Colocar títulos nos textos, como pôr etiquetas, tem também as suas desvantagens. O de hoje foi escolhido por se enquadrar na presença em
Portugal da
Ordem dos Hospitalários, mas podia bem aparecer sob a série
Lugares, onde se encaixaria na perfeição. Hesitações à parte, vamos aqui falar do mosteiro que foi a primeira casa-mãe dessa Ordem no nosso país: o
Mosteiro de Leça do Balio (
já referido de passagem no texto Ordem de Malta # 9, de 28 de Novembro).

Os seus inícios datam do
século X, como um pequeno cenóbio, se bem que apenas apareça referido pela primeira vez num documento datado de
1003.
No
século XII,
D. Teresa (1092-1130) doou-o à
Ordem dos Cavaleiros Hospitalários, e posteriormente, no ano de
1140,
D. Afonso Henriques, o
Conquistador (1108/9-1185), concedeu-lhe
Carta de Couto.
Durante vários séculos teve parte activa em momentos marcantes da nossa história. Por ele passaram reis, raínhas e outras portugueses de relevo (
D. Afonso Henriques,
D. Sancho I,
D. Mafalda,
D. Nuno Álvares Pereira). Assistiu igualmente, em
1372, a um casamento real, entre
D. Fernando I, o
Formoso (1345-1383) e
D. Leonor Teles (1359?-1386).

Tal como aconteceu com muitos outros, um deles o
Mosteiro de S. Martinho de Tibães, a extinção das ordens em
Portugal determinou a sua venda em hasta pública e consequente ruína. O seu estado actual deve-se em boa medida ao
Eng. Ezequiel de Campos, que depois de o adquirir iniciou o seu restauro. Um dos resultados da história atribulada deste mosteiro é o facto de algumas áreas terem ficado em mãos de privados, nomeadamente a zona do claustro. É aliás aí que ainda hoje se podem ver (através das grades dos portões encerrados...) alguns vestígios da igreja pré-românica que, naquele local, antecedeu o actual mosteiro.