13/05/2006

Concertos #39

Além da comemoração mais mediática, e assinalada festivamente um pouco por todo o lado, neste ano celebram-se ainda dois centenários: os dos nascimentos dos compositores Fernando Lopes-Graça (1906-1994), ver este postal, e Dmitri Shostakovich (1906-1975). Esta noite, na Casa da Música, iremos ter a oportunidade de ouvir algumas obras dos dois, nomeadamente o Concerto de camera col violoncello obbligato de Lopes-Graça, e a Sinfonia Nº6 de Shostakovich.

Esta sinfonia de Shostakovich foi, pode-se dizer, uma obra inesperada, já que o compositor tinha anunciado, aí por volta de 1938, a intenção de escrever uma sinfonia, coral, dedicada à memória de Lenine (1870-1924). O ambiente, todavia, não era dos mais propícios, para os artistas em geral e Shostakovich em particular, dada a chegada do realismo socialista e a entrada em acção do já nosso conhecido Andrei Zhdanov (1896-1948),
aqui recentemente referida. Dois anos antes Shostakovich tinha tido dissabores com os censores do regime, que retiraram de cena a ópera Lady Macbeth of Mtsensk; receoso de que a projectada sinfonia não fosse do agrado das autoridades ou, ainda pior, que Estaline (1879-1953), numa época difícil para a União Soviética e para a Europa em geral, não apreciasse por aí além tal glorificação de Lenine.

Em vez da programada sinfonia coral nasceu então uma puramente instrumental, para surpresa daqueles que tiveram oportunidade de assistir à estreia, em Leninegrado, no dia 5 de Novembro de 1939. Para surpresa e também para desagrado, a avaliar pela recepção fria que lhe deram. Os críticos, aproveitando a estrutura pouco usual da sinfonia (3 andamentos: largo-allegro-presto), não deixaram de a apelidar de "sem cabeça", juntando-se ao coro dos incomodados...


Programa

Dmitri Shostakovich
Suite de Bailado Nº3. Sinfonia Nº6.
Fernando Lopes-Graça
Concerto da camera col violoncello obbligato.
Alberto Ginastera
Pampeana Nº2.
Ivan Monighetti (violoncelo)
Orquestra Gulbenkian
Muhai Tang


Internet

Dmitri Shostakovich
Classical Music Pages / Wikipedia / Compositions by Dmitri Shostakovich / Classical.net

12/05/2006

Lugares #131

D. Afonso V (1432-1481), rei de Portugal entre 1438 e 1481, foi um caso raro de bom comportamento, sem filhos ilegítimos no seu curriculum vitae oficial... Lembrar-se-ão, por ventura, de D. Sancho I e de D. Dinis, dois casos extraordinários de... infidelidade.


D. Afonso V, D. Joana

D. Afonso V, cognominado o Africano, pelas suas conquistas em África entre 1458 (Alcácer Ceguer) e 1471 (Arzila, Tânger), teve 3 filhos: João, que morreu ainda criança, Joana e outro João, mais tarde D. João II, rei de Portugal entre 1481 e 1495. A infanta D. Joana entrou para o Convento de Jesus, em Aveiro, em 1472, e lá veio a falecer a 12 de Maio de 1490.


Museu de Aveiro

O edifício alberga há quase 100 anos o Museu de Aveiro, ou Museu Santa Joana Princesa. O dia 12 de Maio é o dia do Feriado Municipal de Aveiro.





Internet

http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/afonso5.html
http://www.av.it.pt/aveirocidade/pt/monumentos/monu10.htm
http://www.regiaocentro.net/lugares/aveiro/historia.html

10/05/2006

Blogues #5

Nos últimos tempos foram feitas algumas referências, simpáticas, ao desNorte, e quero deixar aqui expressos os agradecimentos aos blogues A Arte da Fuga, O Insurgente e Blasfémias.

Concertos para Piano #4: Concerto para Piano Nº2, de Shostakovich

O jovem Dmitri Shostakovich (1906-1975) cedo mostrou um enorme interesse pelo que de mais moderno se fazia no campo da música, ao ponto do seu professor de composição, Maximilian Steinberg (1883-1946), não conseguir compreender as suas primeiras peças para piano, ostensivamente dissonantes. Com Estaline (1879-1953) no poder chegou o Realismo Socialista e a respectiva noção de qual deveria ser a função das artes, de forma alguma compatível com excentricidades, modernismos e formalismos.

Maus tempos para Shostakovich que, na década de 30, se viu frequentemente apertado pelas autoridades, que retiraram de cena a sua ópera Lédi Makbet Mtsenskogo uyezda, e o levaram a manter por longos anos na gaveta a Sinfonia Nº4, certo como estava de que seria igualmente mal recebida. Em 1941 dar-se-ia o rocambolesco episódio envolvendo a Sinfonia Nº7, cuja partitura teve que ser microfilmada para poder sair do país, e que obteve um sucesso tal no Ocidente que valeu a Shostakovich uma capa na revista Time.

Com o falecimento de Estaline, em 1953, os artistas soviéticos passaram a gozar de uma maior, ainda que relativa, liberdade, aproveitada por Shostakovich para escrever algumas das suas mais emotivas obras, como o Quarteto de Cordas Nº6, a Sinfonia Nº10 e o Concerto para Piano Nº2.

O Concerto para Piano Nº2 foi escrito entre 1956 e 1957 e dedicado ao seu filho Maxim Shostakovich (1938-), pianista, que o estreou no dia do seu 19º aniversário, a 10 de Maio de 1957. À frente da orquestra esteve o próprio Dmitri Shostakovich de quem, é bom lembrar, se celebra, no próximo dia 25 de Setembro, o centenário do nascimento.


CDs



Dmitri Shostakovich
Piano Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.102. 3 Fantastic Dances, Op.5.
5 Preludes & Fugues, Op.87.
Dmitri Shostakovich (piano), Ludovic Vaillant (trompete)
French Radio National Orchestra
André Cluytens
EMI GROC 5 62646-2

Dmitri Shostakovich
Piano Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.102.
Rodion Shchredin
Piano Concerto No.2.
Marc-André Hamelin (piano)
BBC Scottish Symphony Orchestra
Andrew Litton
Hyperion CDA67425 (CD)
Hyperion SACDA67425 (SACD)


Internet

Dmitri Shostakovich
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Compositions by Dmitri Shostakovich / Classical.net

09/05/2006

Concertos #38

95 anos, no dia 9 Maio de 1911, teve lugar na Société Musicale Indépendante, em Paris, a estreia de Valses Nobles et Sentimentales, do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937). Na série de concertos lá realizados na época, os autores não eram identificados, por forma a que o público apreciasse a música apenas baseado no seu valor intrínseco. Naturalmente que muitos procuravam adivinhá-lo e, como resultado disso, as Valses Nobles et Sentimentales foram atribuídas, além de Ravel, a Eric Satie (1866-1925), a Zoltán Kodály (1882-1967) e mesmo a Théodore Dubois (1837-1924), um antigo vencedor do Prix de Rome, em 1861. Surprema ironia, esta, se nos lembrarmos de que Ravel a ele tinha concorrido por 4 vezes no início do século, sem nunca o ter vencido!...

A obra é composta por uma sucessão de valsas, seguindo o exemplo de Franz Schubert (1797-1828) e, ao mesmo tempo, homenageando-o. Apresentadas como "... le plaisir délicieux et toujours nouveau d'une occupation inutile", retratam o ambiente vienense da música de salão, e foram dedicadas ao pianista e compositor Louis Aubert (1877-1968), que foi, aliás, quem as estreou. Louis Aubert que começou por ganhar celebridade pela sua voz de... soprano, tendo sido mesmo dele a primeira interpretação de Pie Jesus, no Requiem de Gabriel Fauré (1845-1924), em 1888.

Esta foi uma das obras que o pianista polaco Krystian Zimerman (1956-) interpretou na primeira parte do recital que deu na Casa da Música
no passado dia 11 de Março. Que começou com a Sonata para Piano, KV330, de Mozart (1756-1791), que foi-se conseguindo ouvir entre ataques de tosse generalizados, com especial brilhantismo por parte de uma simpática e bem constituída sexagenária, distante poucos lugares aqui do escriba e da respectiva família. Chegou ao ponto de nós, desesperados espectadores-ouvintes, temermos pelo próximo pianíssimo de Zimerman, certos de que aí viria novo ataque da velhinha...

A segunda parte do recital, já com a senhora mais calma, foi preenchida com obras de Frédéric Chopin (1810-1849), e foi dos momentos mais fantásticos a que tivemos a felicidade de assistir. Não é por acaso que Krystian Zimerman é considerado um dos melhores pianistas da actualidade no repertório romântico.


Programa

Wolfganf Amadeus Mozart
Sonata para Piano, KV330.
Maurice Ravel
Valses Nobles et Sentimentales.
Frédéric Chopin
Balada Nº4, Op.52. Quatro Mazurkas, Op.24. Sonata em si bemol menor, Op.35.
Krystian Zimerman (piano)


Internet

Maurice Ravel
Classical Music Pages
/ Maurice-Ravel.net / Catalogue des oeuvres / Wikipedia

Kystian Zimerman
Polish Culture
/ Krystian Zimerman / Discography / Wikipedia

08/05/2006

Revolução Francesa #1

"Estou inocente do que me acusam; que o meu sangue possa cimentar a felicidade dos Franceses". Terão sido estas as últimas palavras de Luís XVI (1754-1793) antes de ser executado, no dia 21 de Janeiro de 1793, após o julgamento que o provou "culpado de conspiração contra a liberdade pública e a segurança do Estado". A catastrófica situação financeira do Estado Francês, a braços com uma dívida descomunal, tinha forçado o rei à convocação dos Estados Gerais, que tiveram o seu início em Versalhes, em Maio de 1789. Seria também o início da Revolução Francesa, simbolicamente marcado pela tomada da Bastilha, no dia 14 de Julho do mesmo ano, e que determinaria o fim da monarquia em França.

A revolução ditaria também o fim do feudalismo e a perda de poder da Igreja Católica, deixando ainda como uma das suas mais importantes heranças uma Declaração dos Direitos do Homem. Ficaria, contudo, irremediavelmente marcada pela imagem da guilhotina, generosa e frequentemente utilizada naqueles tempos. Em
Maria Antonieta (1755-1793), por exemplo, mulher de Luís XVI, e que não lhe sobreviveu por muito, guilhotinada no dia 16 de Outubro de 1793.

Antoine Lavoisier (1743-1794), o fundador da química moderna, foi outra das suas vítimas, com a cabeça a ser separada do resto do corpo no dia 8 de Maio de 1794, passam hoje 212 anos. A Lavoisier devem-se, nomeadamente, os estudos sobre a combustão e a oxidação, e o Traité Élementaire de Chimie, publicado em 1789. Foi ainda de sua autoria a lei da conservação da massa, que refere que, "nos fenómenos químicos, a massa total dos corpos reagentes permanece constante". Lei que, na sua versão popular, mais romantizada, diz que "na natureza nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma".

Lavoisier colaborou estreitamente com as autoridades do período pré-revolucionário, tendo sido, por exemplo, secretário e tesoureiro da comissão que implementou em França a uniformização dos pesos e medidas, e membro das comissões estaduais de agricultura entre 1785 e 1790. Foi também cobrador de impostos, e a fúria persecutória dos revolucionários era incapaz de perdoar tais traições: foi julgado, condenado e executado no mesmo dia. A rapidez da justiça no seu melhor...


Internet

Revolução Francesa
Liberty, Equality, Fraternity: Exploring the French Revolution / La Révolution Française: 1789-1799 / Wikipedia

Antoine Lavoisier
Biografia / Antoine-Laurent Lavoisier / Wikipedia

06/05/2006

Lugares #130

Em 1340, D. Constança, que havia casado 4 anos antes com D. Pedro (1320-1367), veio finalmente para Portugal. Entre as damas que a acompanharam contava-se Inês de Castro, por quem o filho do rei D. Afonso IV (1290-1357) se apaixonou perdidamente. D. Constança, filha de um fidalgo galego, viria a falecer pouco tempo depois de dar à luz D. Fernando (1345-1383), tendo D. Pedro e D. Inês de Castro aproveitado para finalmente juntar os trapos.



Da união nasceriam 4 rebentos, tendo-se instalado no reino o receio de que eles viessem a ser considerados os herdeiros de D. Pedro, em vez de D. Fernando, filho legítimo e natural herdeiro do trono de Portugal. D. Afonso IV, aconselhado, ou melhor, instigado por Pedro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco, aproveitou a primeira oportunidade para resolver o problema, mandando cortar a cabeça de Inês de Castro. A decisão terá sido tomada no Paço das Infantas do castelo de Montemor-o-Velho, tendo a execução tido lugar no dia 7 de Janeiro de 1355:

Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade;
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Saídas só da mágoa e saudade
Do seu Príncipe e filhos, que deixava
Que mais que a própria morte a magoava,

Camões, Os Lusíadas, Canto III, Estância 124



D. Afonso IV e D. Pedro I chegaram a travar-se de razões mas, em Agosto de 1355, lá se entenderam e fumaram o cachimbo da paz. O que, está bom de se ver, não impediu D. Pedro de ir atrás dos executores da sentença de Inês de Castro para lhes explicar o seu desgosto. Dos 3, apenas Diogo Lopes Pacheco sobreviveu, por ter dispensado as explicações e dado à sola rapidamente...

Os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro encontram-se no Mosteiro de Alcobaça, local onde o rei os mandou construir em 1360.


Internet

D. Inês de Castro
Enciclopédia Universal Multimédia Online / Wikipédia / Inês de Castro

Montemor-o-Velho
Câmara Municipal de Montemor-o-Velho / Castelo / regiaocentro.net

04/05/2006

SACDs #6: Alfred Brendel, Mozart Piano Sonatas

Em 1698, Bartolomeo Cristofori (1655-1731), nascido há 351 anos, no dia 4 de Maio de 1655, terá elaborado e construído o seu primeiro gravicembalo col piano e forte, ou cravo com suave e forte, assim chamado por, pelo facto de as suas cordas serem percutidas por martelos, permitir ser tocado de modo piano ou de modo forte. As vantagens do pianoforte sobre o cravo fizeram com que o novo instrumento ganhasse rapidamente popularidade e passasse a desempenhar um papel fundamental na vida musical a partir da segunda metade do século XVIII.

Mozart (1756-1791), grande virtuoso do piano, iria naturalmente tirar partido das possibilidades oferecidas pelo pianoforte, instrumento para o qual escreveria a maioria das suas obras instrumentais, exceptuando-se as primeiras, compostas ainda para o cravo.

1774 marca o ano em que Mozart inicia as obras para piano solo, com um primeiro grupo de 6 sonatas para piano, da K279 à K284. As 5 primeiras terão sido escritas ainda em Salzburgo no Outono desse ano, numa altura em que Mozart se preparava para partir para Munique para a estreia da ópera La finta giardiniera (ver este
postal). No presente disco, Alfred Brendel (1931-) interpreta duas delas, a K281 e a K282, além da K576, composta em 1789 e que foi a última sonata para piano de Mozart. A nossa estreia na Casa da Música foi precisamente com um recital deste pianista austríaco, que lá regressará no próximo dia 2 de Junho. Regressará ele e regressaremos nós, está bom de ver...




Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Sonatas - B flat major, K281; E flat major, K282; D major, K576.
Fantasia in C minor, K396.
Alfred Brendel (piano)
Philips 475 6199
(2004)


Internet

Wolfgang Amadeus Mozart
the Mozart Project
/ Mozart 2006 / Classical Music Pages / Wikipédia

Bartolomeo Cristofori
History of the Piano / Cristofori, Inventor of the Piano / The Pianofortes of Bartolomeo Cristofori / Wikipedia

Alfred Brendel
Official Site / Calouste Gulbenkian Foundation / Biography

02/05/2006

DVDs #12: Glinka, Ruslan and Lyudmila

A inspiração para Mily Balakirev (1837-1910) formar o Grupo dos Cinco veio, principalmente, de Mikhail Glinka (1804-1857), pela forma como este promoveu a herança cultural russa e lutou pela criação de um estilo nacional russo, na música e nas artes em geral. O que até se pode considerar de certa forma surpreendente, pois o arranque musical de Glinka não foi demasiadamente russo, com passagens de estudo por Itália e por Berlim, esta em 1833, e com as obras que compôs nessa época a reflectirem fortes influências do Ocidente, bem mais do que russas...

O começo do nacionalismo russo, no que à música diz respeito, é por muitos associado à sua ópera Zhizn' za tsarya (A Life for the Tsar), que estreou-se, com grande sucesso, no dia 9 de Dezembro de 1836, e foi a primeira ópera russa a ser produzida no estrangeiro (em Praga, em 1866). A consolidação definitiva do almejado estilo russo veio com a ópera seguinte, Ruslan e Lyudmila, composta entre 1837 e 1842, e estreada no dia 9 de Dezembro de 1842. O libreto, baseado no texto homónimo de Aleksandr Pushkin (1799-1837), nasceu de parto difícil, tendo os problemas começado logo no início quando Pushkin, que iria colaborar com Glinka na sua elaboração, faleceu em consequência de um duelo com Georges d'Anthès (1812-1895); o libreto acabaria por passar por várias mãos, tendo contado com a colaboração do próprio Glinka, e arrastou-se por cerca de 5 anos. Glinka, entretanto, tinha começado a compôr a ópera, mesmo sem o libreto disponível, o que levou um seu amigo a comentar: "a ópera está praticamente finalizada, apesar de ainda não existir texto algum. Estranha maneira de escrever!"...

Na produção de 1995, de que resultou o presente DVD, a Orquestra Kirov é digirida por Valery Gergiev (1953-), que hoje celebra o seu 53º aniversário.



Mikhail Glinka
Ruslan and Lyudmila.
Vladimir Ognovenko (barítono), Anna Netrebko, Galina Gorchakova (sopranos),
Mikhail Kit, Gennady Bezzubenkov (baixos), Larissa Diadkova (contralto),
Konstantin Pluzhnikov, Yuri Marusin (tenores)
Kirov Opera Chorus
Kirov Opera Orchestra
Valery Gergiev
Philips 075 096-2


Internet

Mikhail Glinka
Naxos / Mikhail Glinka / Wikipedia

Aleksandr Pushkin
A Collection of Poems by Aleksandr Pushkin / Aleksandr Pushkin / Wikipedia

01/05/2006

Compositores #62: Aram Khachaturian (1903-1978)

Com a Revolução de Outubro chegou o realismo socialista que decretava, nomeadamente, que toda a obra artística era pertença da comunidade e deveria, necessariamente, promover os ideais socialistas e comunistas. Como política estatal, oficialmente introduzida por Estaline (1879-1953) em 1932, durou cerca de 60 anos, até aos inícios da década de 90, já bem dentro da perestroika.

Andrei Zhdanov (1896-1948) foi um dos que mais se destacou no suporte e na implementação dessa política, sendo da sua responsabilidade, até perto do final dos anos 50, a definição da produção cultural da União Soviética. Num texto aqui publicado há cerca de 2 meses referi uma das vítimas de tal política, Sergei Prokofiev (1891-1953); hoje trago aqui outra, o igualmente compositor Aram Khachaturian, que viu várias das suas obras acusadas de formalistas, epíteto suficientemente grave para que as autoridades as banissem. O que até não deixa de ser curioso, visto Khachaturian ter sido um dos compositores preferidos do regime. Apreço insuficiente, contudo, para o livrar da censura pública das autoridades, pela utilização de uma linguagem modernista, obviamente anti-povo e, portanto, politicamente incorrecta.

Autor do bailado Gayaneh, datado de 1942, de que foi extraída a conhecidíssima Dança do Sabre, Khachaturian obteria o reconhecimento internacional com o Concerto para Piano, de 1936, e com o Concerto para Violino, de 1940, dedicado a David Oistrakh (1908-1974), que a estreou em Novembro desse ano.

Aram Khachaturian faleceu há 28 anos, no dia 1 de Maio de 1978.


CDs




Aram Khachaturian
Violin Concerto in D minor.
Sergei Prokofiev
Violin Concerto No.1 in D, Op.19.
Alexander Glazunov
Violin Concerto in A minor, Op.82.
Julia Fischer (violino)
Russian National Orchestra
Yakov Kreizberg
Pentatone PTC5186 059

Aram Khachaturian
Concerto for Violin in D minor.
Jean Sibelius
Concerto for Violin in D minor, Op.47.
Sergey Khachatryan (violino)
Sinfonia Varsovia
Emmanuel Krivine
Naïve V4959

Aram Khachaturian
Concerto for Piano and Orchestra. Dance Suite.
Five Pieces for Wind Band - Waltz. Polka.
Dora Serviarian-Kuhn
Armenian Philharmonic Orchestra
Loris Tjeknavorian
ASV CDDCA964

Aram Khachaturian
Symphony No.2. Gayaneh - Suite.
Royal Scottish National Orchestra
Neeme Järvi
Chandos CHAN8945

William Kapell Plays Khachaturian
Aram Khachaturian
Piano Concerto in D flat.
Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.2 in B flat, Op.19.
Dmitri Shostakovich
Preludes, Op.34 - No.5 in D; No.10 in C sharp minor; No.24 in D minor.
William Kapell (piano)
NBC Symphony Orchestra
Boston Symphony Orchestra
Vladimir Golschmann, Serge Koussevitzky
Dutton Laboratories CDBP9701

Aram Khachaturian
Concerto-Rhapsody for Cello and Orchestra.
Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.2, Op.126.
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Variations on a Rococo Theme, Op.33.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
BBC Symphony Orchestra
London Symphony Orchestra
Colin Davis, George Hurst
BBC Legends BBCL4073-2

Great Pianists - Moiseiwitsch
Sergei Rachmaninov
Preludes.
Nikolai Medtner
Piano Sonata in G minor.
Dmitri Kabalevsky
Piano Sonata No.3 in F, Op.46.
Aram Khachaturian
Toccata in B flat minor. Gayaneh - Sabre Dance.
Benno Moiseiwitsch, Nikolai Medtner (pianos)
Naxos Historical 8.110675


Internet

Andrei Zhdanov
Wikipedia
/ Spartacus

Aram Khachaturian
Embassy of the Republic of Armenia / Boosey & Hawkes / Aram Khachaturian / Wikipedia