24/01/2005

Revolução liberal - 2

Ao sair do Brasil, D. João VI deixou lá como regente o seu filho, D. Pedro IV. Corria o ano de 1821. Não muito tempo depois, no dia 7 de Setembro de 1822, D. Pedro IV lançou o famoso Grito do Ipiranga, que assinalou a independência daquele país, tal como referimos aqui.

D. Pedro IV
D. João VI

A longa ausência do rei, a inexistência de uma constituição e a tutela inglesa do exército português foram fomentando o descontentamento entre um conjunto assinalável de portuenses. Entre eles encontravam-se Manuel Fernandes Tomás, José da Silva Carvalho e o brigadeiro António da Silveira Pinto da Fonseca, irmão do general Silveira, 1º conde de Amarante, que teve um desempenho notável na defesa da ponte de Amarante durante as operações da 2ª invasão francesa, conforme relatámos
aqui.

M. Fernandes Tomás
A. S. Pinto da Fonseca

A sublevação deu-se no dia 24 de Agosto de 1820, dela tendo resultado a formação da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, presidida pelo brigadeiro Pinto da Fonseca e, naturalmente, sediada no Porto.

As ideias proclamadas pela Junta não concidiam propriamente com as dos governadores do reino, então, como agora, instalados em Lisboa. Procuraram organizar imediata resposta através de uma acção militar, enviando uma força para norte com o objectivo de abafar a rebelião.


continua

23/01/2005

Compositores #18: John Field (1782-1837)

No dia em que se assinalam os 168 anos passados sobre a morte do compositor irlandês John Field, deixamos aqui uma pequena homenagem ao criador do noturno, um género musical que viria a ser imortalizado por Frédéric Chopin (1810-1849). O noturno é uma peça para piano que procura sugerir a noite, criando um ambiente sereno e propício à meditação.


John Field

John Field iniciou a época dos pianistas românticos, que terminaria com Chopin. Excelente pianista, ficou a residir em S. Petersburgo na sequência de uma turné que efectuou com Muzio Clementi (1752-1832); foi, aparentemente, a forma que Field encontrou para se livrar de Clementi, seu patrão, por quem não era muito bem tratado...

Na Rússia deu inúmeros concertos, ganhou fama como pianista, compositor e professor de música. Problemas de saúde, aos quais a ingestão desregrada de álcool não terá sido alheia, levaram a que não voltasse a compôr obras importantes a partir de 1823. Em 1831 regressou a Londres, em 1832 tocou em Paris a sua última obra importante, o Concerto para Piano Nº7 e em 1833 ainda fez uma última turné pela Europa. Regressou a Moscovo em 1835 e lá faleceu em 1837.
Para a história ficou John Field, o inventor do noturno.


CDs



Nocturnes.
Roberte Mamou
Pavane ADW7110

Piano Concertos Nos.1 & 3.
Benjamin Frith
Northern Sinfonia
David Haslam
Naxos 8.553770

Piano Concertos Nos.2 & 3.
Andreas Staier
Concerto Köln
David Stern
Elatus 0927-49610-2

Piano Concertos Nos.5 & 6.
Benjamin Frith
Northern Sinfonia
David Haslam
Naxos 8.554221


Internet

http://www.carolinaclassical.com/articles/field.html

http://www.arkivmusic.com/classical/Namedrill?&name_id=3766&name_role=1

21/01/2005

Lugares #47

A história do Castelo de Santa Maria da Feira está também ligada à da fundação de Portugal, pelo facto de, em 1128, o seu alcaide, Pêro Gonçalves de Marnel, se ter colocado ao lado de D. Afonso Henriques aquando da Batalha de S. Mamede (ver textos anteriores sobre este assunto aqui e aqui).


Castelo de Santa Maria da Feira

As suas origens datam do século X, do castelo primitivo apenas restando a Torre de Menagem. A traça actual deve-se principalmente a Fernão Pereira, que no século XV foi incumbido de o corrigir e reparar. Um violento incêndio ocorrido em 1722 determinou o início de um longo processo de decadência, apenas interrompido nos finais do século XIX.



Obras de recuperação que ainda hoje prosseguem, dinamizadas desde 1909 pela Comissão de Vigilância e Conservação do Castelo da Feira. Boas visitas!


Internet

http://www.byweb.pt/santamariadafeira/castelo.html
http://castelosdeportugal.no.sapo.pt/feira.htm

http://www.ippar.pt/monumentos/castelo_feira.html

20/01/2005

Lugares - 46

D. Sancho I (1154-1211), segundo rei de Portugal, foi cognominado o Povoador, dada a ênfase que colocou no povoamento de alguns concelhos do país, como os da Guarda, Gouveia, Covilhã, Bragança e Viseu. Certamente que para dar mais credibilidade a esta sua campanha, ele próprio deu o exemplo, tendo generosamente contribuído com uma prole de quinze!



Naturalmente que por esta altura já se perguntarão "E que diabo tem isso a ver com lugares?!". Pois bem, dos 15 descendentes 10 eram filhos legítimos, o que até se pode considerar um desempenho modesto, se nos lembrarmos, por exemplo, de D. Dinis que, por cada filho legítimo, produziu 2,5 bastardos... Um dos filhos ilegítimos de D. Sancho I foi D. Rodrigo Sanches, que morreu em combate nas imediações do Mosteiro de Grijó, nas lutas então travadas entre os apoiantes dos dois irmãos: o rei D. Sancho II (1209-1248) e o seu irmão D. Afonso, futuro rei D. Afonso III.



Desde a morte de D. Rodrigo Sanches, a 2 de Julho de 1245, que o seu corpo se encontra sepultado no Mosteiro de Grijó. Já esteve na Capela de Santa Maria, mas desde o século XVII que o seu túmulo se encontra nos claustros.

19/01/2005

Baixos-Barítonos #1: Hans Hotter (1909-2003)

Ainda hoje é principalmente lembrado pelos suas interpretações de Wagner, mas o repertório do baixo-barítono austríaco de origem alemã Hans Hotter é bem mais vasto do que isso. Hotter nasceu há exactamente 96 anos, tendo falecido há pouco mais de um ano, em Dezembro de 2003.


Hans Hotter

A sua carreira estendeu-se por mais de 60 anos, as gravações por mais de 50. Começou pelos italianos, nomeadamente Falstaff de Verdi, e também por Richard Strauss. Seria aliás com este compositor que viria a estabelecer uma colaboração estreita, tendo Strauss escrito mesmo alguns papéis especificamente para ele, como por exemplo o de Commandant na ópera Friedenstag.

Em 1947 fez a sua estreia no Covent Garden, e que marcou também o arranque da sua carreira internacional. Em 1950 estreou-se no Met, onde interpretou maioritariamente Wagner, e em 1952 iniciou uma longa colaboração com o Bayreuth. O resultado de tudo isto foi o de ter sido considerado, nas décadas de 50 e 60, o melhor baixo-barítono Wagneriano. Das gravações existentes destacaria aquelas em que interpreta Wotan em Das Rheingold e Die Walküre, óperas pertences ao ciclo O Anel de Nibelungo (Der Ring des Nibelungen), de Richard Wagner (recentemente reeditada pela Archipel, a que voltarei numa outra altura).

Fora da ópera, destacam-se naturalmente as interpretações de Winterreise e de Lieder (canções), ambas de Schubert e acompanhadas pelo pianista Gerald Moore, assim como de Lieder e do Requiem, de Brahms.


CDs




Bach
Cantata No.82.
Brahms
Lieder.
Hans Hooter, Gerald Moore
Philharmonia Orchestra, Anthony Bernard
EMI 5 62807-2

Brahms
Ein deutsches Requiem.
Elisabeth Schwarzkopf, Hans Hotter
Vienna Philharmonic Orchestra, Herbert von Karajan
EMI 5 62811-2

Schubert
Winterreise, D911.
Hans Hotter, Gerald Moore
EMI 5 66985-2

Wolf
Goethe Lieder.
Hans Hotter, Gerald Moore
Testament SBT 1197

Beethoven
Fidelio.
Sena Jurinac, Jon Vickers, Gottlob Frick, Hans Hotter, Elsie Morison, John Dobson
Royal Opera House Chorus and Orchestra, Otto Klemperer
Testament SBT2 1328

Strauss
Capriccio.
E. Schwarzkopf, E. Wächter, N. Gedda, D. Fischer-Dieskau, H. Hotter, C. Ludwig
Philharmonia Orchestra, Wolfgang Sawallisch
EMI 5 67394-2

Wagner
Der fliegende Holländer .
Hotter, Ursuleac, Hann
Bavarian State Chorus and Orchestra, Clemens Krauss
Preiser 90250

Wagner
Die Meistersinger von Nürnberg.
Hans Hotter, Josef Greindl, Karl Schmitt-Walter, Dietrich Fischer-Dieskau,
Wolfgang Windgassen, Gre Brouwenstijn
Bayreuth Festival Chorus and Orchestra, André Cluytens
Music & Arts CD-1011

Wagner
Der Ring des Nibelungen.
Astrid Varnay, Regina Resnik, Ramón Vinay, Wolfgang Windgassen, Hans Hotter,
Gustav Neidlinger, Hermann Uhde, Josef Greindl
Bayreuth Festival Chorus and Orchestra, Clemens Kraus
Archipel ARPCD 0250-13

Wagner
Parsifal.
Irene Dalis, Hans Hotter, Gustav Neidlinger, George London, Jess Thomas
Bayreuth Festival Chorus and Orchestra, Hans Knappertsbusch
Philips 464 756-2


Internet




http://www.musicologie.org/Biographies/hotter_hans.html

18/01/2005

Revolução liberal - 1

Conforme referi num postal que aqui coloquei em Setembro do ano passado (e que pode ser visto aqui) sobre a primeira das três invasões francesas, em Outubro de 1807 Napoleão Bonaparte enviou para Portugal uma força de 28.000 homens, sob o comando de Junot, com um único objectivo: invadir-nos.



Nessa época reinava em Portugal D. João VI, o Clemente, que não ficou por cá a ver como paravam as modas. Mudou-se (apenas de bagagens, as armas eram mais precisas cá...) com as Cortes para o Rio de Janeiro.

Apesar da presença francesa no nosso país ter terminado em 1813, conforme (oportunamente...) descrevi
aqui, o regresso de D. João VI a Portugal não se deu de imediato, longe disso. Tal só viria a acontecer em Julho de 1821, provocado pelos acontecimentos que entretanto se precipitaram.


D. João VI

A prolongada ausência do rei não era o único motivo para o descontentamento que se foi gerando. Para tal contribuiu também em grande parte o facto de a tutela britânica, personalizada nos oficiais britânicos que comandavam o exército português, por cá se ter mantido após o fim das invasões, e sem que se lhe vislumbrasse um fim.

O movimento que estaria na base do que se passou a seguir envolveu muita gente, de comerciantes a juristas e passando naturalmente por militares, tendo em consideração o fim em vista. A origem do movimento? No Porto, pois claro!

continua

HVA, Eindhoven, Holanda

17/01/2005

Lugares - 45

O Mosteiro de Grijó foi fundado no início do século X no lugar de Muraceses, tendo sido transferido no século XII para o local onde ainda se encontra actualmente.


Mosteiro de Grijó

Depois de (mais uma) história atribulada (ver as do
Mosteiro de Leça e do Mosteiro de S. Martinho de Tibães), o mosteiro acabou por ser vendido em hasta pública, após ter sido decretada a sua extinção.

Nos meados do século passado terá havido algumas obras de conservação que, além de inconsequentes, não foram devidamente planeadas. A verdade é que hoje o mosteiro está no estado que as fotografias documentam, pelo que será de todo aconselhável que o IPPAR inicie rapidamente as anunciadas obras de recuperação e valorização!





Internet

http://www.ippar.pt/monumentos/conjunto_grijo.html
http://www.monumentos.pt/scripts/zope.pcgi/ipa/pages/ficha_ipa?nipa=1317060005

HVA, Eindhoven, Holanda

16/01/2005

Maestros #6: Arturo Toscanini (1867-1957)

O facto de hoje passarem 48 anos após a sua morte é o motivo para escrever umas linhas sobre um dos meus maestros favoritos, o italiano Arturo Toscanini.


Arturo Toscanini

Nos estudos musicais notabilizou-se principalmente no violoncelo e na composição, mas foi a reger orquestras que se tornou famoso. E, de certo modo, pode-se dizer que o seu começo falou português. Andava em turné pela América do Sul a companhia operática onde Toscanini tocava violoncelo, quando um dia, à falta de maestro, ele foi convidado a dirigi-la na Aida, de Verdi. Foi no Rio de Janeiro no dia 30 de Junho de 1886, e Toscanini dispensou a partitura...

Ao longo da sua carreira foi maestro principal de algumas das mais conceituadas orquestras: Teatro alla Scala (Milão), Metropolitan Opera Company (Nova Iorque), New York Philharmonic Orchestra, NBC Symphony Orchestra. Conduziu também no Festival de Bayreuth, de que se afastou em 1933 por oposição ao regime nazi. Seria esse, aliás, o motivo do corte de relações com outro maestro famoso, Wilhelm Furtwängler (1886-1954), a quem acusou de, no mínimo, não antipatizar com tal regime.

Grande defensor da música contemporânea, estreou inúmeras obras, nomeadamente: Zaza, de Leoncavallo, La Fanciulla del West e Turandot, ambas de Puccini e o famoso Adagio, de Samuel Barber. Foram da sua responsabilidade as estreias em Itália de obras de Debussy, von Weber, Tchaikovsky, Verdi e Wagner, entre outros.

Igualmente lendário, o seu génio era o terror de muito bom músico. Quem viu, não esqueceu as suas extraordinárias explosões de fúria. Os músicos alvo provavelmente também não...


CDs




Arturo Toscanini
Beethoven, Bellini, Berlioz, Brahms, Dvorák, Puccini, Wagner
NBC Symphony Orchestra
BBC Symphony Orchestra
EMI The Great Conductors 5 62939-2

Beethoven
Concerto para Violino, Op.61.
Brahms
Concerto para Violino, Op.77.
Jascha Heifetz, violino
NBC Symphony Orchestra, Arturo Toscanini
Boston Symphony Orchestra, Serge Koussevitzky
Naxos Historical 8.110936

Beethoven
Sinfonias - Nº5, Op.67; Nº6, "Pastoral", Op.68.
Coriolan Overture, Op.62.
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Naxos Historical 8.110823

Beethoven
Missa Solemnis, Op.123. Sinfonia Nº7, Op.92.
Cherubini
Anacréon - abertura.
Mozart
Sinfonia Nº35, "Haffner", K385.
Zinka Milanov, Kertin Thorborg, Koloman von Pataky, Nicola Moscona
BBC Choral Society and Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
BBL Legends BBCL4016-2

Brahms
Sinfonia Nº3, Op.90.
Gluck
Iphigénie en Aulide - abertura.
Kodaly
Marosszek Dances.
Liszt
From the Cradle to the Grave.
Martucci
Danza-Tarantella, Op.44 Nº6.
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Naxos Historical 8.110827

Brahms
Sinfonias - Nº1, Op.68; Nº2, Op.73; Nº3, Op.90; Nº4, Op.98.
Variations on a Theme by Haydn, Op.56a.
Tragic Overture, Op.81.
Philharmonia Orchestra
Arturo Toscanini
Testament SBT3167

Verdi
Falstaff.
G. Valdengo, H. Nelli, T. Stich-Randall, F. Guarrera, C. Elmo, N. Merriman
Robert Shaw Corale
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
RCA Red Seal 74321 72372-2


Internet

http://www.fondazione-toscanini.it/