Parabéns ao Almocreve das Petas, na passagem do 3º aniversário. Um blogue extraordinário.
17/05/2006
16/05/2006
CDs #82: Samuel Barber, Knoxville: Summer of 1915
Em 1936 o compositor norte-americano Samuel Barber (1910-1981) compôs o Quarteto de Cordas, Op.11, o único, aliás, que deixou completo. Dois anos depois, Barber orquestrou o início do andamento lento, o segundo, que Arturo Toscanini (1867-1957) estreou no dia 5 de Novembro de 1938, com direito a transmissão radiofónica. O Adágio para Cordas (Adagio for Strings) acabou por se tornar numa das mais populares obras orquestrais de sempre, ofuscando quase por completo as restantes obras de Barber.
Samuel Barber gozou de grande popularidade, com diversas obras encomendadas por entidades prestigiadas e estreadas por músicos dos mais notáveis, como o referido Arturo Toscanini e Serge Koussevitsky (1874-1951). Aparentemente, já que não é versão consensual, Knoxville: Summer of 1915 resultou de uma encomenda da soprano Eleanor Steber (1914-1990), amiga pessoal do compositor. A estreia teve lugar em Abril de 1948, com a própria Eleanor Steber e a Orquestra Sinfónica de Boston dirigida por Koussevitsky.Para o ambiente bucólico da obra, descrita por Barber como "rapsódia lírica", contribui grandemente o texto do poeta norte-americano James Agee (1909-1955), um poema em prosa que descreve um fim de tarde em família, visto pelos olhos de uma criança. No disco hoje aqui trazido, daqueles que custam tuta e meia, as interpretações estão a cargo da soprano Karina Gauvin e da Royal Scottish National Orchestra, dirigida por aquela que será possívelmente a mais conceituada maestrina da actualidade, a igualmente americana Marin Alsop.

Samuel Barber
Knoxville: Summer of 1915, Op.24. Second Essay for Orchestra, Op.17.
Third Essay for Orchestra, Op.47. Toccata Festiva, Op.36.
Karina Gauvin (soprano), Thomas Trotter (órgão)
Royal Scottish National Orchestra
Marin Alsop
Naxos 8.559134
Internet
Samuel Barber / Wikipedia / Adagio for Strings / Marin Alsop
15/05/2006
Quartetos de Cordas #3: Quarteto de Cordas Nº7, de Shostakovich
Em 1948, o Comité Central do Partido Comunista da União Soviética acusou alguns dos mais proeminentes compositores soviéticos, com destaque para Dmitri Shostakovich (1906-1975) e Sergei Prokofiev (1891-1953), de "perversões formalistas", o que, no caso deste último, levou a que nunca tivesse assistido a nenhuma récita completa da sua ópera Guerra e Paz. Shostakovich, pelo seu lado, já tinha tomado anteriormente deste xarope quando, por exemplo, em 1934, as autoridades atacaram de forma violenta a sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk.
A nova reprimenda levou Shostakovich a retirar obras eventualmente controversas e a compôr um conjunto de outras glorificando a vida e a história Soviéticas, compatíveis com o amável convite das autoridades para "regressar à senda do realismo socialista". Com a morte de Estaline (1879-1953) o ambiente desanuviou-se um bocado, e foi altura para estrear algumas das obras há muito engavetadas. As do seu último período criativo, contudo, são, de uma forma geral, circunspectas, por vezes intimistas, frequentemente melancólicas, como se o compositor, oprimido durante largos pelo regime soviético, expressasse por fim o que lhe ia na alma.
O Quarteto de Corda Nº7, de 1960, foi dedicado à memória da sua primeira esposa, Nina, falecida em 1954, e um ambiente de tristeza atravessa toda a obra. Talvez não só motivado por esse acontecimento, mas também pela recordação dos momentos difíceis vividos pelo próprio compositor nas décadas anteriores. Este quarteto foi estreado em Leninegrado no dia 15 de Maio de 1960, pelo Quarteto Beethoven. E, convém não esquecer, este é o ano do centenário de Dmitri Shostakovich, nascido a 25 de Setembro de 1906.
CDs

Dmitri Shostakovich
String Quartets - No.2; No.3; No.7, Op.108; No.8; No.12.
Borodin Quartet
Virgin Classics VC5 61630-2
Dmitri Shostakovich
Complete String Quartets.
Emerson Quartet
Deutsche Grammophon 463 284-2
Internet
Dmitri Shostakovich
bbc.co.uk / Boosey & Hawkes / Opus by Shostakovich / Classical Music Pages / Wikipedia
A nova reprimenda levou Shostakovich a retirar obras eventualmente controversas e a compôr um conjunto de outras glorificando a vida e a história Soviéticas, compatíveis com o amável convite das autoridades para "regressar à senda do realismo socialista". Com a morte de Estaline (1879-1953) o ambiente desanuviou-se um bocado, e foi altura para estrear algumas das obras há muito engavetadas. As do seu último período criativo, contudo, são, de uma forma geral, circunspectas, por vezes intimistas, frequentemente melancólicas, como se o compositor, oprimido durante largos pelo regime soviético, expressasse por fim o que lhe ia na alma.O Quarteto de Corda Nº7, de 1960, foi dedicado à memória da sua primeira esposa, Nina, falecida em 1954, e um ambiente de tristeza atravessa toda a obra. Talvez não só motivado por esse acontecimento, mas também pela recordação dos momentos difíceis vividos pelo próprio compositor nas décadas anteriores. Este quarteto foi estreado em Leninegrado no dia 15 de Maio de 1960, pelo Quarteto Beethoven. E, convém não esquecer, este é o ano do centenário de Dmitri Shostakovich, nascido a 25 de Setembro de 1906.
CDs

Dmitri Shostakovich
String Quartets - No.2; No.3; No.7, Op.108; No.8; No.12.
Borodin Quartet
Virgin Classics VC5 61630-2
Dmitri Shostakovich
Complete String Quartets.
Emerson Quartet
Deutsche Grammophon 463 284-2
Internet
Dmitri Shostakovich
bbc.co.uk / Boosey & Hawkes / Opus by Shostakovich / Classical Music Pages / Wikipedia
13/05/2006
Concertos #39

Além da comemoração mais mediática, e assinalada festivamente um pouco por todo o lado, neste ano celebram-se ainda dois centenários: os dos nascimentos dos compositores Fernando Lopes-Graça (1906-1994), ver este postal, e Dmitri Shostakovich (1906-1975). Esta noite, na Casa da Música, iremos ter a oportunidade de ouvir algumas obras dos dois, nomeadamente o Concerto de camera col violoncello obbligato de Lopes-Graça, e a Sinfonia Nº6 de Shostakovich.Esta sinfonia de Shostakovich foi, pode-se dizer, uma obra inesperada, já que o compositor tinha anunciado, aí por volta de 1938, a intenção de escrever uma sinfonia, coral, dedicada à memória de Lenine (1870-1924). O ambiente, todavia, não era dos mais propícios, para os artistas em geral e Shostakovich em particular, dada a chegada do realismo socialista e a entrada em acção do já nosso conhecido Andrei Zhdanov (1896-1948), aqui recentemente referida. Dois anos antes Shostakovich tinha tido dissabores com os censores do regime, que retiraram de cena a ópera Lady Macbeth of Mtsensk; receoso de que a projectada sinfonia não fosse do agrado das autoridades ou, ainda pior, que Estaline (1879-1953), numa época difícil para a União Soviética e para a Europa em geral, não apreciasse por aí além tal glorificação de Lenine.
Em vez da programada sinfonia coral nasceu então uma puramente instrumental, para surpresa daqueles que tiveram oportunidade de assistir à estreia, em Leninegrado, no dia 5 de Novembro de 1939. Para surpresa e também para desagrado, a avaliar pela recepção fria que lhe deram. Os críticos, aproveitando a estrutura pouco usual da sinfonia (3 andamentos: largo-allegro-presto), não deixaram de a apelidar de "sem cabeça", juntando-se ao coro dos incomodados...
Programa
Dmitri Shostakovich
Suite de Bailado Nº3. Sinfonia Nº6.
Fernando Lopes-Graça
Concerto da camera col violoncello obbligato.
Alberto Ginastera
Pampeana Nº2.
Ivan Monighetti (violoncelo)
Orquestra Gulbenkian
Muhai Tang
Internet
Dmitri Shostakovich
Classical Music Pages / Wikipedia / Compositions by Dmitri Shostakovich / Classical.net
12/05/2006
Lugares #131
D. Afonso V (1432-1481), rei de Portugal entre 1438 e 1481, foi um caso raro de bom comportamento, sem filhos ilegítimos no seu curriculum vitae oficial... Lembrar-se-ão, por ventura, de D. Sancho I e de D. Dinis, dois casos extraordinários de... infidelidade.

D. Afonso V, D. Joana
D. Afonso V, cognominado o Africano, pelas suas conquistas em África entre 1458 (Alcácer Ceguer) e 1471 (Arzila, Tânger), teve 3 filhos: João, que morreu ainda criança, Joana e outro João, mais tarde D. João II, rei de Portugal entre 1481 e 1495. A infanta D. Joana entrou para o Convento de Jesus, em Aveiro, em 1472, e lá veio a falecer a 12 de Maio de 1490.

Museu de Aveiro
O edifício alberga há quase 100 anos o Museu de Aveiro, ou Museu Santa Joana Princesa. O dia 12 de Maio é o dia do Feriado Municipal de Aveiro.


Internet
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/afonso5.html
http://www.av.it.pt/aveirocidade/pt/monumentos/monu10.htm
http://www.regiaocentro.net/lugares/aveiro/historia.html

D. Afonso V, D. Joana
D. Afonso V, cognominado o Africano, pelas suas conquistas em África entre 1458 (Alcácer Ceguer) e 1471 (Arzila, Tânger), teve 3 filhos: João, que morreu ainda criança, Joana e outro João, mais tarde D. João II, rei de Portugal entre 1481 e 1495. A infanta D. Joana entrou para o Convento de Jesus, em Aveiro, em 1472, e lá veio a falecer a 12 de Maio de 1490.

Museu de Aveiro
O edifício alberga há quase 100 anos o Museu de Aveiro, ou Museu Santa Joana Princesa. O dia 12 de Maio é o dia do Feriado Municipal de Aveiro.


Internet
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/afonso5.html
http://www.av.it.pt/aveirocidade/pt/monumentos/monu10.htm
http://www.regiaocentro.net/lugares/aveiro/historia.html
10/05/2006
Blogues #5
Nos últimos tempos foram feitas algumas referências, simpáticas, ao desNorte, e quero deixar aqui expressos os agradecimentos aos blogues A Arte da Fuga, O Insurgente e Blasfémias.
Concertos para Piano #4: Concerto para Piano Nº2, de Shostakovich
O jovem Dmitri Shostakovich (1906-1975) cedo mostrou um enorme interesse pelo que de mais moderno se fazia no campo da música, ao ponto do seu professor de composição, Maximilian Steinberg (1883-1946), não conseguir compreender as suas primeiras peças para piano, ostensivamente dissonantes. Com Estaline (1879-1953) no poder chegou o Realismo Socialista e a respectiva noção de qual deveria ser a função das artes, de forma alguma compatível com excentricidades, modernismos e formalismos.
Maus tempos para Shostakovich que, na década de 30, se viu frequentemente apertado pelas autoridades, que retiraram de cena a sua ópera Lédi Makbet Mtsenskogo uyezda, e o levaram a manter por longos anos na gaveta a Sinfonia Nº4, certo como estava de que seria igualmente mal recebida. Em 1941 dar-se-ia o rocambolesco episódio envolvendo a Sinfonia Nº7, cuja partitura teve que ser microfilmada para poder sair do país, e que obteve um sucesso tal no Ocidente que valeu a Shostakovich uma capa na revista Time.Com o falecimento de Estaline, em 1953, os artistas soviéticos passaram a gozar de uma maior, ainda que relativa, liberdade, aproveitada por Shostakovich para escrever algumas das suas mais emotivas obras, como o Quarteto de Cordas Nº6, a Sinfonia Nº10 e o Concerto para Piano Nº2.
O Concerto para Piano Nº2 foi escrito entre 1956 e 1957 e dedicado ao seu filho Maxim Shostakovich (1938-), pianista, que o estreou no dia do seu 19º aniversário, a 10 de Maio de 1957. À frente da orquestra esteve o próprio Dmitri Shostakovich de quem, é bom lembrar, se celebra, no próximo dia 25 de Setembro, o centenário do nascimento.
CDs

Dmitri Shostakovich
Piano Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.102. 3 Fantastic Dances, Op.5.
5 Preludes & Fugues, Op.87.
Dmitri Shostakovich (piano), Ludovic Vaillant (trompete)
French Radio National Orchestra
André Cluytens
EMI GROC 5 62646-2
Dmitri Shostakovich
Piano Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.102.
Rodion Shchredin
Piano Concerto No.2.
Marc-André Hamelin (piano)
BBC Scottish Symphony Orchestra
Andrew Litton
Hyperion CDA67425 (CD)
Hyperion SACDA67425 (SACD)
Internet
Dmitri Shostakovich
Classical Music Pages / Wikipedia / Compositions by Dmitri Shostakovich / Classical.net
09/05/2006
Concertos #38
Há 95 anos, no dia 9 Maio de 1911, teve lugar na Société Musicale Indépendante, em Paris, a estreia de Valses Nobles et Sentimentales, do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937). Na série de concertos lá realizados na época, os autores não eram identificados, por forma a que o público apreciasse a música apenas baseado no seu valor intrínseco. Naturalmente que muitos procuravam adivinhá-lo e, como resultado disso, as Valses Nobles et Sentimentales foram atribuídas, além de Ravel, a Eric Satie (1866-1925), a Zoltán Kodály (1882-1967) e mesmo a Théodore Dubois (1837-1924), um antigo vencedor do Prix de Rome, em 1861. Surprema ironia, esta, se nos lembrarmos de que Ravel a ele tinha concorrido por 4 vezes no início do século, sem nunca o ter vencido!...
A obra é composta por uma sucessão de valsas, seguindo o exemplo de Franz Schubert (1797-1828) e, ao mesmo tempo, homenageando-o. Apresentadas como "... le plaisir délicieux et toujours nouveau d'une occupation inutile", retratam o ambiente vienense da música de salão, e foram dedicadas ao pianista e compositor Louis Aubert (1877-1968), que foi, aliás, quem as estreou. Louis Aubert que começou por ganhar celebridade pela sua voz de... soprano, tendo sido mesmo dele a primeira interpretação de Pie Jesus, no Requiem de Gabriel Fauré (1845-1924), em 1888.Esta foi uma das obras que o pianista polaco Krystian Zimerman (1956-) interpretou na primeira parte do recital que deu na Casa da Música no passado dia 11 de Março. Que começou com a Sonata para Piano, KV330, de Mozart (1756-1791), que foi-se conseguindo ouvir entre ataques de tosse generalizados, com especial brilhantismo por parte de uma simpática e bem constituída sexagenária, distante poucos lugares aqui do escriba e da respectiva família. Chegou ao ponto de nós, desesperados espectadores-ouvintes, temermos pelo próximo pianíssimo de Zimerman, certos de que aí viria novo ataque da velhinha...
A segunda parte do recital, já com a senhora mais calma, foi preenchida com obras de Frédéric Chopin (1810-1849), e foi dos momentos mais fantásticos a que tivemos a felicidade de assistir. Não é por acaso que Krystian Zimerman é considerado um dos melhores pianistas da actualidade no repertório romântico.
Programa
Wolfganf Amadeus Mozart
Sonata para Piano, KV330.
Maurice Ravel
Valses Nobles et Sentimentales.
Frédéric Chopin
Balada Nº4, Op.52. Quatro Mazurkas, Op.24. Sonata em si bemol menor, Op.35.
Krystian Zimerman (piano)
Internet
Maurice Ravel
Classical Music Pages / Maurice-Ravel.net / Catalogue des oeuvres / Wikipedia
Kystian Zimerman
Polish Culture / Krystian Zimerman / Discography / Wikipedia
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Valses Nobles et Sentimentales
08/05/2006
Revolução Francesa #1
"Estou inocente do que me acusam; que o meu sangue possa cimentar a felicidade dos Franceses". Terão sido estas as últimas palavras de Luís XVI (1754-1793) antes de ser executado, no dia 21 de Janeiro de 1793, após o julgamento que o provou "culpado de conspiração contra a liberdade pública e a segurança do Estado". A catastrófica situação financeira do Estado Francês, a braços com uma dívida descomunal, tinha forçado o rei à convocação dos Estados Gerais, que tiveram o seu início em Versalhes, em Maio de 1789. Seria também o início da Revolução Francesa, simbolicamente marcado pela tomada da Bastilha, no dia 14 de Julho do mesmo ano, e que determinaria o fim da monarquia em França.A revolução ditaria também o fim do feudalismo e a perda de poder da Igreja Católica, deixando ainda como uma das suas mais importantes heranças uma Declaração dos Direitos do Homem. Ficaria, contudo, irremediavelmente marcada pela imagem da guilhotina, generosa e frequentemente utilizada naqueles tempos. Em Maria Antonieta (1755-1793), por exemplo, mulher de Luís XVI, e que não lhe sobreviveu por muito, guilhotinada no dia 16 de Outubro de 1793.
Antoine Lavoisier (1743-1794), o fundador da química moderna, foi outra das suas vítimas, com a cabeça a ser separada do resto do corpo no dia 8 de Maio de 1794, passam hoje 212 anos. A Lavoisier devem-se, nomeadamente, os estudos sobre a combustão e a oxidação, e o Traité Élementaire de Chimie, publicado em 1789. Foi ainda de sua autoria a lei da conservação da massa, que refere que, "nos fenómenos químicos, a massa total dos corpos reagentes permanece constante". Lei que, na sua versão popular, mais romantizada, diz que "na natureza nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma".Lavoisier colaborou estreitamente com as autoridades do período pré-revolucionário, tendo sido, por exemplo, secretário e tesoureiro da comissão que implementou em França a uniformização dos pesos e medidas, e membro das comissões estaduais de agricultura entre 1785 e 1790. Foi também cobrador de impostos, e a fúria persecutória dos revolucionários era incapaz de perdoar tais traições: foi julgado, condenado e executado no mesmo dia. A rapidez da justiça no seu melhor...
Internet
Revolução Francesa
Liberty, Equality, Fraternity: Exploring the French Revolution / La Révolution Française: 1789-1799 / Wikipedia
Antoine Lavoisier
Biografia / Antoine-Laurent Lavoisier / Wikipedia
06/05/2006
Lugares #130
Em 1340, D. Constança, que havia casado 4 anos antes com D. Pedro (1320-1367), veio finalmente para Portugal. Entre as damas que a acompanharam contava-se Inês de Castro, por quem o filho do rei D. Afonso IV (1290-1357) se apaixonou perdidamente. D. Constança, filha de um fidalgo galego, viria a falecer pouco tempo depois de dar à luz D. Fernando (1345-1383), tendo D. Pedro e D. Inês de Castro aproveitado para finalmente juntar os trapos.

Da união nasceriam 4 rebentos, tendo-se instalado no reino o receio de que eles viessem a ser considerados os herdeiros de D. Pedro, em vez de D. Fernando, filho legítimo e natural herdeiro do trono de Portugal. D. Afonso IV, aconselhado, ou melhor, instigado por Pedro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco, aproveitou a primeira oportunidade para resolver o problema, mandando cortar a cabeça de Inês de Castro. A decisão terá sido tomada no Paço das Infantas do castelo de Montemor-o-Velho, tendo a execução tido lugar no dia 7 de Janeiro de 1355:
Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade;
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Saídas só da mágoa e saudade
Do seu Príncipe e filhos, que deixava
Que mais que a própria morte a magoava,
Camões, Os Lusíadas, Canto III, Estância 124
D. Afonso IV e D. Pedro I chegaram a travar-se de razões mas, em Agosto de 1355, lá se entenderam e fumaram o cachimbo da paz. O que, está bom de se ver, não impediu D. Pedro de ir atrás dos executores da sentença de Inês de Castro para lhes explicar o seu desgosto. Dos 3, apenas Diogo Lopes Pacheco sobreviveu, por ter dispensado as explicações e dado à sola rapidamente...
Os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro encontram-se no Mosteiro de Alcobaça, local onde o rei os mandou construir em 1360.
Internet
D. Inês de Castro
Enciclopédia Universal Multimédia Online / Wikipédia / Inês de Castro
Montemor-o-Velho
Câmara Municipal de Montemor-o-Velho / Castelo / regiaocentro.net

Da união nasceriam 4 rebentos, tendo-se instalado no reino o receio de que eles viessem a ser considerados os herdeiros de D. Pedro, em vez de D. Fernando, filho legítimo e natural herdeiro do trono de Portugal. D. Afonso IV, aconselhado, ou melhor, instigado por Pedro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco, aproveitou a primeira oportunidade para resolver o problema, mandando cortar a cabeça de Inês de Castro. A decisão terá sido tomada no Paço das Infantas do castelo de Montemor-o-Velho, tendo a execução tido lugar no dia 7 de Janeiro de 1355:
Traziam-na os horríficos algozesAnte o Rei, já movido a piedade;
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Saídas só da mágoa e saudade
Do seu Príncipe e filhos, que deixava
Que mais que a própria morte a magoava,
Camões, Os Lusíadas, Canto III, Estância 124
D. Afonso IV e D. Pedro I chegaram a travar-se de razões mas, em Agosto de 1355, lá se entenderam e fumaram o cachimbo da paz. O que, está bom de se ver, não impediu D. Pedro de ir atrás dos executores da sentença de Inês de Castro para lhes explicar o seu desgosto. Dos 3, apenas Diogo Lopes Pacheco sobreviveu, por ter dispensado as explicações e dado à sola rapidamente...
Os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro encontram-se no Mosteiro de Alcobaça, local onde o rei os mandou construir em 1360.
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