15/11/2005

CDs #60: Brahms, Four Ballads, Piano Sonata, Daniel Barenboim

Daniel Barenboim, que hoje comemora o seu 63º aniversário, tem-se dedicado nos últimos anos essencialmente à regência de orquestras, sendo menos frequentes as suas aparições como pianista.


Daniel Barenboim

Tal não nos leva a esquecer, todavia, que estamos em presença de um pianista brilhante, pelo que hoje trazemos aqui um disco em que ele está de serviço, interpretando obras de Johannes Brahms (1833-1897). A Sonata para Piano em fá menor é uma das primeiras obras de Brahms, terminada em 1854 e de cariz marcadamente orquestral. Traço comum, aliás, às duas anteriores sonatas para piano, o que levou o igualmente compositor Robert Schumann (1810-1856) a apelidá-las de "sinfonias disfarçadas"...


Johannes Brahms

Foi o chamado período sinfónico de Brahms, a que pertence igualmente a outra obra presente neste disco, as 4 Baladas, Op.10, escritas também em 1854, quando Brahms soube dos problemas mentais de Schumann. Brahms tinha recebido o casal Schumann em Hanover no início desse ano, compreende-se o choque que terá sofrido quando recebeu a notícia. Nesse ano Schumann sofreria de várias alucinações, tentaria o suicídio e acabaria internado num asilo, onde faleceria 2 anos depois.



Brahms
Four ballades, Op.10. Piano Sonata, Op.5.
Daniel Barenboim (Piano)
Elatus 0927-49562-2
(1996)


Internet

Daniel Barenboim:
Página Oficial / Biografia 1 / Biografia 2
Johannes Brahms: Johannes Brahms WebSource / Biografia 1 / Biografia 2


Notas

1 - Afirmação: O autor deste blogue é um profundo desconhecedor dos meandros informáticos.
2 - Resultado: Andou a mexer nos parâmetros do Blogger, sem saber exactamente o que estava a fazer.
3 - Consequência: Durante alguns dias os comentários foram parar a uma pasta manhosa, nunca tendo aparecido on-line.
4 - Outra consequência: Começaram a chover reclamações, mais que justificadas perante tão evidente azelhice.
5 - Situação actual: Assunto resolvido, não há mal que sempre dure.
6 - Conclusão: Um formal pedido de desculpas deste vosso escriba.

13/11/2005

Compositores #48: Gioacchino Rossini (1792-1868)

O bel canto é a supremacia da elegância vocal, dos floreios (há quem lhes chame salamaleques...) e da beleza do timbre, algo que já nos foi detalhadamente explicado por este nosso amigo. Teve o seu expoente em Itália; aliás, quando se fala em bel canto, faz-se de imediato a associação a esse país. E aí contou com três nomes principais: Gaetano Donizetti (1797-1848), Vincenzo Bellini (1801-1835) e Gioacchino Rossini, falecido passam hoje 137 anos.


Gioacchino Rossini

Com eles a ópera italiana ficou mais acessível, ganhou um estatuto de fórmula popular de entretenimento, em tudo a antítese das óperas de Wagner, conforme (muito bem) referiu um notabilíssimo escritor inglês (quem?!). Rossini, em particular, exibiu desde muito novo uma facilidade espantosa em escrever melodias, gabando-se mesmo de "conseguir transformar em música qualquer lista de compras"...

Aos 21 anos, Rossini já tinha escrito 10 óperas. Aos 32, mudou-se para Paris, como director musical do Teatro Italiano. Lá escreveu 4 óperas, Le Siège de Corinthe, Moïse et Pharaon, Le Comte Ory e Guillaume Tell. Esta última, de 1929, foi mesmo a última que Rossini escreveu, uma vez que decidiu reformar-se com... 37 anos, tendo, contudo, continuado a escrever peças de outros estilos, nomeadamente instrumentais e vocais.


CDs



Gioacchino Rossini
L'italiana in Algeri.
Jennifer Larmore, Laura Polverelli (meios-sopranos), Raúl Giménez (tenor),
John del Carlo (baixo), Darina Takova (soprano)
Geneva Grand Theatre Chorus
Lausanne Chamber Orchestra
Jesús López-Cobos
Teldec 0630-17130-2

Gioacchino Rossini
Elisabetta, regina d'Inghilterra.
Jennifer Larmore, Manuela Custer (meios-sopranos), Bruce Ford, Colin Lee,
Antonio Siragusa (tenores), Majella Cullagh (soprano)
Geoffrey Mitchell Choir
London Philharmonic Orchestra
Giuliano Carella
Opera Rara ORC22

Gioacchino Rossini
The Thieving Magpie.
Jeremy White, Nicholas Garrett, Philip Tebb (baixos), Susan Bickley,
Nerys Jones (meios-sopranos), Barry Banks, John Graham-Hall, Stuart Kale
(tenores), Majella Cullagh (soprano), Russell Smythe, Christopher Purves,
Darren Jeffrey (barítonos)
Geoffrey Mitchell Choir
Philharmonia Orchestra
David Parry
Chandos CHAN3097


Internet

Gioacchino Rossini: Biografia 1
/ Biografia 2 / Guillaume Tell
Gaetano Donizzeti: Fondazione Donizetti
/ Donizetti-Gaetano.com
Vincenzo Bellini: Biografia
/ Classical Net

12/11/2005

Compositores #47: Alexander Borodin (1833-1887)

No século XIX houve um grupo de compositores que se formou à volta do ideal de criar uma escola de composição distinta e caracteristicamente russa. Ficaram conhecidos como Os Cinco, porque eram... 5 os compositores russos que dele faziam parte: Mily Balakirev (1837-1910), Alexander Borodin (1833-1887), César Cui (1835-1918), Modest Mussorgsky (1839-1881) e Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908).


Balakirev, Borodin, Cui, Mussorgsky, Rimsky-Korsakov

Apelidado ainda de Grupo Poderoso, na Rússia, teve no crítico Vladimir Stasov (1824-1906) a sua principal referência ideológica. Refira-se, por curiosidade, que Stasov foi um dos que teve a felicidade de assistir à primeira projecção dos irmãos Lumière, em 1895.


Os Cinco, com Stasov

Borodin, nascido há 172 anos, nunca se dedicou em exclusivo à música. Longe disso, aliás, esta sempre foi por ele relegada para segundo plano. Formado em medicina e professor de química na Academia Médico-Cirúrgica de São Petersburgo, foi um cientista de renome, mesmo a nível internacional, havendo até uma reacção química que ostenta o seu nome. Isso diz quem sabe, porque a coisa mais parecida com uma reacção química que eu conheço e minimamente relacionada com a Rússia, é aquele líquido saboroso que resulta de se adicionar vodka ao sumo de laranja...


Alexander Borodin, Vladimir Stasov

Compreende-se assim que Borodin não tenha composto muitas obras, dado ter-se dedicado à composição apenas nas férias ou quando estava doente. Compreender-se-á também o facto de os seus amigos, em tom de brincadeira, desejarem frequentemente que a doença o atingisse, e de Borodin se considerar um "músico de Domingo"...


CDs




Dmitri Shostakovich
String Quartet No.8 in C minor, Op.110.
Alexander Borodin
String Quartet No.2 in D.
Maurice Ravel
String Quartet in F.
Borodin Quartet
BBC Legends BBCL4063-2

Alexander Borodin
Prince Igor - Overture. Symphony No.2 in B minor.
Symphony No.3 (inacabada). Polovtsian Dances.
London Symphony Chorus
London Symphony Orchestra, Georg Solti, Jean Martinon
L'Orchestre de la Suisse Romande, Ernest Ansermet
Decca 467 482-2

Alexander Borodin
Symphony No.2 in B minor (2 interpretações).
NBC Symphony Orchestra, Erich Kleiber
Stuttgart Radio Symphony Orchestra, Carlos Kleiber
Hänssler Classic 93 116
(1947, 1972)

Alexander Borodin
In the Steppes of Central Asia.
Symphony No.1 in E flat. Symphony No.2 in B minor.
Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy
Decca 436 651-2

Rimsky-Korsakov
Scheherazade, Op.35.
Alexander Borodin
In the Steppes of Central Asia.
Mily Balakirev
Islamey (arr. Lyapunov).
Kirov Orchestra
Valery Gergiev
Decca 470 840-2

Mily Balakirev
Symphony No.1 in C major.
Rimsky-Korsakov
The Golden Cockerel - Suite.
Alexander Borodin
Prince Igor - Polovtsian Dances.
London Philharmonic Choir
BBC Symphony Orchestra
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4084-2


Internet

Vladimir Stasov: Biografia

Alexander Borodin: Biografia 1
/ Biografia 2 / Biografia 3

10/11/2005

Óperas #6: La forza del destino, de Giuseppe Verdi

Quando, em 1832, Giuseppe Verdi (1813-1901) chumbou no exame de admissão ao Conservatório de Milão, dificilmente se admitiria que ele viria a escrever algumas das páginas mais brilhantes da ópera, não só da italiana da 2ª metade do século XIX, mas da universal de todos os tempos.


Giuseppe Verdi

Em 1860, quando já estava rico e preparado para uma reforma dourada, Verdi foi desafiado pelo tenor Enrico Tamberlik (1820-1889), um dos mais populares da altura, a compôr uma ópera a ser estreada em São Petersburgo, onde Tamberlik iria actuar.

Nos finais do ano seguinte Verdi viajou com a esposa para a Rússia, para assistir à estreia de La forza del destino, cujo libreto esteve, de novo, a cargo de Francesco Maria Piave (1810-1876), maioritariamente baseado na peça Don Alvaro, o La fuerza del sino de Angel Perez de Saavedra, incluindo ainda uma cena de Wallensteins Lager, de Friedrich von Schiller.


Enrico Tamberlik, Francesco Maria Piave

A estreia, a 10 de Novembro de 1862, esteve longe de obter grande sucesso, para o que terão contribuído vários factores: a brutalidade da acção que, na sua versão original, terminava com a morte de todos os principais intervenientes...; na altura procurava-se forjar na Rússia um estilo operático próprio, pelo que as obras de autores estrangeiros não eram demasiadamente apreciadas; e, igualmente importante e directamente relacionado com o ponto anterior, Verdi recebeu 22000 rublos por ter escrito a ópera, enquanto que os compositores russos recebiam cerca de... 500...


CDs



Giuseppe Verdi
La forza del destino.
M. Caniglia (soprano), G. Masini, G. Nessi (tenores), C. Tagliabue,
S. Meletti (barítonos), T. Pasero, Dominici (baixos), Stignani,
Avogadro (meios-sopranos)
RAI Chorus & Symphony Orchestra
Gino Marinuzzi
Naxos Historical 8.110206-07
(1941)

Giuseppe Verdi
La forza del destino.
M. Callas (soprano), E. Nicolai, R. Cavallari (meios-sopranos),
R. Tucker, G. del Signore (tenores), C. Tagliabue, R. Capecchi (barítonos),
N. Rossi-Lemeni, P. Clabassi, D. Caselli (baixos)
Choro & Orchestra del Teatro Alla Scala, Milano
Tullio Serafin
EMI 5-56323-2
(1955)


Internet

Giuseppe Verdi:
Portale Giuseppe Verdi / Biografia / Óperas
La forza del destino:
Introdução / Libreto

09/11/2005

Reis de Portugal #10: D. Maria II (1819-1853)

Na segunda metade dos anos 30 houve um outro nome, além do de Sá da Bandeira, que marcou indelevelmente o reinado de D. Maria II: o de António Bernardo da Costa Cabral (1803-1889), 1º conde e 1º marquês de Tomar.

Depois de se ter formado em Direito com apenas 20 anos de idade, em Coimbra, Costa Cabral exerceu advocacia durante algum tempo, até à altura em que decidiu envolver-se nas lutas liberais. Foi um dos muitos que, com a derrota dos constitucionalistas, teve que se refugiar primeiro na Galiza e depois em Inglaterra, tendo-se finalmente juntado às hostes liberais na ilha Terceira,
último reduto da resistência.


Costa Cabral

Em 1836 é eleito deputado pela 2ª vez e, em 1839, assume a pasta da Justiça tendo, no desempenho dessas funções, promulgado a Novíssima Reforma Judiciária. No dia 14 de Janeiro de 1842 iniciou o movimento que ficaria para a história como a Revolução Cartista, quando se dirigiu para o Porto (sempre o Porto...) para lá preparar e organizar uma junta de governo. Nos finais desse mesmo mês Costa Cabral marchou de regresso à capital, com os resultados que se conhecem: no dia 10 de Fevereiro a
Carta Constitucional é restaurada, e no dia 24 o próprio Costa Cabral é nomeado Ministro do Reino.

Promoveu a abertura de novas estradas e a construção de pontes, com destaque para a ponte pênsil do Porto e, no domínio mais cultural, foram igualmente de sua responsabilidade a construção do Teatro D. Maria II e a organização do Conservatório, da Imprensa Nacional e da Academia Portuense de Belas Artes.


Sá da Bandeira, Almeida Garrett

No dia 18 de Março de 1842, Costa Cabral promulgou o Novo Código Administrativo. Foi do bom e do bonito... As forças opositoras, onde pontuava um irmão de Costa Cabral, lutaram longa e duramente, culminando em 1844 na Revolta de Torres Novas. Entre os dirigentes da coligação oposicionista encontravam-se Sá da Bandeira (naturalmente...) e... Almeida Garrett. A revolta de Torres Novas, que se iniciara nos finais de Junho de 1843, terminaria apenas no dia 4 de Fevereiro do ano seguinte, com um pronunciamento militar que, todavia, foi sufocado, uma vez que o exército se manteve fiel ao governo.


Internet

http://www.arqnet.pt/dicionario/tomar1c.html
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/liberalismo/lib1842.html
http://www.arqnet.pt/dicionario/sabandeira1m.html
http://www.arqnet.pt/portal/biografias/garrett.html

07/11/2005

Compositores #46: William Alwyn (1905-1985)

Não se conhece muito das composições do inglês William Alwyn anteriores a 1939, dado o compositor as ter achado de qualidade inferior e destruído as respectivas partituras. Sabe-se, contudo, que entre elas se contavam alguns concertos, música de câmara e um oratório, The Marriage of Heaven and Hell.


William Alwyn

Daquilo que compôs posteriormente, destaque natural para as 5 sinfonias, bem como para a música de câmara e as canções. Escreveu ainda uma ópera e música para inúmeros documentários (mais de 120) e filmes (mais de 60). Destes últimos, destacaria Desert Victory (1943), The True Glory (1945), Odd Man Out (1946), The Fallen Idol (1948), The History of Mr. Polly (1949) e a produção da Walt Disney, Swiss Family Robinson (1960).



William Alwyn, cujo centenário do nascimento celebra-se hoje, cedo tinha mostrado as suas aptidões musicais, bastando referir que, aos 21 anos de idade, já era professor na RAM
(Royal Academy of Music), para onde tinha entrado como aluno em 1920.

Refira-se que Alwyn, além de compor, dedicou-se ainda ao desenho, à pintura e à escrita, tendo mesmo publicado 3 volumes de poesia:

We live by what we leave behind
dreams preserved in monuments
aspirations in paintings, visions
in books and music...


CDs





William Alwyn
String Quartets - No.1 in D minor; No.2, "Spring Waters".
London Quartet
Chandos CHAN9219

William Alwyn
Autumn Legend. Pastoral Fantasia. Tragic Interlude. Lyra Angelica.
Rachel Masters, Nicholas Daniel, Stephen Tees
City of London Sinfonia
Richard Hickox
Chandos CHAN9065

William Alwyn
Concerto for Flute and Eight Wind Instruments. Suite for Oboe and Harp.
Naiades: Fantasy-Sonata for Flute and Harp. Music for Three Players.
Trio for Flute, Cello and Piano.
Kate Hill (flauta), Nicholas Daniel (oboé), Ieuan Jones (harpa),
Leland Chen (violino), Joy Farrall (clarinete), Julius Drake (piano),
Caroline Dearnley (violoncelo)
London Haffner Wind Ensemble
Nicholas Daniel
Chandos CHAN9152

William Alwyn
Piano Concertos - No.1 & No.2. Sonata alla toccata. Derby Day.
Peter Donohoe (piano)
Bournemouth Symphony Orchestra
James Judd
Naxos 8.557590

William Alwyn
Concerto for Oboe, String Orchestra and Harp.3 Concerti Grossi.
Nicholas Daniel (oboé), Rachel Masters (harpa)
City of London Sinfonia
Richard Hickox
Chandos CHAN8866

William Alwyn
Symphony No.1. Piano Concerto No.1.
Howard Shelley (piano)
London Symphony Orchestra
Chandos CHAN9155

William Alwyn
Symphony No.2. Magic Island.
London Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN9093

William Alwyn
Symphony No.3. Violin Concerto.
Lydia Mordkovitch (violino)
London Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN9187

William Alwyn
Symphony No.4. Elizabethan Dances. Festival March.
London Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN8902


Internet

http://www.musicweb-international.com/alwyn/
http://www.imdb.com/name/nm0005944/
http://www.boydell.co.uk/britmusic2.htm