Na segunda metade dos anos 30 houve um outro nome, além do de Sá da Bandeira, que marcou indelevelmente o reinado de D. Maria II: o de António Bernardo da Costa Cabral (1803-1889), 1º conde e 1º marquês de Tomar.
Depois de se ter formado em Direito com apenas 20 anos de idade, em Coimbra, Costa Cabral exerceu advocacia durante algum tempo, até à altura em que decidiu envolver-se nas lutas liberais. Foi um dos muitos que, com a derrota dos constitucionalistas, teve que se refugiar primeiro na Galiza e depois em Inglaterra, tendo-se finalmente juntado às hostes liberais na ilha Terceira, último reduto da resistência.

Costa Cabral
Em 1836 é eleito deputado pela 2ª vez e, em 1839, assume a pasta da Justiça tendo, no desempenho dessas funções, promulgado a Novíssima Reforma Judiciária. No dia 14 de Janeiro de 1842 iniciou o movimento que ficaria para a história como a Revolução Cartista, quando se dirigiu para o Porto (sempre o Porto...) para lá preparar e organizar uma junta de governo. Nos finais desse mesmo mês Costa Cabral marchou de regresso à capital, com os resultados que se conhecem: no dia 10 de Fevereiro a Carta Constitucional é restaurada, e no dia 24 o próprio Costa Cabral é nomeado Ministro do Reino.
Promoveu a abertura de novas estradas e a construção de pontes, com destaque para a ponte pênsil do Porto e, no domínio mais cultural, foram igualmente de sua responsabilidade a construção do Teatro D. Maria II e a organização do Conservatório, da Imprensa Nacional e da Academia Portuense de Belas Artes.

Sá da Bandeira, Almeida Garrett
No dia 18 de Março de 1842, Costa Cabral promulgou o Novo Código Administrativo. Foi do bom e do bonito... As forças opositoras, onde pontuava um irmão de Costa Cabral, lutaram longa e duramente, culminando em 1844 na Revolta de Torres Novas. Entre os dirigentes da coligação oposicionista encontravam-se Sá da Bandeira (naturalmente...) e... Almeida Garrett. A revolta de Torres Novas, que se iniciara nos finais de Junho de 1843, terminaria apenas no dia 4 de Fevereiro do ano seguinte, com um pronunciamento militar que, todavia, foi sufocado, uma vez que o exército se manteve fiel ao governo.
Internet
http://www.arqnet.pt/dicionario/tomar1c.html
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/liberalismo/lib1842.html
http://www.arqnet.pt/dicionario/sabandeira1m.html
http://www.arqnet.pt/portal/biografias/garrett.html
Não se conhece muito das composições do inglês William Alwyn anteriores a 1939, dado o compositor as ter achado de qualidade inferior e destruído as respectivas partituras. Sabe-se, contudo, que entre elas se contavam alguns concertos, música de câmara e um oratório, The Marriage of Heaven and Hell.

William Alwyn
Daquilo que compôs posteriormente, destaque natural para as 5 sinfonias, bem como para a música de câmara e as canções. Escreveu ainda uma ópera e música para inúmeros documentários (mais de 120) e filmes (mais de 60). Destes últimos, destacaria Desert Victory (1943), The True Glory (1945), Odd Man Out (1946), The Fallen Idol (1948), The History of Mr. Polly (1949) e a produção da Walt Disney, Swiss Family Robinson (1960).

William Alwyn, cujo centenário do nascimento celebra-se hoje, cedo tinha mostrado as suas aptidões musicais, bastando referir que, aos 21 anos de idade, já era professor na RAM (Royal Academy of Music), para onde tinha entrado como aluno em 1920.
Refira-se que Alwyn, além de compor, dedicou-se ainda ao desenho, à pintura e à escrita, tendo mesmo publicado 3 volumes de poesia:
We live by what we leave behind
dreams preserved in monuments
aspirations in paintings, visions
in books and music...
CDs



William Alwyn
String Quartets - No.1 in D minor; No.2, "Spring Waters".
London Quartet
Chandos CHAN9219
William Alwyn
Autumn Legend. Pastoral Fantasia. Tragic Interlude. Lyra Angelica.
Rachel Masters, Nicholas Daniel, Stephen Tees
City of London Sinfonia
Richard Hickox
Chandos CHAN9065
William Alwyn
Concerto for Flute and Eight Wind Instruments. Suite for Oboe and Harp.
Naiades: Fantasy-Sonata for Flute and Harp. Music for Three Players.
Trio for Flute, Cello and Piano.
Kate Hill (flauta), Nicholas Daniel (oboé), Ieuan Jones (harpa),
Leland Chen (violino), Joy Farrall (clarinete), Julius Drake (piano),
Caroline Dearnley (violoncelo)
London Haffner Wind Ensemble
Nicholas Daniel
Chandos CHAN9152
William Alwyn
Piano Concertos - No.1 & No.2. Sonata alla toccata. Derby Day.
Peter Donohoe (piano)
Bournemouth Symphony Orchestra
James Judd
Naxos 8.557590
William Alwyn
Concerto for Oboe, String Orchestra and Harp.3 Concerti Grossi.
Nicholas Daniel (oboé), Rachel Masters (harpa)
City of London Sinfonia
Richard Hickox
Chandos CHAN8866
William Alwyn
Symphony No.1. Piano Concerto No.1.
Howard Shelley (piano)
London Symphony Orchestra
Chandos CHAN9155
William Alwyn
Symphony No.2. Magic Island.
London Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN9093
William Alwyn
Symphony No.3. Violin Concerto.
Lydia Mordkovitch (violino)
London Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN9187
William Alwyn
Symphony No.4. Elizabethan Dances. Festival March.
London Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN8902
Internet
http://www.musicweb-international.com/alwyn/
http://www.imdb.com/name/nm0005944/
http://www.boydell.co.uk/britmusic2.htm
A peça O Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare (1564-1616), serviu de inspiração a muita gente das mais diversas áreas, nomeadamente da 7ª arte e da musical. A primeira obra siginificativa neste último campo, que é aquele que aqui nos interessa, baseada nesta peça, foi a semi-ópera The Fairy Queen, escrita em 1692 pelo compositor inglês do período barroco Henry Purcell (1659-1695).

O extraordinário concerto a que tive a sorte de poder assistir ontem começou e acabou com outras 2 obras inspiradas nesta comédia de Shakespeare: a Abertura Óberon, de Carl Maria von Weber (1786-1826), e a música de cena Sonho de Uma Noite de Verão, de Felix Mendelssohn (1809-1847).

Carl Maria von Weber
Weber foi o fundador da ópera romântica alemã, tendo obtido o seu primeiro grande sucesso com Der Freischütz, composta em 1821. Sob convite, viria depois a escrever Oberon, cuja estreia teria lugar no Covent Garden, de Londres, no dia 12 de Abril de 1826. Contrariando a opinião do seu médico, Weber deslocou-se a Londres para assistir à estreia. Lá faleceu em Junho, na véspera de regressar à Alemanha.
As interpretações estiveram a cargo das sopranos Charlotte Mobbs, Katharine Fuge e Elin Manahan Thomas, das meios-sopranos Clare Wilkinson, Margaret Cameron e Frances Bourne, e da Orchestre Révolutionnaire et Romantique, dirigida pelo maestro John Eliot Gardiner.

John Eliot Gardiner
De Gardiner falarei certamente noutras alturas, quem está por dentro destes assuntos sabe que este antigo aluno de Nadia Boulanger (1887-1979) é hoje (e de há umas décadas para cá...) um dos maestros mais conceituados, especialista em interpretações utilizando instrumentos da época, e fundador e director artístico do Monteverdi Choir (1964), dos English Baroque Soloists (1978) e da Orchestre Révolutionnaire et Romantique (1990).
Programa
Carla Maria von Weber
Abertura Óberon.
Felix Mendelssohn
Sinfonia Nº3, Op.56, "Escocesa".
Sonho de Uma Noite de Verão, Op.61.
Internet
John Eliot Gardiner: Biografia 1 / Biografia 2 / Official website of the Monteverdi Choir, English Baroque Soloists & Orchestre Révolutionnaire et Romantique
Carl Maria von Weber: Biografia 1 / Biografia 2 / Óperas
Se hoje o nome de Johann Sebastian Bach (1685-1750) é reconhecido universalmente e a sua música objecto de enorme divulgação, a verdade é que nem sempre assim foi, e algumas das suas mais importantes obras foram ignoradas por longos períodos.
O grande responsável pela redescoberta da música de Bach foi o compositor alemão Felix Mendelssohn, ao organizar e ele próprio dirigir em Berlim uma récita da Matthäus-Passion (Paixão segundo S. Mateus), no dia 11 de Março de 1829.

J. S. Bach, Felix Mendelssohn
Mendelssohn, como compositor, foi um caso extraordinário de precocidade e prolificidade, algo já anteriormente mencionado quando por aqui falámos da sua Abertura para o Sonho de Uma Noite de Verão. Desta vez, contudo, vamos olhar brevemente para os últimos anos da curta vida de Mendelssohn, marcados por obras importantes e sérios problemas de saúde.

Fanny Mendelssohn, Felix Mendelssohn
Nesse período Mendelssohn compôs, nomeadamente, a música incidental para o Sonho de Uma Noite de Verão, o Concerto para Violino e Orquestra em mi menor, o oratório Elijah, que lhe ocupou os dois últimos anos de vida, e o Quarteto de Cordas em fá menor. Em 1847, Mendelssohn ainda teve a oportunidade de dirigir por 6 vezes este oratório em Londres, cidade que visitava pela 10ª vez. Em Maio desse ano faleceu a sua irmã, Fanny Mendelssohn (1805-1847), igualmente pianista e compositora, e no dia 4 de Novembro, há exactamente 158 anos, morreria Felix Mendelssohn.
CDs


Felix Mendelssohn
Symphonies. Overtures. Concertos.
(incl. Concerto for Violin and Orchestra in E minor, Oo.64)
Kyoko Takezawa (violino)
Bamberg Symphony Orchestra
Claus Peter Flor
RCA Victor Red Seal 82876 67885-2
Felix Mendelssohn
A Midsummer Night's Dream.
Lillian Watson, Delia Wallis
Finchley Children's Music Group
London Symphony Orchestra
André Previn
EMI Encore 5 74981-2
Felix Mendelssohn
A Midsummer Night's Dream.
Heather Harper, Janet Baker
Philharmonia Chorus
Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer
EMI 5 67038-2
Felix Mendelssohn
Elijah.
Alastair Miles, Helen Donath, Kerstin Klein
Leipzig Radio Chorus
Israel Philharmonic Orchestra
Kurt Masur
Teldec 73131-2
Felix Mendelssohn
Elijah.
Bryn Terfel, John Mark Ainsley, Renée Fleming, Stephen Doughty,
Libby Crabtree, Sara Fulgoni, John Bowen, Patricia Bardon,
Geoffrey Moses, Neal Davies
Edinburgh Festival Chorus
Orchestra of the Age of Enlightenment
Paul Daniel
Decca 455 688-2
Internet
Johann Sebastian Bach
J. S. Bach Home Page / Johann Sebastian Bach's Life / St Matthew Passion
Felix Mendelssohn
Biografia 1 / Biografia 2 / Biografia 3
Há 12 anos atrás entrava em vigor o Tratado de Maastricht, que instituiu a União Económica e Monetária e que, aparentemente, representou um grande salto qualitativo na integração europeia. Os saltos, mesmo os qualitativos, podem ser dados em várias direcções e objecto das mais variadas interpretações, mas como nós aqui no desNorte não tratamos de assuntos políticos, deixamos ao critério de cada um a avaliação dos saltinhos europeus. Não tratamos da coisa política mas tratámos de ir a Maastricht para conhecer minimamente tão famoso local, e deixamos aqui meia dúzia de fotos tiradas na altura.

As origens da cidade remontam aos tempos romanos e a sua importante posição estratégica, a sul da Holanda e muito perto da Bélgica e da Alemanha, fez com que ao longo da sua história fosse palco de várias lutas e alvo de diversos cercos, a rondar uma vintena!

A cidade orgulha-se dos seus quase 1500 monumentos e edifícios históricos. À falta de tempo para termos visto todos(!), vimos em mais detalhe a basílica de S. Servatius e a basílica medieval de Nossa Senhora. A Basílica de S. Servatius é a mais antiga igreja holandesa, construída no início do século II e inaugurada em 1039, enquanto a de Nossa Senhora data do século XI.

Internet
http://www.vvvmaastricht.nl/
http://www.sintservaas.nl/indexf.html
http://www.hotels-holland.com/info/Maastricht/history.htm
http://www.nluug.nl/events/sane2000/Maastricht/Maastricht.html
Quem por aqui vai passando já sabe que tenho uma admiração particular por dois sinfonistas, sendo um deles o austríaco Anton Bruckner (1824-1896). Para grandes sinfonias, grandes maestros, havendo uma meia dúzia deles que eu aprecio especialmente em Bruckner. Entre eles, obviamente, o alemão Eugen Jochum, de quem celebramos hoje o 103º aniversário do nascimento.

Eugen Jochum
O envolvimento de Jochum com a música de Bruckner começou logo na sua estreia como maestro, quando, em 1927, dirigiu a Filarmónica de Munique na 7ª sinfonia deste compositor. Entre 1934 e 1939 esteve à frente da Ópera de Hamburgo, assim como da respectiva Orquestra Filarmónica e quis o destino que fosse o único a apresentar obras de Paul Hindemith (1895-1963), Igor Stravinsky (1882-1971) e Béla Bartók (1881-1945), que tinham sido proibidas pelos nazis em todos os outros centros musicais da Alemanha. Critérios...

Tal não impediu que tivesse que mudar de ares durante a 2ª Grande Guerra, período em que dirigiu a Orquestra do Concertgebouw, de Amesterdão. Uns anos mais tarde, em 1961, Jochum seria mesmo nomeado maestro principal dessa orquestra, cargo que ocupou até 1964.
Com os anos Jochum foi-se especializando na música alemã em geral e no seu repertório sinfónico em particular. Foi mesmo um dos grandes responsáveis, senão o maior, pela promoção das sinfonias de Anton Bruckner.
CDs

Anton Bruckner
Symphony No.4.
Berliner Philharmoniker
Eugen Jochum
Deutsche Grammophon 449 718-2
(1967)
Anton Bruckner
Symphonies Nos.8 & 9.
Dresden Staatskapelle
Eugen Jochum
EMI Double Forte 5 73827-3
(1976, 1978)
Anton Bruckner
Symphonies Nos.1-9.
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Eugen Jochum
Deutsche Grammophon 469 810-2
Internet
Anton Bruckner
Biografia 1 / Biografia 2 / Discografia
Eugen Jochum
Biografia 1 / Biografia 2