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28/03/2010

Maestros #51: Willem Mengelberg (1871-1951)

Um dos primeiros discos que aqui trouxe, no já longínquo mês de Setembro de 2004, ofereceu-nos a Sinfonia Nº2 de Johannes Brahms (1833-1897) interpretada pela Orquestra do Concertgebouw, de Amesterdão, dirigida pelo maestro Willem Mengelberg. Nessa altura prometi que voltaria a este maestro holandês, promessa hoje cumprida, 5 anos e meio depois; mais vale tarde do que nunca...

Mengelberg foi director musical da principal orquestra de Amesterdão durante 50 anos, entre 1895 e 1945, num exemplo pouco habitual de longevidade. E só não se aguentou mais tempo nessa posição porque foi de lá corrido mal a 2ª Grande Guerra terminou, por suspeitas de menor antipatia para com os invasores nazis durante a ocupação da Holanda. Da proibição inicial de voltar a trabalhar no país natal passou-se para uma pena de 6 anos, após recursos interpostos pelos seus advogados, só que Mengelberg, que tinha passado a residir na Suíça, faleceu 2 meses antes da sentença estar cumprida.

Pelo caminho, e de novo de volta às questões musicais, tornou-se amigo e grande intérprete das obras de um dos meus compositores de eleição, Gustav Mahler (1860-1911), e estreou obras de alguns dos mais importantes compositores do século XX, como Paul Hindemith (1895-1935), Béla Bartók (1881-1945), Darius Milhaud (1892-1974) e Ottorino Respighi (1879-1936). A importância do papel que teve no mundo da música atesta-se ainda pelo facto de o compositor Richard Strauss (1864-1949) lhe ter dedicado um dos seus poemas sinfónicos, Ein Heldenleben.

Willem Mengelberg nasceu há 139 anos, no dia 28 de Março de 1871.


CDs




Johannes Brahms
Symphonies - No.2 in D, Op.73; No.4 in E minor, Op.98.
Concertgebouw Orchestra
Willem Mengelberg
Teldec 0927 42662-2

Christoph Willibald Gluck
Alceste - Overture.
Franz Schubert
Rosamunde, D797 - Overture. Symphony No.9 in C major, 'Great', D944.
Concertgebouw Orchestra
Willem Mengelberg
Opus Kura OPK2071
(1935, 1938, 1942)

Luigi Cherubini
Anacreón Overture.
Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, Op.104.
César Franck
Symphony in D minor.
Paul Tortelier (violoncelo)
French Radio National Orchestra
Willem Mengelberg
Malibran Music CDRG188
(1944)

Hector Berlioz
La Carnaval Romain Overture, Op.9.
Frédéric Chopin
Piano Concerto No.2 in F minor, Op.21.
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.6 in B minor, Op.74, 'Pathétique'.
Alfred Cortot (piano)
French Radio National Orchestra
Willem Mengelberg
Malibran Music CDRG189
(1944)


Internet



Willem Mengelberg
Bach Cantatas Website / Discography of Willem Mengelberg / Classical Notes / Naxos / Answers.com / Wikipedia

16/11/2007

CDs #141: Paul Hindemith performs Hindemith

Entre 1934 e 1935 o compositor alemão Paul Hindemith (1895-1963) andou às voltas com a ópera Mathis der Maler. Ele mesmo escreveu o libreto, numa aventura literária inédita para Hindemith, até aí não muito dado às coisas da escrita. Os nazis, por seu lado, não eram muito dados às modernidades musicais, sendo especialmente adversos a tudo o que fosse atonal. Daí até perseguirem Hindemith e apelidarem-no de bolchevique atonal foi um pequeno passo; do restante caminhar resultou, por exemplo, a proibição da ópera, que apenas iria ser estreada em Maio de 1938, e em Zurique.

Como é sabido, Hindemith extraiu uma sinfonia dessa ópera, obra de que já aqui anteriormente falámos.
Há boas razões para acreditar que dessa ópera não resultou apenas a extracção de uma sinfonia; na verdade, logo de seguida o compositor começou a trabalhar no Concerto para Viola e Pequena Orquestra, Der Schwanendreher, e onde utilizou algumas das melodias populares que tinha recolhido aquando do trabalho de investigação efectuado para Mathis der Maler. Hindemith, para justificar a introdução de tais melodias, deu um argumento à obra: um tocador de rabeca (instrumento medieval, antecessor do violino), em aprazível companhia, toca as músicas que foi ouvindo durante as suas viagens, "ornamentando e improvisando de acordo com as suas capacidades", nas palavras do próprio Hindemith. A estreia teve lugar em 1935 no Concertgebouw, em Amesterdão, com a orquestra de câmara (desprovida de violinos e violas) dirigida pelo maestro holandês Willem Mengelberg (1871-1951).

Neste CD a direcção da orquestra está a cargo do próprio Hindemith, que ainda toca a viola, e de quem hoje se assinala o 112º aniversário do nascimento.




Paul Hindemith performs Hindemith
Symphony: Mathis der Maler.
Der Schwanendreher, Concerto for Viola and Small Orchestra.
Violin Concerto.
Paul Hindemith (viola), Henry Merckel (violino)
Berlin Philharmonic Orchestra, Arthur Fiedler's Sinfonietta
Paul Hindemith
Orchestre de l'Association des Concerts Lamoureux
Roger Désormière
Dutton CDBP 9767


Internet

Paul Hindemith
Hindemith Foundation / Wikipedia / Classical Music Pages / Classical Net / Naxos

03/11/2006

Orquestras #1: Royal Concertgebouw Orchestra

Quando comecei a dar mais atenção à música clássica desenvolvi uma admiração particular pela Orquestra do Concertgebouw, Amesterdão, na altura dirigida por Bernard Haitink (1929-).

Para tal terá provavelmente contribuído o facto de, ao longo de mais de um século, a orquestra se ter especializado em dois dos meus compositores predilectos: Anton Bruckner (1824-1896) e Gustav Mahler (1860-1911), sinfonistas de eleição.



Fundada em 1888, a Orquestra do Concertgebouw teve o seu concerto de estreia há 118 anos, no dia 3 de Novembro de 1888. Contam-se pelos dedos das mãos, e não é preciso tê-los todos..., os maestros principais que teve desde a sua fundação: Willem Kes, entre 1888 e 1895, Willem Mengelberg, entre 1895 e 1945, Eduard van Beinum, entre 1945 e 1959, Bernard Haitink, entre 1963 e 1988, Riccardo Chailly, entre 1988 e 2004, e Mariss Jansons, desde 2004.



Durante 75 anos esta orquestra apenas teve maestros principais de nacionalidade holandesa, hegemonia quebrada pelo italiano Riccardo Chailly. Pelos vistos apanharam-lhe o gosto, tendo, da última vez, optado por um letão...


CDs






Ludwig van Beethoven
Piano Concertos No.1 in C minor, Op.15; No.2 in B flat major, Op.19;
No.3 in C minor, Op.37; No.4 in G, Op.58; No.5 in flat major, 'Emperor, Op.73.
32 Piano Variations in C minor on an original theme, WoO80.
Mitsuko Uchida (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Kurt Sanderling
Philips 475 675-7

Ludwig van Beethoven
Piano Concertos No.4 in G, Op.58 & No.5 in E flat, 'Emperor', Op.73.
Murray Perahia (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink
Sony Theta SMK89711

Ludwig van Beethoven
Symphonies No.3 in E flat, 'Eroica', Op.55 & No.5 in C minor, Op.67.
Concertgebouw Orchestra
Erich Kleiber
Decca Legends 467 125-2

Johannes Brahms
Piano Concertos No.1 in D minor, Op.15 & No.2 in B flat major, Op.83.
Rudolf Buchbinder (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra
Nikolaus Harnoncourt
Teldec 8573 80212-2

Johannes Brahms
Symphonies No.2 in D, Op.73 & No.4 in E minor, Op.98.
Concertgebouw Orchestra
Willem Mengelberg
Teldec 0927-42662-2

Claude Debussy
3 Nocturnes. Jeux.
Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink
Philips 476 260-4

Claude Debussy
Berceuse Heroique. Images. Jeux. Marche écossaise. Nocturnes. La Mer.
Prélude à l'après-midi d'un faune. Première Rhapsodie.
Danses for Harp and Orchestra.
George Pieterson (clarinete), Vera Badings (harpa)
Royal Concertgebouw Orchestra
Eduard van Beinum, Bernard Haitink
Philips 438 742-2

Antonín Dvorák
Piano Concerto in G minor, B63. The Golden Spinning Wheel, B197.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra
Nikolaus Harnoncourt
Teldec 8573 87630-2

Antonín Dvorák
Symphonic Poems: The Golden Spinning Wheel; The Noonday Witch;
The Water Goblin; The Wild Dove.
Royal Concertgebouw Orchestra
Nikolaus Harnoncourt
Teldec 2564 60221-2

Antonín Dvorák
Symphony No.9 in E minor, 'From the New World', Op.95. The Water Goblin, Op.107.
Royal Concertgebouw Orchestra
Nikolaus Harnoncourt
Teldec 3984 25254-2

Ruggiero Leoncavallo
I Pagliacci.
J. Cura, C. Castronovo, A. Folea (tenores), B. Fritolli (soprano),
C. Alvarez, S. Keenlyside (barítonos), J. Alders (baixo)
Netherlands Radio Choir
Royal Concertgebouw Orchestra
Riccardo Chailly
Decca 467 086-2

Gustav Mahler
Symphony No.1 in D.
Alban Berg
Piano Sonata, Op.1 (orquestração de Theo Verbey).
Royal Concertgebouw Orchestra
Riccardo Chailly
Decca 448 813-2

Sergei Rachmaninov
Piano Concerto No.3 in D minor, Op.30.
Vladimir Ashkenazy (piano)
Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink
Decca 417 239-2

Sergei Rachmaninov
Symphonies No.1 in D minor, Op.13; No.2 in E minor, Op.27 &
No.3 in A minor, Op.44.
Concertgebouw Orchestra
Vladimir Ashkenazy
Decca 448 116-2

Richard Strauss
Ein Heldenleben, Op.40. Tod und Verklarung, Op.24.
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink
Philips 50 Great Recordings 464 743-2


Internet

Royal Concertgebouw Orchestra
Koninklijk Concertgebouworkest
/ História

07/07/2006

CDs #87: Mahler, Symphony No.8

"Esta sinfonia é um dom à nação. Todas as anteriores não passavam de prelúdios a ela: as minhas outras obras são trágicas e subjectivas, esta é uma imensa dispensadora de alegria". A frase é de Gustav Mahler (1860-1911), numa carta de 1906 dirigida ao seu amigo Richard Specht (1870-1932). Nesse mesmo ano escreveu a um outro amigo seu, o maestro Willem Mengelberg (1871-1951): "Acabei de terminar a minha 8ª - é a maior obra que escrevi até hoje". A satisfação é evidente, e o compositor tinha boas razões para tal, ou não tivesse esta sinfonia, estreada pelo próprio no dia 12 de Setembro de 1910, representado o seu maior sucesso até à data.

Num relativo curto espaço de tempo, entre 1899 e 1907, Mahler escreveu 5 sinfonias. A última dessas, a , resultou de um período particularmente criativo, e foi esboçada em apenas 3 semanas. Já aqui
referimos anteriormente, a propósito de um outro disco, que a representou um regresso às sinfonias vocais, neste caso moldada ao texto de Fausto, de Goethe (1749-1832). Isto no segundo andamento, pois para o primeiro Mahler inspirou-se no hino Veni, creator spiritus, do monge beneditino e teólogo Raban Maur (748-856).

Nesta obra, Mahler deu um relevo especial à voz, inédito em obras sinfónicas. É dele próprio a explicação: "as vozes são usadas como instrumentos". Como já alguém (1) escreveu, estamos perante uma sinfonia para solistas, coros e orquestra, e não uma sinfonia com solistas e coros.

Gustav Mahler nasceu há 146 anos, no dia 7 de Julho de 1860.

O disco aqui referenciado hoje tem excelentes interpretações do notável grupo de solistas, e conta com o maestro Simon Rattle à frente da Orquestra Sinfónica da Cidade de Birmingham
. Orquestra que ele abandonou para tomar conta dos destinos da Orquestra Filarmónica de Berlim, onde sucedeu ao italiano Claudio Abbado (1933-).




Gustav Mahler
Symphony No.8 in E flat.
Christine Brewer, Soile Isokoski, Juliane Banse (sopranos), Birgit
Remmert, Jane Henschel (meios-sopranos), Jon Villars (tenor), David
Wilson-Johnson (barítono), John Relyea (baixo)
City of Birmingham Symphony Chorus
London Symphony Chorus
City of Birmingham Symphony Youth Chorus
Toronto Children's Chorus
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI 5 57945-2
(2004)


Internet

Gustav Mahler
bbc.co.uk
/ Une Discographie de Gustav Mahler / Classical Music Pages / Wikipedia

Simon Rattle
Calouste Gulbenkian Foundation / Official Website / Wikipedia


(1) Guia da Música Sinfónica, de François-René Tranchefort

25/11/2004

Músicos #2: Myra Hess (1890-1965)

Os intérpretes estiveram até agora ausentes do desNorte, algo que carecia de ser rapidamente corrigido. Aproveito então o 39º aniversário do falecimento da extraordinária pianista inglesa Myra Hess, que hoje se assinala, para começar a colmatar essa falha.


Myra Hess

Nascida em Londres a 25 de Fevereiro de 1890, aos 5 anos já tocava os primeiros acordes no piano, aos 7 estudava na Guildhall School of Music
, passando posteriormente para a Royal Academy of Music, onde foi aluna de Tobias Matthay.

A estreia aconteceu em Londres em 1907, tinha Myra Hess 17 anos, com Thomas Beecham (1879-1961) à frente da orquestra. A obra escolhida foi o Concerto para Piano Nº4 de Ludwig van Beethoven (1770-1827).

Aos 18 anos escreveu um ensaio a que chamou Como tocar Beethoven, o que surpreendeu os meios musicais londrinos, não habituados a semelhantes audácias juvenis...

Houve dois momentos cruciais que catapultaram a sua carreira: em Fevereiro de 1912 interpretou o Concerto para Piano de Schumann em Amesterdão, com a Concertgebouw Orchestra dirigida por Willem Mengelberg (1871-1951), e em 1922 deu o seu primeiro concerto em Nova Iorque, que resultou num sucesso estrondoso.

O seu repertório, inicialmente muito vasto, foi reduzido ao longo do tempo, acabando por se concentrar num pequeno número de compositores, entre os quais Beethoven, Mozart e Schumann. As suas interpretações de Schumann foram particularmente apreciadas, e hoje temos a felicidade de as poder saborear através de algumas gravações disponíveis no mercado (ver lista mais abaixo).

Ao longo da sua carreira tocou com alguns dos mais conceituados músicos, formando uma lista notável: Ernest Ansermet (de que falei no post do dia 11 de Novembro), Thomas Beecham, Adrian Boult, Pablo Casals, Serge Koussevitsky, Willem Mengelberg, Dimitri Mitropoulos, Isaac Stern, Leopold Stokowski, Arturo Toscanini, Bruno Walter.




Durante a II Guerra Mundial Myra Hess organizou uma série de recitais à hora de almoço na National Gallery
, em Londres. Foram mais de 1300 os concertos efectuados, que não foram interrompidos mesmo quando Londres estava a ser bombardeada, e que lhe valeram ter sido nomeada Dama do Império Britânico. Grande senhora, grandes audições!


CDs



The Complete Pre-war Schumann Recordings.
Myra Hess, piano
Orquestra, Walter Goehr
Naxos Historical 8.110604

Beethoven. Wagner.
Myra Hess (piano)
NBC Symphony Orchestra, Arturo Toscanini
Naxos Historical 8.110804

Live Recordings from the University of Illinois, 1949.
Brahms. Chopin. Schubert. Scarlatti.
Myra Hess, piano
APR APR5520


Internet