07/08/2006

Lugares #139

A página na internet da Câmara Municipal da Golegã, em relação ao Atelier Fotográfico de Carlos Relvas (Casa Estúdio), diz-nos o seguinte:

"Em 2002 iniciou-se a restauração e reabilitação do imóvel, tendo-lhe sido devolvidas a sua dignidade e traça original em finais de 2003, processo ao longo do qual foram respeitados os conceitos de ética de intervenção, face ao valor patrimonial e cultural em presença."

Para depois, justificadamente, se gabar de que

"Assim, o IPPAR e a Câmara Municipal da Golegã, a que se juntou agora o IPM, devolveram à fruição colectiva um dos edifícios mais relevantes do património nacional, com repercussão internacional. A Câmara Municipal através de recente candidatura ao POC inicia, agora, um programa de valorização, reutilização e animação da Casa-Estúdio."



Desconhecemos o que é que os inquilinos do edifício camarário entendem por fruição colectiva, e se tal será compatível com o facto de,
um ano depois, continuarem a manter a casa-estúdio de Carlos Relvas (1838-1894) religiosamente fechada. No ano passado, fomos informados de que abriria antes do final da Primavera; este ano, nem nos demos ao trabalho de telefonar. O resultado foi o mesmo, voltamos a dar com o nariz na porta, mas sempre poupámos na conta do telefone...



E assim, em relação ao texto aqui publicado em Setembro do ano passado, nada mudou, apenas as fotografias, apesar de parecerem iguais, são um ano mais novas. E mantém-se também a nossa teimosia: para o ano havemos de lá voltar, mantendo a esperança de que os autarcas passem a zelar melhor pela famosa fruição colectiva. Podiam começar por ganhar alguma vergonha, sempre ajudava.


P. S.

Já depois do passeio, contactámos a Câmara Municipal da Golegã, utilizando o meio que disponibilizam nas suas páginas na internet. Uma semana depois continuamos à espera da resposta a uma pergunta tão básica quanto esta: "Quando prevêem abrir ao público a Casa-Estúdio de Carlos Relvas?"

05/08/2006

Compositores #67: George Butterworth (1885-1916)

Voltamos hoje aos compositores menos conhecidos, desta vez para, no 90º aniversário da sua trágica morte, falarmos do inglês George Butterworth. Que, aquando das primeiras escaramuças da 1ª Guerra Mundial decidiu alistar-se, vindo a ser morto por um atirador furtivo cerca de 2 anos depois, no dia 5 de Agosto de 1916.

Butterworth foi um bravo combatente, tendo sido postumamente distinguido com a Cruz Militar o que, entre outras coisas, faz com que encontremos a sua biografia quer em livros sobre música quer em livros sobre assuntos militares, em particular naqueles que se debruçam sobre a 1ª Grande Guerra.

Quando aqui trouxemos o igualmente compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958), primeiro a propósito de um CD com a sua 4ª Sinfonia
, depois na passagem dos 63 anos sobre a estreia da Sinfonia Nº5, referimos o facto de ele ter estado também envolvido nas operações da 1ª Guerra Mundial, e de a 5ª Sinfonia reflectir os tempos que se viviam, ou não tivesse sido escrita em pleno desenrolar do conflito mundial que se seguiu. Pois Butterworth e Vaughan Williams foram grandes amigos, tendo efectuado em conjunto diversas recolhas de música folclórica. Haverá certamente no futuro outras oportunidades para exemplificar o quão importante e frutuosa foi a colaboração entre ambos.

Butterworth não deixou muitas obras: nunca foi um compositor prolífico, morreu muito jovem e, além disso, destruiu uma boa parte das partituras antes de ir para a guerra, por "não as achar merecedores de lhe sobreviverem". Sobraram algumas obras orquestrais, como Two English Idylls, de 1911, A Shropshire Lad, de 1912, e The Banks of Green Willow, de 1913, e 3 ciclos de canções, dois dos quais musicando poemas de Alfred Edward Housman (1859-1936).


CDs



George Butterworth
The Banks of Green Willow.
Ralph Vaughan Williams
A London Symphony.
London Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN9902
(2000)

The Barbirolli English Music Album
George Butterworth

A Shropshire Lad.
+ obras de Bax, Ireland, Vaughan Williams, Elgar, Purcell.
Hallé Choir
Hallé Orchestra
John Barbirolli
Dutton Laboratories CDSJB1022


Internet

George Butterworth
FirstWorldWar.com
/ Wikipedia / Catalogue of Songs

03/08/2006

Sopranos #11: Elisabeth Schwarzkopf (1915-2006)

Depois de Renata Tebaldi (1922-2004) e de Victoria de los Angeles (1923-2005), fomos agora surpreendidos com o falecimento de mais um grande soprano, a alemã Elisabeth Schwarzkopf.

Schwarzkopf, senhora de um extenso conhecimento musical, preparava cuidadosamente as suas interpretações, dando atenção aos mais pequenos detalhes; por vezes chegava a ensaiar uma única frase horas a fio, até ficar convencida do resultado. Presa por ter cão e presa por não ter, não se livraria de ser acusada por alguns de maneirismo e de demasiado estudada, o que é mais ou menos a mesma coisa e nos permite mais facilmente discordar de ambas...

Depois de ter estudado na Berliner Musikhochschule
, estreou-se em Berlim em Abril de 1938, na ópera Parsifal de Richard Wagner (1813-1883). Foi por essa altura que mostrou simpatias pelo partido nazi, o que lhe valeu mais tarde uma espera de vários anos, coisa aí para 9, até se poder estrear no Met de Nova Iorque. Há simpatias que não são de ter...

Ao longo da carreira cantou, entre outros, Handel (1685-1759), Schubert (1797-1828), Verdi (1813-1901), Wagner, Orff (1895-1982), e também Mozart (1756-1791), Strauss (1864-1949) e Wolf (1860-1903), e foi precisamente nestes 3 últimos que mais brilhou. O seu último papel operático foi o de Marschallin, na ópera Der Rosenkavalier, de Richard Strauss, que cantou pela última vez no dia 31 de Dezembro de 1971. Dedicou-se então em exclusivo a recitais de lieder, retirando-se definitivamente em Março de 1979.


Internet

Elisabeth Schwarzkopf
Wikipedia
/ Bach Cantatas / Opera Italiana

01/08/2006

Pianistas #15: Sviatoslav Richter (1915-1997)

Há um ano atrás, para assinalar a passagem dos 8 anos sobre o falecimento do pianista ucraniano Sviatoslav Richter, escrevemos aqui que ele não tinha grande apreço pelas gravações. Do livro "Sviatoslav Richter - Notebooks and Conversations", do cineasta Bruno Monsaingeon, retiramos este pedaço delicioso, em que um outro grande pianista, o canadiano Glenn Gould (1932-1982), se refere de uma forma assaz curiosa às gravações de Richter:

"(...) For a whole month", diz-nos Bruno Monsaingeon, "I had effectively been living in another world. Glenn Gould and I were about to complete the editing of our film on the Goldberg Variations in an underground studio somewhere outside Toronto. (...) When the editing process was finished, we spent a whole night watching the film, but this time as spectators. Suddenly, in the middle of the night, Glenn turned to me: 'You know Richter. Are you in touch with him?'

'Er...'

'A musician like him, such a tremendous pianist amd he doesn't know how to make a recording. He has no recording philosophy and allows records to be released that are a betrayal of his abilities and in no way represent him. He really must learn the specific art of recording. I'd like to make a recording with him in which I'd be his producer.'

'Glenn, are you serious?'

'I'm damn serious. He could play whatever repertory he liked , even Rachmaninov, on my own piano if he wanted. Put it to him.'

Three weeks later at the Fêtes Musicales de Touraine, I raised the matter with Richter, first of all explaining that I had just finished a film about the Goldberg Variations with Glenn Gould.

'Did he play the repeats?'

'Yes, the first repeats in the canonic variations.'

'What! Not all of them? But I spoke to him about it in Moscow in 1957, after his concert. Such a musician, such a tremendous pianist... The work is too complicated; without the repeats no one can follow it. And in any case, that's how it's written.'

'But, Maestro, that's not what's at issue. Don't you think his proposal is worth considering?'

'Where and when?'

'In America, of course.'

'I never go to America.' He then reflected for a moment, before adding: 'Tell Glenn Gould that I accept, but on condition that he agrees to give a recital at my festival in Tours.'

He said this with a smile in his voice, knowing perfectly well that Gould refused to perform in public. And that was the end of the matter."


Sviatoslav Richter faleceu há 9 anos, no dia 1 de Agosto de 1997.


Internet

Svistoslav Richter
Wikipedia / bbc.co.uk / In memoriam / The 'Enigma' of Sviatoslav Richter

31/07/2006

CDs #89: Liszt, Symphonic Poems, Vol.1

Em Outubro do ano passado, quando falámos por aqui de um disco com obras do compositor húngaro Franz Liszt (1811-1886), referimos o facto de o período que ele passou como Kapellmeister em Weimar ter sido o mais produtivo da sua vida. Datam dessa época, nomeadamente, a Sonata para Piano em si menor, a Sinfonia Fausto, baseada na Divina Comédia de Dante (1265-1321), dois Concertos para Piano e 12 Poemas Sinfónicos.

Estes últimos foram escritos no espaço de uma década, entre 1848 e 1858, e a designação foi dada pelo próprio Liszt a estas obras orquestrais de um único movimento, inspiradas noutras formas artísticas, como a poesia ou a pintura, ou mesmo por lendas ou factos históricos. Tal pode ser constatado de imediato pelos nomes que deu a alguns desses poemas sinfónicos: Les Préludes, Orpheus, Tasso, Mazeppa, Prometheus, Festklänge, Hungaria, Heroïde funèbre, Ce qu'on entend sur la montagne, Die Ideale, Hunnenschalacht e Hamlet.

Liszt não terá sido o inventor dos poemas sinfónicos, mas foi certamente o primeiro a dar-lhes um especial relevo, posteriormente reforçado por compositores como Piotr Ilyich Tchaikovsky
(1840-1893), Bedrich Smetana (1824-1884), Camille Saint-Saëns (1835-1921) e, principalmente, Richard Strauss (1864-1949).

Ce qu'on entend sur la montagne foi o primeiro poema sinfónico que escreveu, entre 1848 e 1849. O mais popular de todos foi desde sempre o terceiro que compôs, Les Préludes que, todavia, nasceu de roupagem diferente. Na realidade começou por ser, aí por volta de 1844, o movimento introdutório daquilo que pretendia que viesse a ser uma obra coral baseada em 4 poemas do poeta francês Joseph Autran (1813-1877), e que se chamaria Les Quatre Elements. Liszt não viria a terminá-la e, em 1854, a referida introdução ganharia vida e nome próprios, este baseado numa ode de um outro poeta francês, Alphonse de Lamartine (1790-1869):

"What else is our life than a series of preludes to an unknown song, whose first and solemn notes are sounded by death?"

Franz Liszt faleceu há 120 anos, no dia 31 de Julho de 1886.




Franz Liszt
Symphonic Poems, Volume 1.
Ce qu'on entend sur la montagne, S95.
Tasso: Lamento e Trionfo, S96.
Les Préludes, S97.
Orpheus, S98.
BBC Philharmonic Orchestra
Gianandrea Noseda
Chandos CHAN10341
(2004)


Internet

Franz Liszt
Wikipedia
/ Classical Music Pages / The Franz Liszt Site

29/07/2006

CDs #88: Schumann, Sviatoslav Richter

A vida do alemão Robert Schumann (1810-1856) encaixa na perfeição na ideia que normalmente temos de um romântico, ou não tivesse ele sido um dos seus expoentes, no campo musical: em 1828 foi para Leipzig para estudar direito, algo que nunca lhe despertou grande interesse pelo que, no ano seguinte, já damos com ele a estudar piano, com o reputado professor Friedrich Wieck (1785-1873); Schumann acabaria por se apaixonar pela filha, Clara Wieck, com quem acabaria por casar em Setembro de 1840, contra a vontade expressa do pai que, como retaliação, a retirou do testamento...; um par de anos depois e Schumann sofreria de uma profunda depressão, que durou largos meses, e que se viria a repetir regularmente, tendo o compositor passado os últimos anos de vida internado num asilo. Robert Schumann faleceu há 150 anos, no dia 29 de Julho de 1856.


Robert Schumann

A música para piano teve um lugar primordial na obra de Schumann, bastando reparar no facto de os primeiros 23 opus corresponderem a peças para piano solo. De entre os pianistas que se excederam em Schumann há um que recebe a minha especial preferência, o russo Sviatoslav Richter (1915-1997), de quem se falou aqui
há cerca de um ano atrás, a propósito de um outro disco.


Sviatoslav Richter

Do de hoje fazem parte os Estudos Sinfónicos, escritos em 1834 e publicados 3 anos depois, sendo dedicados ao compositor inglês William Sterndale Bennett (1816-1875) e tendo sido estreados por Clara (Wieck) Schumann; as Fantasiestücke Nºs 5 & 7, compostas em 1837 e dedicadas à pianista inglesa Anna Robena Laidlaw (1819-1901); e Bunte Blätter, uma colecção de peças dispersas escritas entre 1832 e 1849 e que, por uma ou outra razão, não tinham sido incluídas em nenhum dos ciclos entretanto publicados.



Robert Schumann
Études Symphoniques, Op.13.
Bunte Blätter, Op.99.
Fantasiestücke Nos.5 & 7, Op.12.
Sviatoslav Richter (piano)
Regis RRC 1186
(1971, 1979)


Internet

Robert Schumann: Biografia 1
/ Biografia 2 / Catálogo
Sviatoslav Richter: Biografia 1
/ Biografia 2 / Cronologia

28/07/2006

Obras Orquestrais #9: Il cimento dell'Armonia e dell'Invenzione, Op.8, de Vivaldi

O concerto, tal como o concebemos hoje, com um ou mais instrumentos solistas a competir com a orquestra, começou a ganhar ao concerto grosso em popularidade a partir do início do século XVIII, primeiro com Giuseppe Torelli (1658-1709) e depois com Antonio Vivaldi (1678-1741).

Vivaldi, à sua conta, compôs mais de 350 concertos para um instrumento solista e para cima de 100 para dois ou mais instrumentos, fazendo dele um dos compositores europeus mais prolíficos. Nem sempre apreciado por todos, como é normal nestas coisas, e Stravinsky (1882-1971), por exemplo, era da opinião de que o compositor italiano tinha "escrito o mesmo concerto quatrocentas vezes"...

A fama do padre ruivo começou a alastrar pela Europa a partir de 1711, com a publicação, em Amesterdão, dos concertos L'Estro Armonico. Nessa época era usual agrupar sob um mesmo título várias obras similares e para formações iguais, e tal voltaria a suceder em 1725, com a publicação, de novo em Amesterdão, de 12 concertos para violino, intitulados Il Cimento dell'Armonia e dell'Inventione. Os 4 primeiros deles são das mais conhecidas obras musicais do período barroco e, simultaneamente, das mais gravadas de sempre: Le Quattro Stagioni.

Antonio Vivaldi faleceu há 265 anos, no dia 28 de Julho de 1741.


CDs




Antonio Vilvaldi
Concerto for the Prince of Poland: Sinfonia for Strings in G, RV149.
Concertos for Violin and Strings - Op.8, Nos.5 & 6.
Andrew Manze (violino)
Academy of Ancient Music
Andrew Manze
Harmonia Mundi HMU90 7230

Antonio Vivaldi
Violin Concertos, Op.8 - Nos.1-4, "The Four Seasons".
Giuseppe Tartini
Sonata for Violin and Continuo in G minor, "Devil's Trill".
Anne-Sophie Mutter (violino)
Trondheim Soloists
Anne-Sophie Mutter
Deutsche Grammophon 463 259-2

Antonio Vivaldi
Il Cimento dell'Armonia e dell'Inventione, Op.8.
Concertos - RV516 & RV546.
Monica Huggett (violino)
Raglan Baroque Players
Nicholas Kraemer
Virgin Veritas VBD5 61668-2

Antonio Vivaldi
Violin Concertos, "The Four Seasons", Op.8 Nos.1-4.
Kyung-Wha Chung (violino)
St Luke's Chamber Ensemble
Kyung-Wha Chung
EMI 5 57015-2

Antonio Vivaldi
Il Cimento dell'Armonia e dell'Inventione, Op.8.
Fabio Biondi (violino)
Europa Galante
Fabio Biondi
Virgin Veritas VMD5 81980-2

Antonio Vivaldi
Violin Concertos, "The Four Seasons", Op.8 Nos.1-4.
+ obras de Handel, Monteverdi, Rossini, Marenzio, Scarlatti e Bach
M. Bayo, D. York, G. Bertagnolli, E. Tiso (sopranos), A. Simboli,
S. Prina, S. Mingardo (contraltos), P. Costa (contratenor), N. Sears,
G. Ferrarini (tenores)
Concerto Italiano
Rinaldo Alessandrini
Opus 111 OP30363


Internet

Antonio Vivaldi
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Musicologie.org / Antonio Vivaldi

26/07/2006

Óperas #11: Parsifal, de Richard Wagner

Há não muito tempo, quando por aqui se falou d'Os Mestres Cantores de Nuremberga, de Richard Wagner (1813-1883), levantou-se, na caixa de comentários, a questão da separação da criatura da criação, como forma de evitar contaminar (foi a expressão utilizada na altura) a apreciação dessas obras pelo carácter dos seus autores. É compreensível que este assunto tenha sido levantado a propósito de uma obra de Richard Wagner, pois os ideiais do homem não eram propriamente dos mais recomendáveis.

A estreia da sua ópera Parsifal, a 26 de Julho de 1882, foi disso mais um exemplo significativo. Ao sucesso obtido pel'O Anel dos Nibelungos junto do público não correspondeu um sucesso financeiro e, na segunda metade da década de 1870, Wagner atravessava sérias dificuldades. Valeu-lhe o apoio do Estado da Bavária, que ele deveria retribuir escrevendo uma ópera, que viria a ser o Parsifal, e que apenas poderia ser vista e ouvida nos palcos de Bayreuth. O rei Ludwig II (1845-1886) suportou todos os custos da produção e disponibilizou o Coro e a Orquestra da Ópera de Munique, cujo maestro principal era Hermann Levi (1839-1900), judeu. Wagner, que achava que "a tolerância para com os judeus levaria a Alemanha à ruína", começou por exigir que Levi aceitasse um baptismo cristão antes de pôr os olhos na partitura. Falhada a tentativa, Wagner fez todos os possíveis para se livrar de tal maestro, chegando mesmo a escrever ao rei procurando-lhe fazer ver "os perigos que os judeus representavam para a humanidade". A única resposta que conseguiu foi algo do tipo "ou o maestro é esse ou não há estreia nenhuma"...


CDs



Richard Wagner
Parsifal.
J. Thomas, N. Moller, G. Stolze, G. Paskuda (tenores),
G. London, H. Hotter, G. Neidlinger (baixos-barítonos),
I. Dalis, S. Cervená, U. Boese (meios-sopranos)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Hans Knappertsbusch
Philips 50 Great Recordings 464 756-2
(1962)

Richard Wagner
Parsifal.
George London, Ludwig Weber (barítonos), Martha Mödl (soprano),
Wolfgang Windgassen (tenor)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Hans Knappertsbusch
Naxos Historical 8.110221-24
(1951)

Richard Wagner
Parsifal.
R. Vinay, E. Tobin, H. Kratz, G. Stolze (tenores),
G. London (barítono), M. Mödl (meio-soprano), L. Weber,
H. Uhde, J. Greindl, T. Adam (baixos), G. Litz,
R. Streich, H. Plümacher (sopranos)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Clemens Krauss
Archipel ARPCD0171-4
(1953)


Internet

Richard Wagner
Wikipedia
/ Classical Music Pages / Richard Wagner Web Site

25/07/2006

Lugares #138

O dia 15 de Julho último, Sábado, foi o dia mais barroco da nossa vida. Começou com um passeio guiado pelo Porto, numa (des)organização da Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana, e terminou na Póvoa de Varzim, com um (excelente) concerto pelo Ricercar Consort com o contratenor espanhol Carlos Mena, num programa exclusivamente preenchido por cantatas do período barroco.



Do concerto talvez por aqui se fale um dia, para já falemos do passeio. Que esteve longe de corresponder ao anunciado pois, por eventual incompetência organizativa, se ficou por metade dos edifícios (igrejas) previstos. Ora porque decorria a missa, ou porque se rezava o terço, ou porque pura e simplesmente não havia ninguém para abrir a porta, aquilo que era para ser um itinerário previsível transformou-se num hino ao imprevisto.



Salvou-se a visita ao mosteiro de S. Bento da Vitória, uma magnífica construção dos inícios do século XVIII, guiados pela sabedoria de frei Geraldo, profundo conhecedor da sua história e possuidor de um admirável sentido de humor. Ficámos assim a saber melhor as vicissitudes por que o mosteiro passou, em particular após a extinção das ordens religiosas em Portugal, em 1834. Até há não muito tempo era ainda o local onde a Orquestra Nacional do Porto dava os seus concertos, e hoje em dia, além de abrigar os monges Beneditinos, alberga ainda o Arquivo Distrital do Porto. Pelo caminho, foi tribunal militar, casa de reclusão e quartel, destinos inesperados para um dos mais importantes edifícios religiosos da cidade.




Internet

Mosteiro de S. Bento da Vitória
Porto Turismo / A vida de São Bento

23/07/2006

Concertos #43

O compositor húngaro György Ligeti (1923-2006), de quem se falou aqui recentemente aquando do seu falecimento, foi particular e tragicamente afectado pelas perseguições das autoridades nazis, tendo mesmo sido internado num campo de trabalhos forçados entre 1944 e 1945. Por essa altura perdeu pai e irmão, mortos em Auschwitz. Não perdeu, contudo, o ânimo para continuar a estudar música e, uma vez libertado, regressou aos estudos com Ferenc Farkas (1905-2000), na Academia Franz Liszt, em Budapeste. Depois de um período de cerca de um ano em que se dedicou a investigar a música folclórica romena, Ligeti regressou à Academia de Budapeste, desta vez como professor (de harmonia, contraponto e análise formal), cargo que desempenhou até 1956. Nessa altura chegou a revolução e... partiu Ligeti, rumo a Viena.

Foi tempo para conhecer alguns dos mais conceituados compositores vanguardistas, como Karlheinz Stockhausen (1928-) e para começar a escrever obras mais progressistas, algo que até então lhe tinha sido vedado pelo regime comunista húngaro. São dessa época algumas das suas obras mais representativas: Artikulation (1958), uma das suas primeiras peças electrónicas, Apparitions (1958-59), Atmosphères (1961) e o Requiem, de 1965, ano em que se estreou com grande sucesso em Estocolmo.

Ramifications, que vai abrir o concerto da
Northern Sinfonia esta tarde na Casa da Música, foi uma obra escrita por Ligeti entre 1968 e 1969, havendo em versão para orquestra de cordas (estreada no dia 23 de Abril de 1969) e para doze cordas solistas (versão estreada a 1 de Outubro de 1969). O concerto prosseguirá com a Sinfonia Nº4 de Robert Schumann (1810-1856), e a 2ª parte será preenchida com o Concerto para Violino e Orquestra de Johannes Brahms (1833-1897).


György Ligeti
Ramifications.
Robert Schumann
Sinfonia Nº4, Op.120.
Johannes Brahms
Concerto para Violino e Orquestra, Op.77.
Thomas Zehetmair (violino)
Northern Sinfonia
Thomas Zehetmair


Internet

György Ligeti
Biography / Ramifications / Wikipedia / Classical Music Pages