15/03/2006

Obras Vocais #4: Lyrische Symphonie, de Alexander von Zemlinsky

A vida do compositor e maestro austríaco Alexander von Zemlinsky (1871-1942) cruzou-se frequentemente com a de Gustav Mahler (1860-1911), e nem sempre por motivos musicais... Zemlinsky tinha uma grande admiração pela música de Mahler e seria mesmo deste a maior influência exercida sobre a sua produção musical. A segunda ópera de Zemlinsky, Es war einmal... (Era uma vez...), foi estreada por Mahler em Viena, em 1900. 4 anos depois Zemlinsky fundou com Schoenberg (1874-1951) a Vereinigung schaffender Tonkünstler (Associação dos Músicos Criativos), que teve como Presidente de Honra... Gustav Mahler. Isto sem esquecermos, naturalmente, as questões de saias, envolvendo a fatal Alma Schindler (1879-1964).

Entre 1904 e 1907, Zemlinsky trabalhou como kapellmeister na Volksoper de Viena, após o que, por indicação de Mahler, assumiu um posto semelhante na Hofoper (Ópera de Viena), estreando-se em Maio desse ano com Otello, de Giuseppe Verdi (1813-1901). Apenas lá permaneceu 1 ano, após o que regressou à Volksoper, até que, em 1911, mudou-se para Praga, para assumir o cargo de Director Musical da Ópera dessa cidade. Por lá ficaria até 1927, e teve a oportunidade de promover e divulgar a música de importantes compositores, como Béla Bartók (1881-1945), Franz Schreker (1878-1934), Leos Janácek (1854-1928), Erich Korngold (1897-1957), Arnold Schoenberg e... Gustav Mahler.

Em Praga manteve também a sua actividade como compositor, e lá escreveu e estreou, em 1922, a Sinfonia Lírica (Lyrische Symphonie), com base em poemas do poeta hindu Rabindranath Tagore (1861-1941), Prémio Nobel da Literatura em 1913 e autor dos hinos do Bangladesh e da Índia. Esta obra de Zemlinsky foi sempre considerada como que uma resposta a
Das Lied von der Erde, de Gustav Mahler, o que não será de espantar, se nos lembrarmos de que era intenção de Zemlinsky compôr uma obra "na linhagem da Canção da Terra". Dividida em 7 partes, é cantada alternadamente por um barítono e uma soprano, com as transições asseguradas por interlúdios orquestrais. Alguns, poucos, anos mais tarde, Alban Berg (1885-1935) dedicou a sua Suite Lírica a Zemlinsky e, nessa peça, chega mesmo a citar a Lyrische Symphonie. Outras histórias para outra altura...

Alexander von Zemlinsky faleceu há 62 anos, no dia 15 de Março de 1942.


CD



Alexander von Zemlinsky
Lyrische Symphonie. Symphonische Gesänge.
Alessandra Marc (soprano), Hakan Hagegard (barítono), Willard White (baixo)
Royal Concertgebouw Orchestra
Riccardo Chailly
Decca 443 569-2


Internet

Alexander Zemlinsky / Timeline / Wikipedia / Alexander von Zemlinsky

13/03/2006

Compositores #61: Hugo Wolf (1860-1903)

Ao contrário de Franz Schubert (1797-1828), o compositor, igualmente austríaco, Hugo Wolf (1860-1903), nascido há 146 anos, dava uma extrema importância aos textos que musicava, daí poucas vezes ter utilizado poemas de poetas menores ou menos conhecidos. Para o seu primeiro ciclo pegou em poemas de Heinrich Heine (1797-1856), e iria posteriormente musicar textos de Joseph von Eichendorff (1788-1857) e Goethe (1749-1832).

É assim surpreendente que Wolf se tenha virado para os poemas do poeta romântico alemão, e pastor luterano, Eduard Mörike (1804-1875), para escrever aquele que é o seu mais importante ciclo de canções, Mörike Lieder. À partida, o "poeta do repouso da alma", dos poemas de estilo gracioso, por vezes humorístico, não se parecia coadunar com o estilo truculento e temperamental de Wolf, que já lhe tinha valido alguns dissabores. Pois a verdade é que dali saiu o mais extraordinário ciclo de canções que Wolf escreveu, e que o estabeleceu definitivamente como um digno e natural sucessor de Schubert e Robert Schumann (1810-1856).

E tal poderá também ser considerado surpreendente, que o começo de Wolf não foi propriamente auspicioso, pois ser expulso do Conservatório de Viena, por razões disciplinares, não será uma das melhores formas de entrar no mundo da música. 4 anos passados e, em 1881, Wolf foi despachado de Salzburgo pouco depois de ter sido admitido como assistente do maestro Karl Muck (1859-1940), por o terem achado temperamentalmente desadequado... Perante tais dificuldades em usar os sons, Wolf passou a usar o verbo, descarregando a sua ira em Brahms (1837-1897) e Bruckner (1824-1896), ao mesmo tempo que defendia vigorosamente Wagner (1813-1883), por quem tinha uma enorme admiração.

O final dos anos 80 e o início dos 90 viram o seu período mais prolífico e criativo, com a edição dos ciclos de Mörike, de Eichendorff e de Goethe, além das Spanisches Liederbuch e das Italienisches Liederbuch. Em 1897 a saúde mental de Wolf deixava já muito a desejar e, no ano seguinte, seria definitivamente internado num asilo, vindo a falecer no dia 22 de Fevereiro de 1903.


CDs




Hugo Wolf
Mörike Lieder.
Peter Schreier (tenor), Karl Engel (piano)
Orfeo C142981A

Hans Hotter
Wolf Lieder Recital.
Mörike Lieder - No.5; No.12; N.10; No.9.
Goethe Lieder - No.34; No.36; No.29; No.14; No.15; No.51.
Italienisches Liederbuch - No.27; No.22; No.14.
3 Portraits de Michelangeli. Eichendorff Lieder - No.2.
Hans Hotter (barítono), Gerald Moore (piano)
Testament SBT1197

Hugo Wolf
22 Lieder.
Elisabeth Schwarzkopf (soprano), Wilhelm Furtwängler (piano)
EMI Références 5 67570-2

Hugo Wolf
Goethe Lieder.
Geraldina McGreevy (soprano), Graham Johnson (piano)
Hyperion CDA67130

Hugo Wolf
Mörike Lieder.
Joan Rodgers (soprano), Stephan Genz (barítono), Roger Vignoles (piano)
Hyperion CDA67311/2

Hugo Wolf
Mörike Lieder.
Roman Trekel (barítono), Oliver Pohl (piano)
Oehms OC305

Hugo Wolf
Italienisches Liederbuch. Spanisches Liederbuch. Mörike Lieder.
Irmgard Seefried (soprano), Erik Werba (piano)
Orfeo C614031B

Hugo Wolf
Mörike Lieder.
Werner Güra (tenor), Jan Schultsz (piano)
Harmonia Mundi HMC901882


Internet

Hugo Wolf
Karadar Classical Music
/ Classical Music Pages / Wikipedia

12/03/2006

Sonatas para Violino #1: Sonata para Violino Solo, Sz117, de Bartók

Apesar de ter ganho uma bolsa para ir estudar para Viena, Béla Bartók (1881-1945) optou por ir para Budapeste, assim permanecendo na sua terra natal, a Hungria. Tal decisão acabaria por vir a revelar-se decisiva, levando ao contacto de Bartók com o movimento nacionalista húngaro e marcando decisivamente a sua obra. Com particular intensidade na primeira década do século XX, Bartók ir-se-ia dedicar à recolha do folclore húngaro, que usaria depois amiúde nas suas composições.

Entre as 2 Guerras Mundiais, Bartók efectuou, como pianista, diversas turnés pela Europa e pelos Estados Unidos. Nessa época era já um compositor conhecido internacionalmente, com importantes obras no seu curriculum, como os 2 primeiros quartetos para piano, 2 sonatas para violino e piano e The Miraculous Mandarin. Crescentemente incomodado com a ascensão do nazismo, as estadias na Suíça em casa do seu amigo Paul Sacher começaram a ser mais frequentes, nomeadamente na 2ª metade da década de 30.

Depois de um último concerto em Budapeste, no dia 8 de Outubro de 1940, Bartók emigraria de vez para os Estados Unidos, para a última etapa da sua vida que, todavia, não se revelaria muito feliz. Afectado por problemas de finanças e de saúde, e por se encontrar longe de familiares e amigos, Bartók comporia apenas 2 obras (completas) naquele país: o Concerto para Orquestra, encomendado pelo maestro Serge Koussevitzky (1874-1951), e a Sonata para Violino Solo, encomendada por Yehudi Menuhin (1916-1999), que a estreou no dia 26 de Novembro de 1944. Foi a última obra importante do período americano de Bartók e, curiosamente, foi também um regresso às origens, sendo Bach (1685-1750) a sua principal referência.

Yehudi Menuhin faleceu há 7 anos, no dia 12 de Março de 1999.


CDs



Béla Bartók
Violin Concerto No.2. Sonata for Solo Violin, Sz117.
Kurt Weill
Concerto for Violin and Wind Orchestra, Op.12.
Leos Janácek
Violin Concerto, "The Pilgrimage of a Soul". Violin Sonata.
Christian Tetzlaff (violino), Leif Ove Andsnes (piano)
Soloists of the Deutsche Kammerphilharmonie, Christian Tetzlaff
The Philharmonia, Libor Pesek
Virgin Classics 5 62053-2

Béla Bartók
Violin Sonata No.1, Sz75. Violin Sonata No.2, Sz76.
Sonata for Solo Violin, Sz117.
Christian Tetzlaff (violino), Leif Ove Andsnes (piano)
Viegin Classics 5 45668-2

Béla Bartók
Violin Sonata No.1, Sz75. Sonata for Solo Violin, Sz117.
Isabelle Faust (violino), Ewa Kupiec (piano)
Harmonia Mundi HMN911623


Internet

Béla Bartók
Béla Bartók: Composer / Essentials of Music / Wikipedia / Classical Music Pages

Paul Sacher
Paul Sacher Foundation / Wikipedia

Yehudi Menuhin
Bach Cantatas / Wikipedia / The Yehudi Menuhin School / International Yehudi Menuhin Foundation

11/03/2006

Compositores #60: Anthony Philip Heinrich (1781-1861)

Anton Philipp Heinrich nasceu na Boémia no dia 11 de Março de 1781, passam hoje 225 anos. Herdeiro rico, enquanto a fortuna durou dedicou-se principalmente a viajar, um gosto que desenvolveu com requinte. Teve ainda tempo para aprender a tocar violino e piano, algo que se viria a revelar muito mais importante para a sua vida do que aquilo que na altura pensaria... Vieram as invasões napoleónicas e foi-se a fortuna, tendo Heinrich zarpado para os Estados Unidos. Reza a história, neste caso contada pelo próprio, que num dia de Primavera no Kentucky, em 1818, desapareceu Anton Philipp Heinrich, empresário e homem de negócios, e nasceu Anthony Philip Heinrich, compositor.


Anthony Philip Heinrich

E o que é certo é que a história da vida de Heinrich a partir daí está invariavelmente relacionada com a música. Salientou-se primeiro como violinista, em 1817 dirigiu a primeira interpretação de uma sinfonia de Beethoven em solo americano (tanto quanto se sabe), e iniciou-se na composição no ano seguinte. Geralmente tido como o primeiro compositor profissional dos Estados Unidos, são igualmente de sua autoria as primeiras sinfonias americanas, que lhe valeram mesmo o título de Beethoven Americano...

Por vezes extremamente complexas e não raramente absolutamente excêntricas, as sinfonias de Heinrich receberam nomes que não lembrariam ao diabo: The Dawn of Music in Kentucky, The Ornithological Combat of Kings, The Pleasures of Harmony in the Solitudes of Nature, ...


CD




Anthony Philip Heinrich
The Ornithological Combat of Kings.
Louis Moreau Gottschalk
Night in the Tropics.
Anthony Paratore, Joseph Paratore (pianos)
New World Records 80208


Internet

http://www.newworldrecords.org/linernotes/80208.pdf
http://pw1.netcom.com/~kallisti/Heinrich.html

09/03/2006

Lugares #125

Em 1357 começou a construção da ponte que ligaria a Cidade Velha ao Bairro Pequeno, e que é hoje ainda um dos mais famosos, senão mesmo o mais famoso, monumentos de Praga. Levou o nome de quem ordenou a sua construção, Carlos IV, rei da Boémia e imperador do Sacro Império Romano-Germânico, entre 1346 e 1378. Foi com este imperador, apostado em fazer dela a mais majestosa cidade europeia, que Praga conheceu o seu apogeu, sendo dessa época a criação da universidade, a construção de inúmeros mosteiros e igrejas, a reconstrução do castelo e a referida construção da ponte. Que não era a primeira a ligar as margens do rio Moldava, só que a anterior, a ponte Judite, construída em 1172, foi com a maré, aquando das inundações de 1342.

Para evitar repetição do descalabro, sempre humilhante, reza a história que, na sua construção, a ponte foi reforçada com quantidades substanciais de... gemas de ovos. Verdade ou mentira, o que é certo é que a anterior nem 200 anos durou e esta ainda lá está. Está lá ela e estivemos lá nós também, tendo começado, como é de bom tom, pelo início, trepando até ao cume da torre, gótica, que a embeleza do lado da Cidade Velha e que foi construída mais para os finais do século XIV. Depois, é só uma questão de ir até ao outro lado, aconchegados por artistas, pró-artistas e pseudo-artistas, devidamente vigiados pelas 30 estátuas que estrategicamente ladeiam os viandantes, uma das quais de Santo António. Já não são as estátuas originais, que essas estão pacatamente protegidas das intempéries e dos humanos no Museu Nacional de Praga, mas cópias suficientemente boas para cumprir a missão.




A mais famosa delas, e também a primeira a ser colocada, em 1683, é a de S. João Nepomuceno, vigário geral da arquidiocese de Praga que, em 1393, foi preso por causa de umas histórias à volta da eleição de um abade. Na altura o arcebispo também foi detido, só que logrou escapar. João Nepomuceno não teve tal sorte e acabou por morrer vítima de tortura, após o que o seu corpo foi amarrado e lançado da ponte Carlos ao rio. Diz a tradição que quem tocar na sua estátua terá sorte e o regresso garantido a Praga, pelo que não há turista que lá não pouse as manápulas, tornando-a numa das mais polidas estátuas da história!


Internet

Architecture in Prague: Charles Bridge / Charles' Bridge / Charles Bridge / Wikipedia

08/03/2006

CDs #74: Delius, Orchestral Works, Volume 3

Em 1902, Frederick Delius (1862-1934) terminou a versão definitiva de Appalachia, que teria a sua estreia no dia 15 de Outubro de 1904, sob a direcção de Hans Haym, que viria mesmo a tornar-se no grande promotor da música de Delius na Alemanha.

Appalachia, que tem como sub-título "Variações sobre um velho canto de escravos", foi inspirada num melodia que Delius ouviu cantada numa fábrica de tabaco na Virgínia, e herdou o seu nome da denominação dada antigamente pelos índios ao continente norte-americano. Em 1907, Thomas Beecham (1879-1961) ouviu-a em Londres, e ficou imediatamente adepto: "Here at last was modern music of native growth in which it was possible with uninhibited sincerity to take pride and delight".

E se Delius já tinha um grande defensor na Alemanha, arranjou um ainda maior no Reino Unido. Citemos de novo Beecham: "I formed the unshakeable resolution to play as much of it as I could lay my hands on whenever I had the opportunity (...)". Se bem o disse, melhor o fez! Nos 50 anos que se seguiram, Beecham deu à música de Delius um destaque espantoso, a tal ponto que os dois nomes se tornaram indissociáveis, caso raro, senão único, na música do século XX.

Thomas Beecham faleceu em Londres45 anos, no dia 8 de Março de 1961.



Frederick Delius
Orchestral Works, Volume 3.
Brigg Fair - An English Rhapsody. Koanga: La Calinda (arr. Fenby).
Hassan: Closing Scene (words by James Elroy Flecker). Irmelin Prelude.
Appalachia (Variations on an old Slave Song with Final Chorus).
Jan van der Gucht (tenor)
Royal Opera Chorus
BBC Chorus
London Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Naxos Historical 8.110906
(1928, 1938)


Internet

Frederick Delius: International Cyclopedia of Music and Musicians / Official Delius Website / The Music of Frederick Delius
Thomas Beecham: Bach Cantatas / Wikipedia / Sir Thomas Beecham

07/03/2006

Poemas Sinfónicos #1: Also sprach Zarathustra, de Richard Strauss

Aquando da estreia, no dia 27 de Novembro de 1896, o poema sinfónico Also sprach Zarathustra provocou comoções um pouco por todo o lado, por muitos entenderem que Richard Strauss (1864-1949) tinha-se procurado apropriar do pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Segundo as suas próprias palavras, Strauss apenas se "propôs traçar um quadro do desenvolvimento da raça humana desde as suas origens até ao super-homem de Nietzsche". Recorde-se que, no livro de Nietzsche, o super-homem anunciado por Zaratustra é quem vem dar um novo sentido à vida e ao mundo, por "Deus estar morto" ("Gott ist tot", frase diversas vezes repetida na obra).

Strauss tinha lido pela primeira vez esta obra de Nietzsche em 1892, e revelaria mais tarde o quão ela o influenciou intelectualmente. O suficiente, desde logo, para ter-se decidido a musicá-la, com os resultados que se conhecem: 3 dias após a estreia absoluta foi tocada em Berlim, com o maestro Artur Nikisch (1855-1922), e rapidamente ficou conhecida por toda a Alemanha. Não só conhecida, como também incompreendida, criticada e hostilizada, pelas razões antes expostas.

Na altura Strauss gozava já de um elevado prestígio, como regente e como compositor, principalmente de poemas sinfónicos, naquele que pode ser considerado o seu primeiro período criativo. Strauss não inventou o género, que já tinha tido ilustres antecessores, como os poemas sinfónicos de Franz Liszt (1811-1886), mas deu-lhe o nome e popularidade, com os que já tinha escrito até essa altura: Aus Italien (1886), o menos bem sucedido de todos, Don Juan (1888), Macbeth (1888), Tod und Verklärung (1889) e Till Eulenspiegels lustige Streiche (1895).

Para os mais distraídos, refira-se que a introdução desta obra foi utilizada por Stanley Kubrick (1928-1999) no mítico filme 2001: Odisseia no Espaço, de 1968. Kubrick faleceu há 7 anos, no dia 7 de Março de 1999.


CDs




Richard Strauss
Also sprach Zarathustra, Op.30. Don Juan, Op.20.
Salome - Dance of the Seven Veils.
Vienna Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Decca Legends 466 388-2

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra, Op.30. Concerto for Horn and Orchestra No.2.
Four Last Songs. Don Juan, Op.20. Ein Heldenleben, Op.40.
Norbert Hauptmann (trompa), Gundula Janowitz (soprano)
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan, Karl Böhm
Deutsche Grammophon 469 208-2

Richard Strauss
Eine Alpensinfonie. Also sprach Zarathustra. Don Juan.
Till Eulenspiegel. Salomes Tanz. Vier letzte Lieder.
Anna Tomowa-Sintow (soprano)
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 474 281-2

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra, Op.30. Ein Heldenleben, Op.40.
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
RCA Living Stereo 82876 61389-2

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra, Op.30. Don Juan, Op.20. Four Last Songs.
Lucia Popp (soprano)
London Philharmonic Orchestra
Klaus Tennstedt
EMI Encore 5 86436-2


Internet

richardstrauss.org
/ The Works of Richard Strauss / Classical Music Pages / Wikipedia

05/03/2006

Obras Orquestrais #7: Suite de Guerra e Paz, de Prokofiev

Andrei Zhdanov (1896-1948) esteve sempre suficientemente perto de José Estaline (1879-1953) para progredir solidamente na hierarquia do Partido Comunista, tendo chegado a governador de Leninegrado. Não é esta faceta, contudo, que aqui mais nos interessa hoje, mas sim a de definidor da política cultural soviética ou, dito de uma forma mais prosaica, a de censor do regime.

Uma das sua vítimas foi o compositor russo Sergei Prokofiev (1891-1953), depois do regresso a casa após uma ausência de 15 anos, entre 1918 e 1933. Ao contrário de Igor Stravinsky (1882-1971) e Sergei Rachmaninov (1873-1943), Prokofiev decidiu-se pelo regresso à União Soviética, convencido de que o reconhecimento internacional como compositor seria garantia de um tratamento de excepção por partes das autoridades. Enganou-se redondamente, tendo sido por várias vezes humilhado e as suas obras alvo do crivo de Zhdanov. E se o fim da 1ª Guerra Mundial o tinha visto desandar para outras paragens, a 2ª Grande Guerra apanhou-o em casa, atado pelas malhas que o regime lhe coseu.

É desta época que data o início do projecto da ópera Guerra e Paz, baseada na obra homónima de Tolstoi (1828-1910). Projecto grandioso, em que o compositor depositava grandes esperanças e procurava seguir os ditames dos governantes: obra para "o povo", destinada a promover a cultura e a história russas, importante nos tempos de guerra que se atravessavam. Enganou-se de novo, tendo a obra sido de imediato rejeitada pelo nosso conhecido censor que, por "não ser suficientemente heróica" não lhe via utilidade. O Congresso dos Compositores de Moscovo, reunido em 1948, resolveu não lhe ficar atrás, e aplicou à ópera o carimbo da praxe, apelidando-a de "formal". O resultado de tudo isto foi que Prokofiev nunca chegou a assistir a nenhuma récita da ópera completa, apesar de nela ter estado envolvido cerca de 12 anos, até poucas semanas antes de falecer.

E é assim que, no dia em que passam 53 anos sobre a morte de Prokofiev, trazemos aqui, não a ópera Guerra e Paz, mas a Suite Sinfónica que dela extraiu o inglês Christopher Palmer (1946-1995), um entusiasta da música deste compositor, tendo inclusivamente colaborado na edição do livro Sergei Prokofiev: Soviet Diary 1927 and Other Writings.


CD



Sergei Prokofiev
War and Peace: Symphonic Suite (arr. C. Palmer).
Summer Night: Suite from "The Duenna", Op.123.
Russian Overture, Op.72.
Philharmonia Orchestra
Neeme Järvi
Chandos CHAN 9096
(1991)


Internet

Sergei Prokofiev
The Prokofiev Page
/ Classical Music Pages / The Sergei Prokofiev Website

Andrei Zhdanov
Spartacus.schoolnet.co.uk
/ Wikipedia

Christopher Palmer
In Memoriam

03/03/2006

Óperas #7: Carmen, de Georges Bizet

O compositor francês Georges Bizet (1838-1875) desde muito novo mostrou todos os seus dotes musicais e, ao contrário de outros grandes compositores seus compatriotas, viu-se premiado no afamado Prix de Rome: em 1856 recebeu um 2º prémio, com a cantata David e, no ano seguinte, venceu o 1º prémio, dessa vez com a cantata Clovis et Clotilde, e que lhe valeu uma estadia de 3 anos em Itália. No regresso prosseguiu a carreira operática, nomeadamente com Les Pêcheurs de Perles, Ivan IV, La Jolie Fille de Perthe e Don Rodrigue e, em geral, sem aquilo a que se poderia chamar um sucesso estrondoso.

Apesar de se ter tornado numa das óperas mais famosas e conhecidas em todo o mundo, a estreia de Carmen, no dia 3 de Março de 1875, esteve igualmente longe de ser um sucesso. Foi mais para o calamitosa, que o público parisiense não estava preparado para aquela exibição de paixões extremas, de conteúdo que acharam profundamente imoral. O libreto baseou-se no romance Carmen do novelista, dramaturgo e... arqueologista francês Prosper Mérimée (1803-1870), devidamente alterado para permitir mais números musicais e aumentar o realismo da obra.

Recorde-se que Carmen é uma das grandes representantes da escola verista, que procurava retratar o mais fielmente possível a realidade da vida, sendo mesmo considerada por muitos como a primeira ópera do verismo. Bizet chegou mesmo a afirmar que "se fosse a suprimir o adultério, o fanatismo, o crime, o demónio e o sobrenatural, não teria motivos para escrever uma única nota"...

Apesar das 35 récitas que tiveram lugar em 1875 a estreia não foi propriamente um sucesso, que chegaria apenas mais tarde, já Bizet não pertencia ao reino dos vivos, pois tinha falecido 3 meses depois da estreia. A meio caminho já os diálogos falados tinham sido substituídos por recitativos, versão com que foi apresentada em Viena e que marcou o início da sua crescente popularidade. Mais tarde regressaria à sua versão original que é, ainda hoje, a mais utilizada.


CDs



Georges Bizet
Carmen.
Victoria de los Angeles, J. Micheau, D. Monteil, M. Linval (sopranos),
Nicolai Gedda, M. Hammel (tenores), Ernest Blanc, J.-C. Benoit (barítonos),
Marcelle Croisier (meio-soprano)
French National Radio Choir & Symphony Orchestra
Thomas Beecham
EMI GROC 5 67353-2
(1958-9)

Georges Bizet
Carmen.
Angela Gheorghiu, I. Mula, E. Vidal, I. Cals (sopranos), Roberto Alagna,
N. Rivenq, Y. Beuron (tenores), Thomas Hampson, L. Tézier (barítonos),
Nicolas Cavallier (baixo)
Toulouse Children's Choir
Toulouse Capitole Orchestra
Michel Plasson
EMI 5 57434-2
(2002)

Georges Bizet
Carmen.
Teresa Berganza, S. Minty, A. Nafé (meios-sopranos), Ileana Cotrubas,
Y. Kenny (sopranos), Plácido Domingo, G. Pogson, J. Laine (tenores),
Gordon Sandison, L. Fyson, S. Milnes (barítonos), Richard Amner,
R. Lloyd (baixos)
George Watson's College Boys' Chorus
The Ambrosian Singers
London Symphony Orchestra
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 477 5342
(1977)


Internet

Classical Music Pages
/ The Life and Times of Georges Bizet / Georges Bizet / Wikipedia

02/03/2006

Lugares #124

A prudência e o Instituto de Meteorologia aconselhavam o recanto caseiro, mas a vontade de rumar a terras de Lamego não era compatível com tais sossegos. Está bom de ver que lá fomos, ou este texto não faria qualquer sentido, apesar da ameaça eminente do céu desabar sobre as nossas cabeças. Fosse o Astérix e a história seria certamente outra...

A ameaça eminente concretizou-se mal chegámos ao nosso destino, a ponte medieval mais a respectiva e famosa torre, em Ucanha, um conjunto único que data da fundação deste país. Lembram-se do milagre de D. Afonso Henriques, por aqui referido quando visitámos o Mosteiro de Cárquere? Pois o aio, Egas Moniz, viveu na aldeia de Ucanha, pequena de poucas centenas de habitantes. A ponte, datada do século XIII, apenas na 2ª metade do século XV viu a torre ser-lhe acrescentada, consta que para gáudio do abade de Salzedas, colocado em posição de superioridade sobre o bispo de Lamego sempre que este passava sob o arco da torre... Esta seria mais uma das funções da torre, a juntar às outras, as "oficiais": servir para cobrar portagens, para defesa e ainda para armazenamento de produtos.

Do programa inicial constava ainda uma visita ao Mosteiro de Salzedas, adiada estrategicamente para uma melhor oportunidade, que a ensopadela resultante da borrasca, aliada ao anoitecer prematuro, assim ditaram. Mas havemos de lá voltar...


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Ponte Fortificada de Ucanha / Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais / Idade Média: Paróquias e Conventos / Ucanha