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04/03/2012

Maestros #55: Bernard Haitink (1929-)

Em Agosto de 2005 tive a oportunidade de assistir a um concerto na Casa da Música em que a Orquestra de Jovens da União Europeia, sob a regência do maestro holandês Bernard Haitink, interpretou a Sinfonia Nº7 do compositor Gustav Mahler (1860-1911). Na altura referi o meu especial apreço por este maestro, em particular pelas suas interpretações das obras de dois dos maiores sinfonistas de todos os tempos, os austríacos Gustav Mahler e Anton Bruckner (1824-1896).

Quando me comecei a interessar mais por estas coisas da música Haitink era o maestro principal da Royal Concertgebouw Orchestra, de Amesterdão, posto que ocupou entre 1964 e 1988. Curiosamente, o fim dessa relação esteve relacionado com a decisão do governo holandês de cortar parte dos subsídios atribuídos à orquestra e que, na opinião do maestro, iriam colocar em causa a qualidade da mesma; em desacordo com a decisão Haitink pôs-se a andar, e só uns bons anos mais tarde voltaria a dirigi-la. Se por cá os nossos responsáveis, em face da situação que vivemos, decidirem tomar decisões semelhantes, vamos registar uma emigração cultural com uma dimensão nunca anteriormente vista...

Bernard Haitink nasceu há 83 anos, no dia 4 de Março de 1929. Por coincidência, foi também num dia 4 de Março, mas do ano de 1895, que Gustav Mahler, conduzindo a Orquestra Filarmónica de Berlim, estreou os 3 primeiros andamentos da Sinfonia Nº2, a primeira a incluir vozes. Um dia hei-de aqui voltar a esta sinfonia e à sua atribulada gestação, que incluiu a apresentação ao piano feita pelo próprio Mahler ao reputado maestro Hans von Bülow (1830-1894), e em que este passou o tempo com os dedos enfiados nos ouvidos...


CD



Gustav Mahler
Symphony No.2 in C minor, 'Resurrection'.
Miah Persson (soprano), Christianne Stotijn (meio-soprano)
Chicago Symphony Chorus
Chicago Symphony Orchestra
Bernard Haitink
CSO Resound CSOR901 916
(2009)


Internet



Bernard Haitink
allmusic / Chicago Symphony Orchestra / The Guardian / Askonas Holt / Fundação Calouste Gulbenkian / The New York Times / The Telegraph / ArkivMusic / Chicago Sun-Times / Wikipedia

02/12/2008

CDs #190: Brahms, Violin Sonatas 1-3

Dada a dificuldade em obter um emprego estável na sua cidade natal, Hamburgo, em 1862 o compositor Johannes Brahms (1833-1897) decidiu mudar-se para Viena, onde havia mais perspectivas de encontrar um posto adequado. E a verdade é que foi lá recebido calorosamente, entre outros pelo temido crítico musical Eduard Hanslick (1825-1904). Aquele mesmo que, poucos anos depois, iria andar às turras com Richard Wagner (1813-1883)... Por coincidência, ou talvez não, a produção de música de câmara de Brahms apenas começou a ganhar relevo a partir de 1862, portanto após a mudança para a capital austríaca.

As Sonatas para Violino apareceriam bastante mais tarde, com a primeira a ser composta em 1879, tinha já o compositor 46 anos. A estreia teve lugar no dia 20 de Novembro desse ano, com Brahms ao piano e o violino a cargo de Josef Hellmesberger (1828-1893). O seu grande promotor, contudo, viria a ser um já nosso bem conhecido, o pianista (e maestro) Hans von Bülow (1830-1894). Passariam vários anos até que Brahms concluísse outra sonata para violino, o que viria a acontecer no Verão de 1886. A estreia pública, a 2 de Dezembro desse ano, passam hoje 122 anos, encontrou os mesmos intérpretes: Brahms e Hellmesberger. Nesse mesmo ano o compositor iniciou a escrita daquela que viria a ser a sua e última sonata para violino, e viria a concluí-la no Verão de 1888, tendo-a dedicado ao amigo Hans von Bülow.

Este disco apresenta-nos as 3 sonatas para violino de Johannes Brahms, com a interpretações a cargo do violinista Renaud Capuçon (1976-) e do pianista Nicholas Angelich (1970-). Refira-se que Renaud Capuçon tem estado particularmente activo, nomeadamente em várias gravações, algumas delas com o seu irmão, o violoncelista Gautier Capuçon (1981-), e que no passado tocou e gravou com a nossa Maria João Pires (1944-). Um homem da casa.




Johannes Brahms
Violin Sonata No.1 in G major, Op.78.
Violin Sonata No.2 in A major, Op.100.
Violin Sonata No.3 in C minor, Op.108.
Renaud Capuçon (vn), Thomas Angelich (piano)
Virgin Classics 5 45731-2
(2005)


Internet

Johannes Brahms
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09/11/2008

Concertos para Piano #10: Concerto para Piano Nº2, de Johannes Brahms

A importância do alemão Johannes Brahms (1833-1897) no mundo da música está patente, entre outras coisas, na sua inclusão nos famosos "3 Bs": Bach (1685-1750), Beethoven (1770-1827) e Brahms. O seu nome aparece também amiúde ligado ao de Beethoven pelo facto de Brahms ter sido o mais clássico dos românticos, tendo o já nosso bem conhecido Hans von Bülow (1830-1894) chegado a apelidar a 1ª Sinfonia de Brahms de "10ª Sinfonia de Beethoven".

Tais comparações, contudo, acabaram por atrapalhar de sobremaneira Brahms que, com apenas 20 anos e entusiasmado com os elogios de Robert Schumann (1810-1856), lançou-se na escrita do seu 1º Concerto para Piano; não passou muito tempo até que a euforia fosse substituída pela dúvida, inseguro como estava de que a obra não desmerecesse as do seu ilustre antecessor. Como resultado disso o concerto, iniciado em 1854, apenas seria dado por concluído em finais de 1858...

2 décadas mais tarde voltaria Brahms a compor um outro concerto para piano; era para ter sido um pouco antes, mas acabou por escrever primeiro o Concerto para Violino (único que compôs para este instrumento), e só mais tarde, em 1878, iniciaria então a escrita do Concerto para Piano Nº2. Brahms terminou-o em Julho de 1881 e a estreia, a 9 de Novembro desse ano e com o autor ao piano, foi um êxito enorme.


CDs





Johannes Brahms
Piano Concerto No.1 in D minor, Op.15.
Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.83.
Rudolf Buchbinder (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra
Nikolaus Harnoncourt
Teldec 8573-80212-2
(1998, 1999)

Johannes Brahms
Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.83.
Franz Schubert
Drei Klavierstücke, D946.
Claudio Arrau (piano)
Royal Scottish National Orchestra
Alexander Gibson
BBC Legends BBCL4125-2
(1959, 1063)

Johannes Brahms
Piano Concertos - No.1 in D minor, Op.15; No.2 in B flat major, Op.83.
Tragic Overture, Op.81. Academic Festival Overture, Op.80.
Variations on a Theme by Haydn.
Daniel Barenboim (piano)
Vienna Philharmonic Orchestra
John Barbirolli
EMI Classics 4 76939-2

Johannes Brahms
Piano Concerto No.1 in D minor, Op.15.
Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.83.
Nelson Freire (piano)
Gewandhausorchester Leipzig
Riccardo Chailly
Decca 475 7637
(2005, 2006)

Johannes Brahms
Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23.
Artur Rubinstein (piano)
London Symphony Orchestra
Albert Coates, John Barbirolli
Naxos Historical 8.111271
(1929, 1932)

Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.1 in C, Op.15. Piano Sonatas - No.12 in A flat,
'Funeral March', Op.26; No.22 in F, Op.54; No.23 in F minor, Op.57.
Johannes Brahms
Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83.
Sviatoslav Richter (piano)
Boston Symphony Orchestra, Charles Münch
Chicago Symphony Orchestra, Erich Leinsdorf
RCA Red Seal 74321 84605-2

The Art of Julius Katchen, Vol.3
Johannes Brahms
Piano Concerto No.1 in D minor, Op.15.
Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.83.
Robert Schumann
Piano Concerto. Fantasie in C.
Julius Katchen (piano)
London Symphony Orchestra
Pierre Monteux, János Ferencsik
Israel Philharmonic Orchestra
István Kertész
Decca 460 828-2

Artur Rubinstein Live in Warsaw
Frédéric Chopin
Piano Concerto No. 2 in F minor, Op.21.
Johannes Brahms
Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op.83.
Artur Rubinstein
Warsaw Philharmonic Orchestra
Witold Rowicki
Altara ALT1021
(1960)


Internet

Johannes Brahms
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10/06/2008

Sinfonias #28: Sinfonia Nº1, de Anton Bruckner

O dia 10 de Junho de 1865 foi marcante para Richard Wagner (1813-1882), pela estreia de Tristan und Isolde, mas foi-o também para o compositor austríaco Anton Bruckner (1824-1896) que, tendo assistido a essa estreia, desenvolveu uma admiração enorme pelo compositor alemão.

Nesse mesmo ano Bruckner começou a trabalhar naquela que seria a sua Sinfonia Nº1, que, apesar de ter levado essa numeração, não foi a sua primeira obra do género; antecederam-na a Sinfonia Nº0, "Die Nullte
", de 1863, e a Sinfonia Nº00, "Sinfonia Estudo", de 1864. A Sinfonia Nº1, pela altura em que foi escrita, mostra, naturalmente, óbvias influências de Wagner. Esta sinfonia, tal como aconteceu à maior parte das outras, viria mais tarde a ser revista pelo seu autor, eternamente indeciso quanto às suas próprias capacidades e à qualidade das suas obras; à versão original, a "de Linz", sucedeu a versão "de Viena", quando Bruckner a reviu em 1891.

Apesar de Hans von Bülow (1830-1894), pianista, maestro e professor (de, entre outros, Vianna da Motta), ter ficado deveras impressionado com os esboços desta sinfonia quando Bruckner lhos mostrou em Munique, em 1865, o compositor austríaco não conseguiu arranjar alguém que se dignasse tocá-la, pelo que foi ele mesmo a estreá-la, no dia 9 de Maio de 1868. Seria um dos últimos acontecimentos de relevo do "período Linz" de Bruckner que, no Verão desse ano, haveria de se mudar para Viena, para o último período da sua carreira.


CDs



Anton Bruckner
Symphony No.1 in C minor (1866 version).
Symphony No.3 in D minor - Bewegt, quasi Andante (1876 version).
Royal Scottish National Orchestra
Georg Tintner
Naxos 8.554430

Anton Bruckner
Symphony No.1 in C minor (1866 version).
Wiener Philharmoniker
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 453 415-2


Internet

Anton Bruckner
Tribute to Anton Bruckner
/ The Immortal Bruckner / Wikipedia / Classical Music Pages

Hans von Bülow
Naxos / Wikipedia

Vianna da Motta
Conservatório Nacional / Biography / Compositores Portugueses

04/11/2007

CDs #139: Barbirolli at the Proms

Em várias passagens da Sinfonia Nº1 do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897) ficamos com a sensação de estarmos a ouvir Beethoven, algo inesperado atendendo ao facto de Brahms ter pertencido ao período romântico. Só que Brahms foi o mais clássico dos compositores do romântico tardio, por isso muito admirado por aqueles que não se reviam nas modernices de Richard Wagner (1813-1883) e outros que tal. Os nossos ouvidos, portanto, não nos enganaram, quanto a isso podemos ficar sossegados; um já nosso bem conhecido, Hans von Bülow (1830-1894), chegou mesmo ao ponto de afirmar ser esta a "10ª de Beethoven"... Parece, aliás, que Brahms sentiu de sobremaneira a responsabilidade de ser considerado o sucessor de Ludwig van Beethoven (1770-1827), ao ponto de ter levado mais de 20 anos até se decidir a publicar a primeira sinfonia; na verdade, iniciou-a em 1855 mas apenas a terminou em 1876, tendo a estreia, consta que assim um bocado à experiência, ocorrido a 4 de Novembro de 1876, passam hoje 131 anos.

Em Agosto de 1954 o maestro inglês John Barbirolli (1899-1970) teve mais uma das suas vastas participações nos Concertos Promenade, e uma das obras em que nessa altura dirigiu a sua Hallé Orchestra foi precisamente a Sinfonia Nº1 de Brahms. A ligação de Barbirolli a estes concertos durou mais de 50 anos, tendo começado em 1916, como violoncelista da Queen's Hall Orchestra, e terminado apenas em 1969. Era suposto Barbirolli ter lá voltado em Agosto de 1970, mas faleceu em Julho.

Apesar de ter tocado muitas vezes Brahms durante os 27 anos em que esteve à frente da Hallé Orchestra, Barbirolli nunca gravou comercialmente a 1ª Sinfonia (o mesmo, aliás, se aplica à 2ª Sinfonia), o que só vem valorizar ainda mais esta gravação.




Joseph Haydn
Overture - The Uninhabited Island.
The Creation - In Native Worth.
Johannes Brahms
Symphony No.1 in C minor, Op.68.
David Galliver (tenor)
Hallé Orchestra
John Barbirolli
Guild GHCD 2320
(1954)


Internet

Johannes Brahms
Johannes Brahms WebSource / Essentials of Music / Classical Music Pages / Wikipedia / Naxos

20/09/2007

SACDs #13: Sibelius, Kullervo

O compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957), ao contrário de outros que por aqui já passaram, não foi um talento precoce com uma entrada antecipada no mundo da música, nem teve uma longa carreira dedicada à composição; bem pelo contrário, a sua última composição, A Tempestade, data de 1925 e, nos últimos 30 anos da sua vida, dedicou-se quase em exclusivo à revisão de uma parte das suas obras. Nada que abalasse a sua reputação do maior sinfonista finlandês, e um dos mais representativos da sua geração, contudo, pelo que pôde viver dos louros... e da pensão vitalícia que lhe tinha sido atribuída em 1897, evidentemente!

Depois de efectuados os primeiros estudos musicais em Helsínquia, na segunda metade da década de 1880, Sibelius prosseguiu-os em Berlim, cidade onde permaneceu entre 1889 e 1890, para estudar contraponto com o professor, e igualmente compositor, Albert Becker (1834-1899). Aí teve a oportunidade de assistir a concertos ao vivo com várias celebridades já nossas conhecidas, como Hans von Bülow (1830-1894) e Joseph Joachim (1831-1907), além de ter travado conhecimento com Ferruccio Busoni (1866-1924). Depois de uma breve estadia em Helsínquia, Sibelius iria assentar arraiais em Viena, onde viveria entre 1890 e 1891 para continuar os estudos musicais, primeiro com Karl Goldmark (1830-1915) e depois com Robert Fuchs (1847-1927).

Foi nessa cidade que, instado por Goldmark a investir mais nas suas composições, Sibelius começou magicar a Sinfonia Kullervo, obra que terminaria em Abril de 1892, já no seu país natal. Um misto de sinfonia, poema sinfónico e cantata, Kullervo baseia-se na epopeia nacional finlandesa Kalevala, compilada pela etnógrafo Elias Lönnrot (1802-1884). A estreia, a 28 de Abril de 1892, foi um sucesso, o primeiro de Sibelius que, contudo, nunca mais permitiu que a obra fosse interpretada. Tal só viria a acontecer na década seguinte à do seu falecimento, sem que, contudo, viesse a atingir a popularidade de outras obras do compositor. Irrelevante para este vosso amigo, claro, e fosse o CD um LP e já estaria assim para o transparente...

Hoje assinala-se o cinquentenário do falecimento de Jean Sibelius.




Jean Sibelius
Kullervo.
Peter Mattei (barítono), Monica Groop (meio-soprano)
Men of the London Symphony Chorus
London Symphony Orquestra
Colin Davis
LSO Live LSO0574
(2005)


Internet

Jean Sibelius
Jean Sibelius / Helsinki.fi / Kullervo by Jean Sibelius / Guardian / Virtual Finland / Classical Music Pages / Wikipedia / Jean Sibelius

21/03/2007

Sinfonias #21: Sinfonia Nº1, de Sergei Taneyev

Em 1874, após a célebre cena da recusa de Nikolai Rubinstein (1835-1881) em tocá-lo, acabou por caber a Hans von Bülow (1830-1894) a honra de estrear o Concerto para Piano e Orquestra Nº1 de Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893). Foi em Boston e no dia 25 de Outubro de 1875, e esta história já aqui foi contada há uns anitos. Esta acabou mesmo por ser a única obra para piano e orquestra de Tchaikovsky que não foi estreada pelo pianista Sergei Taneyev (1856-1915): o Concerto para Piano e Orquestra Nº2 foi por ele estreado no dia 11 de Março de 1881, e o Nº3 no dia 7 de Janeiro de 1895.

Taneyev não foi apenas um notabilíssimo pianista: foi também um reputado professor e um dos mais importantes compositores russos na viragem para o século XX. Relembro aquilo que dele disse o pianista Mikhail Pletnev (1957-): "(...) foi uma figura chave na história da música russa, o maior polifonista depois de Bach". Um pouco exagerado, talvez, mas revelador de uma admiração extrema por parte dum dos maiores pianistas do nosso tempo. Taneyev escreveu principalmente música de câmara; a sua obra mais conhecida, contudo, é uma ópera, Oresteya. Compôs também 4 sinfonias, das quais apenas a última foi publicada em vida do compositor, em 1901, o que levou a que, erradamente, seja ainda hoje por vezes identificada como a sua Sinfonia Nº1, Op.12. A Sinfonia Nº1 foi estreada no dia 21 de Março de 1898, passam hoje 109 anos. A verdadeira ou a falsa?!


Internet

Sergei Taneyev
Wikipedia / Sergey Ivanovich Taneyev / Naxos / allmusic / ANDaNTE

08/08/2006

Obras Orquestrais #10: Abertura 1812, Op. 49, de Tchaikovsky

Em 1874, o compositor russo Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) escreveu o seu Primeiro Concerto para Piano, cuja partitura pôs à consideração de Nikolai Rubinstein (1835-1881), com as consequências que são conhecidas (ver história detalhada aqui). O concerto acabaria por ser estreado por Hans von Bulöw (1830-1894), em Boston, no dia 25 de Outubro de 1875 e, algum tempo depois, Rubinstein reconsideraria a sua posição e viria mesmo a tornar-se num dos seus melhores intérpretes. Tocou-o em Paris em 1878, por exemplo, aquando dos Concertos Russos organizados no âmbito da Exposição Universal.

As coisas ter-se-ão composto entre os dois e, nos inícios da década de 1880, Rubinstein encomendou a Tchaikovsky uma obra destinada a uma de 3 ocasiões a escolher pelo compositor: a inauguração da Exposição Industrial e Artística, o 25º aniversário do reinado do czar Alexandre II (1818-1881) ou a consagração da Catedral de São Salvador, em Moscovo. Apesar de pouco convencido, Tchaikovsky decidiu-se pela exposição e, em carta enviada à sua protectora, Nadezhda von Meck (1831-1894), interrogou-se sobre o que tal obra poderia conter "para além de ruidosos lugares-comuns"...

Pois os lugares-comuns estão lá, desde logo com a citação de partes dos hinos russo e francês, e passando pela utilização de canhões e sinos, numa peça que, apesar de longe de se poder considerar sofisticada, não deixa de exibir as qualidades de orquestração de Tchaikovsky. A estreia teve lugar no dia 8 de Agosto de 1882, com o maestro Ippolit Altani (1859-1993) à frente da orquestra.


CDs



Tchaikovsky
1812 Overture, Op.49. Marche Slave, Op.31. Romeo and Juliet Overture.
Francesca da Rimini, Op.32. Eugene Onegin - Tatyana's Letter Scene.
Eilene Hannan (soprano)
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Sian Edwards
Classics for Pleasure 5 75667-2

Tchaikovsky
Capriccio Italien, Op.45. Marche Slave, Op.31. 1812 Overture, Op.49.
String Quartet No.1, Op.11 (arr. Serebrier). Fate, Op.77.
Bamberg Symphony Orchestra
José Serebrier
BIS CD-1283


Internet

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Tchaikovsky / Classical.net

17/02/2006

Maestros #22: Bruno Walter (1876-1962)

Gustav Mahler (1860-1911) escreveu das mais importantes páginas sinfónicas da história da música, constituindo as suas 10 sinfonias, compostas entre 1888 e 1910, um notável e doloroso documento de adeus ao romantismo. Das sinfonias de Mahler temos vindo a falar regularmente, já por aqui tendo passado a , a , a (1 e 2), a e a , mas hoje, dia em que passam 44 anos sobre a sua morte, queremos lembrar alguém que teve uma estreita relação com a música de Mahler e com o próprio compositor: Bruno Walter.

É conhecido o facto de Walter, pianista de formação, ter decidido enveredar pela carreira de maestro após assistir a concertos dirigidos por Hans von Bülow (1830-1894), bem como ter sido durante o funeral deste último que Mahler encontrou a inspiração para terminar a 2ª Sinfonia, em 1894. Nesse mesmo ano Bruno Walter teve a sua estreia à frente de uma orquestra, em Colónia. Seguir-se-ia a colaboração com Mahler, primeiro em Hamburgo, onde foi seu assistente e, a partir de 1901, em Viena. Mahleriano desde a primeira hora, Bruno Walter estrearia postumamente duas obras deste compositor: Das Lied von der Erde (O Canto da Terra), em 1911, e a Sinfonia Nº9, em 1912.

Em 1933, pela disseminação do anti-semitismo na Alemanha, Walter mudou-se para a Áustria, onde trabalhou até 1938. Nessa altura teve novamente que mudar de ares, tendo sido mais uma das vítimas do anschluss
, ocorrido em Março desse ano. Após uma breve passagem por França, fixar-se-ia definitivamente nos Estados Unidos, tendo obtido cidadania americana em 1946.


CDs




Bruno Walter
The Vienna Farewell Concert.
Franz Schubert

Symphony No.8, "Unfinished".
Gustav Mahler
Symphony No.4.
Elisabeth Schwarzkopf (soprano)
Vienna Philharmonic Orchestra
Music & Arts CD4705(2)

Great Conductors of the 20th Century: Bruno Walter
Ludwig van Beethoven
Symphony No.6.
Johannes Brahms
Symphony No.2.
Wolfgang Amadeus Mozart
Le Nozze di Figaro: Overture.
Franz Joseph Haydn
Symphony No.92.
Richard Wagner
Die Meistersinger: Prelude to Act 1.
Die Walküre: Act 2, Scene 5.
Gustav Mahler
Symphony No.5: Adagietto.
Johann Strauss
Die Fledermaus: Overture.
Wiener Philharmoniker
New York Philharmonic
British Symphony Orchestra
Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire
Symphony Orchestra
Bruno Walter
EMI 5 75133-2

Gustav Mahler
Das Lied von der Erde.
Kerstin Thorborg (meio-soprano), Charles Kullman (tenor)
Vienna Philharmonic Orchestra
Bruno Walter
Dutton Laboratories CDBP9722

Gustav Mahler
Symphony No.9 in D minor.
Vienna Philharmonic Orchestra
Bruno Walter
Dutton Laboratories CDBP9708


Internet

Bruno Walter Memorial Foundation
/ Bruno Walter (Conductor) / Biografia

06/02/2006

CDs #69: Liszt, Piano Sonata in B minor, Claudio Arrau

Não será grande exagero afirmar que Franz Liszt (1811-1886) criou a moderna técnica do piano. Há muitos anos, aliás, um insuspeito Camille Saint-Saëns (1835-1921) chegou mesmo a dizer:

"A l'encontre de Beethoven méprisant les fatalités de la physiologie et imposant aux doigts contrariés et surmenés sa volonté tyrannique, Liszt les prend et les exerce dans leur nature, de manière à obtenir, sans les violenter, le maximum d'effet qu'ils sont susceptibles de produire".

Curiosa, esta comparação efectuada por Saint-Saëns, se nos lembrarmos que foi Liszt quem andou por meio mundo a exibir os dotes de virtuoso do piano para arranjar dinheiro para erguer um monumento a Beethoven em Bona...

A música de Liszt influenciou compositores como Bartók, Busoni, Debussy, Schoenberg e Wagner, para referir apenas alguns (dos mais relevantes). Naturalmente que as peças para piano, largamente maioritárias na sua obra, têm um destaque particular. E um fraquinho particular tenho eu pela Sonata em si menor, já anteriormente referida por estas bandas a propósito de um outro disco. Extraordinário é o facto desta obra fundamental do repertório pianístico, terminada em Fevereiro de 1853, tenho sido estreada apenas em Julho... de 1857, por Hans von Bülow (1830-1894). O mesmo que estreou o Concerto para Piano Nº2 de Tchaikovsky (1840-1893) e que, já morto, inspirou Gustav Mahler (1860-1911) a terminar a Sinfonia Nº2...

Em 1980 o pianista chileno Claudio Arrau
(1903-1991), nascido passam hoje 103 anos, recebeu a medalha Hans von Bülow, atribuída pela Orquestra Filarmónica de Berlim. Virtuoso do piano, especialmente brilhante em Beethoven, salientou-se igualmente no repertório romântico e, em particular, na música de Liszt. Que enche por completo o (extraordinário) disco aqui hoje trazido, gravado entre 1969 e 1970, e reeditado pela Philips em 2001 inserido na colecção 50 Great Recordings. Grandes gravações, grandes audições!!!



Franz Liszt
Sonata in B minor. Bénédiction de Dieu dans la solitude.
Zwei Konzertetüden. Vallée d'Obermann (from Années de pèlerinage).
Claudio Arrau (piano)
Philips 464 713-2


Internet

Franz Liszt: The Franz Liszt Site
/ Classical Music Pages / Franz Joseph Liszt
Claudio Arrau: Princeton.edu
/ Site officiel / Grandes Biografías de la Historia de Chile

08/09/2005

Compositores #42: Richard Strauss (1864-1949)

Richard Strauss recebeu em casa a formação musical inicial, de sua mãe, no que ao piano disse respeito e, principalmente, de seu pai, trompista profissional no Teatro da Corte de Munique e anti-wagneriano militante (feroz, segundo alguns).


Richard Strauss

Além de, desde muito cedo, ter mostrado as suas qualidades como compositor, Strauss dedicou-se ainda à regência, com o apoio inicial do maestro e pianista alemão Hans von Bülow
. Corria o ano de 1883, e 2 anos depois apenas Strauss sucederia mesmo a von Bülow como maestro regente da Orquestra de Meiningen.


Hans von Bülow

Ao contrário do pai de Strauss, Hans von Bülow foi sempre um defensor e promotor da música de Richard Wagner (1813-1883), de quem, aliás, foi discípulo. E se havia alguém com bons motivos para alinhar na liga dos anti-wagnerianos era ele, que viu a certa altura da sua vida a sua esposa, Cosima, filha de Franz Liszt (1811-1886), trocá-lo por... Wagner!

Richard Strauss iria continuar a dirigir orquestras ao longo da sua vida, uma faceta hoje menos conhecida apesar de ter sido um dos mais influentes maestros da 1ª metade do século há pouco terminado.

Hoje assinalam-se os 56 anos passados sobre a morte de Richard Strauss.


CD



Richard Strauss conducts Richard Strauss
Don Quixote, Op.45. Macbeth, Op.23. Till Eulenspiegels lustige Streiche, Op.28.
Georg Seifert (viola), Karl Hesse (voiloncelo)
Saxon State Orchestra
Berlin Deutschlandsenders Orchestra
Richard Strauss
APR APR5527


Internet

http://63.1911encyclopedia.org/B/BU/BULOW_HANS_GUIDO_VON.htm
http://www.picturehistory.com/find/p/5112/mcms.html
http://www.evermore.com/azo/c_bios/rstrauss.php3
http://www.richardstrauss.at/html_e/17_willkommen/0fs_index.html
http://people.unt.edu/~dmeek/rstrauss.html

03/09/2005

CDs #52: Liszt, Funérailles, Rhapsodie espagnole, Vallée d'Obermann, Sonata

Num espaço de tempo inferior a 2 anos, entre Março de 1810 e Janeiro de 1812, nasceram 3 dos mais extraordinários pianistas do século XIX: Frédéric Chopin (1.Mar.1810-1849), Franz Liszt (22.Out.1811-1886) e Sigismond Thalberg (8.Jan.1812-1871). Todos eles foram igualmente compositores, mas aí Thalberg esteve longe de atingir o brilhantismo dos outros dois, que marcaram indelevelmente o período romântico inicial.


Frédéric Chopin, Franz Liszt, Sigismond Thalberg

As obras para piano estão em maioria na produção de Liszt e, entre elas, encontram-se algumas das mais importantes de todo o repertório pianístico. Uma delas, naturalmente, a Sonata em si menor, terminada em 1853 e estreada em 1857 por Hans von Bülow (1830-1894). Foi uma das obras escritas durante o período mais prolífico de Liszt, aquele que passou em Weimar, entre 1848 e 1861.

Já foi tocada (e gravada) por grandes nomes do piano (Claudio Arrau, Alfred Brendel, Daniel Barenboim, Mikhail Pletnev e Stephen Hough, para nomear apenas alguns), a que se vem agora juntar o brasileiro Arnaldo Cohen, com uma gravação recente (2003) efectuada para a editora BIS.


Arnaldo Cohen

É a principal obra apresentada neste disco, que contém ainda Funérailles (nº7 de Harmonies poétiques et religieuses), Rhapsodie Espagnole e Vallée d'Obermann (nº6 de Années de Pèlerinage: I. Suisse). Funérailles foi escrita em Outubro de 1949, o mês e ano da morte de Chopin.



Franz Liszt
Funérailles. Rhapsodie espagnole. Vallée d'Obermann. Sonata in B minor.
Arnaldo Cohen
BIS CD-1253


Internet

http://membres.lycos.fr/magnier/composit/liszt.html
http://www.d-vista.com/OTHER/franzliszt.html
http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/liszt.html
http://www.classical.net/music/comp.lst/liszt.html
http://www.artsmg.com/cohen/cohen.htm

12/07/2005

CDs #44: Wagner, Tristan und Isolde

No 110º aniversário do nascimento da soprano norueguesa Kirsten Flagstad (1895-1962), trago aqui um disco muito especial, aquela gravação que é ainda, para mim, a melhor da ópera Tristan und Isolde, do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883).


Kirsten Flagstad

A história, dos tempos medievais, anda à volta de um triângulo amoroso, e admite-se que o facto de Wagner, na 2ª metade da década de 50, estar apaixonado por Mathilde Wesendonck, mulher de um conhecido benfeitor suíço, tenha contribuído para a sua decisão de a passar a ópera. Curiosamente, à altura da estreia da ópera, em Junho de 1865, Wagner estava apaixonado pela esposa do maestro que a estreou, Hans van Bülow (1830-1894)...

Por alturas desta gravação, em 1952, já Flagstad tinha alguma dificuldade em atingir as notas mais agudas, e o facto de, tal como já tinha acontecido em 1949, ter sido acompanhada por Elisabeth Schwarzkopf nas notas mais altas, chegou a levantar alguma polémica. Flagstad já tinha interpretado o papel em 1936, sob a direcção de Fritz Reiner (1888-1963) e em 1937, com Thomas Beecham (1879-1961). Foi aliás na década de 30 que Flagstad se tornou na grande intérprete de Wagner da época.


Suthaus, Fischer-Dieskau, Furtwängler

Do elenco fez ainda parte Dietrich Fischer-Dieskau, a quem voltaremos futuramente, neste ano em que comemorou o seu 80º aniversário.

Quanto a Furtwängler (1886-1954), o regente de serviço nesta gravação, tinha dirigido pela 1ª vez esta ópera 36 anos antes, em 1916. A primeira colaboração com Flagstad tinha acontecido em 1937, em Londres.


CD




Richard Wagner
Tristan und Isolde.
Ludwig Suthaus, Kirsten Flagstad, Blanche Thebom, Josef Greindl,
Dietrich Fischer-Dieskau, Rudolf Schock, Edgar Evans, Rhoderick Davies
Chorus of the Royal Opera House, Covent Garden
Philharmonia Orchestra
Wilhelm Furtwängler
EMI GROC 5 67621-2

Internet

http://www.bach-cantatas.com/Bio/Flagstad-Kirsten.htm
http://www.maurice-abravanel.com/kirsten_flagstad.html
http://www.bach-cantatas.com/Bio/Furtwangler-Wilhelm.htm
http://www.classicalnotes.net/features/furtwangler.html