Há não muito tempo referi por estas páginas que uma das maiores atracções de Praga é o relógio astronómico, e deixei a ameaça de o trazer aqui um dia. Pois acabei de decidir ser hoje esse famoso dia, à falta de melhor tema para aqui trazer...
Tendo uma aversão doentia por tudo a que me cheire a "Maria-vai-com-as-outras", evito, sempre que possível, os passeios turísticos organizados, aqueles com guias com ridículos chapéus de chuva a apontar para as estrelas por forma a que nenhuma ovelha do rebanho se tresmalhe, e que ficam com pele de galinha sempre que um dos mamíferos se lembra de orientar os cascos para um trilho não previsto. O que não significa, obviamente, que deixe de visitar os locais mais representativos e inteirar-me da sua história. Como esta, que diz respeito ao assunto de hoje.
Nos finais do século XI havia dois mercados principais em Praga, um dos quais situado onde hoje fica a célebre Praça da Cidade Velha. Na época românica a maioria da população concentrou-se à volta dessa praça, que cresceu, desenvolveu-se e prosperou. No século XIII esta zona recebeu privilégios de cidade e, em 1338, uma Câmara Municipal. A Câmara foi-se expandindo, à custa de anexações de casas vizinhas. Em 1364 foi acrescentada uma torre a uma dessas casas onde, no início do século XV, foi colocado um relógio.
A coisa não terá corrido demasiadamente bem e, em 1490, um mestre relojoeiro, de seu nome Hanus, foi contratado para o reconstruir. Reza a história que, para azar dele, fez obra de tal maneira perfeita que os contratantes apenas tiveram uma preocupação, a de evitar que a fosse repetir para outras paragens. E como atingiram tal desiderato? Cegaram o desgraçado...
De hora a hora, penso que apenas durante o dia, abrem-se duas portinholas de onde saem em desfile os Apóstolos. É nesse altura que, principalmente no Verão, há centenas de pategos a fazer horas e a olhar para o balão, que os bons lugares são marcados com antecedência. Já reconfortados com a procissão anunciada, é então altura de ouvir um galo cantar e de finalmente o relógio dar as horas. Curiosamente, o relógio astronómico propriamente dito não pretendia informar as horas, mas antes imitar as órbitas do Sol e da Lua em redor da Terra, pois só muito mais tarde é que a Terra e o Sol trocaram de posições...
Internet
Prague Astronomical Clock / The Prague Astronomical Clock / Astronomical Clock / Wikipedia
Em Novembro de 1918, Edmund Rubbra (1901-1986), na altura ainda a trabalhar nos Caminhos de Ferro Ingleses para ajudar ao orçamento familiar, organizou um concerto na biblioteca local dedicado exclusivamente à música de Cyrill Scott (1879-1970), de quem aqui falámos recentemente a propósito de um outro CD. Este evento chegou mais tarde ao conhecimento de Scott, com quem Rubbra viria então a ter algumas lições. Posteriormente, Rubbra seria aluno de Gustav Holst (1874-1934), na Reading University e no Royal College of Music.
Foi durante a estadia no RCM, onde esteve entre 1922 e 1925, que Rubbra compôs a primeira sonata para violino, cuja partitura se perdeu entretanto. E é por isso que a sonata que compôs em 1925 se tornou oficialmente na primeira, à falta da anterior... Além dos 2 já citados, desta sonata transparece a influência de um outro compositor inglês, John Ireland (1879-1962), até agora ausente destas páginas.
Curiosamente, tal como acontecera com Ireland em 1917, Rubbra obteve o seu primeiro grande sucesso com a 2ª Sonata para Violino, que o próprio estreou ao piano acompanhado pela esposa, a violinista Antoinette Chaplin, no dia 21 de Março de 1932. Rubbra levaria 35 anos até regressar ao género, e apenas no dia 4 de Julho de 1968 teria lugar a estreia da 3ª Sonata.
Uma última nota, para referir o facto de Northampton, uma cidade que, no virar do século, tinha uma importante indústria do calçado, ter visto nascer, num espaço de duas décadas, 3 dos mais importantes compositores ingleses: o próprio Edmund Rubbra, em 1901, William Alwyn em 1905 e Malcolm Arnold, em 1921.
Edmund Rubbra faleceu há 20 anos, no dia 14 de Fevereiro de 1986.

Edmund Rubbra
Sonata No.1 for Violin and Piano, Op.11.
Four Pieces for Violin and Piano, Op.29.
Sonata No.2 for Violin and Piano, Op.31.
Variations on a Phyrgian Theme for Solo Violin, Op.105.
Sonata No.3 for Violin and Piano, Op.133.
Krysia Osostowicz (violino), Michael Dussek (piano)
Dutton Laboratories Epoch CDLX 7101
(1999)
Internet
EdmundRubbra.org / Edmund Rubbra by Francis Routh
Por tradição, a família mais chegada sempre teve uma certa queda para as ciências, e enveredou maioritariamente pelas matemáticas e engenharias, poupando assim o trabalho de procurar um daqueles cursos em que a Matemática não fosse disciplina obrigatória. Irmãos, irmãs, primas e outros eventuais familiares mostraram apetência pelos números, só me restava manter a tradição.
Lá fui seguindo os ditames dessa tradição familiar, desenrascando-me nas actividades numéricas e entupindo noutras áreas, com destaque especial para os Trabalhos Manuais. Eu era um daqueles que, para fazer uma caixinha de madeira para guardar clips, necessitava de uma tábua que daria para fazer um guarda-fatos e não terminava a obra por falta de matéria prima...
A História, seguramente, também não foi dos meus pontos fortes. Adepto da improvisação em detrimento da memorização, confiava que uma prosa escorreita, à volta de uns conhecimentos vagos da matéria em causa, chegaria para convencer os doutos professores. Puro engano, conforme constatei rapidamente nas primeiras notas esborrachadas nas pautas. Para grandes males, grandes remédios, pelo que a certa altura do campeonato mudei de estratégia: em vez de tentar compreender os livros de história e expressar a minha criatividade nos testes, passei a fazer como os outros, os bons alunos, memorizando textos completos, que despejava religiosamente nas provas escritas. Deixei de perceber os assuntos, mas passei a tirar boas notas...
A Filosofia, curiosamente e para meu desespero, não foi muito diferente, só que, em vez de perguntarem em que dia D. Carlos tinha sido assassinado, queriam saber em que data Descartes fora pela primeira vez assaltado pela Dúvida. O mesmo problema, a mesma solução. Só que, se a História já tinha sérias interrogações sobre aquilo que escrevia, imaginem a Filosofia... Ainda hoje dou comigo a pensar nesta coisa extraordinária, no facto daquela disciplina ter-me servido principalmente para treinar a memória!
E aqui chego ao objecto deste (demasiadamente longo) texto, para referir dois dos meus blogues favoritos: o Digitalis e o Persona. Versam a Psicologia, a Filosofia, esplanam pensamentos e, no caso do Digitalis, ainda somos frequentemente premiados com receitas culinárias, certamente admiráveis, soubesse eu cozinhar. Fazem parte das minhas leituras diárias, tendo renovado o meu interesse pelos assuntos que abordam. O meu obrigado aos seus autores, espero que continuem a bloggar por muitos e bons anos.
Arnold Bax (1883-1953) foi, em conjunto com Ralph Vaughan Williams (1872-1958), um dos mais importantes sinfonistas ingleses e um digno sucessor de Edward Elgar (1857-1934). Onde a música de Elgar revela as influências cosmopolitas (mais "europeia" do que "inglesa"), a de Bax baseou-se no folclore inglês, não disfarçando ainda uma forte influência celta.
Bax escreveu 7 sinfonias, entre 1922 e 1939. Winter Legends, a primeira obra apresentada neste disco, foi composta entre o final de 1929 e Abril de 1930, logo após a 3ª Sinfonia. Nota-se a influência de Jean Sibelius (1865-1957) a quem, por sinal, Bax dedicou a obra. A estreia teve lugar há 74 anos, no dia 10 de Fevereiro de 1932, com Adrian Boult (1889-1983) à frente da Orquestra Sinfónica da BBC.
O interesse deste disco resulta também do facto de ter Harriet Cohen (1895-1967) ao piano. É que foi por ela que Bax, em 1918, largou mulher e filhos, e seria ainda a ela que Bax viria a dedicar uma boa parte das suas obras, que a própria estrearia. Já agora, diga-se que Winter Legends viu a sua dedicatória original a Sibelius ser apagada por Harriet Cohen e substituída por "written for and dedicated to Harriet Cohen"...
O disco termina com a Sonata para Viola, com Harriet Cohen acompanhada pelo grande violista escocês William Primrose (1903-1982). Membro fundador do London String Quartet, em 1930, Primrose viria posteriormente a enveredar por uma carreira de solista, tendo encomendado, inclusivamente, um Concerto a Béla Bartók (1881-1945). Que o compositor húngaro não teve tempo de terminar, tendo a tarefa ficado a cargo do violista húngaro Tibor Serly (1901-1978), a partir dos esboços deixados por Bartók. A estreia aconteceria apenas em 1949, com William Primrose como solista.

Harriet Cohen Plays Bax
Winter Legends. A Mountain Mood. A Hill June. Viola Sonata.
Harriet Cohen (piano), William Primrose (viola)
BBC Symphony Orchestra
Clarence Raybould
Dutton CDBP 9751
(1954, 1942, 1937)
Internet
Arnold Bax: bbc.co.uk / Sir Arnold Bax / Wikipedia
Harriet Cohen: Wikipedia
Em 1870 o compositor italiano Giuseppe Verdi começou a trabalhar na ópera Aida, que iria estrear no Cairo no dia 24 de Dezembro do ano seguinte. Passar-se-iam mais de 15 anos até que Verdi se metesse noutra aventura operática, para escrever uma das mais trágicas óperas do seu repertório, Otello.

Giuseppe Verdi
A ópera que se seguiu, Falstaff, foi também a sua última. Composta por sugestão de Arrigo Boito (ver este texto), que forneceu o libreto (tal como já fizera para a versão revista de Simon Boccanegra e Otello), baseado principalmente em The Merry Wives of Windsor, de William Shakespeare (1564-1616).

Falstaff não foi apenas a última ópera de Verdi, foi igualmente a sua primeira comédia, retratando as desventuras de Sir John Falstaff à procura de noiva que o tirasse da penúria. A estreia aconteceu no La Scala de Milão a 9 de Fevereiro de 1893.

Giuseppe Verdi
Falstaff.
José van Dam, William Stone, Barbara Madra, Livia Budai, Benedetta Pecchioli,
Laurence Dale, Elzbieta Szmytka, Franco Careccia, Mario Luperi, Ugo Benelli
Chorus and Orchestra of the Théatre Royal de la Monnaie de Bruxelles
Sylvain Crambeling
NVC Arts 5050467-4469-2-2
Internet
http://www.classical.net/music/comp.lst/works/verdi/falstaff/
http://www.giuseppeverdi.it/page.asp?IDCategoria=162&IDSezione=580&ID=19737
A música incidental, nomeadamente a composta para produções dramáticas, apareceu, com o sentido que lhe damos hoje, no Renascimento. Ao contrário de outros formas musicais, verdadeiros hinos do efémero, esta atravessou vários séculos, e teve notáveis promotores no século XX, como Gabriel Fauré (1845-1924), Igor Stravinsky (1882-1971) e o finlandês Jean Sibelius (1865-1957). Este último, um nome incontornável da música dos países nórdicos, escreveu uma boa parte da sua música incidental ainda bastante jovem.

Precisamente o oposto aconteceu com o compositor sueco Wilhelm Stenhammar (1871-1927), que compôs a maior parte da sua música incidental na última década de vida. Uma época complicada para Stenhammar, aliás, com diversos compromissos como maestro, visto ter sido maestro principal da Orquestra de Gotemburgo entre 1906/7 e 1922, e afectado por problemas de saúde, que o levaram a cancelar alguns projectos. Foi à frente dessa orquestra que, em 1913, Stenhammar estreou a 4ª Sinfonia de Sibelius em solo sueco. Diga-se, já agora, que, enquanto vivo, Stenhammar era conhecido principalmente como pianista e maestro, não como compositor.
E como a gente aqui gosta de se entreter a ouvir obras dos compositores (geralmente apelidados de) menos conhecidos, é com um prazer especial que nos rendemos às melodias de Stenhammar, nascido passam hoje 135 anos. Um dia destes ainda vamos divulgar o nosso Top +, composto exclusivamente de compositores de que talvez nunca tenham ouvido falar...
CD

Wilhelm Stenhammar
"Music for the Theatre".
Helén Finnberg, Caroline Sjöberg (sopranos), Peter Boman (barítono),
Carl Andersson (oboé), Magnus Nilsson (fagote)
Helsingborg Concert Hall Choir
Helsingborg Symphony Orchestra
Arvo Volmer
Sterling CDS1045-2
Internet
Wilhelm Stenhammar / Wikipedia / Musical Settings / Wilhelm Stenhammar International Music Competition
Não será grande exagero afirmar que Franz Liszt (1811-1886) criou a moderna técnica do piano. Há muitos anos, aliás, um insuspeito Camille Saint-Saëns (1835-1921) chegou mesmo a dizer:
"A l'encontre de Beethoven méprisant les fatalités de la physiologie et imposant aux doigts contrariés et surmenés sa volonté tyrannique, Liszt les prend et les exerce dans leur nature, de manière à obtenir, sans les violenter, le maximum d'effet qu'ils sont susceptibles de produire".
Curiosa, esta comparação efectuada por Saint-Saëns, se nos lembrarmos que foi Liszt quem andou por meio mundo a exibir os dotes de virtuoso do piano para arranjar dinheiro para erguer um monumento a Beethoven em Bona...
A música de Liszt influenciou compositores como Bartók, Busoni, Debussy, Schoenberg e Wagner, para referir apenas alguns (dos mais relevantes). Naturalmente que as peças para piano, largamente maioritárias na sua obra, têm um destaque particular. E um fraquinho particular tenho eu pela Sonata em si menor, já anteriormente referida por estas bandas a propósito de um outro disco. Extraordinário é o facto desta obra fundamental do repertório pianístico, terminada em Fevereiro de 1853, tenho sido estreada apenas em Julho... de 1857, por Hans von Bülow (1830-1894). O mesmo que estreou o Concerto para Piano Nº2 de Tchaikovsky (1840-1893) e que, já morto, inspirou Gustav Mahler (1860-1911) a terminar a Sinfonia Nº2...
Em 1980 o pianista chileno Claudio Arrau (1903-1991), nascido passam hoje 103 anos, recebeu a medalha Hans von Bülow, atribuída pela Orquestra Filarmónica de Berlim. Virtuoso do piano, especialmente brilhante em Beethoven, salientou-se igualmente no repertório romântico e, em particular, na música de Liszt. Que enche por completo o (extraordinário) disco aqui hoje trazido, gravado entre 1969 e 1970, e reeditado pela Philips em 2001 inserido na colecção 50 Great Recordings. Grandes gravações, grandes audições!!!

Franz Liszt
Sonata in B minor. Bénédiction de Dieu dans la solitude.
Zwei Konzertetüden. Vallée d'Obermann (from Années de pèlerinage).
Claudio Arrau (piano)
Philips 464 713-2
Internet
Franz Liszt: The Franz Liszt Site / Classical Music Pages / Franz Joseph Liszt
Claudio Arrau: Princeton.edu / Site officiel / Grandes Biografías de la Historia de Chile
Entre o Outono de 1774 e o início de 1775, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) escreveu uma série de 6 sonatas para piano, com os números Köchel K279 a K284, escritas quando o compositor se encontrava em Salzburgo e, posteriormente, em Munique. Em Setembro de 1777, Mozart meteu-se à estrada a caminho de Paris. Pelo caminho teve várias paragens, as mais significativas em Augsburgo, curta, e em Mannheim, mais prolongada. Nesta viagem até à capital francesa, onde chegou nos finais de Março de 1778, Mozart compôs uma nova série de 3 sonatas, de K309 a K311. Será com esta última, composta em Mannheim em Novembro de 1777, que abrirá o recital desta tarde do pianista americano, polaco de nascimento, Emanuel Ax (1949-), na Casa da Música.
A completar o programa teremos a Sonata Op.2 Nº2 de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e as Quatro Baladas de Frédéric Chopin (1810-1849), o que nos possibilitará uma viagem que começa no período clássico, não esquece o compositor que esteve na transição para o romântico, e termina com um dos expoentes do romântico.
Quando, em Julho do ano passado, aqui falámos do violinista Isaac Stern (1920-2001), referimos os dois trios que formou, sendo que do segundo faziam parte, além do próprio Isaac Stern, o violoncelista Yo-Yo Ma (1955-) e o nosso convidado de hoje, Emanuel Ax. E se a Stern se deve a não demolição do Carnegie Hall, também Emanuel Ax por lá tem tocado com grande frequência. Fê-lo, por exemplo, em 2004 com a Dresden Staatskapelle dirigida por Myung-Whun Chung e com um conjunto de concertos dedicados à música de Claude Debussy (1862-1918), e no ano passado com uma série de recitais. Como as probabilidades de assistirmos a um recital de Emanuel Ax no Carnegie Hall são ínfimas, só nos resta esperar que o homem cá venha... Para os eventuais interessados, informamos que Emanuel Ax regressará ao Carnegie Hall nos próximos dias 6 e 7 de Abril.
Programa
Wolfgang Amadeus Mozart
Sonata em ré maior, K311.
Ludwig van Beethoven
Sonata Op.2 Nº2 em lá maior.
Frédéric Chopin
Quatro Baladas.
Emanuel Ax (piano)
Internet
Emanuel Ax
EmanuelAx.com / Calouste Gulbenkian Foundation / Wikipedia
À semelhança do que acontece com o relógio astronómico da Praça da Cidade Velha, em Praga, de que aqui certamente falarei um dia, a maior atracção da praça mais emblemática de Munique, a Marienplatz, é um relógio, habitante da Neues Rathaus, ou Nova Câmara Municipal.
No mês passado, tendo ido a Munique, uma cidade para mim totalmente desconhecida, não perdi a oportunidade de por lá vaguear um pouco e, devidamente aconselhado, iniciei a passeata pela referida praça.
Desconheço se, à altura da sua inauguração, em 1909, ao relógio eram impostos os mesmos horários rigorosos de hoje, em que as 32 estatuetas de cobre que possui apenas dançam às 11 horas da manhã, a que, entre Maio e Outubro, se adicionam mais dois bailaricos, um ao meio-dia e o outro às 5 da tarde. Atendendo ao facto de apenas ter passado uma fria tarde de Janeiro em Munique...
Resta acrescentar, para as mentes mais curiosas, que os bonecos bailarinos dividem-se por dois andares, assinalando dois acontecimentos distintos: os do 1º andar representam o torneio levado a efeito aquando do casamento de Guilherme V, Duque da Bavária (1548-1626); os do rés-do-chão celebram efusivamente o fim da peste, que dizimou a cidade entre 1515 e 1517.
Internet
Munich / City Panoramas / Places of general interest
Para os seus bailados, o russo Sergei Diaghilev (1872-1929) encomendou obras a diversos compositores, nomeadamente a Maurice Ravel (1875-1937) e a Igor Stravinsky (1882-1971). A colaboração com este último passou mesmo por ser a mais celebrada, pelo conjunto notável de obras a que deu origem.
Colaboração essa que começou desde muito cedo, pouco tempo após Diaghilev ter assistido às estreias do Scherzo fantastique e do Feu d'artifice, no Inverno de 1908, e que seria apenas interrompida em 1929, com a morte do empresário. Das primeiras encomendas de Diaghilev nasceram três obras fundamentais do repertório do século XX: O Pássaro de Fogo (1910), Petrushka (1911) e a Sagração da Primavera (1913).
Em 1914, Stravinsky terminou a sua primeira ópera, O Rouxinol, estreada em Paris a 26 de Maio desse ano. Stravinsky tinha começado a trabalhar nela em 1908, mas as sucessivas encomendas de Diaghilev levaram ao abandono do projecto. Apenas retomado em 1913, por encomenda do Teatro Livre de Moscovo que, todavia, quando a obra ficou pronta, em Março de 1914, já tinha fechado as portas...
Mais tarde, Stravinsky aproveitou partes dos 2º e 3º actos e criou um poema sinfónico, estreado no dia 6 de Dezembro de 1919 em Genebra, com o maestro Ernest Ansermet (1883-1969) à frente da orquestra. A história não acabaria aqui, pois não havia muita coisa que o nosso amigo Diaghilev pudesse fazer com um poema sinfónico... pelo que ninguém se admirará do facto de Stravinsky ter ainda criado uma versão para bailado, estreada há exactamente 86 anos na Ópera de Paris. A dirigir a orquestra? Ernest Ansermet...
CDs

Igor Stravinsky
Petrushka. Le chant du rossignol. Fireworks, Op.4.
Vienna Philharmonic Orchestra
Lorin Maazel
RCA Red Seal 74321 57127-2
Igor Stravinsky
Scherzo fantastique, Op.3. L'histoire du soldat - Suite. King of the Stars.
Le chant du rossignol.
Cleveland Chorus & Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 471 197-2
Internet
Igor Stravinsky
Biografia & Obras / Classical Music Pages / bbc.co.uk / Le Rossignol