A exposição "Espíritos Elementares" do fotógrafo portuense Paulo Gaspar Ferreira (1964-), que decorreu entre os passados dias 20 de Maio e 18 de Junho no Museu Municipal Amadeo de Souza Cardoso foi o motivo ideal para mais uma deslocação a Amarante, terra de Teixeira de Pascoaes (1877-1952) e Agustina Bessa Luís (1922-), além do próprio Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918), evidentemente, e que hoje celebra o 21º aniversário de elevação a cidade. E cidade com elevação, digo eu, como demonstrou recentemente ao dar uma lição ao artista do Marco de Canaveses que se quis fazer convidado...
A acompanhar as fotografias, vinte e três ao todo, alguns poemas inéditos, como este, de António Ramos Rosa:
Dorme nessa praia com o sono do mar
Dormia com o murmúrio do sol
num maravilhoso deserto
dormia dentro de uma gruta marinha
as minhas mãos flutuavam nas ondas suavíssimas
uma chama ardia lenta e fina no silêncio de uma casa
sentia um poder redondo e quente
eu era um corpo absoluto no verão branco
uma sombra fluía com uma chama no centro
Em 2004, Paulo Gaspar Ferreira havia publicado um livro, entitulado "Nenhuma Flor, Oito Imagens e o dizer dos lábios", em que fotografias suas apareciam igualmente acompanhadas de poemas, dessa vez a propósito do incêndio ocorrido na Granja de Belgais, a casa onde a pianista Maria João Pires fundou o Centro para o Estudo das Artes.

Internet
Amarante
Município amarante / ANMP / Wikipédia
Em Outubro de 2004, quando aqui se trouxe o compositor austríaco Alexander Zemlinsky (1871-1942), referiu-se a forte amizade que o ligou ao igualmente compositor Arnold Schoenberg. Este chegou a ser seu aluno de composição, aí por volta de 1895 e, mais tarde, casaria com uma irmã sua. Quis o destino, e Hitler também..., que Zemlinsky e Schoenberg acabassem nos Estados Unidos, depois de, em 1933, ambos terem sido forçados a deixar Berlim. Em costas opostas, contudo, já que Zemlinsky fixou-se em Nova Iorque e Schoenberg em Los Angeles.
Schoenberg não nasceu no seio de uma família eminentemente musical nem teve uma educação musical formal, tendo sido, em larga medida, um auto-didacta. Algo de extraordinário, para alguém que viria a ser uma das figuras mais marcantes do meio musical da 1ª metade do século XX (e dos anos que se seguiram...), pela introdução da atonalidade e da equivalência dos 12 meios-tons da escala cromática. Com os seus discípulos Alban Berg (1885-1935) e Anton Webern (1883-1945) viria a dar origem à 2ª Escola de Viena, alicerçada no novo sistema introduzido por Schoenberg. Como é natural nestas coisas, nem todos apreciaram tais modernidades, e Schoenberg ganhou ferozes inimigos entre a audiência (mais) conservadora de Viena.
A atonalidade, primeiro exibida nos últimos andamentos do 2º Quarteto de Cordas, de 1908, e no ciclo de canções Das Buch der hängenden Gärten, atingiria maior notoriedade com a ópera Erwartung e as 5 Peças Orquestrais, ambas de 1909, e com Pierrot lunaire, de 1912. Mais tarde, já depois da mudança para os Estados Unidos, regressaria esporadicamente à tonalidade, de que são exemplos o Concerto para Violino, de 1935, e o Quarteto de Cordas Nº4, do ano seguinte.
Arnold Schoenberg faleceu há 55 anos, no dia 13 de Julho de 1951.
CDs

Arnold Schoenberg
Erwartung. Brettl Lieder.
Jessye Norman (soprano)
Metropolitan Opera Orchestra
James Levine
Philips 426 261-2
Arnold Schoenberg
Pierrot Lunaire, Op.21. Herzgewächse, Op.20.
Ode to Napoleon, Op.41.
Christine Schafer (soprano), David Pittman-Jennings (narrador)
Ensemble InterContemporain
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 457 630-2
Arnold Schoenberg
Five Orchestral Pieces, Op.16.
Alban Berg
Lulu - Suite.
Anton Webern
Six Orchestral Pieces, Op.6.
Arleen Augér (soprano)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI 5 58792-1
Internet
Arnold Schoenberg
Classical Music Pages / Arnold Schoenberg Center / Wikipedia / Arnold Schoenberg: The American Works
Nicolai Gedda, tenor sueco que hoje celebra o seu 81º aniversário, abordou um repertório extensíssimo, que foi do barroco ao contemporâneo, interpretando com igual brilho obras de compositores alemães, franceses, ingleses, italianos, norte-americanos, russos e suecos.
Problemas financeiros (falta de guita...) impediram-no de ter aulas de canto mais cedo, e apenas a generosidade de um cliente (mais abonado) do banco onde Gedda trabalhava lhe permitiu ter lições com Karl-Martin Oehmann (1887-1967), ele próprio com uma carreira operática como tenor. As estreias, no palco e discográfica, aconteceram em 1952. A primeira teve lugar na Ópera de Estocolmo, onde fez o papel de Chapelou na ópera Le Postillon de Lonjumeau do compositor francês Adolphe Adam (1803-1856); a segunda deveu-se ao facto de, por essa altura, o famoso produtor Walter Legge (1906-1979) estar por aquelas bandas, e ter ficado suficientemente impressionado para o convidar de imediato para as gravações de Boris Godunov, de Modest Mussorgsky (1839-1881). É que, além de sueco, Gedda falava fluentemente russo, e já para não falar no desenrascanço em alemão, italiano, frances, inglês, latim, etc. Refira-se que na altura em que Legge efectuou o convite ainda Gedda não se tinha estreado no palco...
CDs


Georges Bizet
Carmen.
Victoria de los Angeles, Janine Micheau, Denise Monteil,
Monique Linval, Marcelle Croisier (sopranos), Nicolai Gedda,
Michel Hamel, Bernard Plantey (tenores), Ernest Blanc,
Jean-Christophe Benoit (barítonos), Xavier Depraz (baixo)
French National Radio Choir
French National Radio Symphony Orchestra
Thomas Beecham
EMI GROC 5 67357-2
(1958-9)
Georges Bizet
Carmen.
Mario Carlin, Nicolai Gedda (tenores), Enzo Sordello, Michel
Roux, Gino del Signore, Frederick Guthrie (baixos), Hilde Güden,
Graziella Sciutti (sopranos), Giulietta Simionato (meio-soprano)
Vienna Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Andante AN3100
(1954)
Richard Strauss
Capriccio.
Elisabeth Schwarzkopf, Anna Moffo (sopranos), Eberhard
Waechter, Dietrich Fischer-Dieskau, Karl Schmitt-Walter (barítonos),
Nicolai Gedda, Rudolph Christ, Dermot Troy (tenores)
Philharmonia Orchestra
Wolfgang Sawallisch
EMI GROC 5 67394-2
Giacomo Puccini
Turandot.
Jane Eaglen, Mary Plazas (sopranos), Dennis O'Neill, Clive
Bayley (baixos), Peter Sidhom, Simon Bailey (barítonos),
Mark Le Brocq, Peter Wedd, Nicolai Gedda (tenores)
Geoffrey Mitchell Choir
Philharmonia Orchestra
David Parry
Chandos CHAN3086
Internet
Nicolai Gedda
Nicolai Gedda Homepage / Wikipedia / Bach Cantatas
O número 9 da revista Águas Furtadas saiu recentemente, tendo a respectiva apresentação ocorrido no passado dia 6 no Núcleo de Jornalismo da Universidade do Porto. Entre outros, traz textos de Inês Lourenço, Tiago Gomes, Rui Lage, Pedro Ribeiro, Marcelo Rizzi, Adrienne Rich, Virginia Woolf e Filipe Guerra, além de trabalhos de fotógrafos e artistas plásticos. A revista vem ainda acompanhada de um CD com obras de Alexandre Delgado, Ruben Andrade, Dimitris Andrikopoulos e do grupo de jazz Espécie de Trio.

Estas informações estão no blogue Águas Furtadas, onde ficamos ainda a saber que ela pode ser adquirida na lojas Maria Vai com as Outras e Sem Mais Nem Menos, ambas no Porto.
Este texto já deveria ter sido publicado antes, só a falta de tempo do blogueiro levou a que saísse apenas após a sessão de apresentação. Votos dos maiores sucessos para a revista.
"Esta sinfonia é um dom à nação. Todas as anteriores não passavam de prelúdios a ela: as minhas outras obras são trágicas e subjectivas, esta é uma imensa dispensadora de alegria". A frase é de Gustav Mahler (1860-1911), numa carta de 1906 dirigida ao seu amigo Richard Specht (1870-1932). Nesse mesmo ano escreveu a um outro amigo seu, o maestro Willem Mengelberg (1871-1951): "Acabei de terminar a minha 8ª - é a maior obra que escrevi até hoje". A satisfação é evidente, e o compositor tinha boas razões para tal, ou não tivesse esta sinfonia, estreada pelo próprio no dia 12 de Setembro de 1910, representado o seu maior sucesso até à data.
Num relativo curto espaço de tempo, entre 1899 e 1907, Mahler escreveu 5 sinfonias. A última dessas, a 8ª, resultou de um período particularmente criativo, e foi esboçada em apenas 3 semanas. Já aqui referimos anteriormente, a propósito de um outro disco, que a 8ª representou um regresso às sinfonias vocais, neste caso moldada ao texto de Fausto, de Goethe (1749-1832). Isto no segundo andamento, pois para o primeiro Mahler inspirou-se no hino Veni, creator spiritus, do monge beneditino e teólogo Raban Maur (748-856).
Nesta obra, Mahler deu um relevo especial à voz, inédito em obras sinfónicas. É dele próprio a explicação: "as vozes são usadas como instrumentos". Como já alguém (1) escreveu, estamos perante uma sinfonia para solistas, coros e orquestra, e não uma sinfonia com solistas e coros.
Gustav Mahler nasceu há 146 anos, no dia 7 de Julho de 1860.
O disco aqui referenciado hoje tem excelentes interpretações do notável grupo de solistas, e conta com o maestro Simon Rattle à frente da Orquestra Sinfónica da Cidade de Birmingham. Orquestra que ele abandonou para tomar conta dos destinos da Orquestra Filarmónica de Berlim, onde sucedeu ao italiano Claudio Abbado (1933-).

Gustav Mahler
Symphony No.8 in E flat.
Christine Brewer, Soile Isokoski, Juliane Banse (sopranos), Birgit
Remmert, Jane Henschel (meios-sopranos), Jon Villars (tenor), David
Wilson-Johnson (barítono), John Relyea (baixo)
City of Birmingham Symphony Chorus
London Symphony Chorus
City of Birmingham Symphony Youth Chorus
Toronto Children's Chorus
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI 5 57945-2
(2004)
Internet
Gustav Mahler
bbc.co.uk / Une Discographie de Gustav Mahler / Classical Music Pages / Wikipedia
Simon Rattle
Calouste Gulbenkian Foundation / Official Website / Wikipedia
(1) Guia da Música Sinfónica, de François-René Tranchefort
O início da carreira do alemão Otto Klemperer esteve decisivamente ligado a Gustav Mahler (1860-1911). O primeiro encontro entre ambos deu-se em 1905 em Berlim, numa altura em que Oskar Fried (1871-1941) lá dirigia a 2ª Sinfonia do compositor austríaco; cerca de 2 anos depois, já em Viena, Klemperer tocou de memória para Mahler uma redução para piano do scherzo dessa mesma sinfonia, impressionando-o o suficiente para que este último escrevesse cartas de recomendação para a Ópera de Viena e para o Teatro Alemão de Praga. Os resultados não tardaram, tendo Klemperer sido convidado para dirigir o coro deste último; pouco tempo depois seria nomeado maestro principal. Em 1910, e de novo com a ajuda de Mahler, Klemperer seria nomeado maestro da Ópera de Hamburgo, a que se seguiram convites para muitas outras cidades (Barcelona, Colónia, Estrasburgo, Moscovo, Nova Iorque, Roma).
Em 1927 foi nomeado regente da Ópera Kroll de Berlim, e aí dedicou-se afincadamente a divulgar a música contemporânea. Além de Mahler, tocou obras de Schoenberg (1874-1951), Hindemith (1895-1963), Janácek (1854-1928), Milhaud (1892-1974), Weill (1900-1950), Korngold (1897-1957) e Stravinsky (1882-1971), e a lista não é obviamente exaustiva. Esta universalidade não concidia exactamente com a forma como as autoridades nazis idealizavam a promoção da cultura alemã o que, aliado às origens judaicas de Klemperer, fazia antever problemas. E eles vieram, em 1933, quando foi demitido da Ópera do Estado de Berlim, e teve que se refugiar, juntamente com a sua família, primeiro na Áustria e depois na Suiça. Curiosamente, pouco tempo antes destes acontecimentos Klemperer tinha recebido uma medalha de ouro pela sua "extraordinária contribuição para a cultura alemã"...
Otto Klemperer faleceu há 33 anos, no dia 6 de Julho de 1973.
CDs



Otto Klemperer
as a Bach - Wagner conductor.
Johann Sebastian Bach
Magnificat, BWV243. Brandenburg Concerto No.5 in D minor, BWV1050.
Richard Wagner
Lohengrin - Act 1: Prelude; Act 3: Prelude.
Die Meistersinger von Nürnberg - Act 1: Prelude; Act 3: Prelude.
Budapest Chorus & Symphony Orchestra
Hungarian State Opera Orchestra
Otto Klemperer
Hungaraton HCD32175
Otto Klemperer
Wiener Philharmoniker
live broadcast performances
Testament SBT8 1365
Bach
Orchestral Suites Nos.1-4, BWV1066-69.
Handel
Concerto Grosso, Op.6 No.4.
Rameau
Gavotte with 6 Variations.
Gluck
Overture - Iphigénie en Aulide.
Cherubini
Overture - Anacreon.
Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer
Testament SBT2131
Anton Bruckner
Symphony No.6.
Christoph Gluck
Iphegénie en Aulide - Overture.
Engelbert Humperdinck
Hänsel und Gretel - Overture.
New Philharmonia Orchestra
Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer
EMI GROC 5 62621-2
Anton Bruckner
Symphony No.6. Te Deum.
Heather Harper (soprano), Janet Baker (meio-soprano),
Richard Lewis (tenor), Marian Nowakowski (baixo)
BBC Symphony Chorus
BBC Symphony Orchestra
Otto Klemperer
Testament SBT1354
Ludwig van Beethoven
Piano Concertos - Nos.3, 4 & 5, "Emperor".
Piano Sonatas - Nos.24 & 31.
Claudio Arrau (piano)
Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer
Testament SBT2 1351
Ludwig van Beethoven
Fidelio.
Sena Jurinac, Elsie Morison (sopranos), Jon Vickers, John Dobson,
Joseph Ward (tenores), Hans Hotter (baixo-barítono), Gottlob Frick,
Forbes Robinson (baixos), Victor Godfrey (barítono)
Royal Opera House Chorus
Royal Opera House Orchestra
Otto Klemperer
Testament SBT2 1328
Igor Stravinsky
Petrushka (1947 version). Pulcinella - Suite.
New Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer
Testament SBT1156
Richard Wagner
Der fliegende Hollander.
Theo Adam (baixo-barítono), Anja Silja (soprano), Martti
Talvela (baixo), Ernst Kozub, Gerhard Unger (tenores),
Annelies Burmeister (meio-soprano)
BBC Chorus
New Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer
EMI 5 67408-2
(1968)
Internet
Otto Klemperer
Bach-Cantatas / Wikipedia / Otto Klemperer / Otto Klemperer - Behind every great conductor / Answers.com
No próximo dia 29 de Julho assinalam-se os 150 anos do falecimento do compositor alemão Robert Schumann (1810-1856), um dos mais importantes compositores do período romântico. É, aliás, geralmente considerado como um dos que melhor personalizou o ideal romântico, pelas obras que criou e pela vida que teve.
Aqui merece especial relevo a odisseia por que passou para conseguir casar com Clara Wieck (1819-1896), filha do seu professor Friedrich Wieck (1785-1873), por quem Schumann se tinha apaixonado aí por volta de 1835. Enlace a que o pai Wieck se opôs de todas as formas e feitios, de tal forma que o casamento apenas teria lugar em Setembro de 1840.
E se até aí Schumann tinha composto maioritariamente música para piano, nesse ano dedicou-se essencialmente a escrever canções, datando dessa altura mais de metade da sua produção do género. Virou-se depois para a música orquestral e, num curto espaço de 4 dias, entre 23 e 26 de Janeiro de 1841, esboçou aquela que viria a ser a sua Sinfonia Nº1. A orquestração ficaria finalizada no mês seguinte, e a estreia aconteceria a 31 de Março de 1841, com Felix Mendelssohn (1809-1847) à frente da orquestra. Pouco à-vontade nas grandes orquestrações, Schumann comporia apenas mais 3 sinfonias.
É com esta sinfonia que na próxima 6ª Feira a Casa da Música iniciará a integral das sinfonias de Schumann. Desta vez à frente da Orquestra Nacional do Porto estará o maestro Dietfried Bernet. E estaremos lá nós também, claro!
Programa
Anton Webern
Passacaglia, Op.1.
Robert Schumann
Sinfonia Nº1.
Johannes Brahms
Sinfonia Nº1.
Orquestra Nacional do Porto
Dietfried Bernet
Internet
Robert Schumann
Classical Music Pages / Wikipedia / Classical Net / Carolina Classical

"Filho de peixe sabe nadar, filho de Kleiber sabe batutar". Isto apesar das tentativas de Erich Kleiber (1890-1956) em dissuadir o seu filho Carlos de prosseguir uma carreira na área da música, talvez ainda influenciado pelos problemas que tinha tido com as autoridades nazis, e que o levaram a sair da Alemanha rumo à Argentina. Tentativas frustradas, está bom de ver, e Carlos Kleiber viria a tornar-se num maestro lendário (opinião, naturalmente, não consensual, bastando seguir os links abaixo indicados), apesar de ter abraçado um repertório deveras limitado.
Carlos Kleiber regressaria à Alemanha em 1952, para viver em Munique. Depois de passagens por Dusseldorf, Zurique e Estugarda, regressaria, em 1968, à capital da Bavária, para ser o maestro principal da Ópera do Estado, cargo que desempenhou até 1978. Em 1966 fez a sua estreia em solo britânico com a ópera Wozzeck, de Alban Berg (1885-1935), ópera que tinha sido estreada pelo seu pai, amigo pessoal do compositor, no dia 14 de Dezembro de 1925, após uma série infindável de ensaios.
Depois da Ópera do Estado da Baviera, Carlos Kleiber nunca mais estabeleceu qualquer vínculo com uma outra orquestra, tendo apenas feito aparições esporádicas e efectuando algumas, poucas, gravações. Carlos Kleiber nasceu há 76 anos, no dia 3 de Julho de 1930.
CDs

Ludwig van Beethoven
Symphony No.6 in F, "Pastoral", Op.68.
Bavarian State Orchestra
Carlos Kleiber
Orfeo C600 031B
(1983)
Richard Wagner
Tristan und Isolde.
Margaret Price (soprano), René Kollo, Anton Dermota, Eberhard
Buchner (tenores), Brigitte Fassbaender (meio-soprano),
Dietrich Fischer-Dieskau, Werner Gotz, Wolfgang Hellmich (barítonos),
Kurt Moll (baixo)
Staatskapelle Dresden
Carlos Kleiber
Deutsche Grammophon 477 5355
(1986)
Alexander Borodin
Symphony No.2 in B minor.
NBC Symphony Orchestra
Erich Kleiber
Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Carlos Kleiber
Hänssler Classic 93 116
(1947, 1972)
Internet
Carlos Kleiber
Carlos Kleiber / Carlos Kleiber / Carlos Kleiber: Not a great conductor / Wikipedia
A resposta francesa ao grupo d'Os Cinco foi dada em 1917, quando Georges Auric (1899-1983), Louis Durey (1888-1979), Arthur Honegger (1892-1955), Darius Milhaud (1892-1974), Francis Poulenc (1899-1963) e Germaine Tailleferre (1892-1983) formaram Les Nouveaux Jeunes, incentivados pelo escritor e cineasta Jean Cocteau (1889-1963). Em 1920 o crítico (e compositor) Henri Collet (1885-1951) deu-lhes o nome com que ficariam para a posteridade, Les Six, por óbvia analogia com o grupo dos compositores russos.
Apesar de não pertencer formalmente ao grupo, Erik Satie (1866-1925) esteve-lhe intimamente ligado, pela influência artística que exerceu (pela prossecução do ideal da simplicidade) e por com ele ter colaborado, nomeadamente no conhecido Album des Six, constituído exclusivamente por obras instrumentais para piano.
Pois são precisamente para piano algumas das peças mais conhecidas de Satie; entre elas, as 3 Gymnopédies, escritas entre Fevereiro e Abril de 1888, encaixando-se na perfeição no tal ideal de simplicidade e concisão. Ou, como o próprio Jean Cocteau disse, "La musique de Satie va toute nue". As 1ª (lent et douloureux) e 3ª (lent et grave) Gymnopédies foram orquestradas em 1897 por Claude Debussy (1862-1918), apenas tendo ficado de fora a 2ª (lent et triste), dedicada por Erik Satie a Conrad, seu irmão.
Erik Satie faleceu há 81 anos, no dia 1 de Julho de 1925.
CDs


Erik Satie
Trois Gymnopédies. Six Gnossiennes. Embryons desséchés.
Trois morceaux en forme de poire. Descriptions automatiques.
Deux valses. La belle escentrique.
Anne Queffélec, Catherine Collard (pianos)
Virgin Classics 5 61846-2
(1988, 1990)
Erik Satie
Trois Gymnopédies. Pièces Froides - Airs à faire fuir.
Embryons desséchés. Véritable Préludes Flasques (pour un chien).
Je te veux. Sports et Divertissements. Avant-dernières Pensées.
Joanna MacGregor (piano)
Sound Circus SC902
(1989)
Erik Satie
Trois Gymnopédies. Trois Gnossienes. Sports et Divertissements.
Morceaux enf forme de poire. Avant-dernières Pensées.
La Diva de l'Empire. Trois Sarabandes.
Laurence Allix (piano)
Ensayo 3402
Erik Satie
Trois Gymnopédies. Je te veux. Quatre Préludes Flasques.
Nocturne Nº4. Vieux sequins et vieilles cuirasses.
Embryons desséchés. Six Gnossienes. Sonatine bureaucratique.
Le Picadilly.
Pascal Rogé (piano)
Decca 475 7527
Internet
Erik Satie
Erik Satie - Compositeur de Musique / Musicologie.org / Wikipedia
Les Six
XXth Century - Les Six / Wikipedia