15/08/2006

CDs #91: Brahms, Piano Concerto No.1, Schnabel, LPO, Szell

"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és"...


Artur Schnabel

O pianista austríaco, naturalizado norte-americano, Artur Schnabel (1882-1951) tocou com, e vou referir apenas alguns, Pablo Casals, Carl Flesch, Pierre Fournier
, Paul Hindemith (músicos), Serge Koussevitsky, Malcolm Sargent, Bruno Walter, George Szell e Adrian Boult (maestros).


Koussevitsky, Sargent, Walter, Szell, Boult

Schnabel foi um grande pianista, especialmente grande em Mozart, Beethoven e Schubert. As suas interpretações de Johannes Brahms (1833-1897), que ele conheceu pessoalmente e de quem foi amigo, não são tão conhecidas, apesar de ter tocado inúmeras vezes os seus Concertos para Piano.

Uma dessas vezes foi em Janeiro de 1938, quando gravou o Concerto para Piano Nº1, com a Orquestra Filarmónica de Londres
dirigida por George Szell. Para ser mais correcto, foram duas vezes, porque no final desse ano tiveram que voltar aos famosos estúdios de Abbey Road, em Londres, para dar uns "jeitos" nos primeiro e último andamentos... Na altura as gravações foram efectuadas para a HMV, estando agora (há já algum tempo...) disponíveis na Naxos.

Schnabel dedicou igualmente uma boa parte da sua vida ao ensino, tendo tido como alunos, por exemplo, Clifford Curzon
, Rudolf Firkusny e Leon Fleisher. Passam hoje 55 anos sobre a data do falecimento de Artur Schnabel, a 15 de Agosto de 1951.



Johannes Brahms
Piano Concerto No1. in D minor, Op.15. (1938)
Intermezzo in E flat major, Op.117 No.1. (1947)
Intermezzo in A minor, Op.116 No.2. (1947)
Rhapsody in G minor, Op.79 No.2. (1947)
Artur Schanbel (piano)
London Philharmonic Orchestra
George Szell
Naxos Historical 8.110664


Internet

http://ludwig0van0beethoven.tripod.com/schnabel.html
http://www.jeffreychappell.com/kb_schnabel.htm
http://www.abbeyroad.co.uk/

14/08/2006

CDs #90: George Prêtre, Poulenc

Quando neste postal de Janeiro do ano passado por aqui se falou do compositor francês Maurice Duruflé (1902-1986), mencionou-se o facto de ter sido professor no Conservatório de Paris. Pois um dos alunos de Duruflé foi o maestro francês Georges Prêtre, nascido em Waziers82 anos.


Georges Prêtre

Prêtre dedicou-se especialmente à ópera, e destacou-se ainda nas interpretações das obras do seu compatriota Francis Poulenc (1899-1963).


Maurice Duruflé, Francis Poulenc

O disco hoje trazido é totalmente preenchido com obras de Poulenc: Les Biches, música para um bailado que teve a sua estreia no dia 6 de Janeiro de 1924; Aubade, igualmente escrita para bailado e estreada a 21 de Janeiro de 1930; e, finalmente, Les Animaux modèles, ainda para um bailado, e estreada na Ópera de Paris no dia 8 de Agosto de 1942. O maestro é, naturalmente, Georges Prêtre, que dirige a Orquestra Filarmonia
e a Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire.



Francis Poulenc
Les Biches, FP36. Pastourelle, FP45. Aubade, FP51. Les Animaux modèles, FP111.
Gabriel Tacchino (piano)
Ambrosian Singers
Philharmonia Orchestra
Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire
Georges Prêtre
EMI Great Artists of the Century 5 62958-2
(gravações: 1980 - Les Biches, Pastourelle; & 1965)


Internet

http://www.byu.edu/music/areas/keyboard/Organ/composers/durufle.html
http://www.geocities.com/Vienna/2820/duru.html
http://www.musica.gulbenkian.pt/?cgi-bin/wnp_db_dynamic_record.pl?dn=db_musica_biographies_pt&sn=musica&orn=409
http://www.opera.it/Operaweb/en/riferimenti/protagonisti/direttori/pretre/scheda.html
http://www.classical.net/music/comp.lst/poulenc.html

13/08/2006

Compositores #68: Jules Massenet (1842-1912)

Antoine-François Prévost d'Exiles (1697-1763), mais conhecido por Abbé Prévost, teve uma vida deveras atribulada, de vocações intermitentes, sacerdócios interrompidos, e uma obra literária por vezes arrebatadora.


Abbé Prévost

O tomo VII das suas Mémoires et Aventures d'un Homme de Qualité qui s'est retiré du Monde, de seu nome L'Histoire du Chevalier des Grieux et de Manon Lescault, deu origem a várias óperas: Manon Lescault (1856) de Daniel Auber (1782-1871), Manon Lescault (1893), de Giacomo Puccini (1858-1924), e Manon (1884), de Jules Massenet, compositor falecido há 94 anos.


Jules Massenet

Manon elevou Massenet para o primeiro plano dos compositores operáticos franceses, posição consolidada posteriormente com as óperas Werther (1892) e Thaïs (1894). Massenet compôs ainda músicas intrumentais, vocais e corais, mas não foi daí que a sua fama veio...


CDs



Jules Massenet
Manon.
A. Gheorghiu, R. Alagna, E. Patriarco, J. van Dam, G. Ragon,
N. Rivenq, A. M. Panzarella, S. Koch, S. Schimmack
Orchestre Symphonique et Choeurs de la Monnaie
Antonio Pappano
EMI 5 57005-2
(1999)

Jules Massenet
Thaïs.
R. Fleming, T. Hampson, D. Grousset, S. Palatchi, E. Shkosa,
M. Devellereau, G. Sabbatini, E. Vidal
Bordeaux Opera Chorus
Bordeaux-Aquitaine National Orchestra
Yves Abel
Decca 466 766-2
(2000)

Jules Massenet
Werther.
J. Baker, J. Roberts, J. Brecknock, P. Wheatley,
H. Blackburn, J. Tomlinson, T. Jenkins
English National Opera Chorus & Orchestra
Charles Mackerras
Chandos CHAN3033
(1977)


Internet

http://en.wikipedia.org/wiki/Abbé_Prévost
http://www.alalettre.com/prevost-manon.htm
http://www.jules-massenet.com/
http://www.morrisonfoundation.org/Massenet_Main_Page.html
http://www.azopera.com/learn/composer/massenet/index.shtml

09/08/2006

Lugares #140

Nos próximos 7 dias as coordenadas do desNorte serão (mais coisa menos coisa...)

Latitude 47º48' Norte
Longitude 13º20' Este

Período durante o qual entrará em serviços mínimos.

Blogues #11

Parabéns (embora um pouco atrasados...) ao Verão Verde, pelo 1º aniversário.

08/08/2006

Obras Orquestrais #10: Abertura 1812, Op. 49, de Tchaikovsky

Em 1874, o compositor russo Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) escreveu o seu Primeiro Concerto para Piano, cuja partitura pôs à consideração de Nikolai Rubinstein (1835-1881), com as consequências que são conhecidas (ver história detalhada aqui). O concerto acabaria por ser estreado por Hans von Bulöw (1830-1894), em Boston, no dia 25 de Outubro de 1875 e, algum tempo depois, Rubinstein reconsideraria a sua posição e viria mesmo a tornar-se num dos seus melhores intérpretes. Tocou-o em Paris em 1878, por exemplo, aquando dos Concertos Russos organizados no âmbito da Exposição Universal.

As coisas ter-se-ão composto entre os dois e, nos inícios da década de 1880, Rubinstein encomendou a Tchaikovsky uma obra destinada a uma de 3 ocasiões a escolher pelo compositor: a inauguração da Exposição Industrial e Artística, o 25º aniversário do reinado do czar Alexandre II (1818-1881) ou a consagração da Catedral de São Salvador, em Moscovo. Apesar de pouco convencido, Tchaikovsky decidiu-se pela exposição e, em carta enviada à sua protectora, Nadezhda von Meck (1831-1894), interrogou-se sobre o que tal obra poderia conter "para além de ruidosos lugares-comuns"...

Pois os lugares-comuns estão lá, desde logo com a citação de partes dos hinos russo e francês, e passando pela utilização de canhões e sinos, numa peça que, apesar de longe de se poder considerar sofisticada, não deixa de exibir as qualidades de orquestração de Tchaikovsky. A estreia teve lugar no dia 8 de Agosto de 1882, com o maestro Ippolit Altani (1859-1993) à frente da orquestra.


CDs



Tchaikovsky
1812 Overture, Op.49. Marche Slave, Op.31. Romeo and Juliet Overture.
Francesca da Rimini, Op.32. Eugene Onegin - Tatyana's Letter Scene.
Eilene Hannan (soprano)
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Sian Edwards
Classics for Pleasure 5 75667-2

Tchaikovsky
Capriccio Italien, Op.45. Marche Slave, Op.31. 1812 Overture, Op.49.
String Quartet No.1, Op.11 (arr. Serebrier). Fate, Op.77.
Bamberg Symphony Orchestra
José Serebrier
BIS CD-1283


Internet

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Tchaikovsky / Classical.net

07/08/2006

Lugares #139

A página na internet da Câmara Municipal da Golegã, em relação ao Atelier Fotográfico de Carlos Relvas (Casa Estúdio), diz-nos o seguinte:

"Em 2002 iniciou-se a restauração e reabilitação do imóvel, tendo-lhe sido devolvidas a sua dignidade e traça original em finais de 2003, processo ao longo do qual foram respeitados os conceitos de ética de intervenção, face ao valor patrimonial e cultural em presença."

Para depois, justificadamente, se gabar de que

"Assim, o IPPAR e a Câmara Municipal da Golegã, a que se juntou agora o IPM, devolveram à fruição colectiva um dos edifícios mais relevantes do património nacional, com repercussão internacional. A Câmara Municipal através de recente candidatura ao POC inicia, agora, um programa de valorização, reutilização e animação da Casa-Estúdio."



Desconhecemos o que é que os inquilinos do edifício camarário entendem por fruição colectiva, e se tal será compatível com o facto de,
um ano depois, continuarem a manter a casa-estúdio de Carlos Relvas (1838-1894) religiosamente fechada. No ano passado, fomos informados de que abriria antes do final da Primavera; este ano, nem nos demos ao trabalho de telefonar. O resultado foi o mesmo, voltamos a dar com o nariz na porta, mas sempre poupámos na conta do telefone...



E assim, em relação ao texto aqui publicado em Setembro do ano passado, nada mudou, apenas as fotografias, apesar de parecerem iguais, são um ano mais novas. E mantém-se também a nossa teimosia: para o ano havemos de lá voltar, mantendo a esperança de que os autarcas passem a zelar melhor pela famosa fruição colectiva. Podiam começar por ganhar alguma vergonha, sempre ajudava.


P. S.

Já depois do passeio, contactámos a Câmara Municipal da Golegã, utilizando o meio que disponibilizam nas suas páginas na internet. Uma semana depois continuamos à espera da resposta a uma pergunta tão básica quanto esta: "Quando prevêem abrir ao público a Casa-Estúdio de Carlos Relvas?"

05/08/2006

Compositores #67: George Butterworth (1885-1916)

Voltamos hoje aos compositores menos conhecidos, desta vez para, no 90º aniversário da sua trágica morte, falarmos do inglês George Butterworth. Que, aquando das primeiras escaramuças da 1ª Guerra Mundial decidiu alistar-se, vindo a ser morto por um atirador furtivo cerca de 2 anos depois, no dia 5 de Agosto de 1916.

Butterworth foi um bravo combatente, tendo sido postumamente distinguido com a Cruz Militar o que, entre outras coisas, faz com que encontremos a sua biografia quer em livros sobre música quer em livros sobre assuntos militares, em particular naqueles que se debruçam sobre a 1ª Grande Guerra.

Quando aqui trouxemos o igualmente compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958), primeiro a propósito de um CD com a sua 4ª Sinfonia
, depois na passagem dos 63 anos sobre a estreia da Sinfonia Nº5, referimos o facto de ele ter estado também envolvido nas operações da 1ª Guerra Mundial, e de a 5ª Sinfonia reflectir os tempos que se viviam, ou não tivesse sido escrita em pleno desenrolar do conflito mundial que se seguiu. Pois Butterworth e Vaughan Williams foram grandes amigos, tendo efectuado em conjunto diversas recolhas de música folclórica. Haverá certamente no futuro outras oportunidades para exemplificar o quão importante e frutuosa foi a colaboração entre ambos.

Butterworth não deixou muitas obras: nunca foi um compositor prolífico, morreu muito jovem e, além disso, destruiu uma boa parte das partituras antes de ir para a guerra, por "não as achar merecedores de lhe sobreviverem". Sobraram algumas obras orquestrais, como Two English Idylls, de 1911, A Shropshire Lad, de 1912, e The Banks of Green Willow, de 1913, e 3 ciclos de canções, dois dos quais musicando poemas de Alfred Edward Housman (1859-1936).


CDs



George Butterworth
The Banks of Green Willow.
Ralph Vaughan Williams
A London Symphony.
London Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN9902
(2000)

The Barbirolli English Music Album
George Butterworth

A Shropshire Lad.
+ obras de Bax, Ireland, Vaughan Williams, Elgar, Purcell.
Hallé Choir
Hallé Orchestra
John Barbirolli
Dutton Laboratories CDSJB1022


Internet

George Butterworth
FirstWorldWar.com
/ Wikipedia / Catalogue of Songs

03/08/2006

Sopranos #11: Elisabeth Schwarzkopf (1915-2006)

Depois de Renata Tebaldi (1922-2004) e de Victoria de los Angeles (1923-2005), fomos agora surpreendidos com o falecimento de mais um grande soprano, a alemã Elisabeth Schwarzkopf.

Schwarzkopf, senhora de um extenso conhecimento musical, preparava cuidadosamente as suas interpretações, dando atenção aos mais pequenos detalhes; por vezes chegava a ensaiar uma única frase horas a fio, até ficar convencida do resultado. Presa por ter cão e presa por não ter, não se livraria de ser acusada por alguns de maneirismo e de demasiado estudada, o que é mais ou menos a mesma coisa e nos permite mais facilmente discordar de ambas...

Depois de ter estudado na Berliner Musikhochschule
, estreou-se em Berlim em Abril de 1938, na ópera Parsifal de Richard Wagner (1813-1883). Foi por essa altura que mostrou simpatias pelo partido nazi, o que lhe valeu mais tarde uma espera de vários anos, coisa aí para 9, até se poder estrear no Met de Nova Iorque. Há simpatias que não são de ter...

Ao longo da carreira cantou, entre outros, Handel (1685-1759), Schubert (1797-1828), Verdi (1813-1901), Wagner, Orff (1895-1982), e também Mozart (1756-1791), Strauss (1864-1949) e Wolf (1860-1903), e foi precisamente nestes 3 últimos que mais brilhou. O seu último papel operático foi o de Marschallin, na ópera Der Rosenkavalier, de Richard Strauss, que cantou pela última vez no dia 31 de Dezembro de 1971. Dedicou-se então em exclusivo a recitais de lieder, retirando-se definitivamente em Março de 1979.


Internet

Elisabeth Schwarzkopf
Wikipedia
/ Bach Cantatas / Opera Italiana

01/08/2006

Pianistas #15: Sviatoslav Richter (1915-1997)

Há um ano atrás, para assinalar a passagem dos 8 anos sobre o falecimento do pianista ucraniano Sviatoslav Richter, escrevemos aqui que ele não tinha grande apreço pelas gravações. Do livro "Sviatoslav Richter - Notebooks and Conversations", do cineasta Bruno Monsaingeon, retiramos este pedaço delicioso, em que um outro grande pianista, o canadiano Glenn Gould (1932-1982), se refere de uma forma assaz curiosa às gravações de Richter:

"(...) For a whole month", diz-nos Bruno Monsaingeon, "I had effectively been living in another world. Glenn Gould and I were about to complete the editing of our film on the Goldberg Variations in an underground studio somewhere outside Toronto. (...) When the editing process was finished, we spent a whole night watching the film, but this time as spectators. Suddenly, in the middle of the night, Glenn turned to me: 'You know Richter. Are you in touch with him?'

'Er...'

'A musician like him, such a tremendous pianist amd he doesn't know how to make a recording. He has no recording philosophy and allows records to be released that are a betrayal of his abilities and in no way represent him. He really must learn the specific art of recording. I'd like to make a recording with him in which I'd be his producer.'

'Glenn, are you serious?'

'I'm damn serious. He could play whatever repertory he liked , even Rachmaninov, on my own piano if he wanted. Put it to him.'

Three weeks later at the Fêtes Musicales de Touraine, I raised the matter with Richter, first of all explaining that I had just finished a film about the Goldberg Variations with Glenn Gould.

'Did he play the repeats?'

'Yes, the first repeats in the canonic variations.'

'What! Not all of them? But I spoke to him about it in Moscow in 1957, after his concert. Such a musician, such a tremendous pianist... The work is too complicated; without the repeats no one can follow it. And in any case, that's how it's written.'

'But, Maestro, that's not what's at issue. Don't you think his proposal is worth considering?'

'Where and when?'

'In America, of course.'

'I never go to America.' He then reflected for a moment, before adding: 'Tell Glenn Gould that I accept, but on condition that he agrees to give a recital at my festival in Tours.'

He said this with a smile in his voice, knowing perfectly well that Gould refused to perform in public. And that was the end of the matter."


Sviatoslav Richter faleceu há 9 anos, no dia 1 de Agosto de 1997.


Internet

Svistoslav Richter
Wikipedia / bbc.co.uk / In memoriam / The 'Enigma' of Sviatoslav Richter