10/12/2005

DVDs #8: Giacomo Puccini (1858-1924), La Fanciulla del West

Há um ano atrás andavam uns (des)governantes à procura do ouro salvador que fizesse com que o défice do nosso país não ultrapassasse a fasquia dos malfadados 3% do PIB. Muitos anos antes, em 1910, e neste preciso dia, estreava a ópera La Fanciulla del West, do compositor italiano Giacomo Puccini.



E que diabo tem uma coisa a ver com a outra, perguntarão?! É que a acção desta ópera passa-se em meados do século XIX, na Califórnia, na época da corrida ao ouro. Andavam todos atrás do mesmo, só que os indígenas lusitanos encontraram-no na CGD...



De uma forma resumida pode-se dizer que Minnie (Mara Zampieri) por quem todos se batiam (as senhoras escasseavam...), apaixona-se perdidamente por Dick Johnson, de seu nome verdadeiro Ramerrez (Plácido Domingo), um fora-da-lei inevitavelmente perseguido pelo sheriff Jack Rance (Juan Pons) e seus acólitos. Ramerrez acabaria ferido e detido, safando-se apenas por Minnie ter convencido Rance a aceitar que o seu destino fosse decidido num jogo de poker. Minnie jogou, fez batota e ganhou! Algumas peripécias depois e lá foram os amantes à sua vida, saudados pelos mineiros já saudosos... Óptimas audições!


DVD



Giacomo Puccini
La Fanciulla del West
Minnie
- Mara Zampieri
Jack Rance - Juan Pons
Dick Johnson (Ramerrez) - Plácido Domingo
Nick - Sergio Bertocchi
Billy Jackrabbit - Aldo Bramante
Wowkle - Nella Verri
Jake Wallace - Marco Chingari
José Castro - Claudio Giombi
Orchestra and Chorus of Teatro alla Scala
Lorin Maazel
Stage director - Jonathan Miller
Opus Arte OA LS3004 D


Internet

http://www.marazampieri.com/

08/12/2005

Lugares #119

“Pega-se no bacalhau demolhado e deita-se numa caçarola. Depois cobre-se tudo com água a ferver e depois tapa-se com uma baeta grossa ou um pedaço de cobertor e deixa-se então assim sem ferver durante 20 minutos. A seguir, ao bacalhau que está na caçarola e que devem ser 2 quilos pesados em cru, tiram-se-lhe todas as espinhas e faz-se em lascas e põe-se num prato fundo cobrindo-se com leite quente, deixando-o em infusão durante uma hora e meia a duas horas.


Depois em uma travessa de ir ao forno, deita-se três decilitros de azeite fino do mais fino (isto é essencial), quatro dentes de alho e oito cebolas alourar. Ter já dois quilos de batatas (cortadas à parte com casca) às quais se lhes tira a pele e se cortam às rodelas da grossura de um centímetro e bota-se as batatas mais as lascas do bacalhau que se retiram do leite. Põe-se então na mesma travessa no forno, deixando-se ferver tudo por dez a quinze minutos. Serve-se na mesma travessa com azeitonas grandes pretas, muito boas e mais um ramo de salsa muito picada e rodelas de ovo cozido. Deve-se servir bem quente, muito quente.”


Quem tão esmeradamente escreveu esta receita foi o comerciante portuense José Luis Gomes de Sá (1851-1926), que não deixou de recomendar a um seu amigo, de nome João: "João, se alterar qualquer cousa já não fica capaz"...

A casa onde nasceu o autor de tão famosa receita fica no número 114 da Rua de Cima do Muro, bem perto da Praça da Ribeira. Zona de culto, digo eu, aquela que junta em apertado espaço a histórica praça e tão admirável casa, origem da satisfação de tantos necessitados estômagos! Casa que, ao contrário de outras relacionadas com ilustres figuras de Portugal, se exibe orgulhosa, bem tratada e vistosa. Nada de ruínas, envergonhadas atrás de tapumes ou simplesmente esquecidas, que a cidade, ocupada em sizentas actividades graníticas, não pode velar por tudo... Triste o povo que tão empenhadamente destrói a sua memória comum!


Internet

Visitar o Porto - Gastronomia / Roteiro Gastronómico - Bacalhau à Gomes de Sá

07/12/2005

CDs #63: Messiaen, Éclaires sur l'Au-delà...

A Orquestra Filarmónica de Nova Iorque é a mais antiga orquestra sinfónica dos Estados Unidos, tendo sido fundada em 1842 e dado o seu primeiro concerto no dia 7 de Dezembro desse ano. Foi liderada por alguns dos mais prestigiados maestros (e, alguns, também compositores), como Gustav Mahler (1860-1911), Willem Mengelberg (1871-1951), Arturo Toscanini (1867-1957), Bruno Walter (1876-1962), Dimitri Mitropoulos (1896-1960) e George Szell (1897-1970). Algumas das mais importantes obras do repertório clássico foram estreadas por esta orquestra: a Sinfonia Nº9 de Dvorák, no dia 15 de Dezembro de 1893, o Concerto para Piano Nº3 de Rachmaninov, no dia 28 de Novembro de 1909, e o Concerto em fá maior de Gershwin, no dia 3 de Dezembro de 1925.



Para a comemoração do seu 150º aniversário, a Filarmónica de Nova Iorque encomendou uma obra ao compositor, organista e... ornitólogo francês Olivier Messiaen (1908-1992). Éclairs sur l'Au-delà... seria a última obra completa de Messiaen, tendo sido estreada no dia 5 de Novembro de 1992, 6 meses após o falecimento do compositor.


Olivier Messiaen

Já anteriormente duas importantes obras de Messiaen tinham tido as suas estreias nos Estados Unidos: a Turangalîlâ-Symphonie, a 2 de Dezembro de 1949, e Des Canyons aux Étoiles, no dia 20 de Novembro de 1974.

Messiaen trabalhou em Éclairs sur l'Au-delà... entre 1987 e 1991. A obra, apesar da origem da encomenda, não apresenta traços distintivamente americanos. Ornitólogo por paixão, Messiaen introduzia frequentemente sons de pássaros nas suas obras. Tal voltou a acontecer nesta obra, só que eles são da Austrália, da África do Sul, da Grécia e do Quénia. Nenhum dos Estados Unidos...



Olivier Messiaen
Éclairs sur l'Au-delà...
Berliner Philharmoniker
Simon Rattle
EMI Classics 5 57788-2
(2004)


Internet

http://newyorkphilharmonic.org/
http://www.oliviermessiaen.org/messiaen2index.htm
http://www.france.diplomatie.fr/culture/galerie_composit/messiaen.html
http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/messiaen.html

05/12/2005

Missas #1: Glagolitic Mass, de Leos Janácek

"Não sou um homem velho, assim como não sou crente!". Esta frase poderia ter sido dita por aquele em que estarão porventura a pensar, mas não..., foi dita, em 1927, por um Leos Janácek furioso, quando um crítico de um jornal de Brno escreveu a propósito da Glagolitic Mass, estreada nessa cidade no dia 5 de Dezembro desse ano: "Janácek, agora que é um homem velho, sente, com uma urgência crescente, que a expressão da sua crença em Deus não deverá estar ausente da sua obra".


Leos Janácek

A notoriedade de Janácek (1854-1928) como compositor chegou muito tarde, já em pleno século XX, com a ópera Jenufa, em 1904. O grande sucesso só chegaria mesmo em 1916, com a versão revista da ópera, tendo nessa altura Janácek a respeitável idade 62 anos..., mas longe de estar velho!

A partir daí Janacék compôs aquelas que viriam a ser as suas obras mais emblemáticas: orquestrais (Sinfonietta
) e operáticas (Vylety páne Brouckovy, Kát'a Kabanová, Prihody Lisky Bytrousky, Vec Makropulos e Z mrtvého domu, sendo que não viveu o suficiente para acabar esta última), além de música de câmara.

A Glagolitic Mass foi escrita em 1926, apenas dois anos antes da sua morte. Segundo o próprio demorou apenas 3 semanas a compor aquela que acabaria por ser a sua mais importante obra coral. Foi como que um regresso às origens, se nos lembrarmos de que Janácek fez os primeiros estudos musicais num mosteiro, em Brno, na longínqua década de 1860.


CDs



Leos Janácek
Glagolitic Mass. Taras Bulba.
Eduard Haken, Vera Soukupová, Jaroslav Vodrázka,
Libuse Domanínská, Beno Blachut
Prague Philharmonic Chorus
Czech Philharmonic Orchestra
Karel Ancerl
Supraphon SU3667-2

Leos Janácek
Sinfonietta, Op.60. Glagolitic Mass.
Felicity Palmer, Ameral Gunson, John Mitchinson,
Jane Parker-Smith, Malcolm King
City of Birmingham Symphony Chorus & Orchestra
Simon Rattle
EMI GROC 5 66980-2


Internet

Leos Janácek: Biografia & Obras
/ Biografia / Obras

04/12/2005

Concertos #29

Em 1801, com apenas 30 anos, o compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827), numa carta enviada a amigos escrevia qualquer coisa como isto: "(...) Mas esse demónio invejoso, a minha desgraçada saúde, tem sido uma enorme contrariedade; resultando em que, nos últrimos três anos, a minha audição tem ficado cada vez mais fraca". (1)

Em 1818, Beethoven estava completamente surdo. Nos 3 anos seguintes escreveria obras importantes, como as Variações Diabelli, a Missa Solemnis, e as três últimas Sonatas para Piano. Apenas em 1822 faria um interregno, por problemas de saúde e pelo abalo sentido com a morte de Josephine Stackelberg (1779-1821), por quem tinha um fraquinho desde a primeira vez que com ela se cruzou, em 1799 em Viena.

As estreias, bem sucedidas, da Missa Solemnis e da Sinfonia Nº9, em 1824, deixaram o compositor quase indiferente, incomodado com os problemas de saúde que se agravavam. Nada que parasse a sua força criadora, contudo, e nos últimos 2 anos de vida Beethoven comporia ainda diversas obras, na sua maioria música de câmara, com particular destaque para os Quartetos de Cordas.

O quarteto que esta tarde se vai ouvir na
Casa da Música, no Porto, é o primeiro dos 3 que Beethoven dedicou ao príncipe russo Nikolas Galitzin. As inovações que estes quartetos apresentam quanto à forma, textura e ritmo, mostram a genialidade do compositor, mantida até ao fim.

Na primeira parte o Quarteto Borodin (ver
este e este postais) interpretará os Quartetos Nºs. 12 e 7 de Dmitri Shostakovich (1906-1975). Este é aquele quarteto que em 2005 celebra o seu 60º ano de existência, e a que o violoncelista Valentin Berlinky pertence desde a fundação... Destes quartetos de Shostakovich falar-se-á noutra altura, que a prosa já vai longa.

Uma curiosidade: a 4 semanas do fim do mês e, por tabela, do ano, ainda nada se sabe da programação da Casa da Música para 2006. Não sei eu, assim como não sabem todos aqueles que procuram em vão nas páginas da Casa da Música na internet. Mas também não sabem os próprios funcionários da casa que, quando interrogados, esboçam sorrisos embaraçados e prometem que ela será divulgada até ao fim do mês. Não seria má ideia...


Internet

Ludwig van Beethoven:
Mad About Beethoven / A Música de Beethoven / The Works of Ludwig van Beethoven
Quarteto Borodin:
Biografia 1 / Biografia 2


Referências

(1) The Lives & Times of The Great Composers, de Michael Steen

03/12/2005

Concertos para Piano #3: Concerto em fá maior, de George Gershwin

O compositor norte-americano George Gershwin (1898-1937) tinha uma cultura musical pobre, mas tal não o impediu de se tornar num melodista de excepção, revelado, nomeadamente, nas mais de 500 canções que escreveu. Muitos tiveram reticências em rotular de clássica a sua obra, não tendo sido esse o caso de Maurice Ravel (1875-1937), admirador confesso de Gershwin e grande promotor da sua obra.


George Gershwin

Os primeiros grandes sucessos de Gershwin datam de 1919 e estão intimamente ligados à Broadway: a música para a peça La, La, Lucille, e a canção Swanee que, embora escrita 2 anos antes, foi nesse ano popularizada por Al Jolson (1886-1959), The World's Greatest Entertainer. Vendeu milhões...

Gershwin, contudo, ambicionava ser igualmente reconhecido como um compositor de música concertante, e o Concerto para Piano e Orquestra em fá maior, de 1925, foi o primeiro passo nesse sentido. A estreia aconteceu no Carnegie Hall, Nova Iorque
, há 80 anos, no dia 3 de Dezembro de 1925. Foi um triunfo, embora nem todos tenham gostado. Sergei Diaghilev (ver este e este textos) terá mesmo afirmado qualquer coisa como "bom jazz, mas mau Liszt"...


CDs



George Gershwin
Rhapsody in Blue. An American in Paris. Piano Concerto in F.
Variations on "I got the rhythm".
Earl Wild (piano)
Boston Pops Orchestra
Arthur Fiedler
RCA Red Seal 82876 61393-2

George Gershwin
Rhapsody in Blue. Piano Concerto in F.
Porgy and Bess - symphonic suite.
Wayne Marshall (piano)
Aalborg Symphony Orchestra
Wayne Marshall
Virgin Classics 5 62484-2


Internet

George Gershwin:
The Official Web Site of George & Ira Gershwin
/ Biografia

Al Jolson
The International Al Jolson Society
/ Biografia

01/12/2005

CDs #62: Brahms, Piano Concertos

Segundo uns, Johannes Brahms (1833-1897) foi pianista de cabaré durante a juventude; segundo outros, tocou em tabernas e salões de baile o que, não sendo exactamente a mesma coisa, são igualmente locais surpreendentes. Vicissitudes da vida, o virtuosismo ao piano que Brahms precocemente demonstrou não foi o suficiente para o consagrar como um pianista de concerto. Brahms ainda não tinha 20 anos, e havia que trazer dinheiro para casa. Já bastava o desgosto com que seus pais tinham recebido a notícia do seu desejo de ser compositor...

Tentando amenizar as relações familiares, aos 19 anos Brahms meteu-se à estrada juntamente com o violinista húngaro Eduard Reményi (1830-1898), numa turné pela Alemanha destinada a projectá-lo como pianista.

Dessa turné resultou um desentendimento com o violinista, o contacto com o seu compatriota e também violinista Joseph Joachim (1831-1907), e o primeiro encontro com o casal Schumann. Não resultou nenhum pianista de renome internacional, ou mesmo nacional, mas marcou em definitivo o seu começo como compositor.

Robert Schumann (1810-1856) faleceria 3 anos depois, vítima de sífilis, o que coincidiria com o fim do primeiro período criativo de Brahms. É desta altura que data o Concerto para Piano Nº1, nascido de parto difícil: começou, em 1854, como uma sonata para dois pianos; Brahms pegou depois no 1º movimento e fez dele um movimento sinfónico, mas continuou desagradado com a obra; só em 1858 a obra ficaria finalizada e na sua versão definitiva, como concerto para piano. A estreia teve lugar no dia 22 de Janeiro de 1859, com Brahms ao piano e Joachim a dirigir a orquestra.

Passar-se-iam 20 anos até que Brahms voltasse a escrever outro concerto para piano. Composto entre 1878 e 1871 e estreado no dia 9 de Novembro de 1881, ainda com Brahms ao piano, foi um êxito imediato, ao contrário do primeiro. É ainda hoje uma das obras mais tocadas do repertório para piano.

Entre 1998 e 1999 o pianista austríaco Rudolf Buchbinder (1946-) gravou (ao vivo) estes dois concertos em Amesterdão, acompanhado pela mais conceituada orquestra dessa cidade, dirigida pelo igualmente austríaco Nikolaus Harnoncourt (1929-). Em Abril deste ano tive a felicidade de poder assistir a um concerto
em que Buchbinder participou, interpretando o Concerto para Piano e Orquestra de George Gershwin (1898-1937). Tendo uma duração (geralmente...) inferior a 30 minutos, esta obra de Gershwin não permitiu admirar o pianista, que hoje celebra o seu 59º aniversário, tanto tempo quanto gostaria. O duplo CD dura mais de 1 hora e meia...



Johannes Brahms
Piano Concerto No.1 in D minor, Op.15.
Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.83.
Rudolf Buchbinder (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra
Nikolaus Harnoncourt
Teldec 8573-80212-2


Internet

Johannes Brahms: Johannes Brahms WebSource
/ Biografia 1 / Biografia 2
Rudolf Buchbinder: The official website
/ Biografia

30/11/2005

Lugares #118

Quando, em momentos mais melancólicos, dou comigo a recuar no tempo e a recordar acontecimentos passados, uns relevantes, outros nem por isso, apercebo-me mais claramente da evolução que fui sofrendo com os tempos, aquilo a que as almas menos subtis chamam de envelhecer. Suponho que qualquer dos comuns mortais terá destes momentos de fraqueza, em que começa a fazer contas aquilo que perdeu e ganhou, dependendo o balanço final do optimismo com que se encara a coisa. Assim:

- ganha-se um emprego das 8 às 5, não se perde a mesada (= prémio de nada se fazer);
- ganham-se mulher e filhos, não se perde a liberdade;
- ganha-se peso, não se perde a linha;
- ganha-se uma careca, não se perde o cabelo,
- ... e por aí adiante.

Neste deve e haver de resultado sempre positivo há uma rubrica que destoa: também ganhei vertigens! Não de qualquer jeito, mas num processo altamente controlado e de fácil descrição: aumentaram de um forma directamente proporcional à idade.



O problema até poderia não ser grande problema, não se fosse dar o caso dos descendentes directos terem vindo a este mundo totalmente desprovidos de tais sensações! Têm mesmo uma atracção desmesurada pelas alturas, não há torres, montanhas, russas ou não, cumes de qualquer espécie a que não queiram trepar. Mas nunca sozinhos, obviamente, fazem sempre questão que o pai vá atrás...

Imaginarão então o turbilhão de sentimentos quando, em Praga, me deparei com o monstro metálico que as fotografias documentam. Quando me apercebi da escada encaralocada que apenas terminava na plataforma superior, vi logo o que me esperava. Ainda li a correr a literatura sobre a Torre Petrin, ou Torre de Observação, tendo ficado a saber que tinha sido construída em 1891, para a Exposição do Jubileu, que, com os seus 60 metros, era uma cópia em miniatura da Torre Eiffel, e que para chegar à referida plataforma bastava subir 299 degraus! Não esquecendo que fica no topo do Monte Petri que, por sua vez, já tem 318 metros de altura! Meia dúzia de palavrões depois já estava a comprar os bilhetes...




Desde então tento-me esquecer da subida e já não me lembro da descida, mas exibo orgulhosamente estas fotografias, apenas possíveis de tirar por bravas almas destemidas...


Internet

Petrin Hill & Observation Tower / Petrin Observation Tower / Petrin

28/11/2005

Escritores #7: Stefan Zweig (1881-1942)

O escritor austríaco Stefan Zweig, conhecido autor de obras de ficção e biográficas, foi também o autor do libreto da ópera Die schweigsame Frau (A mulher silenciosa) de Richard Strauss (1864-1949). O que valeu sérios dissabores ao compositor que, ao negar-se a retirar o nome de Zweig dos cartazes, viu Hitler recusar-se a assistir à estreia da ópera, que seria banida pouco tempo depois.


Stefan Zweig

Seria mesmo a última colaboração de Zweig com Strauss, conforme há algum tempo atrás referimos
aqui. Sendo judeu, viu-se forçado a sair da Áustria, em 1934, tendo passado algum tempo em Inglaterra, primeiro, e nos Estados Unidos, depois, antes de fixar residência no Brasil, para onde foi em 1941.

Preocupado com a progressão do nazismo e as consequências que daí adviriam para o mundo, Stefan Zweig suicidar-se-ia no dia 22 de Fevereiro de 1942, juntamente com a sua esposa, Lotte Zweig. No quarto tinha emoldurada a última estância do Canto I d'Os Lusíadas:

No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade avorrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?

Stefan Zweig nasceu há 124 anos, no dia 28 de Novembro de 1881.


Internet

Stefan Zweig:
stefanzweig.org / Biografia 1 / Biografia 2

26/11/2005

CDs #61: Bartók, Violin Sonatas

Com a Europa a ser devastada pela guerra e uma situação política muito complicada no seu país natal, a Hungria, Bela Bartók mudou-se para Nova Iorque em 1940. Foi com pesar que deixou o velho continente para trás, e rumo a uma cidade à qual nunca se viria a adaptar.


Bela Bartók, Yehudi Menuhin

Longe dos amigos, mal de finanças e de saúde (sofria de leucemia), Bartók apenas completaria 2 obras durante o seu período americano: o Concerto para Orquestra, em 1943, e a Sonata para Violino Solo. Esta última, escrita por solicitação do violinista Yehudi Menuhin (1916-1999), e finalizada em Março de 1944, foi tocada pela primeira vez no dia 26 de Novembro desse ano, pelo próprio Menuhin.

Significativo é certamente o facto de, na sua última obra completa (não chegou a finalizar o Concerto para Piano Nº3), Bartók ter, de certo modo, regressado às origens, sendo Bach a principal e omnipresente referência.


Christian Tetzlaff, Leif Ove Andsnes

Christian Tetzlaff (1966-) interpreta magistralmente esta sonata no disco aqui hoje trazido, e que abre com as duas sonatas para violino que Bartók compôs entre 1921 e 1922, onde Tetzlaff é acompanhado pelo pianista norueguês Leif Ove Andsnes (1970-).



Bela Bartók
Violin Sonata No.1, Sz75.
Violin Sonata No.2, Sz76.
Sonata for Solo Violin, Sz117.
Christian Tetzlaff (violino), Leif Ove Andsnes (piano)
Virgin Classics 5 45668-2


Internet

http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/bartok.html
http://www.harvardsquarelibrary.org/unitarians/bartok.html
http://www.bbc.co.uk/music/classical/reviews/bartokviolin_sonata.shtml
http://www.classicstoday.com/review.asp?ReviewNum=7856