor alemão, refira-se, a quem Diaghilev encomendou obras para os seus bailados.

Quem nos acompanha desde os primórdios do desNorte, lembrar-se-á porventura das histórias mitológicas que por aqui passaram, nomeadamente as que envolveram Teseu e Ariadne. A certa altura referimos o facto de Richard Strauss ter escrito uma ópera baseada nesta lenda, a partir de um libreto escrito pelo seu habitual colaborador, Hugo von Hofmannsthal (1874-1929). Pois seria de novo com base num texto de von Hofmannsthal que Strauss, dois anos depois, comporia Josephs Legende, como resultado da referida encomenda de Diaghilev.

Há todas as razões para acreditar que Strauss escreveu a obra tendo em mente que o papel principal no bailado seria destinado à grande estrela da companhia, Vaslav Nijinski (1890-1950). Só que, pouco antes da estreia, Nijinski deu-se por derretido por uma menina húngara de nome Pulszky Romola (1891-1978) e tomou-a de imediato como esposa, para notória irritação de Diaghilev, que o despediu na hora. A relativa pouca experiência de Léonide Massine (1896-1979), o bailarino que substituiu Nijinski, terá contribuído para o menor sucesso da estreia do bailado, no dia 14 de Maio de 1914, e não ajudou, certamente, à popularidade da música escrita por Strauss, ainda hoje, quase um século mais tarde, uma das suas obras menos conhecidas, para não dizer quase totalmente desconhecida.




Richard Strauss
Josephs Legende, Op.63.
Budapest Festival Orchestra
Iván Fischer
Channel Classics CCSA24507
(2007)


Internet

Richard Strauss
Richard Strauss online / Classical Music Pages / Classical Net / Wikipedia / Opera Glass

08/03/2008

SACDs #15: Strauss, Don Quixote, Don Juan

Os poemas sinfónicos, formalmente introduzidos por Franz Liszt (1811-1886), são composições orquestrais inspiradas em temas não musicais, e geralmente compostas de um andamento só. Geralmente mas nem sempre, está bom de ver, e Richard Strauss (1864-1949), no seu poema sinfónico Don Quixote, dá-nos, após a introdução e o tema, 10 variações sobre este, cada uma delas descrevendo uma aventura distinta do herói de Miguel de Cervantes (1547-1616).

Strauss tinha anteriormente escrito 5 poemas sinfónicos, e na altura em que meteu mãos à obra neste, em 1897, era já um compositor consagrado. De um deles, Also sprach Zarathustra, falámos aqui em Março de 2006, onde referimos a controvérsia que envolveu a obra. Don Quixote, embora a outro nível, também não se livrou de algumas peripécias. Se a estreia, em Munique, a 8 de Março de 1898, passam hoje 110 anos, correu normalmente, já a parisiense, em 1900, não foi exactamente assim: o poema de Strauss revela o ambiente burlesco do original de Cervantes, e parte do público dos Concertos Lamoureux de Paris, por alguém descrito como "quanto menos músico é, mais se põe a cavalo do bom gosto musical", pensou que estava a ser gozada e desatou a vaiar a obra no final...

Neste disco temos ainda Don Juan, um poema sinfónico escrito por Strauss em 1888. Em ambas as obras a Orquestra Sinfónica de Chicago é dirigida pelo maestro de origem húngara Fritz Reiner (1888-1963), que conheceu pessoalmente Richard Strauss, de quem estreou várias obras e foi um dos grandes promotores. Grande disco...




Richard Strauss
Don Quixote, Op.35. Don Juan, Op.20.
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
RCA Red Seal 88697046042
(1954, 1959)


Internet

Richard Strauss
Richard Strauss Online / Classical Music Pages / Classical Net / The Richard Strauss Page / Wikipedia / mfiles

Fritz Reiner
Classical Notes / Chicago Symphony Orchestra / Wikipedia

19/12/2007

Maestros #32: Fritz Reiner (1888-1963)

Uma das facetas mais admiradas em Fritz Reiner foi a de construtor de orquestras, numa tradução livre do inglês "builder of orchestras", estabelecida primeiramente com a Orquestra Sinfónica de Pittsburgh, que dirigiu entre 1938 e 1948, e definitivamente consolidada com o período que passou à frente da Orquestra Sinfónica de Chicago, entre 1953 e 1962. Que lhe valeu uma reputação lendária, verdade seja dita, apesar da (ou alicerçada na?!) relação difícil que sempre manteve com os músicos. "Maestro exigente e despótico", "hostil e impaciente durante os ensaios", "capaz de despedir qualquer músico que cometesse um erro durante um concerto", são alguns das descrições que encontramos nas várias biografias do maestro, húngaro de nascimento e norte-americano por naturalização.

Reiner conheceu pessoalmente Richard Strauss
(1864-1949), e foi um dos grandes promotores deste compositor. Foi da sua responsabilidade, nomeadamente, a estreia em território alemão da ópera Die Frau ohne Schatten, em 1919. Não passaria muito tempo até que atravessasse o Atlântico, incentivado pelo anti-semitismo crescente. Era judeu... Nada que esmorecesse a admiração por Strauss, contudo, e ficaram memoráveis as interpretações das óperas Salome e Elektra, aquando da sua passagem pelo Met de Nova Iorque, entre 1948 e 1953.

Fritz Reiner nasceu há 119 anos, no dia 19 de Dezembro de 1888.


CDs





Fritz Reiner
Works by Bartók, Beethoven, Brahms, Falla, Mendelssohn,
Mozart, Ravel, Strauss and Wagner.
Chicago Symphony Chorus
RCA Victor Symphony Orchestra
Philadelphia Orchestra
NBC Symphony Orchestra
Fritz Reiner
EMI 5 62866-2

Richard Strauss
Elektra. Der Rösenkavalier - Acts I & III excerpts.
Astrid Varnay, Elisabeth Hömgen, Walburga Wegner,
Paul Schöffler, Set Svanholm
Metropolitan Opera Chorus
Metropolitan Opera Orchestra
Fritz Reiner
Guild GHCD 2285/86
(1953)

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra, Op.30. Ein Heldenleben, Op.40.
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
RCA Living Stereo 82876 61389-2
(1957, 1962)

Richard Strauss
Don Quixote, Op.35. Don Juan, Op.20.
Antonio Janigro (violoncelo), Milton Preves (viola),
John Weicher (violino)
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
RCA Victor Living Stereo 09026 68170-2
(1954, 1959)

Modest Mussorgsky
Pictures at an Exhibition. A Night on Bald Mountain.
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
RCA Living Stereo 61394-2

Johannes Brahms
Piano Concerto No.1 in D minor, Op.15.
Artur Rubinstein (piano)
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
RCA Red Seal 82876 66378-2
(1954)

Gioacchino Rossini
Overtures.
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
RCA Classic Library 82876 65844-2


Internet

Fritz Reiner
Wikipedia
/ Classical Notes

Richard Strauss
Wikipedia / Richard-Strauss.com / Richard Strauss online

25/04/2007

Sopranos #13: Astrid Varnay (1918-2006)

Por uma notável coincidência, as sopranos Astrid Varnay, e Birgit Nilsson (1918-2005), falecida em Dezembro do ano passado, nasceram no mesmo país, a Suécia, e no mesmo ano, 1918, separadas por menos de 1 mês. Varnay nasceu no dia 25 de Abril, Nilsson no dia 17 de Maio.

Varnay e Nilsson, contudo, não partilharam muitos papéis, apesar de ambas se terem notabilizado em Richard Wagner (1813-1883). Na estreia no Met, em 1941, Varnay fez o papel de Sieglinde, na ópera Die Walküre, de Wagner. Suceder-se-iam os êxitos em várias das óperas desse compositor: Brünnhilde, ainda em Die Walküre, um papel em que Nilsson também brilhou; Isolde, obviamente em Tristan und Isolde; Senta, em Der fliegende Höllander; Ortrud, um papel de meio-soprano em Lohengrin, e Kundry, em Parsifal. Recorde-se que, a partir de certa altura da sua carreira, Varnay atacou igualmente papéis de meio-soprano, como o de Ortrud, ou os de Herodias e Clytemnestra, nas óperas de Richard Strauss (1864-1949) Salome e Elektra, respectivamente.

Astrid Varnay nasceu há 89 anos, no dia 25 de Abril de 1918.


CDs




Richard Strauss
Elektra.
Astrid Varnay, Leonie Rysanek (sopranos), Res Fischer (meio-soprano),
Hans Hotter (baixo-barítono), Helmut Melchert (tenor)
Cologne Radio Symphony Orchestra Chorus
Cologne Radio Symphony Orchestra
Richard Krauss
Koch Swann 3-1643-2

Richard Strauss
Elektra.
Astrid Varnay, Elisabeth Höngen, Paul Schöffler, Walburga Wegner,
Set Svanholm, Alois Pernerstorfer, Ludomir Vichegonov, Paul Franke,
Paula Lenchner, Jean Madeira
Metropolitan Opera Chorus
Metropolitan Opera Orchestra
Fritz Reiner
Guild GHCD 2285/6

Giuseppe Verdi
La traviata.
Rosanna Carteri, Rina Allesandri Maccagnani (meios-sopranos), Cesare
Valletti (tenor), Leonard Warren (barítono), Astrid Varnay (soprano),
Raymond Keast (baixo-barítono)
RCA Victor Orchestra
Pierre Monteux
Testament SBT21369

Richard Wagner
Der Ring des Nibelungen.
H. Uhde (barítono), I. Malaniuk, H. Töpper (meios-sopranos), G. Treptow,
M. Lorenz, W. Windgassen (tenores), A. Varnay, I. Borkh (sopranos),
H. Hotter, G. Neidlinger (baixos-barítonos)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Joseph Keilberth
Archipel ARPCD0113

Richard Wagner
Der Ring des Nibelungen.
H. Hotter, G. Neidlinger (baixos-barítonos), I. Malaniuk, H. Plümacher
(contraltos), E. Witte, P. Kuen, G. Stolze, W. Windgassen (tenores),
B. Falcon, A. Varnay, B. Friedland, R. Streich (sopranos)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Clemens Krauss
Archipel ARPCD0250

Richard Wagner
Lohengrin.
Wolfgang Windgassen (tenor), Birgit Nilsson (soprano), Astrid Varnay
(meio-soprano), Hermann Uhde, Dietrich Fischer-Dieskau (barítonos),
Theo Adam (baixo-barítono)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Eugen Jochum
Archipel ARPCD0281


Internet

Astrid Varnay
Astrid Varnay / Wikipedia / Astrid Varnay - The Final Conversation / Astrid Varnay Remembers Birgit Nilsson

08/03/2007

Maestros #30: Thomas Beecham (1879-1961)

O maestro inglês Thomas Beecham (1879-1961) não se limitou a reger orquestras fundadas por outros, tendo ele mesmo tomado a iniciativa de criar várias (nada mau, para um maestro autodidacta!...): em 1915, a Beecham Opera Company; em 1932, a Orquestra Filarmónica de Londres; e, em 1946, a Orquestra Filarmónica Real. Ao contrário das outras, a Beecham Opera Company não teve vida longa; o facto de Beecham ter mantido em paralelo a direcção de récitas no Covent Garden gerou diversos conflitos, que terminariam com o fim da sua companhia em 1920. A Beecham Opera Company acabaria por dar origem à British National Opera Company. Que também não durou muito, convenhamos: a primeira récita teve lugar em Fevereiro de 1922, a última cerca de 7 anos depois, em Abril de 1929.

E, continuando à volta das iniciativas de Beecham, refira-se que se lhe deveu a primeira apresentação de Sergei Diaghilev (1872-1929) em Inglaterra quando, em 1914, Beecham lá organizou duas épocas de ópera e bailado russos. Ao longo de uma longa carreira, que se estendeu desde 1899, quando deu o primeiro concerto, até 1960, data do último, Beecham notabilizou-se em vários compositores: Handel (1685-1759), Haydn (1732-1809), Puccini (1858-1924), Sibelius (1865-1957) e Strauss (1864-1949), apenas para referir alguns e assim evitar uma extensa lista. Mas houve 2 compositores onde Beecham se destacou particularmente, não só pelo brilho que atingiu na interpretação das suas obras, mas também pela divulgação que lhes deu, numa época em que estavam muito longe de usufruir da popularidade de hoje: Frederick Delius (1862-1934), conforme já aqui
anteriormente referimos, e Hector Berlioz (1803-1869).

E depois possuía um sentido de humor aguçado, que o levava, por exemplo, a dirigir-se a uma violoncelista durante um ensaio nestes termos: "Minha senhora, tem entre as pernas um instrumento capaz de dar prazer a milhares de pessoas, e tudo o que consegue fazer é arranhá-lo"...

Thomas Beecham faleceu há 46 anos, no dia 8 de Março de 1961.


CDs





Hector Berlioz
Grande messe des morts, Op.5.
Royal Philharmonic Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4011-2

Hector Berlioz
Harold in Italy, Op.16. Le corsaire - overture, Op.21.
King Lear - overture, Op.4. Trojan March.
Frederick Riddle (alto)
Royal Philharmonic Orchestra
BBC Symphony Orchestra
BBC Legends BBCL4065-2

Hector Berlioz
Les Troyens.
M. Ferrer, Y. Cork (meios-sopranos), J. Giraudeau, I. Joachim,
M. Breaneze (sopranos), C. Cambon (baixo), C. Paul, E. Franck (barítonos)
BBC Theatre Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Malibran-Music CDRG162

Sir Thomas Beecham conducts Berlioz
Overtures from Le Carnaval Romain, King Lear, Waverley,
Les Francs-Juges and Le Corsaire.
Overture and March from Les Troyens.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SMK89807

The RPO Legacy, Volume 5.
Beecham conducts Haydn, Dvorák, Berlioz, Liszt, Paisiello.
Royal Philharmonic Orchestra
Dutton Laboratories 2CDEA5026

Frederick Delius
Orchestral Works, Volume 3.
Brigg Fair (An English Rhapsody). Koanga: La Calinda (arr. Fenby).
Hassan: Closing Scene. Irmelin Prelude.
Appalachia (Variations on an Old Slave Song).
Jan van der Gucht (tenor)
BBC Chorus
Royal Opera House Chorus
London Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Naxos Historical 8.110906

Frederick Delius
A Mass of Life.
Rosina Raisbeck (sop), Monica Sinclair (contralto), Charles Craig (tenor),
Bruce Boyce (barítono)
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SM2K89432

Frederick Delius
Floria Suite. Over the Hills and Far Away. Songs of Sunset.
Maureen Forrester (contralto), John Cameron (barítono)
Beecham Choral Society
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
EMI British Composers 5 75788-2

The Beecham Collection
Frederick Delius

A Village Romeo and Juliet, RTI/6. Songs of Sunset, RTII/5.
R. Soames (tenor), V. Terry, S. Hambleton, M. Davies, O. Haley (sopranos),
F. Smith, F. Sharp, R. Henderson (barítonos)
London Select Chorus
BBC Theatre Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Somm-Beecham 12-2

Sir Thomas Beecham conducts Delius
North Country Sketches. In a Summer Garden. Appalachia.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SMK89429

Internet

Thomas Beecham
Wikipedia
/ Quotes / Sir Thomas Beecham / Thomas Beecham (Conductor)

25/01/2007

Obras Orquestrais #13: Metamorphosen, de Richard Strauss

Os ataques levados a cabo pelas forças aéreas inglesa (RAF) e americana (USAAF) nos dias 14 e 15 de Fevereio de 1945 sobre a capital da Saxónia, Dresden, ainda hoje estão envoltos em controvérsia. Resultaram na destruição quase total da cidade e na morte estimada de várias dezenas de milhares de pessoas, cenário este que inspirou o compositor alemão Richard Strauss (1864-1949) a escrever Metamorphosen, uma das suas últimas obras. Encomendada por Paul Sacher, de quem já se falou neste texto, foi também por este estreada em Zurique, a 25 de Janeiro de 1946.



Escrita para 23 cordas, dela foi também feita por Strauss uma versão reduzida para septeto de cordas, menos popular, apenas em 1994 foi ouvida pela primeira vez.


CDs



Richard Wagner
Tristan und Isolde - Vorspiel. Parsifal - Karfreitagszauber.
Richard Strauss
Tod und Verklarüng, Op.24. Symphonische Dichtung, Op.24. Metamorphosen.
London Philharmonic Orchestra
Bamberger Symphoniker
Clemens Krauss
Preiser Records PR90499

Richard Strauss
Metamorphosen.
Richard Wagner
Siegfried Idyll
Gustav Mahler
Symphony No.9.
Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer
EMI 5 67036-2

Richard Strauss
Tod und Verklarüng, Op.24. Metamorphosen. Four Last Songs.
Gundula Janowitz
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 447 422-2

Richard Strauss
Tone Poems & Concertos.
Staatskapelle Dresden
Rudolf Kempe
EMI 5 73614-2 (9 CDs)

Richard Strauss
Metamorphosen.
Gustav Mahler
Symphony No.9.
Wiener Philharmoniker
Simon Rattle
EMI 5 56580-2

25/09/2006

SACDs #10: Sibelius, Symphonies Nos.3 & 7

Os Concertos Promenade nasceram de uma ideia do empresário Robert Newman, que pretendia que, no seu início, eles fossem populares, porque popular seria a música apresentada para, aos poucos, irem introduzindo obras mais difíceis e, desse modo, criar um público para a música clássica. A Henry Wood (1869-1944) coube a responsabilidade de ser o maestro principal desses concertos, função que desempenhou até Julho de 1944. O primeiro concerto teve lugar no dia 10 de Agosto de 1895 e, duas décadas e meia depois, já por lá tinham passado obras de Claude Debussy (1862-1918), Sergei Rachmaninov (1873-1943), Maurice Ravel (1875-1937), Richard Strauss (1864-1949) e Vaughan Williams (1872-1958), resultado dos objectivos inicialmente traçados.

Em 1901, houve um outro compositor que viu uma obra sua ser interpretada nos Proms: o finlandês Jean Sibelius (1865-1957), com a suite orquestral King Christian II. É que, por essa altura, Sibelius gozava já de uma óptima reputação, fruto de algumas obras de sucesso que já tinha composto, com particular destaque para Finlandia, escrita em 1900.

A obra seguinte, a Sinfonia Nº2, foi entendida pelos seus compatriotas como um hino contra o opressor (na altura a Finlândia não era um país independente, estando reduzida a uma província do império russo), ficando mesmo conhecida na altura como a "Sinfonia da Libertação". Tanto quanto se sabe, nunca foi essa a intenção do compositor... A sinfonia que se seguiu foi de gestação longa, composta entre 1904 e 1907, e dedicada ao compositor inglês e um dos primeiros promotores da sua música, Granville Bantock (1868-1946). Ao contrário das tendências do romantismo (tardio) da época, com obras que exigiam grandes orquestras, Sibelius escreveu uma sinfonia sóbria, num estilo próximo do clássico, para uma orquestra de proporções razoáveis, que Beethoven certamente não estranharia... A Sinfonia Nº3 foi estreada em Helsínquia pelo próprio compositor, no dia 25 de Setembro de 1907.




Jean Sibelius
Symphony No.3. Symphony No.7.
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO0051 (CD) / LSO0552 (SACD)
(2003)


Internet

Jean Sibelius
Jean Sibelius - The website
/ Classical.net / Sibelius - Finland's voice in the world / Classical Music Pages

Proms
History of the Proms / Wikipedia

31/07/2006

CDs #89: Liszt, Symphonic Poems, Vol.1

Em Outubro do ano passado, quando falámos por aqui de um disco com obras do compositor húngaro Franz Liszt (1811-1886), referimos o facto de o período que ele passou como Kapellmeister em Weimar ter sido o mais produtivo da sua vida. Datam dessa época, nomeadamente, a Sonata para Piano em si menor, a Sinfonia Fausto, baseada na Divina Comédia de Dante (1265-1321), dois Concertos para Piano e 12 Poemas Sinfónicos.

Estes últimos foram escritos no espaço de uma década, entre 1848 e 1858, e a designação foi dada pelo próprio Liszt a estas obras orquestrais de um único movimento, inspiradas noutras formas artísticas, como a poesia ou a pintura, ou mesmo por lendas ou factos históricos. Tal pode ser constatado de imediato pelos nomes que deu a alguns desses poemas sinfónicos: Les Préludes, Orpheus, Tasso, Mazeppa, Prometheus, Festklänge, Hungaria, Heroïde funèbre, Ce qu'on entend sur la montagne, Die Ideale, Hunnenschalacht e Hamlet.

Liszt não terá sido o inventor dos poemas sinfónicos, mas foi certamente o primeiro a dar-lhes um especial relevo, posteriormente reforçado por compositores como Piotr Ilyich Tchaikovsky
(1840-1893), Bedrich Smetana (1824-1884), Camille Saint-Saëns (1835-1921) e, principalmente, Richard Strauss (1864-1949).

Ce qu'on entend sur la montagne foi o primeiro poema sinfónico que escreveu, entre 1848 e 1849. O mais popular de todos foi desde sempre o terceiro que compôs, Les Préludes que, todavia, nasceu de roupagem diferente. Na realidade começou por ser, aí por volta de 1844, o movimento introdutório daquilo que pretendia que viesse a ser uma obra coral baseada em 4 poemas do poeta francês Joseph Autran (1813-1877), e que se chamaria Les Quatre Elements. Liszt não viria a terminá-la e, em 1854, a referida introdução ganharia vida e nome próprios, este baseado numa ode de um outro poeta francês, Alphonse de Lamartine (1790-1869):

"What else is our life than a series of preludes to an unknown song, whose first and solemn notes are sounded by death?"

Franz Liszt faleceu há 120 anos, no dia 31 de Julho de 1886.




Franz Liszt
Symphonic Poems, Volume 1.
Ce qu'on entend sur la montagne, S95.
Tasso: Lamento e Trionfo, S96.
Les Préludes, S97.
Orpheus, S98.
BBC Philharmonic Orchestra
Gianandrea Noseda
Chandos CHAN10341
(2004)


Internet

Franz Liszt
Wikipedia
/ Classical Music Pages / The Franz Liszt Site

11/06/2006

Poemas Sinfónicos #2: Also sprach Zarathustra, Richard Strauss

Richard Strauss (1864-1949), o último dos românticos, foi o primeiro a utilizar o termo poema sinfónico. Foi aliás com um, composto em 1886 e estreado no ano seguinte, Aus Italien, que começou por chamar a atenção do público, até pela controvérsia que levantou.


Richard Strauss

Seria ainda a estreia de um outro poema sinfónico, Don Juan, que levaria Strauss a ser considerado o sucessor de Wagner como o mais representativo compositor alemão. Aquele que trazemos aqui hoje, em que se assinalam os 142 anos passados sobre o nascimento de Richard Strauss, tem uma história singular. Um filme, um extraordinário filme, fez dos primeiros cento e poucos segundos do poema sinfónico Also sprach Zarathustra um dos trechos musicais mais conhecidos de todos os tempos, de tal forma que muitos desconhecem em absoluto os outros 34 minutos que se seguem...



O filme, 2001: Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick (1928-1999), já tem quase 40 anos, mas aquele nascer do Sol ao som da música de Strauss ficará para sempre nas nossas memórias.


CDs



Richard Strauss
Also sprach Zarathustra. Horn Concerto No.2. Vier letzte Lieder.
Don Juan. Till Eulenspiegels lustige Streiche. Ein Heldenleben.
Norbert Hauptmann, horn
Gundula Janowitz, soprano
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 469 208-2

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra. Don Juan. Salome. Till Eulenspiegels lustige Streich.
Wiener Philharmoniker
Herbert von Karajan
Decca 466 388-2

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra. Don Juan. Four Last Songs.
Lucia Popp, soprano
London Philharmonic Orchestra
Klaus Tennstedt
EMI Seraphim 73560-2