20/10/2005

Lugares #114

José Maria de Eça de Queiroz nasceu na Póvoa de Varzim no dia 25 de Novembro de 1845, filho do magistrado José Maria de Almada Teixeira de Queiroz e de mãe incógnita (D. Carolina Augusta Pereira de Eça), conforme registo do seu nascimento. Coisas de amores proibidos...


Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão

Até 1855, ano em que é matriculado no Colégio da Lapa, no Porto, vive em casa dos avós paternos, em Verdemilho, Aveiro. O Colégio da Lapa era dirigido pelo pai de Ramalho Ortigão. A vida literária de Eça viria a estar intimamente ligada a este último, colaborando em artigos publicados no Diário de Notícias, em 1870, e, no ano seguinte, com a publicação de As Farpas, que era dirigida por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.



Como resultado dos amores incontidos, Eça foi entregue aos cuidados de uma ama logo à nascença, tendo ficado a viver em Vila do Conde. O baptizado tem então lugar na igreja matriz de Vila do Conde.



A igreja é uma construção do século XVI, época das mais gloriosas da história de Vila do Conde. Tornou-se município, recebeu foral de D. Manuel I, o Venturoso (1469-1521), vê serem construídos a igreja matriz, a misericórdia, a casa da câmara e o pelourinho. Na altura, D. Manuel I passou por aquelas bandas a caminho de Santiago de Compostela, tendo mandado erigir a igreja matriz e colocar na frontaria os brasões de Vila do Conde, da Póvoa de Varzim e de Rates, a maior freguesia do concelho da Póvoa de Varzim.


Internet

http://www.aac.uc.pt/historia/personalidades/ecaqueiroz.php
http://www.feq.pt/cronologia.asp
http://www.esec-jose-regio.rcts.pt/viladoconde/body_viladoconde.html

19/10/2005

Óperas #4: Tannhäuser, de Richard Wagner

Há cerca de um mês trouxe a este canto virtual Das Rheingold, a ópera que Richard Wagner (1813-1883) terminou em 1854, e que acabaria por ser a primeira do ciclo Der Ring des Nibelungen. Já anteriormente tinha alinhavado umas linhas sobre uma outra ópera deste compositor, Die Meistersinger von Nürnberg, pelo que o bom senso aconselhava que me virasse para outras paragens.

Acontece que um ilustre colega da blogosfera, grande amante das artes operáticas, a propósito do meu postal sobre Das Rheingold, teve a gentileza de sugerir 2 gravações que eu tinha ignorado, falha imperdoável da minha parte, e afirmar, simultaneamente, que "adorava opinar, aguardando com expectativa um futuro postal meu sobre Tannhäuser". O desafio era demasiado estimulante para ficar sem resposta...


Richard Wagner

Wagner foi uma das figuras que mais paixões despertou no mundo musical, adorado por muitos (conto que a maioria...), absolutamente odiado por outros. Muito boa gente duvidava mesmo da sanidade mental do compositor alemão. Cosima Wagner, sua esposa, chegou a escrever no seu diário que "(...) o Dr. Puschmann, professor na Universidade de Munique, publicou um artigo em que prova, do ponto de vista psiquiátrico, que Richard é louco. Como é que tais afirmações são possíveis e toleradas!". Em bom rigor, o que o Dr. Theodor Puschmann (1844-1899) tinha afirmado era que o compositor sofria de "megalomania crónica e paranóia", além de outros mimos com que o presenteou...


Cosima Wagner, Richard Wagner, Theodor Puschmann

Richard Wagner foi ainda um caso único, na medida em que foi igualmente o autor dos libretos de todas as óperas que compôs. No caso de Tannhäuser, diz-nos quem sabe que a inspiração para o libreto veio quando o compositor trepava o pico Wostrai nas montanhas da Boémia, numas férias dedicadas ao montanhismo no Verão de 1842. Nessa altura, Wagner andava ocupado com outra ópera, Der fliegende Holländer, pelo que não se pôde dedicar de imediato ao novo projecto. Em qualquer dos casos, em Maio de 1843 o libreto estava finalizado. Wagner começou a compor a música em Agosto, tendo-a terminado em 1845.

A estreia, sob a direcção do próprio Wagner, teve lugar em Dresden, Alemanha, há precisamente 160 anos, no dia 19 de Outubro de 1845. Não se pode dizer que tenha corrido muito bem! Uma boa parte dos cenários, vindos de Paris, não chegou a tempo, a reacção do público esteve longe de ser apoteótica e a da crítica foi ainda pior...

Bem pior, contudo, foi a estreia parisiense, em 1861. Para a poder apresentar na Ópera de Paris havia uma regra básica, que Wagner tinha naturalmente que seguir: teria que ser em língua francesa. Wagner procedeu assim a uma revisão de Tannhäuser e, no dia 13 de Março de 1861, chegou o grande momento. Grandioso mesmo, pois Wagner tinha ostensivamente ignorado a segunda regra básica: os membros do Jockey Club lá do sítio não eram dos maiores apreciadores de ópera, mas gostavam da refeiçãozinha que tomavam a meio da trama, e exigiam a todas as óperas que tivessem um bailado por essa altura, para poderem apreciar... as pernas das bailarinas! Acontece que o nosso amigo Wagner resistiu aos insistentes pedidos, e manteve a cena do bailado nos inícios do primeiro acto, completamente desfasada, portanto, da hora de jantar dos membros do famoso clube. Resultado: um desastre completo! A claque organizada boicotou em absoluto o espectáculo, ruidosa até não poder mais, por forma a garantir que ninguém naquela sala conseguiria ouvir uma palavra que fosse dos esforçados cantores. No final, Wagner confessaria mesmo "nunca ter ouvido ruído tão infernal"...


CDs



Richard Wagner
Tannhäuser.
P. Seiffert, G. Gudbjörnsson, S. Rügamer (tenores), J. Eaglen, W. Meier,
D. Röschmann (sopranos), T. Hampson (barítono), R. Pape, A. Raiter (baixos)
Berlin State Opera Chorus
Berlin Staatskapelle
Daniel Barenboim
Teldec 8573-88064-2
(2000)

Richard Wagner
Tannhäuser.
W. Windgassen, J. Traxel (tenores), G. Brouwenstijn (soprano),
D. Fischer-Dieskau (barítono), H. Wilfert (meio-soprano), J. Greindl (baixo)
Bayreuth Festival Chorus & Orchestra
André Cluytens
Orfeo d'Or C643043D
(1955)

Adenda

Mais uma proposta, gentilmente deixada por Il Dissoluto Punito na caixa de comentários:



Richard Wagner
Tannhäuser.
C. Studer, A. Baltsa, B. Bonney (sopranos), P. Domingo, W. Pell,
C. Biber (tenores), A. Schmidt (barítono), M. Salminen, K. Rydl,
H. Hillebrandt (baixos)
Royal Opera House Chorus, Covent Garden
Philharmonia Orchestra
Giuseppe Sinopoli
Deutsche Grammophon 427 625-2
(1988)


Internet



http://thenietzschechannel.fws1.com/cosima.htm
http://www.barbaraallen.org/Mixup-Marriage-Part-B.html
http://www.rwagner.net/opere/e-tannhauser.html
http://www.music-with-ease.com/tannhauser-history.html
http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/wagner.html
http://opera.stanford.edu/Wagner/main.html

18/10/2005

Sinfonias #9: Sinfonia Nº5, de Gustav Mahler

No dia 9 de Março de 1902, Gustav Mahler casou-se com Alma Schindler, de cujo coração aqui falámos recentemente. Nesse mesmo ano terminou a 5ª sinfonia, iniciada no Verão do ano anterior, acentuadamente distinta das anteriores e a primeira em que se aproximou mais da sinfonia clássica.



Apesar de estruturada em 5 andamentos e o ser uma marcha fúnebre, o que não se pode considerar demasiado tradicional..., é puramente instrumental e segue, em termos gerais, os padrões das sinfonias clássicas. A uma primeira parte mais sombria segue-se uma outra constituída pelos 3 últimos andamentos e em tom mais alegre. O , o ultra-famoso adagietto, terá sido dedicado à esposa, Alma Mahler, segundo informações da própria. Tendo em consideração o quão o matrimónio era recente, quem somos nós para duvidar de tal... Resta acrescentar que a sinfonia estreou-se no dia 18 de Outubro de 1804.


CDs




Gustav Mahler
Symphony No.5.
New Philharmonia Orchestra
John Barbirolli
EMI GROC 5 66910-2

Gustav Mahler
Symphony No.5.
Royal Concertgebouw Orchestra
Riccardo Chailly
Decca 458 860-2

Gustav Mahler
Symphonie No.5.
Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 437 789-2

Gustav Mahler
Symphonie No.5.
Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein
Deutsche Grammophon 423 608-2

Gustav Mahler
Symphonie No.5.
Junge Deutsche Philharmonie
Rudolf Barshai
Laurel Record LR905

Gustav Mahler
Symphony No.5.
Berliner Philharmoniker
Simon Rattle
EMI 5 57385-2

17/10/2005

SACDs #2: Frédéric Chopin, Polonaises, Alfred Brendel

O termo polonaise pode ser utilizado para descrever uma dança processional solene polaca, usualmente acompanhada de canto, ou uma peça instrumental. É esta última que hoje nos interessa, caracterizada por possuir melodias de estrutura simples e em compasso ternário, e popularizada por compositores como Telemann, Bach, Chopin, Schumann ou Liszt, para referir apenas alguns.

O compositor polaco Frédéric Chopin (1810-1849), tal como fez para os noturnos (ver este postal
), deu uma maior notoriedade ao género, a que pertencem algumas das suas melhores obras. Chopin faleceu há 156 anos, no dia 17 de Outubro de 1849.


Frédéric Chopin, Alfred Brendel

Do pianista austríaco Alfred Brendel já por aqui falei amiúde, nomeadamente a propósito do recital a que tivemos o previlégio de assistir, em Abril último (ver aqui
), e dificilmente poderíamos sonhar com algo melhor para a nossa estreia na Casa da Música!!!

Em Abril de 1968, Alfred Brendel gravou 5 das polonaises de Chopin, incluindo a Op.53, a mais popular, e que abre o presente disco, aproveitando as gravações originais e dando-lhe dupla roupagem CD / SACD. Grandes audições!



Frédéric Chopin
Polonaise in A flat major, Op.53.
Polonaise in C minor, Op.40 No.2.
Polonaise in F sharp minor, Op.44.
Polonaise-Fantasie, Op.61.
Andante Spianato and Grand Polonaise, Op.22.
Alfred Brendel (piano)
Vanguard Classics ATM-SC-1589

16/10/2005

Pianistas #6: Jorge Bolet (1914-1990)

Frédéric Chopin (1810-1849) e Franz Liszt (1811-1886) foram dois compositores expoentes do período romântico, tendo ainda desenvolvido paralelamente carreiras como pianistas. Neste aspecto, Franz Liszt merece particular destaque, sendo geralmente considerado como o maior pianista da sua geração.


Frédéric Chopin, Franz Liszt, Leopold Godowsky

Tiveram ainda em comum o facto de terem composto maioritariamente música para piano. Um dos grandes intérpretes de Liszt no século XX foi o pianista norte-americano de origem cubana Jorge Bolet. Grande virtuoso, e particularmente à vontade no repertório romântico, Bolet, falecido passam hoje 15 anos, distinguiu-se ainda em Chopin e Leopold Godowsky (1870-1938).


Jorge Bolet

Godowsky, pianista e compositor norte-americano... de origem polaca, chegou a ser professor de Bolet, e ficou para a história não só por ter sido igualmente um grande intérprete de Chopin, mas também pelos estudos que publicou sobre... os estudos de Chopin! Fez daquilo uma coisa diabólica, a ponto de terem sido considerados absolutamente impossíveis de tocar. Outras histórias...


CDs



Jorge Bolet - I.
Great Pianists of the 20th Century.
Philips 456 724-2

Jorge Bolet - II.
Great Pianists of the 20th Century.
Philips 456 814-2

Franz Liszt
Liebestraum No.3, S541. Trois études de Concert, S145. Harmonies poétiques et religieuses - No.7.
Grands Études de Paganini, S140 - No.3. Grand Galop Chromatique, S219. Rhapsodie espagnole, S254.
Jorge Bolet (piano)
RCA Red Seal 09026 63748-2

Franz Liszt
Piano Concerto No.1, S124. Piano Concerto No.2, S125. Totentaz, S126.
Malédiction, S121. Hungarian Fantasy, S123.
Erno Dohnanyi
Variations on a Nursery Song, Op.25.
Franz Schubert
Fantasy in C major, D760, "Wanderer".
Julius Katchen, Jorge Bolet (pianos)
London Symphony Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Ataulfo Argenta, Ivan Fischer, Georg Solti, Adrian Boult
Double Decca 458 361-2


Internet

http://en.wikipedia.org/wiki/Jorge_Bolet
http://www.biographybase.com/biography/Bolet_Jorge.html
http://www.neuhaus.it/english/godowski.html
http://www.godowsky.com/

15/10/2005

Concertos #25

"O meu discípulo Fernando Graça continua preso e está à mercê de gente que tem do valor dele a mesma noção que a minha égua picarça pode ter do valor de Shakespeare."

Quem assim escreveu no seu diário, no dia 1 de Novembro de 1931, foi o compositor português Luís de Freitas Branco (1890-1955), de quem este ano se assinalam os 50 anos passados sobre a sua morte. Referia-se a Fernando Lopes Graça, outro grande nome da música portuguesa e nessa altura seu aluno. Nesse ano de 1931, por motivos políticos, Lopes Graça foi preso e desterrado para Alpiarça.


Fernando Lopes Graça, Luís de Freitas Branco

O próprio Luís de Freitas Branco não teria de esperar muito para se ver metido em sarilhos com o regime, tendo sido suspenso das funções de professor em 1939 e, no ano seguinte, afastado do Conservatório. Em 1943 termina a Sinfonia Nº3, que seria estreada por seu irmão Pedro de Freitas Branco em Lisboa, em 1947.

É esta a sinfonia que iremos ouvir amanhã na primeira parte do concerto que terá lugar na Casa da Música, no Porto. Este concerto acontece no âmbito do
Festival Luís de Freitas Branco, que procura, muito justamente, assinalar o cinquentenário da morte do compositor, figura maior do nosso meio musical, responsável pela criação de uma tradição sinfónica em Portugal.

E já que estamos numa de música portuguesa, coisa que tem sido rara por aqui e que levou mesmo um caríssimo leitor a chamar-me a atenção para tal facto, que tal espreitarem
aqui e verem o que Luís de Freitas Branco escreveu sobre a nossa violoncelista Guilhermina Suggia?


Programa do Concerto

Luís de Freitas Branco
Sinfonia Nº3.
Maurice Ravel
Daphnis et Chloe, Suites 1 e 2.
Orquestra Nacional do Porto
Marc Tardue


Internet

http://www.rede-nonio.min-edu.pt/es/fam_freitas_branco/portugues/luis/cronologia_l.htm
http://www.iartes.pt/festival_luis_freitas_branco/
http://www.casadamusica.com/default.aspx

14/10/2005

CDs #58: Leonard Bernstein's New York Philharmonic Debut

Bruno Walter (1876-1962), maestro norte-americano de origem alemã, foi mais uma das muitas vítimas do anti-semitismo da primeira metade do século passado. Em 1907 viu-se forçado a deixar a Ópera de Viena e, em 1939, troca o velho continente pelos Estados Unidos, onde viveu até à data da sua morte.


Bruno Walter

Bruno Walter era o maestro que, no dia 14 de Novembro de 1943, iria dirigir a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque
num programa que incluía obras de Robert Schumann (1810-1856), Miklós Rózsa (1907-1995) e Richard Strauss (1864-1949), e que seria difundido pela rádio CBS. Uma indisposição de Walter no dia do concerto impossibilitou-o de comparecer à chamada e possibilitou que se fizesse história de um dia que tinha nascido para ser normal como os outros.


Leonard Bernstein

Leonard Bernstein (1918-1990), na altura maestro assistente de Artur Rodzinsky (1892-1958) e que nunca tinha dirigido a orquestra em público, foi convidado para substituir Bruno Walter... na manhã do próprio dia do concerto. Não teve a hipótese de efectuar qualquer tipo de preparação, muito menos de ensaiar com a orquestra! O que é certo é que o sucesso foi estrondoso, sendo hoje consensual afirmar que "naquele dia nasceu uma estrela". Leonard Bernstein faleceu há 15 anos, no dia 14 de Outubro de 1990.

No dia 14 de Novembro de 1996 a Filarmónica de Nova Iorque lançou um CD com a gravação daquele mítico concerto, naquilo que acabou por ser outra estreia: foi o primeiro disco que uma orquestra produziu e distribuiu exclusivamente pela internet.



Leonard Bernstein's New York Philharmonic Debut
Robert Schumann
Manfred Overture, Op.115.
Miklós Rózsa
Theme, Variations and Finale, Op.13.
Richard Strauss
Don Quixote, Op.35.
New York Philharmonic Orchestra
Leonard Bernstein


Internet

http://newyorkphilharmonic.org/
http://www.bach-cantatas.com/Bio/Walter-Bruno.htm
http://www.sonyclassical.com/artists/walter/bio.html
http://www.users.globalnet.co.uk/~mcgoni/walter.html
http://www.leonardbernstein.com/
http://www.sonyclassical.com/artists/bernstein/bio.html
http://paginas.terra.com.br/arte/compositores/bernstein.html

13/10/2005

Reis de Portugal #9: D. Maria II (1819-1853)

D. Maria II apenas viveu 34 anos, algo dificilmente imaginável quando percorremos com o olhar a história da sua atribulada vida. Viu-se rainha aos 15 anos de idade, no rescaldo da revolução liberal, e casada no ano seguinte, com o príncipe Augusto de Leuchtenberg. O pai facilitou-lhe a vida, escolhendo-lhe o noivo com quem ela haveria de casar. E não teve que procurar muito, apontou logo para o irmão da madastra de D. Maria...


D. Maria II

Rainha que se preze é rainha casada, mas quis o destino que o arranjo matrimonial não fosse de longa duração, dado Augusto de Leuchtenberg (1810-1835) ter esticado o pernil poucos meses depois! Naturalmente que as Câmaras fizeram ver à rainha a importância de esta voltar a casar rapidamente, o que veio a acontecer no dia 9 de Abril de 1836. O feliz contemplado foi D. Fernando Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha, detentor de um nome suficientemente pomposo para ser o escolhido da negociata que esteve na base do novo matrimónio que, contrariando as expectativas, foi harmonioso e premiado com uma prole de 11...

Terá sido mesmo das poucas coisas estáveis na vida de D. Maria II, já que no país se sucediam as peripécias. Depois da
Revolução de Setembro e da Belenzada, esperar-se-ia (desejar-se-ia...) que 1837 fosse um ano mais calmo. Puro engano! Logo em Maio um grupo de oficiais miguelistas, reunido perto de Loures, organiza uma conspiração, que viria a ficar conhecida como a Conjura das Marnotas. Não tiveram grande sucesso, acabaram todos engaiolados...

No mês seguinte cai o
governo de Sá da Bandeira e Passos Manuel, substituído por um chefiado pelo conselheiro António Dias de Oliveira e, em Julho, dá-se início à Revolta dos Marechais, cujo autores ambicionavam restituir a Carta Constitucional. A revolta colocou o país em estado de sítio, envolvendo acções militares de norte a sul, suspensão dos direitos e garantias durante um mês, e mesmo a proclamação da famosa Carta em várias localidades.


Marechal Saldanha, Duque da Terceira, Mousinho de Albuquerque

Em Setembro as forças constitucionais derrotam as revoltadas, em Ruivães, assinando-se então, no dia 7 de Outubro, uma convenção, conhecida como a Convenção de Chaves, que determinou o fim da revolta. Os seus principais instigadores, o marechal Saldanha, o duque da Terceira e Mousinho de Albuquerque, deram sensatamente à sola, sob pena de acabarem como os outros, na gaiola... No dia 14 de Outubro de 1837, Sá da Bandeira assumiu a Presidência do Conselho.


Internet

http://www.arqnet.pt/portal/portugal/liberalismo/lib1836.html
http://www.arqnet.pt/dicionario/sabandeira1m.html
http://www.arqnet.pt/dicionario/saldanha1d.html
http://www.arqnet.pt/dicionario/terceira1d.html
http://www.arqnet.pt/dicionario/albuquerquemouluis.html

12/10/2005

Frases #5

"Ai os nossos retratos! Credo! Você parece um ferocíssimo salteador da Calábria; eu dou ares de um inválido brigadeiro das antigas milícias a expirar de sífilis cancerosa no hospital de Runa."




in Estudos da Velha História Portuguesa, edição casadesarmento

De Francisco Martins Sarmento (1833-1899), já por aqui se falou em Agosto passado, aquando da passagem do 106º aniversário da sua morte. O texto com que se iniciou este postal foi retirado de uma carta que Camilo Castelo Branco (1825-1890) lhe escreveu, no dia 12 de Outubro de 1877.


Camilo Castelo Branco, Francisco Martins Sarmento

A amizade entre ambos foi coisa duradoura, desde os tempos em que Martins Sarmento se achou poeta, de modesta estirpe, pelos vistos, tendo ele próprio apelidado mais tarde a sua poesia de abominável..., até aqueles em que Martins Sarmento descobriu a paixão pela arqueologia, e se empenhou nas escavações do monte de S. Romão e em revelar os segredos da Citânia de Briteiros. Actividades estas justificadas, segundo Camilo, pelo facto de Martins Sarmento andar à cata de mouras desde que o amor das cristãs lhe desmiolou a cavidade craniana...



Internet

http://www.csarmento.uminho.pt/sms_41.asp
http://sarmento.weblog.com.pt/
http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/romantismo/camilo.htm
http://pwp.netcabo.pt/0511134301/camilo.htm

11/10/2005

Concertos para Piano #1: Concerto para Piano Nº1, de Chopin

Friedrich Kalkbrenner (1784-1849) é normalmente apresentado como pianista e compositor o que, em abono da verdade, está absolutamente correcto.


Friedrich Kalkbrenner

Continuando a abonar a verdade, deveremos também dizer que foi mesmo um pianista brilhante, com uma carreira de assinalável sucesso. Só que Kalkbrenner não se ficou por aí. Alemão de nascença, viria a residir em Londres entre 1814 e 1823, sendo neste último ano, aliás, que verdadeiramente deu início à sua carreira de pianista. Regressado a Paris, ingressou na fábrica de pianos Pleyel & Co., mantendo, em paralelo, uma muito bem sucedida carreira de pianista. Ficou... milionário!


Frédéric Chopin

Frédéric Chopin (1810-1849) chegou a Paris no Outono de 1831, depois de ter abandonado a sua Polónia natal. Há 175 anos, no dia 11 de Outubro de 1830, Chopin deu o seu último concerto na Polónia, e que coincidiu com a estreia do seu Concerto para Piano e Orquestra Nº1 em mi menor, Op.11. Apenas editado em 1833, o concerto viria a ser dedicado a... Friedrich Kalkbrenner, obviamente, ou esta prosa toda não faria qualquer sentido!


CDs



Frédéric Chopin
Piano Concerto No.1 in E minor, Op.11.
Piano Concerto No.2 in F minor, Op.21.
Martha Argerich (piano)
Orchestre Symphonique de Montréal
Charles Dutoit
EMI Classics 5 56798-2
(1998)

Frédéric Chopin
Piano Concerto No.1 in E minor, Op.11.
Piano Concerto No.2 in F minor, Op.21.
Krystian Zimerman (piano)
Polish Festival Orchestra
Krystian Zimerman
Deutsche Grammophon 459 684-2
(1999)


Postais anteriores sobre Chopin

1.
Outubro, 2004 (nos 150 anos passados sobre a sua morte)
2.
Março, 2005 (sobre as mazurkas)
3.
Junho, 2005 (a propósito de um disco com os concertos para piano)


Internet

http://en.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Kalkbrenner
http://www.klassika.info/Komponisten/Kalkbrenner/wv_gattung.html
http://www.culture.pl/en/culture/artykuly/dz_chopin_koncerty_fortepianowe
http://www.chopin.pl/
http://www.frederic-chopin.com/