24/12/2004

Blogues - 1

Os blogues que visito regularmente são os que constam na coluna da esquerda da template deste blogue, sendo isto válido tanto para aqueles que estabeleceram a ligação recíproca como para os outros, menos dados a intimidades com o desNORTE.

Não há aqui lugar a opiniões sobre melhores ou piores, até por este blogue ser demasiado pequeno para se permitir tais veleidades. Há todavia lugar para uma referência ao Rua da Judiaria, que teve a gentileza de incluir o desNORTE na lista daqueles que, na opinião do Nuno Guerreiro, de alguma forma se destacaram no ano que agora termina (ou que começou a 15 de Setembro, conforme nos foi explicado na devida altura).

Vindo de um blogue que é reconhecidamente uma referência na blogosfera portuguesa, de que sou apreciador e visita assídua, é motivo de natural satisfação. Fica aqui o agradecimento pela amabilidade.

CDs - 15: A Festival of Nine Lessons & Carols

O carol (do inglês, desconheço se existe tradução para português) é uma canção estrófica medieval, associada normalmente ao período natalício. A tradição pode já não ser o que era, e a popularidade do carol como canto natalício caiu imenso durante o século XIX, nunca mais a tendo recuperado. Tal não constitui obviamente razão suficientemente forte para que deixe de se ouvir, pelo que este será mais um Natal em que por aqui se ouvirá de novo este excelente duplo CD, com o Choir of King's College, Cambridge, dirigido por Stephen Cleobury:



A Festival of Nine Lessons & Carols
Benjamin Bayl (org)
Choir of King's College, Cambridge
Stephen Cleobury
EMI 5 73693-2

23/12/2004

Lugares - 36

Chennai é hoje uma cidade com cerca de 7 milhões de habitantes, sendo a 4ª maior da Índia, atrás de Nova Deli, Calcutá e Mumbai (Bombaim). Refira-se que a Índia já ultrapassou os 1.000 milhões de habitantes, aproximando-se rapidamente da China na corrida para o país mais populoso do planeta.



O livro Madras Rediscovered de S. Muthiah dá-nos algumas pistas interessantes sobre a origem da cidade, e onde os portugueses aparecem naturalmente envolvidos (já o mesmo me tinha acontecido em Singapura, ver postais dos primórdios deste blogue:
Lugares - 1, de 7 de Julho e Lugares - 2, de 8 de Julho). Sabe-se que a origem da cidade data do ano de 1639, altura em que dois britânicos, Andrew Cogan e Francis Day receberam um pedaço de terra dos governantes locais, e nele estabeleceram um entreposto comercial.

O local foi designado por diferentes nomes dependendo da origem dos autores, mas todos eles andam à volta do nome Madras (Madrapatnam, Madrazpatam, Madrispatnman, etc.). Uma das versões para justificar a escolha daquele local diz que tal se deveu ao facto de Francis Day, mulherengo por vocação, ter uma amante portuguesa que vivia não muito longe dali...

Dentre as várias hipóteses aventadas para a origem do nome Madras há uma que envolve portugueses, e que é mesmo considerada pelo autor do livro como a mais plausível. Desde os inícios do século XVI havia uma pequena colónia portuguesa em San Thomé, localidade que ficava ligeiramente a sul do ponto onde viria a nascer Madras. A família mais proeminente, abastada e também benificente tinha o apelido de Madra (ou Madera ou Madeiros, aparentemente há algumas dúvidas neste ponto), e admite-se que tenham dado o nome ao local.

Desde o seu início que os documentos oficiais dão o nome da cidade como Madras, em inglês, e Chennai, em tamil. Durante 350 anos o seu nome oficial foi Madras, mas em 1996 foi alterado definitivamente (até hoje...) para Chennai.



Através de eventuais amantes ou de destacadas famílias, o que é certo é que os portugueses estão indelevelmente ligados às origens de Chennai, cidade da costa oriental da Índia.


Internet

http://www.businesstravellerindia.com/200205/places1.shtml

22/12/2004

Neste dia, em

1723: Nasceu Carl Friedrich Abel, compositor alemão
1808: Estreia das Sinfonias Nº5 e Nº6 de Beethoven
1858: Nasceu Giacomo Puccini, compositor italiano
1874: Nasceu Franz Schmidt, compositor austríaco
1885: Nasceu Edgar Varèse, compositor francês
1900: Nasceu Alan Bush, compositor inglês
1989: Morreu Samuel Beckett, dramaturgo e romancista irlandês

Viagens - 5

My visit to Chennai, India, ended up being an unforgettable experience, thanks to my friends G. V. Ananth and R. Narayanan.



In one single day (the others were fully occupied with work related issues) they could give me a more complete and clear view of India, the country, the people, the religion, the way of living.

This post is my way of thanking them for all their patience and kindness.

21/12/2004

Ordem de Malta #11

Colocar títulos nos textos, como pôr etiquetas, tem também as suas desvantagens. O de hoje foi escolhido por se enquadrar na presença em Portugal da Ordem dos Hospitalários, mas podia bem aparecer sob a série Lugares, onde se encaixaria na perfeição. Hesitações à parte, vamos aqui falar do mosteiro que foi a primeira casa-mãe dessa Ordem no nosso país: o Mosteiro de Leça do Balio (já referido de passagem no texto Ordem de Malta # 9, de 28 de Novembro).



Os seus inícios datam do século X, como um pequeno cenóbio, se bem que apenas apareça referido pela primeira vez num documento datado de 1003.

No século XII, D. Teresa (1092-1130) doou-o à Ordem dos Cavaleiros Hospitalários, e posteriormente, no ano de 1140, D. Afonso Henriques, o Conquistador (1108/9-1185), concedeu-lhe Carta de Couto.

Durante vários séculos teve parte activa em momentos marcantes da nossa história. Por ele passaram reis, raínhas e outras portugueses de relevo (D. Afonso Henriques, D. Sancho I, D. Mafalda, D. Nuno Álvares Pereira). Assistiu igualmente, em 1372, a um casamento real, entre D. Fernando I, o Formoso (1345-1383) e D. Leonor Teles (1359?-1386).



Tal como aconteceu com muitos outros, um deles o Mosteiro de S. Martinho de Tibães, a extinção das ordens em Portugal determinou a sua venda em hasta pública e consequente ruína. O seu estado actual deve-se em boa medida ao Eng. Ezequiel de Campos, que depois de o adquirir iniciou o seu restauro. Um dos resultados da história atribulada deste mosteiro é o facto de algumas áreas terem ficado em mãos de privados, nomeadamente a zona do claustro. É aliás aí que ainda hoje se podem ver (através das grades dos portões encerrados...) alguns vestígios da igreja pré-românica que, naquele local, antecedeu o actual mosteiro.

Lugares - 35

As imagens podem sugerir, mas feliz ou infelizmente, (ainda) não exalam odores, em particular os do rio Leça, de cuja situação todos nos deveremos envergonhar. Quando dois dos nossos sentidos são violentamente agredidos mal nos aproximamos deste rio, quando sabemos de todas as discussões à sua volta e quando também sabemos que na prática nada está realmente a acontecer para resolver de uma vez o problema, só fica lugar para a indignação e para a denúncia.


Rio Leça

Não há imagens mais ou menos bucólicas que remedeiem a situação. Não há explicação nem desculpa para um povo que constroi parques infantis onde as crianças, para melhor usufruto, deveriam ir de mola no nariz. O problema não está no parque, obviamente, está naquele esgoto nojento ao ar livre, que penosamente se arrasta para o mar e a que alguns ainda teimam em designar por rio.



Termino com duas curiosas citações. A primeira, retirada da página na internet da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais sobre a Ponte da Pedra, em Leça do Balio, diz o seguinte:

"O mau estado da envolvente fica a dever-se, em particular, à extrema poluição do rio Leça, uma vez que para ali afluem os esgotos da indústria das imediações."

A segunda pode ler-se nas páginas da Câmara Municipal de Santo Tirso, onde somos convidados a descer o rio:

"Pretendemos levá-los nesta viagem. Para a fazerem só terão que saber o que procuram no rio: a fauna, a flora que abunda nas suas margens; a forma como o Homem o utilizou e viveu junto ao rio ao longo do tempo; ou a forma como hoje em dia as comunidades vivem junto ao Rio Leça, no Concelho de Santo Tirso. Que a aventura comece."

Querem uma verdadeira aventura? Pois então não se fiquem por Santo Tirso, desçam o rio até à sua foz e façam uma descrição mais detalhada da fauna e da flora que encontrarem...

19/12/2004

Sopranos #1: Renata Tebaldi (1922-2004)

Faleceu hoje, com 82 anos, o grande soprano italiano Renata Tebaldi, nascido em Pesaro a 1 de Fevereiro de 1922.


Renata Tebaldi

A poliomielite, que a atingiu aos 3 anos, levou-a a procurar actividades menos físicas, tendo a escolha, para sorte nossa, recaído sobre a música. Estudos efectuados no Conservatório de Parma
, a estreia aconteceu em 1944, com o papel de Elena na ópera Mefistofele de Arrigo Boito (1842-1918). A estreia no La Scala de Milão aconteceu dois anos depois, e a no Metropolitan de Nova Iorque em 1955.

Tebaldi e Callas foram grandes rivais durante vários anos, rivalidade terminada em Setembro de 1968 com o elogio público de Callas ao desempenho de Tebaldi como Adriana Lecouvreur na ópera homónima de Francesco Cilea (1866-1950).

Muito apreciada pelo público, brilhou em papéis que se adequavam à sua voz, de uma beleza espontânea e natural, como Violetta em La Traviata de Verdi (1813-1901), Minnie em La Fanciulla del West, e Tosca na ópera com o mesmo nome, sendo estas duas últimas óperas de Puccini (1712-1781).


CDs



The Great Renata Tebaldi
Tebaldi, Bumbry, Bergonzi, Poggi, del Monaco, MacNeil, Merrill, Siepi, Ghiaurov
Royal Opera House Orchestra, Herbert von Karajan
Vienna Philharmonic Orchestra, Tullio Serafin
Decca 470 280-2

Giacomo Puccini
La Fanciulla del West.
Tebaldi, del Monaco, Guagni, Peruzzi, de Palma, Carbonari, Maionica, MacNeil
Accademia di Santa Cecilia Chorus and Orchestra
Franco Capuana
Decca 421 595-2

Giuseppe Verdi
Aida.
Tebaldi, del Monaco, Stignani, Corena, Protti
Accademia di Santa Cecilia Chorus and Orchestra
Alberto Erede
Pearl GEMS0191


Internet

http://www.festivalditorrechiara.it/tebaldi.htm

18/12/2004

Neste dia, em

1737: Morreu Antonio Stradivari, italiano, fabricante de instrumentos musicais
1860: Nasceu Edward MacDowell, compositor norte-americano
1862: Nasceu Moriz Rosenthal, pianista polaco
1919: Morreu Horatio Parker, compositor norte-americano
1946: Nasceu Steven Spielberg, realizador norte-americano
1962: Estreia da Sinfonia Nº2 de Shostakovich
1999: Morreu Robert Bresson, realizador francês

Fabricantes - 1: Antonio Stradivari (1644-1737)

No dia 18 de Dezembro de 1737, há exactamente 267 anos, morreu Antonio Stradivari. Não fabricou apenas violinos, mas para a posteridade ficará sempre como aquele que construiu os vulgarmente designados por Stradivarius.


Antonio Stradivari

Não se sabe exactamente em que ano nasceu, terá sido certamente algures entre 1644 e 1650. Sabe-se, isso sim, que o feliz acontecimento teve lugar em Cremona, e que em 1667 começou a construir os seus primeiros instrumentos de cordas. A arte, aprendeu-a nas oficinas da família Amati, famosa pelos violinos que fabricava. Os Amati desenvolveram essa actividade em Cremona entre os anos de 1550 e 1740.

Entre guitarras, harpas, violas, violinos e violoncelos estima-se que Stradivari tenha construído mais de 1.100, dos quais cerca de 650 ainda hoje sobrevivem.



É mais ou menos consensual que o seu melhor período foi entre 1698 e 1725. Os violinos eram feitos com a máxima precisão, desde a escolha das madeiras, passando pelas suas dimensões (posicionamento dos buracos, espessura da madeira, etc.) e acabando no verniz utilizado. Pensa-se que após 1730 os violinos terão sido feitos pelos seus filhos Omobono e Francesco, e ostentavam a assinatura sub discipla Stradivarii.

Uma das maiores colecções acessíveis ao público de instrumentos feitos por Antonio Stradivari pertence a um estimado vizinho nosso, que acumula ainda com a função de rei de Espanha...

Links

http://en.wikipedia.org/wiki/Antonio_Stradivari