10/04/2006

Pianistas #10: Glenn Gould (1932-1982)

O pianista canadiano Glenn Gould (1932-1982), nascido a 25 de Setembro de 1932, foi um precoce militante: aos 12 anos ganhou a única competição em que entrou em toda a sua vida (um pouco como Piotr Anderszewski, recusando a competição entre músicos, só que Gould não desertou a meio da competição...); em 1946 fez a sua estreia como solista; em 1955, com 22 anos, estreou-se em Nova Iorque, e logo com as Variações Goldberg, de Bach (1685-1750), que o homem não era para menos!; em 1964, apenas com 32 anos de idade, decidiu retirar-se dos palcos, dando o seu último recital no dia 10 de Abril. A partir dessa altura dedicou-se às gravações e às transmissões radiofónicas.


Glenn Gould

As Variações Goldberg representaram algo de muito especial na carreira de Glenn Gould: além de ter sido com esta obra que se estreou em Nova Iorque, com um sucesso tal que lhe garantiu de imediato um contrato com uma editora, foi ainda com ela que Gould abriu uma excepção à sua regra de não gravar a mesma obra duas vezes.

De facto, Gould gravaria as Variações Goldberg duas vezes: a primeira, em 1955, imediatamente após o seu recital em Nova Iorque; a segunda, apenas 26 anos depois e, curiosamente, efectuada exactamente no mesmo estúdio da primeira. Interpretações consensuais? Longe disso, muitos adoram-nas, outros tantos abominam-nas, sem esquecer o grupo dos indiferentes...


CDs



Johann Sebastian Bach
Goldberg Variations, BWV988.
Glenn Gould (piano)
CBS 38479
(1955)

Johann Sebastian Bach
Goldberg Variations, BWV988.
Glenn Gould (piano)
CBS 37779
(1981)


Internet

http://www.glenngould.ca/index.ie.html
http://www.sonyclassical.com/artists/gould/bio.html
http://www.glenngould.com/
http://glenngould.com/gg/
http://www.collectionscanada.ca/glenngould/index-e.html

08/04/2006

Sinfonias #14: Sinfonia Nº2, de Leonard Bernstein

Em Outubro do ano passado, aquando do 15º aniversário da sua morte, falámos aqui de Leonard Bernstein (1918-1990) e da sua estreia à frente da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, em Novembro de 1943, substituindo em cima da hora um adoentado Bruno Walter (1876-1962), e sem que Bernstein tivesse tempo para efectuar qualquer ensaio com a orquestra.

Leonard Bernstein acabaria por se vir a tornar num caso único de popularidade, prosseguindo três carreiras em simultâneo: a de maestro, a de pianista e a de compositor. Isto sem esquecer, naturalmente, o sucesso dos seus programas televisivos, momentos inolvidáveis do nosso imaginário a preto e branco. Sucesso obtido aquém e além fronteiras, recordemos que Bernstein foi o primeiro (nativo) americano a dirigir a Orquestra do Teatro alla Scala, de Milão. Foi em 1953, com Maria Callas (1923-1977) na ópera Médée, de Luigi Cherubini (1760-1842).

Como compositor, Bernstein escreveu algumas das mais conhecidas páginas da música do século XX, como a comédia musical West Side Story ou a abertura Candide. Compôs igualmente 3 sinfonias: a Nº1, Jeremiah (1941-2), a Nº2, The Age of Anxiety (1948-9) e a Nº3, Kaddish (1957). A Sinfonia Nº2 teve a sua estreia no dia 8 de Abril de 1949, com o compositor ao piano e a Orquestra Sinfónica de Boston dirigida por Serge Koussevitzky (1874-1951). É a sinfonia onde as origens judaicas de Bernstein são menos evidentes. Refira-se que Bernstein esteve em Israel em 1947, tendo dirigido a Orquestra Filarmónica Palestina em vários concertos, e manteve uma relação estreita com aquele país até ao fim da vida. Em 1978, a Orquestra Filarmónica de Israel organizou inclusivamente um festival para assinalar precisamente a dedicação de Bernstein, no ano em que o compositor celebrou o 60º aniversário.


CDs



Leonard Bernstein
Overture - Candide. Symphony No.2, "The Age of Anxiety".
Bournemouth Symphony Orchestra
Andrew Litton
Virgin Classics 91433-2

Leonard Bernstein
Symphony No.2, "The Age of Anxiety".
William Bolcom
Piano Concerto.
Marc-André Hamelin (piano)
Ulster Orchestra
Dimitry Sitkovetsky
Hyperion CDA67170


Internet

Leonard Bernstein
The Official Leonard Bernstein Web Site / Biography / Wikipedia

06/04/2006

Lugares #128

Os Habsburgos são visita periódica deste blogue, o que decorre, naturalmente, do facto de terem sido uma das mais influentes famílias europeias. E também com uma das mais longas histórias, conhecida desde o século VI e apenas arredada do poder (na Áustria e na Hungria) na 1ª Guerra Mundial. Pelo caminho foram dominando os destinos de vários países, entre eles a Espanha, desde o início do século XVI até ao ano de 1700, altura em que se extinguiu a linha espanhola da família, resultando então na Guerra da Sucessão, que se prolongaria por mais de uma década.

Entre 1556 e 1598 a Espanha teve como rei um membro dessa família, Filipe II (1527-1598). Que, entre 1580 e 1598 também foi rei de Portugal, é bom que se saiba, sob o título de Filipe I. Se pensaram que o nosso rectângulo escapou aos poderes dos Habsburgos enganaram-se redondamente...

Pois foi Filipe II quem, em 1594, criou a Farmácia Real, no antigo Alcázar dos Habsburgos, em Madrid. A farmácia viria a ter uma vida deveras atribulada: um incêndio, ocorrido no dia 24 de Dezembro de 1734, destruiu por completo o edifício, farmácia incluída, e apenas no dia 6 de Abril de 1738, passam hoje 268 anos, seria colocada a primeira pedra do novo Palácio Real de Madrid. Apenas em 1794, já no reinado de Carlos IV (1748-1819), foi a farmácia de novo instalada. Pouco tempo ficou no palácio, contudo, já que, com as invasões napoleónicas foi transferida para o Seminário dos Nobres, tendo regressado de novo ao palácio no final do século XIX.




Para quem, como eu, desenvolveu uma particular aversão às farmácias, esta representa uma variante admirável, por completamente distinta das actuais. Linda de morrer, pelos menos segundo os meus discutíveis critérios estéticos, situada num edifício esplendoroso e... de entrada grátis, bastando para tal visitá-la na época baixa.


Internet

Palacio Real de Madrid / Madrid Royal Palace

05/04/2006

Sinfonias #13: Sinfonia Nº2, de Beethoven

Em Novembro de 1792, Ludwig van Beethoven (1770-1827) foi a Viena, pensava ele que por pouco tempo, para ter lições com Joseph Haydn (1732-1809), regressado há não muito da sua primeira viagem a Londres. As lições prolongar-se-iam até 1794, quando Haydn partiu para a segunda viagem a Londres, mas Beethoven ficaria por Viena, nunca mais regressando a Bona, sua cidade natal.

O início do século XIX encontrou Beethoven fortemente abalado com a progressiva perda da audição, que o levou a isolar-se da sociedade, chegando mesmo a pensar em suicídio. Em 1802, após um período de 6 meses passado na pacatez de Heiligenstadt, distante 1 hora de Viena, Beethoven escreveu um documento, dirigido aos seus irmãos Carl e Johann, que era suposto ser lido apenas após a sua morte, e em que dava conta das suas intenções de se suicidar. Beethoven escreveu-o entre os dias 6 e 10 de Outubro de 1802, e intitulou-o "O Testamento de Heiligenstadt".

Foi ainda em Heiligenstadt que Beethoven, apesar do período que atravessava, escreveu a Sinfonia Nº2, durante o Verão de 1802, e começou a esboçar a Sinfonia Nº3
, que terminaria em Maio de 1804. Surpreendente (ou talvez não?!) que, após tamanha crise, Beethoven tenha composto tal conjunto de obras: além das 2 referidas sinfonias, são dessa época o oratório Christus am Ölberge e a ópera Fidelio.

Além disso, da 2ª Sinfonia, estreada no dia 5 de Abril de 1803, não transparece o ambiente de tragédia eminente, contendo, pelo contrário, momentos de intensa alegria. Razão teria Bernardo Soares:

O poeta é um fingidor
Mente tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente


CDs



Ludwig van Beethoven
Symphonies - No.1 in C, Op.21 & No.2 in D major, Op.36.
NDR Symphony Orchestra
Gunter Wand
RCA Red Seal 74321 66458-2
(1997, 1999)

Ludwig van Beethoven
Symphonies - No.2 in D major, Op.36 & 8 in F major, Op.93.
London Classic Players
Roger Norrington
Virgin Classics 5 61375-2

Great Conductors of the 20th Century: Pierre Monteux.
Ludwig van Beethoven
Symphony No.2 in D major, Op.36.
+ obras de Wagner, Hindemith, Debussy, Tchaikovsky.
Women of the Berkshire Festival Chorus
Boston Symphony Orchestra
North German Radio Symphony Orchestra
Danish State Radio Symphony Orchestra
London Symphony Orchestra
Pierre Monteux
EMI 5 75474-2


Internet

Ludwig van Beethoven
Ludwig van Beethoven: A Musical Titan
/ The "Heiligenstädter Testament" / The Text of the Heiligenstadt Testament

04/04/2006

CDs #78: Berio, Sinfonia, Ekphrasis

A dada altura da sua vida, o compositor italiano Luciano Berio (1925-2003) afirmou o seguinte: "Creio que é preciso viver no espírito do fim da Renascença e dos alvores do barroco, viver no espírito de Monteverdi, que inventou a música para os três séculos seguintes". (1)

Para os mais dados aos preciosismos, é sempre possível fazer as contas e concluir de imediato que os referidos 300 anos cobririam o período musical que vai até meados do século passado.

Coerente com este princípio, Berio fez várias vezes uso de obras de outros compositores, sendo a 3ª parte da sua Sinfonia um caso exemplar. Nela Berio cita livremente o scherzo da Segunda Sinfonia de Gustav Mahler (1860-1911) e, de caminho, sempre se foi lembrando de Bach, Beethoven, Debussy, Ravel e Strauss, para nomear apenas alguns...

O assassínio de Martin Luther King, no dia 4 de Abril de 1968, levou a que a 2ª parte da sinfonia, em que Berio trabalhava na altura, tivesse um rumo inesperado. Acabou por ser dedicada à memória do pastor evangélico, salientando-se as vozes que se limitam a pronunciar o seu nome. Berio viria a editar separadamente esta 2ª parte, sob o título de O King.

Os andamentos que abrem e fecham esta sinfonia para 8 vozes e orquestra baseiam-se em material extraído do livro Le Cru et le Cuit, do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-). Lévi-Strauss foi mais um dos que teve que atravessar o Atlântico por alturas da II Grande Guerra. Já o tinha feito anteriormente, com destino ao Brasil. Em trabalho. Voltou a fazê-lo mais tarde, rumo a Nova Iorque. Era judeu...



Luciano Berio
Sinfonia. Ekphrasis.
Ann de Renais, Wendy Nieper (sopranos),
Judith Rees, Carol Canning (meios-sopranos),
Philip Sheffield, Michael Robinson (tenores),
Mark Williams (barítono), Patrick Ardagh Walter (baixo)
London Voices
Gothenburg Symphony Orchestra
Peter Eötvös
Deutsche Grammophon 477 5380
(2004)


Internet

Luciano Berio
The Living Composers Projects
/ Biografia 1 / Biografia 2

Martin Luther King
Nobelprize.org
/ Martinlutherking.org / The King Center


Referências

(1) Guia da Música Sinfónica, de François-René Tranchefort

03/04/2006

Lugares #127

A Oktoberfest, que decorre anualmente em Munique entre meados de Setembro e o início de Outubro, é o evento que mais turistas atrai aquela cidade. Ao todo, durante aquelas 2 semanas e pico, são bebidos qualquer coisa como 6 milhões de litros de cerveja, pelo que se presume que alegria e são convívio não faltarão por aquelas bandas.

Terra de Richard Strauss (1864-1949), que lá nasceu, e de Thomas Mann (1875-1955) e Wassily Kandinsky (1866-1944), que lá viveram, Munique foi fundada na 2ª metade do século XII pelo príncipe Henrique, o Leão (1129-1195), na época do ouro branco, cuja rota passou a controlar após a construção de uma ponte sobre o rio Isar, em 1158.

Em 1505 passou a capital da Bavária e o século XVI foi bom para a cidade, que cresceu e prosperou. Depois, vieram os tempos difíceis: a Guerra dos 30 Anos, entre 1618 e 1648, a peste que, em 1634, matou 1/3 da população, e a ocupação austríaca, entre 1705 e 1715.

Munique também não passou imune no século XX: foi lá que Hitler (1889-1945) viveu e efectuou a primeira tentativa de assalto ao poder, em 1923; e a 2ª Guerra Mundial, que teve efeitos devastadores para a cidade, tendo sido praticamente arrasada. Um dos edifícios seriamente afectados foi o do Teatro Nacional, de construção neo-clássica. Foi lá que aconteceram as estreias de várias óperas de Richard Wagner (1813-1883), como a de Tristan und Isolde, no dia 10 de Junho de 1865, e a de Die Meistersinger von Nürnberg, a 21 de Junho de 1868, para citar apenas duas. O teatro reabriu em 1963, após finalizadas as obras de reconstrução.


Internet

Oktoberfest
Oktoberfest / Welcome to the Oktoberfest! / Wikipedia

Richard Wagner
Classical Music Pages / Wagnermania / Bayreuther Festspiele / Wikipedia

01/04/2006

Óperas #8: La vida breve, de Manuel de Falla

A história da lírica espanhola até ao século XIX coincide, no essencial, com a história da zarzuela, uma versão de ópera ligeira e à base de recitativos. A zarzuela, reza ainda a história, terá nascido em 1657, com El Laurel de Apolo, com música de Juan de Hidalgo (1614-1685) baseada num texto de Pedro Calderón de la Barca (1600-1681), tendo contado com os reis de Espanha entre a assistência e herdado o nome pelo facto de a récita ter decorrido no Palácio de la Zarzuela.

Manuel de Falla (1876-1946) começou por afirmar-se como um compositor de... zarzuelas, como era de bom tom na época, nos finais do século XIX. Não foi grande a afirmação, verdade seja dita, pois o compositor não obteve sucesso com as primeiras 4 ou 5 que compôs. Em 1901, Falla trava conhecimento com o compositor Felipe Pedrell (1841-1922), que na altura se encontrava empenhado em desenvolver um estilo especificamente espanhol, num encontro que se viria a revelar decisivo para a carreira de Manuel de Falla. Entre 1901 e 1904, Falla teria aulas de composição com Pedrell, e é precisamente em 1904 que Falla decide começar a escrever a ópera La vida breve, para concorrer à competição "Ópera espanhola em um acto", anunciada pela Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, de Madrid. Falla venceu a competição mas os organizadores, curiosamente, recusaram-se a levá-la à cena...

Em 1907, Falla foi a Paris, onde planeava ficar uma semana, mas acabou por ficar 7 anos por terras gaulesas. A estreia da La vida breve aconteceria mesmo em França, na cidade de Nice, no dia 1 de Abril de 1913. Com libreto de Carlos Fernández Shaw (1865-1911), já muito rodado em libretos para zarzuelas, La vida breve é a versão espanhola da ópera verista
, com os seus diversos retratos da vida real. Na sua versão definitiva tem 2 actos, com que se apresentou em Madrid em 1914 e com grande sucesso, o suficiente para tirar Falla dos apertos financeiros com que (sobre)vivia em Paris.


CDs



Manuel de Falla
El sombrero de tres picos. El amor brujo. La vida breve - Interlude; Dance.
Teresa Berganza (soprano), Marina de Gabarain (meio-soprano)
Suisse Romande Orchestra
Ernest Ansermet
Decca 466 991-2
(1955, 1961)

Manuel de Falla
La vida breve. Canciones populares españolas. El sombrero de tres picos.
El amor brujo. Soneto a Córdoba. Psyché.
V. de los Angeles, M. Higueras (sopranos), I. Rivadeneyra (meio-soprano),
C. Cossutta, J. de Andia (tenores), V. de Narké (baixo)
Spanish National Orchestra
Philharmonic Orchestra
Rafael Frühbeck de Burgos, Carlo Maria Giulini
EMI 5 67587-2

Manuel de Falla
La vida breve.
Teresa Berganza (soprano), Alicia Nafé (meio-soprano), José Carreras (tenor),
Juan Pons (barítono)
Ambrosian Opera Chorus
London Symphony Orchestra
Garcia Navarro
Deutsche Grammophon 435 851-2


Internet

Zarzuela
Zarzuela!
/ La Zarzuela

Manuel de Falla
Sitio Oficial / Naxos.com / IRCAM / Wikipedia

30/03/2006

Sinfonias #12: Sinfonia da Requiem, de Britten

O compositor inglês Frank Bridge (1879-1941) teve uma importância decisiva na formação do jovem Benjamin Britten (1913-1976). Numa primeira fase, sem culpa directa de Bridge que, quando em 1924, no Festival de Norwich, dirigiu a sua suite The Sea, contou com um fascinado Britten na assistência. A cena repetiu-se 3 anos depois: o mesmo festival, o mesmo maestro, o mesmo jovem maravilhado; apenas a obra mudou, pois dessa vez Bridge dirigiu Winter Spring.

Britten, na altura já um muito razoável pianista, tornar-se-ia então aluno de Bridge, estudando composição e recebendo ainda lições de pacifismo... Dali sairia um anti-militarista militante que, entre 1939 e 1942, chegou mesmo a exilar-se nos Estados Unidos para não ser forçado a colaborar no esforço de guerra. Longe da vista mas perto do coração, foi durante a estadia do outro lado do Atlântico que Britten compôs a Sinfonia da Requiem.

Estreada há 65 anos, a obra teve um parto algo atribulado e um início de vida de certa forma inesperado. Escrita por encomenda do governo japonês para assinalar o 2600º aniversário da fundação dinástica do micado, que é o mais antigo título usado pelo imperador do Japão, as referências à liturgia romana que continha fizeram com que os japoneses recusassem-se a tocá-la e a estreia, em vez de ter lugar no país do sol nascente, acabou por acontecer no Carnegie Hall. A obra, composta em 1940, é então fruto dos momentos trágicos por que passava a Inglaterra. Sem texto litúrgico de base, foi concebida como uma missa puramente orquestral, e dedicada à memória dos pais do compositor.


CDs



Benjamin Britten
Sinfonia da Requiem, Op.20. The Young Person's Guide to the Orchestra, Op.34.
Edward Elgar
In the South, "Alassio", Op.50.
William Walton
Partita.
BBC Symphony Orchestra
John Barbirolli
BBC Legends BBCL4013-2

A Tribute to Rafael Kubelik II.
Antonín Dvorák
Symphony No.8 in G major, Op.88.
Richard Wagner
Tristan and Isolde - Prelude; Liebestod.
Rafael Kubelik
Sequences for Orchestra.
Wolfgang Amadeus Mozart
Masonic Funeral Music, K477.
Maurice Ravel
Le Tombeau de Couperin.
Benjamin Britten
Sinfonia da Requiem, Op.20.
William Walton
Belshazzar's Feast.
Nelson Leonard (barítono)
University of Illinois Choir and Men's Glee Club
University of Illinois Women's Glee Club
University of Illinois Brass Bands
Chicago Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
CSO #7544


Internet

Benjamin Britten
(Edward) Benjamin Britten
/ Naxos.com / Classical Music Pages / Wikipedia

Frank Bridge
Frank Bridge / Wikipedia / Classical Net

29/03/2006

Lugares #126

A 15 de Agosto de 1806 foi inaugurada a Ponte das Barcas, formada por 20 barcas e ligando as cidades do Porto e de Gaia. Menos de 3 anos depois deu-se a 2ª invasão francesa, tendo as forças sob comando do marechal Soult atingido o Porto no dia 29 de Março de 1809, passam hoje 197 anos (ver este postal).



Perante o ataque inimigo, as pessoas lançaram-se sobre a ponte procurando refúgio na margem sul, com nefastos resultados. A Ponte das Barcas não resistiu e, na sua queda, arrastou largas centenas de pessoas, provocando a morte da maioria delas. Em sua homenagem existe, na Ribeira do Porto, desde 1897, um baixo relevo da autoria do escultor Teixeira Lopes (pai), intitulado Alminhas da Ponte.



Internet

http://paginas.fe.up.pt/porto-ol/lfp/barcas.html
http://www.gaianet.pt/gaianet/historia_gaia/pbarcas.asp

27/03/2006

Violoncelistas #4: Mstislav Rostropovich (1927-)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) começou por entrar no Conservatório de Moscovo aos 13 anos como aluno e, em 1937, passou a fazê-lo como professor de composição.

Entre os seus alunos contou-se Mstislav Rostropovich, que estudou nesse Conservatório entre 1943 e 1948. Aluno brilhante, diga-se, que, ainda estudante, venceria o Concurso Internacional de Praga, em 1947. A tocar violoncelo, pois aos estudos iniciais de piano sobrepuseram-se os desse instrumento, efectuados numa primeira fase com seu pai, antigo aluno de Pablo Casals (1876-1973). Para não variar, Rostropovich seria convidado para professor do Conservatório, onde leccionou entre 1949 e 1974.

E só não terá ficado por lá mais tempo porque, em 1974, foi gentilmente convidado a sair do país, por "actividades atentatórias do prestígio da União Soviética". É que o nosso amigo, recipiente das maiores distinções no seu país de origem, como os Prémios Lenine e Estaline, prezava os valores democráticos e, ainda mais gravoso, dava-se com pessoas como o escritor Alexandre Soljenitsine (1918-), Prémio Nobel da Literatura em 1970. Soljenitsine já tinha uma longa história de problemas com as autoridades, desde que tinha sido preso em 1945 por emitir opiniões menos favoráveis em relação a Estaline (1879-1953). Escusado será dizer que, nesse mesmo ano de 1974, Soljenitsine foi também corrido do país...

Em 1978, Rostropovich iria mesmo perder a nacionalidade soviética, vindo posteriormente a tornar-se cidadão norte-americano. No exílio, além da carreira de violoncelista, prosseguiu em paralelo uma (bem sucedida) carreira de maestro. Mas como é a de instrumentista que mais nos interessa hoje, terminamos referindo que lhe foram dedicadas mais de meia centena de obras, de compositores como o já referido Shostakovich, Benjamin Britten (1913-1976), Sergei Prokofiev (1891-1953), Aram Khachaturian (1903-1978), Henri Dutilleux (1916-) e Witold Lutoslawski (1913-1994).

Mstislav Rostropovich celebra hoje o seu 79º aniversário.


CDs





Rostropovich: Mastercellist.
Antonín Dvorák

Cello Concerto in B minor, B191.
Robert Schumann
Cello Concerto in A minor, Op.129. Kinderszenen, Op.5 No.7 - Traumerei.
Peter Ilyich Tchaikovsky
Andante cantabile, Op. posth.
Alexander Glazunov
Chant du Menestrel, Op.71.
Sergei Rachmaninov
Sonata for Piano and Cello in G minor, Op.19. Vocalise, Op.34 No.14.
Frédéric Chopin
Introduction and Polonaise Brillante in C major, Op.3.
Franz Schubert
Impromptu in G flat major, D899 No.3.
Mstislav Rostropovich (violoncelo), Alexander Dedyukhin (piano)
Leningrad Philharmonic Orchestra
Boston Symphony Orchestra
Berlin Philharmonic Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky, Seiji Ozawa, Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 471 620-2
(1956, 1960, 1968, 1975, 1978)

Rostropovich
Aram Khachaturian
Concerto-Rhapsody for Cello and Orchestra.
Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.2, Op.126.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Variations on a Rococo Theme, Op.33.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
BBC Symphony Orchestra
London Symphony Orchestra
Colin Davis, George Hurst
BBC Legends BBCL4073-2

Giya Kancheli
Simi. Magnum Ignotum.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Royal Flanders Philharmonic Orchestra
Jansug Kakhidze
ECM New Series 462 713-2
(1997)

Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, B191.
Camille Saint-Saëns
Cello Concerto No.1 in A minor, Op.33.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
London Philharmonic Orchestra
Carlo Maria Giulini
EMI GROC 5 67593-2
(1977)

Henri Dutilleux
Cello Concerto, "Tout un monde lointain".
Witold Lutoslawski
Cello Concerto.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Orchestre de Paris
Serge Baudo, Witold Lutoslawski
EMI GROC 5 67867-2
(1974)

Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, B191.
Robert Schumann
Cello Concerto in A minor, Op.129.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Pezzo capriccioso in B minor, Op.62.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
USSR State Symphony Orchestra
London Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov, Benjamin Britten
BBCL Legends BBCL4110-2
(1961, 1968)

Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, B191.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Variations on a Rococo Theme, Op.33.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 447 413-2
(1968)

Antonín Dvorák
Symphonies. Overtures. Symphonic Poems.
Mstislav Rostropovich (violoncelo), Pierre-Laurent Aimard (piano),
Maxim Vengerov (violino)
Chamber Orchestra of Europe
Royal Concertgebouw Orchestra
Lausanne Chamber Orchestra
Rochester Philharmonic Orchestra
Nikolaus Harnoncourt, Armin Jordan
Warner Classics 2564 61530-2

Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.1 in E flat, Op.107.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.4 in F minor, Op.36.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Leningrad Philharmonic Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky
BBC Legends BBCL4143-2
(1960, 1971)


Internet

Dmitri Shostakovich
Classical Music Pages
/ Compositions by Dmitri Shostakovich / Wikipedia

Mstislav Rostropovich
bbc.co.uk / Vishnevskaya-Rostropovich Foundation / Wikipedia

Alexandre Soljenitsin
Autobiography / Aleksandr Solzhenitsyn / Wikipedia