17/11/2009

Maestros #47: Charles Mackerras (1925-)

A Ópera de Sydney nasceu de parto difícil, com uma longa e complicada história desde as primeiras ideias para a sua construção, no final da década de 1940, passando pelo concurso público e a escolha do projecto do arquitecto dinamarquês Jørn Utzon (1918-2008), em 1957, e a finalização da sua construção, em 1973.

Para o concerto de inauguração, no dia 29 de Setembro de 1973, foi convidado o maestro australiano Charles Mackerras, que já por aqui rondou em aparições anteriores, nomeadamente no dia em que celebrou o seu 81º aniversario. Hoje, 3 anos depois, e numa feliz coincidência, Mackerras volta a fazer anos (!!!), o que me dá uma óptima desculpa para o convidar de novo para estas páginas, no sentido de apresentar uma lista de discos (recomendáveis) um bocado menos incompleta. Não completa, claro, ou seria maior do que as (antigas) listas telefónicas.

Charles Mackerras celebra hoje o seu 84º aniversário.


CDs









Leos Janácek
Jenufa.
Elisabeth Söderström, Lucia Popp (sopranos), Wieslaw Ochman, Petr
Dvorsky (tenores), Eva Randová (meio-soprano), Marie Mrazová (contralto),
Václav Zitek (barítono), Dalibor Jedlicka (baixo)
Vienna State Opera Chorus
Vienna Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Decca 414 483-2
(1982)

Benjamin Britten
Gloriana.
J. Barstow, Y. Kenny, J. Watson (sopranos), P. Langridge, J. M.
Ainsley (tenores), D. Jones (meio-soprano), J. Williams,
D. Gill (vocais), J. Summers (barítono), B. Terfel (baixo-barítono),
W. White (baixo)
Chorus of the Welsh National Opera
Orchestra of the Welsh National Opera
Charles Mackerras
Argo 440213 -2

Franz Schubert
Symphony No.10 in D, D936 (realized Newbould). Symphonic
fragments - in D, D615; in D, D708 (orch. Newbould).
Scottish Chamber Orchestra
Charles Mackerras
Hyperion CDA67000
(1997)

Antonín Dvorák
Rusalka, Op.114/B203.
Renée Fleming, Eva Urbanová, Zdena Kloubová, Lívia Aghová,
Hannah Minutillo (sopranos), Ben Heppner,
Ivan Kusnjer (tenores), Franz Hawlata (barítono), Dana
Buresová, DoloraZajick (meios-sopranos)
Kuhn Mixed Choir
Czech Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Decca 460 568-2
(1998)

Josef Suk
A Summer's Tale, Op.29. Fantastic Scherzo, Op.25.
Czech Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Decca 466 443-2
(1997)

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.20 in D minor, K466; No.24 in C minor, K491.
Alfred Brendel (piano)
Scottish Chamber Orchestra
Charles Mackerras
Philips 462 622-2
(1998)

Leos Janácek
Osud.
Helen Field, Kathryn Harries (sopranos), Philip Langridge,
Peter Bronder, Stuart Kale (tenores)
Welsh National Opera Chorus
Welsh National Opera Orchestra
Charles Mackerras
Chandos CHAN3029
(1989)

Johannes Brahms
Serenades - No.1 in D major, Op.11 (1857-8);
No.2 in A major, Op.16 (1858-9, rev. 1875).
Scottish Chamber Orchestra
Charles Mackerras
Telarc CD80522
(1998)

Jules Massenet
Werther.
Janet Baker (meio-soprano), Joy Roberts (soprano), John Brecknock,
Terry Jenkins (tenores), Patrick Wheatley (barítono), Harold Blackburn,
John Tomlinson (baixos)
English National Opera Chorus
English National Opera Orchestra
Charles Mackerras
Chandos CHAN3033
(1977)

Leos Janácek
Sarka.
Eva Urbanová (soprano), Peter Straka, Jaroslav Brezina (tenores),
Iván Kusnjer (barítono)
Prague Philharmonic Chorus
Czech Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Supraphon SU3485-2
(2000)

Gaetano Donizetti
Roberto Devereux.
Beverly Sills (soprano), Robert Ilosfalvy, Kenenth MacDonald (tenores),
Peter Glossop (barítono), Beverly Wolff (meio-sorpano), Don Garrard,
Gwynne Howell, Richard van Allan (baixos)
Ambrosian Opera Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Deutsche Grammophon Westminster Legacy 471 224-2
(1969)

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.9 in E flat, 'Jeunehomme', K271; No.25 in C, K503.
Alfred Brendel (piano)
Scottish Chamber Orchestra
Charles Mackerras
Philips 470 287-2
(2001)

Wolfgang Amadeus Mozart
Idomeneo.
Ian Bostridge, A. Rolfe Johnson, P. Charles Clarke (tenores), L. Hunt
Lieberson (meio-soprano), Lisa Milne, Barbara Frittoli (sopranos),
John Relyea (baixo)
Edinburgh Festival Chorus
Scottish Chamber Orchestra
Charles Mackerras
EMI CDS5 57260-2
(2001)

Georg Friedrich Händel
Berenice, HWV38 - Overture (arr. Whittaker). Concerto a due cori
in F, HWV333 (arr. Mackerras). Concertos - in D, HWV335a.
Wind Ensemble
London Symphony Orchestra
Pro Arte Orchestra
Charles Mackerras
Testament SBT1253
(1956, 1959, 1976)

Frederick Delius
Paris - Song of a Great City. Double Concerto. Cello Concerto.
Tasmin Little (violino), Raphael Wallfisch (violoncelo)
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Classics for Pleasure 575803-2
(1991)

Leos Janácek
Sinfonietta. The Cunning Little Vixen - Suite. Taras Bulba.
Jealousy. Sárka - Overture. Kát'a Kabanová - Prelude. Schluk und Jau.
Czech Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Supraphon SU3739-2

Giuseppe Verdi
Alzira - Overture. Nabucco - Overture. La forza del destino - Overture.
The Lady and the Fool (arr. Mackerras).
Philharmonia Orchestra
Charles Mackerras
Testament SBT1326
(1956-58)

Leos Janácek
Jenufa.
J. Watson, J. Barstow, R. Hay, C. Hampton (sopranos), N. Robson,
P. Wedd (tenores), C. Ellet, M. McCullough (meios-sopranos),
E. Vaughan (contralto), N. Davies (barítono), A. Fairs (baixo)
Welsh National Opera Chorus
Welsh National Opera Orchestra
Charles Mackerras
Chandos CHAN3106
(2003)

Antonín Dvorák
Symphony No.6 in D, B112. The Golden Spinning-Wheel, B197.
Czech Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Supraphon SU3771-2

Wolfgang Amadeus Mozart
The Magic Flute.
Rebecca Evans, Elizabeth Vidal, Lesley Garrett, Majella Cullagh (sopranos),
Barry Banks, John Graham-Hall (tenores), Simon Keenlyside (barítono),
John Tomlinson, Christopher Purves (baixos)
Geoffrey Mitchell Choir
London Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Chandos CHAN3121
(2004)

Béla Bartók
Divertimento. Music for Strings, Percussion and Celesta.
Zoltan Kodály
Dances from Galánta.
Scottish Chamber Orchestra
Charles Mackerras
Linn Records CKD234
(2004)


Internet



Charles Mackerras
Bach Cantatas Website / Classics Today / The Guardian / Naxos / Linn Records / Classical Archives / Answers.com / Wikipedia

13/11/2009

CDs #216: Argenta, Zarzuela and Spanish Orchestral Music

Caso pouco usual, senão único, a Zarzuela deve o seu nome ao local que a viu nascer, o Teatro do Palácio Real da Zarzuela de Madrid. A Zarzuela é uma representação dramática e musical onde alternam o canto e a declamação, e reza a história que a primeira foi El jardín de Falerina, do dramaturgo madrileno Pedro Calderón de la Barca (1600-1681), decorria o ano de 1648. Como é normal nestas coisas, quando ela apareceu ninguém lhe chamou zarzuela, mas cerca de 10 anos mais tarde, perante a multiplicação de obras do género, alguém se lembrou de atribuir um nome à nova expressão musical e aplicar os devidos retroactivos...

Ataúlfo Argenta (1913-1958) juntou-se à Orquestra Nacional Espanhola em Janeiro de 1947, de que passou a ser maestro principal a partir de Novembro de 1948. No desempenho dessas funções efectuou para cima de 50 gravações de zarzuelas, na altura para a editora Alhambra, o braço espanhol da Columbia Records.

Já este ano, a editora Medici Masters lançou um disco com gravações de Argenta a dirigir a Gran Orquesta Sinfónica e a Orquesta Nacional de España, efectuadas em Madrid entre 1953 e 1956 (e lá andamos nós de novo à volta da década de 1950...). A par dos consagrados, como Enrique Granados (1867-1916), Isaac Albéniz (1860-1909) e Joaquín Turina (1882-1949), encontramos compositores mais ligados à zarzuela, como Ruperto Chapí (1851-1909), Federico Chueca (1846-1908) ou Pablo Luna (1879-1942). Um disco extraordinário...

Ataúlfo Argenta nasceu há 96 anos, no dia 19 de Novembro de 1913.




Argenta
Zarzuela and Spanish Orchestral Music
Ruperto Chapí
La revoltosa - Preludio.
Reveriano Soutullo
La leyenda del beso - Preludio.
Federico Chueca
La Gran Vía - Introducción.
Pablo Luna
El niño judío - Preludio.
Tomás Bretón
En la Alhambra - Serenata. Bolero de concierto.
Jesús Guridí
Diez melodías vascas.
Enrique Granados
Goyescas - Intermezzo.
Isaac Albéniz
Navarra.
Joaquín Turina
La procesíon del Rocío. La oración del torero.
Gran Orquesta Sinfónica
Orquesta Nacional de España
Ataúlfo Argenta
Medici Masters MM034-2


Internet



Pedro Calderón de la Barca
Zarzuela.net / Biography / TheatreHistory.com / Wikipedia

Ataúlfo Argenta
Pagina oficial / Classical Archives / BBC / Answers.com / Wikipedia

09/11/2009

CDs #215: Haydn Italian Arias, Thomas Quasthoff

O compositor austríaco Joseph Haydn (1732-1809) tem passado por aqui bastantes vezes, uma das quais, em Maio último, aquando da celebração do 2º centenário do seu falecimento. Também foi nosso convidado a propósito de vários discos que fomos ouvindo nos últimos tempos, nomeadamente com interpretações de algumas das suas missas e oratórios. E isto leva-nos ao tema de hoje em que, estimulados por um outro disco recentemente editado, olhamos para uma faceta menos conhecida de Haydn, a operática.

Haydn foi um dos últimos grandes compositores a ser beneficiado pelo patrocínio de famílias nobres; no seu caso, esteve perto de 30 anos ao serviço da corte da família Esterházy, tendo começado em Maio de 1761 como vice mestre de capela e, pela morte do anterior titular, passado a mestre de capela em 1766. A partir de 1775 o príncipe Nikolaus Esterházy (1714-1790), que ficou para a história, entre outras coisas menos dignificantes, por ser um grande amante da lírica, começou a organizar temporadas de ópera, tendo o trabalho de leão ficado inevitavelmente para Haydn. Começaram por ser 20 espectáculos por temporada, que rapidamente passaram para perto de 100, pelo que, durante os 15 anos em que isto durou (tudo terminaria com a morte do príncipe, em 1790), Haydn teve que dirigir qualquer coisa como 1200 récitas! Algumas das óperas foram por ele escritas, muitas de outros e diversos compositores, mas sempre com a intervenção de Haydn, que tinha frequentemente que as adaptar ao conjunto de músicos que tinha ao seu dispor.

Este disco do extraordinário baixo-barítono alemão Thomas Quasthoff (1959-) contém árias de 9 óperas de Haydn e, curiosamente, foi gravado 40 anos depois do barítono Dietrich Fischer-Dieskau (1925-) ter igualmente gravado um disco inteiramente preenchido com árias desse compositor.

Thomas Quasthoff celebra hoje o seu 50º aniversário.




Haydn Italian Arias
Thomas Quasthoff (baixo-barítono), Genia Kühmeier (sop),
Gottfried von der Goltz (violino)
Freiburger Barockorchester
Gottfried von der Goltz
Deutsche Grammophon 477 7469
(2008)


Internet



Joseph Haydn
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04/11/2009

CDs #214: Shostakovich, Symphony No.8

Em 1941 o compositor russo Dmitri Shostakovich (1906-1975) escreveu a Sinfonia Nº7, "Leninegrado", a primeira da trilogia das sinfonias de guerra. Estreada a 5 de Março de 1942, obteve grande sucesso, quer junto do público quer junto das autoridades, que viram nela uma ode aos bravos que defenderam Leninegrado dos invasores nazis. Não é líquido que essa seja a leitura mais correcta, tendo Shostakovich chegado a afirmar o seguinte (1): "The Seventh Symphony became my most popular work. It saddens me, however, that people don't always understand what it's about (...)".

A recepção calorosa a esta sinfonia, aliada ao facto de as autoridades andarem envolvidas no esforço de guerra, fez com que o ambiente se apresentasse um pouco desanuviado para o nosso compositor, deixando de ser, pelo menos temporariamente, o alvo dos vigilantes de serviço, Andrei Zhdanov (1896-1948) & Companhia. No Verão de 1943 iniciou a escrita da Sinfonia Nº8, a segunda da referida trilogia sobre a guerra, e que se previa que estivesse em linha com a anterior. Chegou-se-lhe mesmo a certa altura a atribuir o nome de "Estalinegrado", que, contudo, nunca viria a ostentar. Apesar do tema da guerra estar de novo bem presente durante toda a obra, reconhecido pelo próprio autor ao afirmar que "quis recriar o clima interior do ser humano ensurdecido pelo gigantesco martelo da guerra" (2), o sentimento que a atravessa, de dor e destruição, apanhou de surpresa a audiência aquando da estreia, a 4 de Novembro de 1943, passam hoje 66 anos.

E se o público não a entendeu, já as autoridades não lhe acharam graça nenhuma, e daí até à proibição da execução pública da obra foi um pequeno passo; não estavam assim tão distraídas... A Sinfonia Nº8 só viria a ser interpretada de novo após Estaline (1878-1953) ter esticado o pernil, em Março de 1953.

(1) Testimony, The Memories of Dmitri Shostakovich, by Solomon Volkov
(2) Guia da Música Sinfónica, de François-René Tranchefort





Dmitri Shostakovich
Symphony No.8 in C minor, Op.65.
London Symphony Orchestra
André Previn
EMI Classics 5 09024-2
(1973)


Internet



Dmitri Shostakovich
P. Q. P. Bach / Classical Music Pages / Dmitri Dmitriyevich Shostakovich / Naxos / Classical Music Archives / BBC / Wikipedia / The DSCH Journal

31/10/2009

Concertos para Piano #11: Concerto para Piano Nº5, de Sergei Prokofiev

O russo Sergei Prokofiev (1891-1953) compôs 5 concertos para piano, dos quais apenas um, o quarto, não foi estreado em vida do compositor. Por culpa do já nosso conhecido pianista Paul Wittgenstein (1887-1961), que começou por encomendar a obra e se recusou posteriormente a tocá-la, certamente desagradado com o rumo que ela levou. O que é certo é que Prokofiev não fez qualquer menção de a apresentar publicamente, e faleceu antes que ela tivesse sido estreada.

No mesmo ano em que se deu este incidente, 1931, Prokofiev iniciou a composição daquele que viria a ser o seu e último Concerto para Piano. Pode-se afirmar, por um lado, que teve mais sucesso do que no anterior, pois conseguiu estreá-lo ainda vivo, mas, por outro lado, a indiferença mais ou menos generalizada com que foi recebido não lhe deu grandes motivos para satisfações.

O concerto de estreia, em Berlim, no dia 31 de Outubro de 1932, passam hoje 77 anos, foi um desfile de pesos-pesados: contou com o próprio compositor ao piano, com o maestro Wilhelm Furtwängler (1886-1954) à frente da orquestra e ainda com o violista (e compositor) Paul Hindemith (1895-1963) na outra obra que fez parte do programa, Harold in Italy, de Hector Berlioz (1803-1869).


CD



Sergei Prokofiev
Piano Concertos - No.1, Op.10; No.2, Op.16; No.3, Op.26;
No.4, Op.53 (for the left hand); No.5, Op.55.
Horacio Gutiérrez, Boris Berman (pianos)
Royal Concertgebouw Orchestra
Neeme Järvi
Chandos CHAN10522X
(1989, 1990)


SACD



Maurice Ravel
Piano Concerto in G major.
Sergei Prokofiev
Piano Concerto No.5 in G major, Op.55.
Francesco Schlimé
Three Improvisations.
Francesco Tristano Schlimé (piano)
Russian National Orchestra
Mikhail Pletnev
Pentatone PTC5186 080


Internet



Sergei Prokofiev
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28/10/2009

Obras Orquestrais #21: Eine Alpensinfonie, de Richard Strauss

Nos últimos 15 anos do século XIX o compositor alemão Richard Strauss (1864-1949) compôs um importante conjunto de poemas sinfónicos, um género a que Franz Liszt (1811-1886) já tinha dado uma particular atenção, mas que Strauss ajudou imenso a popularizar. A entrada no século XX, contudo, marcou o início da fase operática deste compositor que, num espaço de tempo relativamente curto, produziu 3 importantes óperas: Salome, estreada em Dezembro de 1905, Elektra, com libreto de Hugo von Hofmannsthal (1874-1929) e estreada em Janeiro de 1909; e Der Rosenkavalier, estreada 2 anos depois.

O aproximar da 1ª Guerra Mundial terá contribuído para um decréscimo da procura de novas óperas, pelo que Strauss regressou às obras sinfónicas, mais de uma dezena de anos depois da sua última incursão nessa área. Mas, verdade seja dita, foi um regresso aos soluços; é que Strauss começou a compôr a Sinfonia Alpina em 1911, para logo depois a abandonar para dedicar-se a outras obras (as óperas Ariadne auf Naxos e Die Frau ohne Schatten, e o bailado Josephs Legende). Regressaria à sinfonia apenas em 1915, tendo-a terminado nos inícios de Fevereiro desse ano.

Relata, musicalmente, uma jornada de um dia nos Alpes bávaros, com a subida e a descida de uma montanha, caminhada que ele próprio tinha efectuado ainda jovem. Apesar de tal não ter ficado assim tão evidente na versão final da sinfonia, Strauss inspirou-se de novo no pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), no ideal da procura de atingir os objectivos através do esforço pessoal e não com base na fé religiosa. Está visto que Strauss não tinha ficado escaldado com os mal-entendidos anteriores...

A Sinfonia Alpina foi estreada há 94 anos, no dia 28 de Outubro de 1915, com o próprio compositor a dirigir a orquestra.


CDs




Richard Strauss
Don Juan, Op.20. Ein Alpensinfonie, Op.64.
San Francisco Symphony Orchestra
Herbert Blomstedt
Decca Ovation 466 423-2

Richard Strauss
Eine Alpensinfonie, Op.64. Der Rosenkavalier - Suite for Orchestra.
Vienna Philharmonic Orchestra
Christian Thielemann
Deutsche Grammophon 469 519-2

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra, Op.30. Don Juan, Op.20. Eine
Alpensinfonie, Op.64. Till Eulenspiegels lustige
Streiche, Op.28. Vier letzte Lieder.
Anna Tomowa-Sintow (soprano)
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 474 281-2

Richard Strauss
Eine Alpensinfonie, Op.64.
Gustav Mahler Jugendorchester
Franz Welser-Most
EMI 3 34569-2
(2005)

Richard Strauss
Eine Alpensinfonie, Op.64.
Weimar Staatskapelle
Antoni Wit
Naxos 8.557811
(2005)

Richard Strauss
Eine Alpensinfonie, Op.64.
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink
Philips 416 156-2
(1985)


Internet



Richard Strauss
Richard Strauss online / Opera Glass / Classical Music Pages / Classical Music Archives / Boosey & Hawkes / Classical Net / Naxos / The Works of Richard Strauss / Wikipedia

24/10/2009

Concertos #76

Não íamos à Casa da Música desde Março deste ano, aquando da apresentação do violoncelista brasileiro António Meneses (1957-).

Hoje voltámos lá, não para assistir a qualquer concerto, mas para devolver os bilhetes e receber os euros de volta. É que já é a segunda vez que, por motivos de saúde, o grande barítono alemão Matthias Goerne (1967-) cancela a sua vinda ao Porto. A primeira vez que tal aconteceu foi em Janeiro do ano passado; na altura engolimos o sapo e, pese o desapontamento, lá fomos assistir ao concerto, com o barítono Stephan Lodges no lugar de Goerne. Desta vez nem quisemos saber quem era o substituto.

É que se a Casa da Música não tem culpa dos (cada vez mais) frequentes problemas de saúde de Matthias Goerne (faringites), contribuiu decisivamente, com a degradação acentuada da programação verificada nos últimos anos, para que as nossas visitas se tornassem muito mais espaçadas no tempo.


22/10/2009

CDs #213: Liszt, Symphonic Poems, Vol.3

Em 1849 o compositor Franz Liszt (1811-1886) esteve envolvido na organização do Festival Goethe, em Weimar, para celebrar o centenário do nascimento de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). O escritor alemão nasceu em Frankfurt, mas viria a falecer em Março de 1832 em Weimar, cidade para onde se tinha mudado em 1775. No ano seguinte seria a vez do pensador, igualmente alemão, Johann Gottfried Herder (1744-1803), mudar-se para essa cidade, nomeado pastor-chefe do clero luterano pelo grão-duque Karl August (1757-1828), graças a uma cunha de... Goethe, com quem tinha travado pela primeira vez conhecimento no início da década de 1770.

Em Agosto de 1850, na passagem do 106º aniversário do nascimento de Herder, a cidade de Weimar inaugurou uma estátua para mostrar o apreço que por ele nutria. Mais uma vez Liszt achou por bem não ficar de fora e, inspirado em Der entfesselte Prometheus compôs uma obra para coro e orquestra, cuja abertura viria a ser a base para o poema sinfónico Prometheus.

Liszt viveu em Weimar entre 1848 e 1861, e esse foi o período mais prolífico da sua vida, tendo composto, nomeadamente, 12 poemas sinfónicos, termo que ele cunhou para designar obras orquestrais "programáticas" de um só movimento, inspiradas noutras formas artísticas como a literatura ou a pintura. Este disco contém ainda outros 3 poemas sinfónicos: Mazeppa, inspirado numa obra de Victor Hugo (1802-1885) e estreado no dia 16 de Abril de 1854; Festklänge, estreado também em Weimar no dia 9 de Novembro de 1854; e Héroïde funèbre, inspirado na turbulência política que a Europa atravessou entre 1849 e 1850, e estreado no dia 10 de Novembro de 1857.

Franz Liszt nasceu há 198 anos, no dia 22 de Outubro de 1811.




Franz Liszt
Symphonic Poems, Vol.3.
Mazeppa, S100. Héroïde funèbre, S102.
Prometheus, S99. Festklänge, S101.
BBC Philharmonic Orchestra
Gianandrea Noseda
Chandos CHAN10417
(2006)


Internet



Franz Liszt
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19/10/2009

Compositores #101: Geirr Tveitt (1908-1981)

Voltamos à Noruega, depois da incursão que lá fizemos há algum tempo a propósito de um concerto a que assistimos na Casa da Música, com o violoncelista Truls Mørk (1961-) e o pianista Håvard Gimse (1966-). Fazê-mo-lo para assinalar a pssagem de mais um aniversário do nascimento do compositor Geirr Tveitt, um dos mais marcantes do seu país, principalmente durante a primeira metade do século XX, mas também um dos mais polémicos.

Ao contrário de vários outros que por aqui já passaram, Tveitt não começou tão cedo quanto isso a dedicar-se à música, e já tinha 20 anos quando foi para Leipzig para estudar composição e piano. Passaria depois algum tempo em Paris, nos anos 30, onde teve como professores alguns já nossos velhos conhecidos: Nadia Boulanger (1887-1979), pois claro, e ainda Arthur Honegger (1892-1955) e Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Não demoraria muito para que Tveitt fosse o principal rosto da música contemporânea norueguesa, além de ter uma bem sucedida carreira como pianista. Deu sempre uma relevância particular ao tom nacionalista, fazendo uso frequente das inúmeras melodias populares norueguesas que foi recolhendo ao longo da vida.

O cenário mudou após o final da 2ª Grande Guerra, e a música de Tveitt saiu de moda, havendo uma desconfiança generalizada em relação a tudo o que transpirasse a nacionalismo. A sua ligação ao filósofo Hans S. Jacobsen também não ajudou muito: Jacobsen, e por tabela Tveitt, refutava em absoluto o cristianismo, mas foi a sua posterior adesão à Assembleia Nacional, um partido de ideologia pró-nazi, que fez com que o caldo se entornasse. Tanto quanto se sabe Tveitt, apesar de alinhado por tais ideais, nunca foi membro da referida Assembleia Nacional; para os seus compatriotas, contudo, isso era apenas um pequeno detalhe, e daí até o votarem ao ostracismo foi um pequeno passo.

Geirr Tveitt nasceu há 101 anos, no dia 19 de Outubro de 1908.


CDs



Geirr Tveitt
A Hundred Hardanger Tunes, Op.151 - Suite No.1;
Suite No.4, "Wedding Suite".
Royal Scottish National Orchestra
Bjarte Engeset
Naxos 8.555078

Geirr Tveitt
A Hundred Hardanger Tunes, Op.151 - Suite No.2, "Fifteen Mountain Songs";
Suite No.5, "Troll-tunes".
Royal Scottish National Orchestra
Bjarte Engeset
Naxos 8.555770

Geirr Tveitt
Piano Concerto No.4, "Aurora Borealis", Op.130.
Variations on a Folksong from Hardanger.
Håvard Gimse, Gunilla Süssmann (pianos)
Royal Scottish National Orchestra
Bjarte Engeset
Naxos 8.555761


Internet



Geirr Tveitt
NationMaster.com / Naxos / Wikipedia / Answers.com / Norway - The Official Site in Japan / Music Information Centre Norway

17/10/2009

Barítonos #2: Rolando Panerai (1924-)

O barítono italiano Rolando Panerai é mais um caso extraordinário de longevidade artística, tendo-se estreado em 1947, na ópera Moisés no Egipto de Gioacchino Rossini (1792-1868) e há relativamente pouco tempo, em 2006, subiu ao palco em Florença para interpretar Gianni Schicchi, na ópera homónima do igualmente italiano Giacomo Puccini (1858-1924). Na altura Panerai tinha 82 anos, e não foi a última vez que cantou em público...

Pelo meio, Panerai apareceu nas mais importantes salas e participou em vários festivais, como os de Aix-en-Provence e de Salzburgo, e especializou-se em vários papéis, principalmente em óperas de Giuseppe Verdi (1813-1901) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Participou na estreia em solo italiano da ópera Mathis der Maler do compositor alemão Paul Hindemith (1895-1963), e apareceu ao lado, por exemplo, de intérpretes do calibre de Carlo Bergonzi (1924-), Maria Callas (1923-1977), Elisabeth Schwarzkopf (1915-2006), Renata Scotto (1934-) e Giuseppe di Stefano (1921-2008). Como cartão de visita, será porventura suficiente para despertar curiosidades...

Rolando Panerai celebra hoje o seu 85º aniversário.


CDs




Giacomo Puccini
Madama Butterfly.
Renata Scotto (soprano), Rolando Panerai (barítono), Carlo Bergonzi,
Piero de Palma (tenores), Anna di Stasio (meio-soprano), Paolo Montarsolo,
Mario Rinaudo (baixos), Giuseppe Morresi (baixo-barítono)
Rome Opera Chorus
Rome Opera Orchestra
John Barbirolli
EMI GROC 5 67885-2
(1966)

Giuseppe Verdi
Falstaff (2 gravações).
Mariano Stabile, Tito Gobbi, Piero Biasini, Rolando Panerai (barítonos),
Franca Somigli, Elisabeth Schwarzkopf, A. Oltrabella, Anna Moffo (sopranos),
Dino Borgioli, Luigi Alva, Alfredo Tedeschi, T. Spataro, Giuseppe
Nessi (tenores), Virgilio Lazzari (baixo), Mita Vasari (meio-soprano)
Vienna State Opera Chorus
Vienna State Opera Orchestra
Arturo Toscanini, Herbert von Karajan
Andante AN3080
(1937, 1957)

Giuseppe Verdi
Falstaff.
Tito Gobbi, Rolando Panerai (barítonos), Elisabeth Schwarzkopf, Anna
Moffo (sopranos), Luigi Alva (tenor), Giulietta Simionato, Anna Maria
Cannali (meios-sopranos)
Vienna Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Walhall WLCD0212
(1957)

Rolando Panerai
Wolfgang Amadeus Mozart
Così fan tutte - Non siate ritrosi; Donne mie la fate a tanti.
Vincenzo Bellini
I Puritani - Or dove dfuggo io mai?... Ah! per sempre io ti… Bel sogno beato.
Gioacchino Rossini
Il barbieri di Siviglia - Largo al factotum della città.
Rolando Panerai (barítono), Leopold Simoneau (tenor), Mattiwilda Dobbs,
Margherita Carosio (sopranos)
Philharmonia Orchestra, Herbert von Karajan, Alceo Galliera
Chorus and Orchestra of La Scala, Tullio Serafin, Nino Sanzogno
Nimbus Prima Voce NI7949
(1953, 1954)


DVD



Giacomo Puccini
La bohème.
Mirella Freni, Adriane Martino (sopranos), Gianni Raimondi, Franco
Ricciardi (tenoress), Rolando Panerai, Gianni Maffeo (barítonos),
Ivo Vinco, Carlo Badioli, Giuseppe Morresi, Carlo Forti (baixos)
Chorus and Orchestra of La Scala, Milan
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 073 4071


Internet



Rolando Panerai
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