09/01/2006

Obras para Piano #2: Gaspard de la nuit, de Maurice Ravel

O Prix de Rome foi instituído em 1663 em França, onde na altura reinava Luís XIV, e destinava-se a premiar jovens artistas, entre os 15 e os 30 anos, de diversas áreas: arquitectura, pintura, escultura, a que se juntou, em 1803, a composição musical. Foi abolido em 1968 e, durante os cerca de 165 anos em que os compositores puderam concorrer, aconteceu o inevitável: ganharam alguns dos grandes, como Hector Berlioz (1803-1869), Georges Bizet (1838-1875) e Claude Debussy (1862-1918), mas também ficaram de fora outros, como Camille Saint-Saëns (1835-1921) e Maurice Ravel (1875-1937). O caso de Ravel chegou a causar algum escândalo na altura, por ter concorrido por 4 vezes, entre 1901 e 1905, e ter ficado sempre a ver navios...

Por essa altura, Ravel estava associado a um grupo de artistas de várias áreas, os "Apaches", de que também fazia parte o pianista espanhol Ricardo Viñes (1875-1943). Foi Viñes que apresentou a Ravel a obra Gaspard de la nuit: fantaisies à la manière de Rembrandt et de Callot, do poeta Aloysius Bertrand (1807-1841). Bertrand, considerado um dos mais originais poetas do romantismo francês, foi um dos precursores da poesia em prosa, sendo Gaspard de la nuit a sua obra mais significativa, embora publicada postumamente.

Dos 65 pequenos poemas que constituem essa obra, Ravel acabou por seleccionar 3: Ondine, Le Gibet e Scarbo, que ilustrou numa extraordinária peça para piano e dedicou, respectivamente, ao pianista Harold Bauer (1873-1951), ao crítico Jean Marnold e ao igualmente pianista Rudolf Ganz (1877-1972). Designada pelo próprio Ravel como "poemas para piano", Gaspard de la nuit é uma das mais significativas obras para piano, de Ravel e do século XX.

A estreia teve lugar há 97 anos, no dia 9 de Janeiro de 1909, com Ricardo Viñes ao piano. O mesmo que já anteriormente tinha estreado várias outras obras de Ravel, como Pavane pour une infante défunte, Jeux d'eaux e Miroirs.


CDs



Maurice Ravel
Gaspard de la nuit.
Sergei Rachmaninov
Preludes, Op.23 Nos.1, 2, 5 & 6. Prelude, Op.32 No.12.
Études tableaux, Op.39 Nos.3 & 5. Elégie, Op.3 No.1.
Moments musicaux, Op.16 Nos.3-6.
Andrei Gavrilov (piano)
EMI Red Line 5 69869-2

Maurice Ravel
Gaspard de la nuit. Sonatine for piano.
Robert Schumann
8 Fantasiestücke, Op.12.
Martha Argerich (piano)
EMI 5 57101-2


Internet

Maurice Ravel: Maurice-Ravel.net
/ IRCAM / Classical Net
Ricardo Viñes: Biografia 1
/ Biografia 2
Gaspard de la nuit: Texto completo

08/01/2006

Quintetos com Piano #1: Quinteto para Piano e Cordas, Op.44, de Schumann

"O seu Quinteto, meu muito caro Schumann, agradou-me deveras; pedi à sua cara esposa que o tocasse duas vezes. Ainda trago muito presentes no espírito os dois primeiros andamentos. Quanto ao Finale, ter-me-ia sem dúvida agradado mais se o tivesse podido escutar uma vez isoladamente. Vejo o caminho que pretende seguir, e posso assegurar-lhe que é também o meu, nele se encontra a única possibilidade de salvação: a beleza".

O texto é de Richard Wagner (1813-1883), após ter ouvido, em Dresden, o Quinteto para Piano e Cordas, Op.44, de Robert Schumann (1810-1856). Estava-se em Fevereiro de 1843 e a obra tinha sido estreada pouco tempo antes, no dia 8 de Janeiro, passam hoje 163 anos.

Não foi opinião consensual, todavia, e, como em (quase) tudo na vida, houve quem não nutrisse especial admiração pela obra. A começar por Hector Berlioz (1803-1869), alvo de um ódio de estimação de Clara Schumann, pelo facto de a audição do quinteto o ter deixado "indiferente, frio e mesmo impertinente". E já agora Franz Liszt (1811-1886) que, em Junho de 1848, não se limitou a não gostar da obra, ainda fez questão de troçar dela e referir-se a Mendelssohn (1809-1847) de uma forma pouco simpática.

A admiração de Schumann por Mendelssohn já vinha do passado, desde a altura em que este terminou os seus Quartetos, Op.44, aí por volta de 1838. Estes quartetos viriam a influenciar decisivamente Schumann que, assim que terminou os seus, em 1842, fez questão de que Mendelssohn os ouvisse logo que possível, o que veio a acontecer em Setembro desse ano. O próprio Schumann viria depois a revelar o prazer que sentiu quando Mendelssohn exprimiu admiração pelo que acabara de ouvir. Compreender-se-á então o sururu que a atitude de Liszt levantou, apenas meio ano depois do falecimento de Mendelssohn e sabendo o quanto Schumann tinha ficado afectado pelo trágico acontecimento.


CDs



Robert Schumann
Piano Concerto in A minor, Op.54. Piano Quintet in E flat major, Op.44.
Maria João Pires (piano), Augustin Dumay, Renaud Capuçon (violinos),
Gérard Caussé (viola), Jian Wang (violoncelo)
Chamber Orchestra of Europe
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 463 179-2

Robert Schumann
Andante and Variations, Op.46. Fantasiestück, Op.73.
Märchenbilder, Op.113. Piano Quintet, Op.44.
Martha Argerich, Alexandre Rabinovitch (pianos), Mischa Maisky,
Natalia Gutman (violoncelos), Marie Luise Neunecker (trompa),
Dora Schwazberg, Lucy Hall (violinos), Nobuko Imai (viola)
EMI 5 57308-2

Robert Schumann
Piano Quintet in E flat major, Op.44.
Johannes Brahms
Piano Quartet No.2 in A major, Op.26.
Clifford Curzon (piano), Budapest Quartet
Naxos 8.110306

Robert Schumann
Piano Quintet in E flat major, Op.44.
Gabriel Fauré
Piano Quintet No.2 in C minor, Op.115.
James Ehnes, Mira Wang (violinos), Naoko Shimizu (viola),
Jan Vogler (violoncelo), Louis Lortie (piano)
Sony Classical SMK93038


Internet

Robert Schumann: Catalogue
/ Carolina Classical / Classical Music Pages

06/01/2006

Compositores #49: Alexander Scriabin (1872-1915)

Não será, porventura, das formas mais simpáticas de introduzir alguém, mas megalómano não será certamente uma palavra desadequada para descrever o compositor russo Alexander Scriabin, nascido passam hoje 134 anos. Ou não fossem dele frases como "Eu sou Deus" e "Quero ser a luz mais brilhante, o maior (e único) sol", para referir apenas duas.

O começo até foi normal, pelo menos aquilo que se pode considerar normal para alguém tão precoce como Scriabin que, aos 6 anos, já tocava de cor ao piano qualquer peça que tivesse acabado de ouvir. Um ano mais velho que o seu compatriota Sergei Rachmaninov
(1873-1943), os seus começos tiveram muito em comum: ambos talentos precoces, pianistas, e alunos de Nikolay Zverev, Anton Arensky (1861-1906) e Sergei Taneyev (1856-1915). Rapidamente, contudo, as suas vidas seguiriam rumos distintos, nomeadamente em relação à carreira pianística: enquanto esta seria seguida por Rachmaninov, com o sucesso que todos sabemos, não o seria por Scriabin, impossibilitado desde muito novo de a prosseguir devido a um problema na mão direita, provavelmente provocado por ter as mãos demasiado pequenas.

O futuro encarregar-se-ia de assegurar um traço distinto nas obras de Scriabin. Não nas duas primeiras sinfonias, sem nada de particularmente memorável ou diferente, mas já na , O Divino Poema, e, especialmente, no Poema do Êxtase, uma obra de 1908. A descoberta, em 1905, da teosofia, uma doutrina espiritualista fundada por Helena Blavatsky (1831-1891), também conhecida por Madame Blavatsky, marcá-lo-ia muito, e influenciaria as suas composições. Começa a sua "ascensão em direcção ao sol", e o trabalho naquela que ambicionava que viesse a ser a sua obra máxima, Mysterium, uma "grandiosa síntese de todas as artes", uma "concepção multimedia apocalíptica", que deveria ser tocada nos Himalaias. Scriabin faleceu antes de ter podido terminar a obra.


CDs




Alexander Scriabin
24 Preludes, Op.11.
Dimitri Shostakovich
24 Preludes, Op.34.
Artur Pizarro (piano)
Collins Classics 1496-2

Alexander Scriabin
Prometheus, Op.60.
Igor Stravinsky
The Firebird.
Alexander Toradze (piano)
Kirov Opera Chorus & Orchestra
Valery Gergiev
Philips 446 715-2

Alexander Scriabin
10 Mazurkas, Op.3. 9 Mazurkas, Op.25. 2 Mazurkas, Op.40.
Gordon Fergus-Thompson (piano)
ASV CDDCA1086

Alexander Scriabin
Preludes, Volume 1.
Evgeny Zarafiants (piano)
Naxos 8.553997

Alexander Scriabin
Preludes, Volume 2.
Evgeny Zarafiants (piano)
Naxos 8.554145

Alexander Scriabin
The Complete Preludes.
Piers Lane (piano)
Hyperion CDA67057/8

Alexander Scriabin
Symphony No.2, Op.29. Symphony No.3, 'The Divine Poem', Op.43.
The Poem of Ecstasy, Op.54. Rêverie, Op.24.
Chicago Symphony Orchestra
Royal Scottish National Orchestra
Danish National Symphony Orchestra
Neeme Jarvi
Chandos CHAN245-1


Internet

Alexander Scriabin
Piano Society
/ Wikipedia / Scriabin Society of America

05/01/2006

CDs #66: Michelangeli, Mozart, Ravel

O início da década de 80 foi particularmente difícil para Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), que foi dispensado pelo arcebispo de Viena e mesmo proibido de dar concertos. Pelo vistos o arcebispo não era particularmente sensível aos êxitos do jovem génio...


Wolfgang Amadeus Mozart

Mozart teve então que se virar para outro lado, pois havia que garantir sustento: deu aulas de piano e compôs por encomenda, como foi o caso da ópera Die Entführung aus dem Serail, escrita em 1782 e estreada em Julho desse mesmo ano. Começou ainda a dar concertos nas casas dos mais abonados e, num curto espaço de tempo, entre 1782 e 1784, compôs 9 Concertos para Piano! Um deles, o Concerto para Piano Nº13, K415, teve a sua estreia no dia 22 de Março de 1783, com o próprio Mozart ao piano.


Arturo Benedetti Michelangeli

De Arturo Benedetti Michelangeli (1920-1995), nascido passam hoje 86 anos, já falámos neste postal
, a propósito de um outro disco em que interpretava obras de Mozart e de Ludwig van Beethoven (1770-1827).

Igualmente corredor de automóveis, médico e piloto, foi obviamente como pianista que Michelangeli ganhou fama mundial, pelo seu virtuosismo e pela frequência com que cancelou turnés e concertos à última hora... Foi ainda professor e, entre os seus alunos, contaram-se Maurizio Pollini e Martha Argerich.

As gravações deste disco foram efectuadas em duas sessões distintas: a primeira no dia 15 de Dezembro de 1951 (Mozart), e a segunda cerca de ano depois (Ravel). O som é pouco mais que sofrível, mas as notas que acompanham o CD dizem que, mesmo assim, resulta de um "cuidadoso processo de restauro" que permitiu melhorá-lo significativamente em relação à edição original da Fonit Cetra.

Refira-se, a terminar, a presença de Carlo Maria Giulini
, maestro recentemente falecido.



Wolfgang Amadeus Mozart
Concerto per Pianoforte n.13 in Do maggiore KV415.
Maurice Ravel
Concerto per Pianoforte in Sol maggiore.
Valses nobles et sentimentales.
Arturo Benedetti Michelangeli (piano)
Orchestra Sinfonica di Roma della RAI, Carlo Maria Giulini
Orchestra Sinfonica di Torino della RAI, Nino Sanzogno
Urania URN 22.230


Internet

http://arturobenedettimichelangeli.com/
http://www.aura-music.com/arturo/default.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Arturo_Benedetti_Michelangeli
http://sostenuto.piano.free.fr/A.B.Michelangeli.html

04/01/2006

Meios-Sopranos #2: Grace Bumbry (1937-)

Grace Bumbry, que hoje celebra o seu 69º aniversário, começou a carreira como meio-soprano, cerca de 10 anos depois já abraçava o repertório de soprano, e mais tarde voltou à versão inicial. Admirados? Então esperem pelas outras histórias...


Grace Bumbry

Estreou-se em palco em 1960, em Paris, com Amneris (Aida, Verdi) e no ano seguinte foi ao Bayreuth fazer o papel de Venus, no Tannhäuser, de Wagner. Maior que a escandaleira provocada pela presença de uma negra só mesmo o estrondo dos aplausos recebidos, tal o sucesso que obteve...

Em 1967 nova originalidade, ao ser a primeira soprano em versão topless, para fazer o papel de Poppea na ópera L'Incoronazione di Poppea, de Claudio Monteverdi (1567-1643)...

Para manter uma reputação digna de uma prima donna, pouco tempo depois recusou em absoluto desempenhar o papel de Donna Anna, no Don Giovanni, de Mozart. Resultado, o autor do convite,
Herbert von Karajan, nunca mais voltou a falar com a senhora...


CDs



Verdi
Aida.
Birgit Nilsson, Franco Corelli, Grace Bumbry, Mario Sereni
Coro e Orchestra del Teatro dell'Opera di Roma
Zubin Mehta
EMI 7 63229-2

Verdi
Don Carlo.
Dietrich Fischer-Dieskau, Martti Talvela, Tugomir Franc, Nicolai Ghiaurov,
Grace Bumbry, Renata Tebaldi, Jeanette Sinclair, John Wakefield, Carlo Bergonzi
Chorus & Orchestra of the Royal Opera House, Covent Garden
Georg Solti
Decca 421 114-2


DVD



Grace Bumbry
A Hommage to Lotte Lehmann.
Canções de Schubert, Brahms, Liszt, Berlioz, Schumann, Strauss, Obradors e Bizet.
Grace Bumbry, Helmut Deutsche (piano)
TDK DV-VTGB-EUR


Internet

http://en.wikipedia.org/wiki/Grace_Bumbry
http://www.lottelehmann.org/lehmann/llf/about/profiles/llf_advisoryProfile44.html

03/01/2006

Lugares #121

Junto ao castelo de Belmonte encontram-se a igreja de S. Tiago e a capela de Nossa Senhora da Piedade, a primeira de traça gótica e datando do século XIII, a segunda já misturando o românico com o gótico e tendo sido construída em 1362.



Luís Álvares Cabral, primeiro alcaide do castelo, era sobrinho de D. Maria Gil Cabral, sendo esta por sua vez filha de D. Gil Cabral, bispo da Guarda. Este, por testamento, deixou todos os seus bens à filha, na condição de que esta mandasse edificar uma capela na igreja de S. Tiago. É na capela de Nossa Senhora da Piedade que ainda hoje se encontra o túmulo de D. Maria Gil Cabral.



No século XV foi construído o Panteão dos Cabrais, contíguo à igreja. Nele se encontram os túmulos de vários membros da família Cabral, incluindo os de Fernão Cabral I e D. Isabel Gouveia, pais de Pedro Álvares Cabral, bem como os resíduos mortais deste último.




Internet

http://www.cm-belmonte.pt/build/menu.htm
http://www.projetomemoria.art.br/PedroAlvaresCabral/revista9/terr1_9p.htm

01/01/2006

Concertos para Violino #2: Concerto para Violino e Orquestra, de Brahms

Nos finais dos anos 40, aconselhado por Eduard Marxsen (1806-1887), o seu professor, Johannes Brahms (1833-1897) enviou algumas das suas composições a Robert Schumann (1810-1856), na esperança de que ele as avaliasse e dissesse de sua justiça. O envelope veio devolvido pouco tempo depois, sem ter sido sequer aberto. Não foi um começo muito auspicioso...

Do que se passou depois já por aqui fomos dizendo umas coisas: a turné pela Alemanha, efectuada em conjunto com o violinista húngaro Eduard Reményi, e os encontros com Joseph Joachim (1831-1907), Franz Liszt (1811-1886) e, em 1853, com Robert Schumann. Desta vez Brahms teve direito a um elogio público de Schumann que, contudo, lhe trouxe mais dissabores do que vantagens, pelo despertar de inúmeras invejas...

O contacto com o violinista virtuoso Joseph Joachim manteve-se por longos anos, tendo apenas terminado em meados dos anos 80. Assuntos de amores e ciúmes, envolvendo Joachim, a sua esposa Amalie Weiss e o editor da música de Brahms, Fritz Simrock (1837-1901), que acabou com o divórcio de Amalie e Joachim, e do fim definitivo da amizade entre este e Brahms.

No Verão de 1878, Brahms tinha finalizado o Concerto para Violino, destinado ao então ainda seu amigo Joseph Joachim. Também neste caso o dedicatário achou a obra no limiar do intocável e Brahms, embora assaz contrariado, lá aceitou proceder a alguns retoques. Joachim viria a estrear a obra no dia 1 de Janeiro de 1879, passam hoje 127 anos mas, apesar da boa recepção, demorou a impor-se no repertório internacional. O grande violinista espanhol Pablo de Sarasate (1844-1908), por exemplo, nunca aceitou tocá-la. Hoje em dia é um dos concertos mais populares...


CDs



Johannes Brahms
Concerto for Violin and Orchestra in D major, Op.77.
Sonata for Violin and Piano No.3 in D minor, Op.108.
Maxim Vengerov (violino), Daniel Barenboim (piano)
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim
Teldec 0630-17144-2
(1997, 1998)

Johannes Brahms
Concerto for Violin and Orchestra in D major, Op.77.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Concerto for Violin and Orchestra in D major, Op.35.
Erica Morini (violino)
Royal Philharmonic Orchestra
Artur Rodzinski
Deutsche Grammophon Westminster Legacy 471 200-2

Johannes Brahms
Concerto for Violin and Orchestra in D major, Op.77.
Double Concerto for Violin, Cello and Orchestra in A minor, Op.102.
Gil Shaham (violino), Jian Wang (violoncelo)
Berlin Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 469 529-2
(2000, 2001)

Johannes Brahms
Concerto for Violin and Orchestra in D major, Op.77.
Jean Sibelius
Concerto for Violin and Orchestra in D minor, Op.47.
Ginette Neveu (violino)
Philharmonia Orchestra
Issay Dobrowen, Walter Süsskind
EMI GROC 4 76830-2
(1946, 1945)


Internet

Johannes Brahms: Johannes Brahms WebSource
/ Vidas Lusófonas / Biografia
Joseph Joachim: Biografia

27/12/2005

Reis de Portugal #11: D. Maria II (1819-1853)

O facto de ter abafado a revolta de Torres Novas, em Fevereiro de 1844, não significou o fim das atribulações para o governo de Costa Cabral e, por consequência, para o reinado de D. Maria II.

A decisão de Costa Cabral de proibir enterramentos dentro das igrejas provocou a ira popular, que iria rapidamente tomar proporções inesperadas. Não terá sido esta decisão de Costa Cabral a única causa para a revolta, que o homem, decidido como era, não recuava perante oposições, por mais aguerridas que fossem, mas terá tido valiosa contribuição para a insatisfação popular. A promulgação das leis sobre cadastro e saúde pública, em simultâneo com as campanhas levadas a cabo pelos adversários de Costa Cabral criaram as condições para o estalar da revolta.

Uma das mais activas intervenientes nessa revolta foi Maria da Fonte, que iria dar o nome à própria revolta. Que começou no Minho em Abril de 1846 como uma sublevação militar e que, a 20 de Maio, levou mesmo à queda do gabinete. Numa primeira fase, D. Maria II chamou o duque de Palmela e Mousinho de Albuquerque para exercerem o poder. No dia 6 de Outubro, ainda de 1846, a rainha deu um golpe de Estado, formando um ministério presidido pelo marechal Saldanha e deixando Costa Cabral de fora. E aqui voltam entrar velhos conhecidos. Primeiro os portuenses que, quando souberam das manobras reais, acharam-se também no direito à revolta. Depois, o duque da Terceira, nomeado lugar tenente da rainha no norte de Portugal para aí tentar acalmar as hostes. Acabou sendo preso no castelo de S. João da Foz por José Passos, que logo depois foi nomeado vice-presidente da junta provisória então formada, a Junta do Porto.

Os anos de 1846 e 1847 assistiram a diversas lutas, em que as forças da Junta do Porto não foram, de uma maneira geral, muito felizes. O visconde de Sá da Bandeira, que tinha entretanto aderido à revolução, foi derrotado em Vale Passos; o conde de Bonfim em Torres Vedras; houve ainda tempo para uma derrota em Viana do Castelo. As tropas inglesas acabaram por ser chamadas a intervir por forma a terminar de vez com a Patuleia, designando a aglutinação de todas as forças anti-Cabral. A Convenção de Gramido poria fim à insurreição.

Costa Cabral seria de novo chamado a formar ministério, em Junho de 1849, mas não chegou a ocupar o lugar por 2 anos sequer. Enfrentando violentíssima oposição, demitir-se-ia em Maio de 1851, colocando assim um ponto final na sua carreira política. O duque de Saldanha, demitido pela rainha antes da investidura de Costa Cabral, tratara de organizar devidamente a oposição ao cabralismo, culminando na referida demissão.


Internet

Maria da Fonte / Costa Cabral / Duque de Saldanha


Nota

Nos próximos dias estaremos entre cabanas, montanhas e lagos, perto da civilização mas longe da internet, pelo que deixamos desde já os votos de um excelente 2006 para todos os que por aqui passarem.

25/12/2005

Tenores #4: Ian Bostridge (1965-)

É um jovem tenor, que admiro particularmente em Mozart (1756-1791), Schubert (1797-1828) e Schumann (1810-1856): Ian Bostridge, que comemora hoje o seu 40º aniversário. Grande ano, 1965, berço de gente admirável (!!!...).

As primeiras linhas do seu curriculum vitae não soam demasiadamente musicais, com estudos em Filosofia e um doutoramento em História. A vitória em 1991 do prémio National Federation of Music Societies / Esso Award foi o ponto de viragem e, em 1995, já se dedicava em exclusivo à carreira musical. Pelo caminho tinha feito a sua estreia no Wigmore Hall de Londres, em 1993, local onde, 2 anos depois, estrear-se-ia a solo. A estreia operática aconteceu em 1994, com o papel de Lysander na ópera A Midsummer Night's Dream, de Benjamin Britten (1913-1976). Deste mesmo compositor já interpretou o War Requiem em diversas cidades europeis, Lisboa incluída. Aliás, fora do lieder alemão, Britten passa por ser mesmo um dos compositores mais visitados por Bostridge, tendo já feito igualmente o papel de Quint, na ópera The Turn of the Screw.

A escrita também não lhe passa ao lado, com 2 livros já editados e colaborando regularmente com diversas revistas e jornais. E para que não se diga que o homem só se interessa por assuntos musicais, o primeiro livro que publicou trata de... bruxarias!

Um Natal nada assombrado, é o que vos deseja este escriba.


CDs







The English Songbook.
Ian Bostridge (tenor), Julius Drake (piano)
EMI 5 56830-2

Bach
Cantatas & Arias.
Ian Bostridge (tenor), Fabio Biondi (violino)
Europa Galante
Fabio Biondi
Virgin Classics 5 45420-2

Britten
The Red Cockatoo. Harmonia Sacra - Lord, I Have Sinned!;
Hymn to God the Father.
Ian Bostridge (tenor), Graham Johnson (piano)
Hyperion CDA66823

Britten
The Turn of the Screw.
Ian Bostridge (tenor), Joan Rodgers, Vivien Tierney,
Caroline Wise, Jane Henschel (sopranos)
Gustav Mahler Chamber Orchestra
Daniel Harding
Virgin Classics 5 45521-2

Coward
The Noël Coward Songbook.
Ian Bostridge (tenor), Sophie Daneman (soprano), Jeffrey Tate (piano)
EMI 5 57374-2

Henze
Six Songs from the Arabian. Three Auden Songs.
Ian Bostridge (tenor), Julius Drake (piano)
EMI 5 57112-2

Janácek
The Diary of One Who Disappeared. Piano Works.
Ian Bostridge (tenor), Diane Atherton (soprano), Deryn Edwards,
Ruby Philogene (meios-sopranos), Susan Flannery (contralto),
Thomas Adès (piano)
EMI 5 57219-2

Monteverdi
L'Orfeo.
Ian Bostridge, Paul Agnew (tenores), Patrizia Ciofi, Natalie Dessay,
Veronique Gens, Carolyn Sampson (sopranos), Alice Coote,
Sonia Prina (contraltos), Mario Luperi, Lorenzo Regazzo (baixos),
Christopher Maltman (barítono)
European Voices
Le Concert d'Astrée
Emmanuelle Haïm
Virgin Classics Veritas 5 45642-2

Mozart
Die Entführung aus dem Serail.
Christine Schäfer, Patricia Petibon (sopranos), Ian Bostridge,
Iain Paton (tenores), Alan Ewing (baixo), Jürg Löw (narrador)
Les Arts Florissants
William Christie
Erato 3984-25490-2

Mozart
Idomeneo.
Ian Bostridge, Anthony Rolfe Johnson, Paul Charles Clarke (tenores),
Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano), Lisa Milne,
Barbara Frittoli (sopranos), John Relyea (baixo)
Edinburgh Festival Chorus
Scottish Chamber Orchestra
Charles Mackerras
EMI 5 57260-2

Purcell
Dido and Aeneas.
Susan Graham (meio-soprano), Ian Bostridge, Paul Agnew (tenores),
Camilla Tilling, Cécile de Boever (sopranos), Felicity Palmer (contralto),
David Daniels (contratenor), Emmanuelle Haïm (cravo)
European Voices
Le Concert d'Astrée
Emmanuelle Haïm
Virgin Classics Veritas 5 45605-2

Schubert
Lieder, Volume 1.
Ian Bostridge (tenor), Julius Drake (piano)
EMI 5 56347-2

Schubert
Lieder, Volume 2.
Ian Bostridge (tenor), Julius Drake (piano)
EMI 5 57141-2

Schubert
Piano Sonata in A, D959. Die Sterne, D176. Auf dem Strom, D943.
Pilgerweise, D789. Der Unglücklick, D713.
Ian Bostridge (tenor), Timothy Brown (trompa), Leif Ove Andsnes (piano)
EMI 5 57266-2

Schubert
Piano Sonata in B flat, D960. Abschied von der Erde, D829.
Viola, D786. Der Winterabend, D938.
Ian Bostridge (tenor), Leif Ove Andsnes (piano)
EMI 5 57901-2

Schubert
Lieder, Volume 25.
Ian Bostridge (tenor), Dietrich Fischer-Dieskau (narrador),
Graham Johnson (piano)
Hyperion CDJ33025

Schumann
Liederkreis, Op.24. Dichterliebe, Op.48. Belsatzar, Op.57.
Abends am Strand, Op.45 No.3. Die beiden Grenadiere.
Ian Bostridge (tenor), Julius Drake (piano)
EMI 5 56575-2

Schumann
The Songs of Robert Schumann, Volume 7.
Dorothea Röschmann (soprano), Ian Bostridge (tenor), Graham Johnson (piano)
Hyperion CDJ33107

Vaughan Williams
Symphony No.6 in E minor. In the Fen Country. on Wenlock Edge.
Ian Bostridge (tenor)
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
EMI 5 56762-2


Internet

Ian Bostridge: Biografias 1
, 2, 3, 4