13/03/2010

Maestros #50: Fritz Busch (1890-1951)

Depois de um longo interregno, por absoluta falta de tempo para me dedicar aqui a este canto, estou de volta às lides no desNorte, e procurarei manter um ritmo minimamente regular de colocação de novos textos.

Este regresso fica ainda marcado por um outro regresso, no caso da família Busch; há mais de dois anos, em Janeiro de 2008, trouxe aqui um disco com gravações de um duo que se salientou na primeira metade do século XX, formado pelo pianista Rudolf Serkin (1903-1991) e pelo violinista Adolf Busch (1891-1952). Pois um dos irmãos de Adolf, Fritz Busch, fez igualmente carreira no mundo da música, mas como regente. Fritz nunca alcançou a fama do seu irmão mais novo, mas não deixou de construir uma carreira de prestígio, tendo efectuado gravações de excelente nível, de que listo algumas mais abaixo. Distinguiu-se principalmente na interpretação das obras dos compositores do período clássico, e são essas que aparecem em maioria nestas gravações. Chamo a atenção em particular para um dos discos, pelo facto de juntar os dois irmãos Busch.

Fritz Busch nasceu há 120 anos, no dia 13 de Março de 1890.


CDs




Giuseppe Verdi
Otello.
Licia Albanese (soprano), Martha Lipton (meio-soprano), Ramon Vinay,
John Garris, Robert Hayward (tenores), Leonard Warren (barítono),
Nicola Moscona, Clifford Harvout, Philip Cinsman (baixos)
New York Metropolitan Opera Chorus & Orchestra
Fritz Busch
Preiser 90377
(1948)

Wolfgang Amadeus Mozart
Don Giovanni.
John Brownlee, Roy Henderson (barítonos), Ina Souez, Luise Helletsgruber,
Audrey Mildmay (sopranos), Koloman von Pataky (tenor), Salvatore Baccaloni,
David Franklin (baixos)
Glyndebourne Festival Chorus
Glyndebourne Festival Orchestra
Fritz Busch
Naxos Historical 8.110135-7
(1936)

Great Conductors of the 20th Century - Fritz Busch
Danish State Radio Symphony Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Fritz Busch
EMI 5 75103-2

Adolf Busch Plays Bach and Beethoven
Johann Sebastian Bach
Violin Concerto in A minor, BWV1041.
Ludwig van Beethoven
Violin Concerto in D major, Op.61. Romances - No.1 in G major, Op.40;
No.2 in F major, Op.50.
Adolf Busch (violino)
Busch Chamber Players
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Fritz Busch
Music & Arts CD1183
(1942, 1943)


Internet



Fritz Busch
Answers.com / Naxos / Guild Music / Wikipedia

24/01/2010

CDs #220: William Walton, Façade, Henry V Music

A poetisa inglesa Edith Sitwell (1887-1964), de ascendência aristocrática, além de ter uma figura que não a ajudava muito, desengonçada do alto do seu 1,83m, ainda a piorava espetando um turbante fora da moda na extremidade superior, tornando-a num alvo preferido dos seus (numerosos) detractores. Além disso a senhora, excêntrica por natureza, depois de uma infância infeliz marcada por uma relação difícil com os pais, achou por bem entreter-se a escandalizar a classe média inglesa. Foi obviamente atacada de todas as formas e feitios, o que deu origem a frequentes e azedas trocas de palavras, pois não gostava de deixar ninguém sem resposta.

Começou muito jovem a escrever poemas, tendo publicado o primeiro em 1913. Alguns anos depois, em 1918, publicou os primeiros poemas da série Façade. Segundo o livro que acompanha o disco, o título Façade vem do facto de um certo pintor ter afirmado que Edith Sitwell "até podia ser muito esperta, mas não passava de uma fachada!". Não sei se terá apreciado o mimo, mas, pelo menos, sempre ganhou um título para os poemas...

Edith Sitwell tinha 2 irmãos, os escritores Osbert Sitwell (1892-1969) e Sacheverell Sitwell (1897-1988) que, a partir de 1919, partilharam uma casa em Chelsea com o compositor William Walton (1902-1983). Quando Osbert e Sacheverell se lembraram de musicar os poemas da irmã viraram-se, naturalmente, para Walton que, apesar de achar a tarefa nada fácil, lá se conseguiu desenrascar, após muitos ensaios com a própria autora. A primeira apresentação, privada, teve lugar há 88 anos, no dia 24 de Janeiro de 1922.

A própria Sitwell gravou por duas vezes Façade, a segunda das quais, que é a que consta deste disco, em 1954, acompanhada pelo já nosso bem conhecido tenor Peter Pears (1910-1986). Este é, aliás, um disco extraordinário pois, além das participações já referidas, conta ainda com o actor Laurence Olivier (1907-1989), o próprio William Walton a dirigir a Orquestra Filarmonia, e ainda o grande maestro Malcolm Sargent (1895-1967) à frente da Orquestra Sinfónica de Londres. Mas que disco...




William Walton
Façade. Scenes from Henry V. Orb and Sceptre Coronation March.
Edith Sitwell, Laurence Olivier, Peter Pears (narradores)
Philharmonia Chorus
English Opera Group Ensemble, Anthony Collins
Philharmonia Orchestra, William Walton
London Symphony Orchestra, Malcolm Sargent
alto ALC 1026
(1944, 1954)


Internet



Edith Sitwell
Edith Sitwell: A Nearly Forgotten Poetess / The Literary Encyclopedia / PoemHunter.com / The Poetry Archive / CatholicAuthors.com / Wikipedia

William Walton
William Walton.net / CultureKiosque / Naxos / Bach Cantatas Website / Karadar Classical Music / suite101.com / 8notes.com / Wikipedia

14/01/2010

CDs #219: Albert Schweitzer, Johann Sebastian Bach

Um daqueles discos que levaria para uma ilha deserta, não só pela excelência da interpretação como também por toda a carga simbólica que lhe está associada. Albert Schweitzer (1875-1965) foi um homem de interesses vários, começando por estudar teologia, fazendo pouco tempo depois por um doutoramento em filosofia, após o que se licenciou em medicina e ainda encontrou tempo para efectuar estudos musicais... E não foi um músico qualquer, se é que a expressão é adequada: extraordinário organista, desenvolveu um conhecimento aprofundadíssimo sobre a obra do seu compositor de eleição, Johann Sebastian Bach (1685-1750), sobre o qual escreveu dois livros; dedicou-se ainda ao estudo da construção de órgãos, área em que rapidamente se tornou num dos mais reputados peritos.

Em 1905, Albert Schweitzer edita o seu primeiro livro sobre Bach, J. S. Bach: Le Musicien-Poète e, nesse mesmo ano inicia os estudos de medicina, com o objectivo de ir para África; em 1913 foi para Lambaréne, África Equatorial (actualmente Gabão), onde fundou um hospital, entre muitas outras actividades que acabaram por lhe valer o Prémio Nobel da Paz em 1952. Uma das formas que encontrou de arranjar fundos para as suas actividades humanitárias foi a de dar regularmente recitais, pelo que não deixou de tocar pelo facto de passar grandes períodos de tempo em Lambaréne. A partir de 1948, em particular, Albert Schweitzer passou a viajar mais frequentemente para a Europa e, a par dos referidos recitais, efectuou ainda algumas gravações.

Este disco triplo da Andromeda contém algumas dessas gravações, efectuadas em França em 1951 e 1952. Um disco precioso, mais uma vez resultado de gravações efectuadas na década de 1950, para mim uma década vintage no que às gravações da grande música diz respeito.

Albert Schweitzer nasceu há 135 anos, no dia 14 de Janeiro de 1875.




Albert Schweitzer
Johann Sebastian Bach
The complete American Columbia Recordings
published for the first time in one box.
Albert Schweitzer (órgão)
Andromeda ANDRCD 5123


Internet



Albert Schweitzer
Wikipedia / Nobelprize.org / The Albert Schweitzer Page / Association Internationale Albert Schweitzer / Lucidcafé: Library / Albert Schweitzer / Medical Research Unit, Albert Schweitzer Hospital, Lambaréné, Gabon

08/01/2010

Violoncelistas #10: Pierre Fournier (1906-1986)

O primeiro violoncelista a ter honras de destaque nestas páginas foi o francês Pierre Fournier, já lá vão mais de 4 anos e meio. Na altura, e como é mais ou menos habitual nos textos que aqui vou espetando, deixei uma pequena lista de discos de referência, daqueles que evidenciam o nível artístico do intérprete. A (mais ou menos) recente moda de ir ao baú buscar gravações antigas e de as colocar à venda a preços módicos faz com que novos discos históricos vão aparecendo a bom ritmo. Uma óptima notícia, pois claro, mas com um pequeno senão: qualquer lista actualizada fica rapidamente obsoleta...

Fournier não tem sido excepção a essa regra, e nos últimos anos temos sido brindados com a edição de alguns discos de audição essencial. Primeira razão para a ele ter voltado neste momento. Entretanto alguma alma caridosa lembrou-se de inventar o YouTube, e outras almas não menos caridosas deram-se ao trabalho de lá colocar milhões de vídeos. A maior parte deles é puro lixo, mas muitos são documentos estimáveis, alguns dos quais incluem gravações de interpretações de Pierre Fournier. Segunda razão para este regresso. Penso que havia uma terceira razão, não me lembro agora qual, mas farão a delicadeza de aceitar que as duas apresentadas são de peso...

Pierre Fournier faleceu há 24 anos, no dia 8 de Janeiro de 1986.


CDs




Pierre Fournier: Aristocrat of the Cello
Pierre Fournier (violoncelo), Rudolf Firkusny, Jean Fonda,
Lamar Crowson (pianos)
Berlin Philharmonic Orchestra
George Szell, Alfred Wallenstein
Deutsche Grammophon 477 5939

Luigi Boccherini
Cello Concerto No.9 in B flat major, G482.
Robert Schumann
Cello Concerto in A minor, Op.129.
Edward Elgar
Cello Concerto in E minor, Op.85.
Pierre Fournier (violoncelo)
NDR Symphony Orchestra
Cologne Radio Symphony Orchestra
Georg Solti, Hans Rosbaud
Archipel ARPCD0410
(1955-58)

Ludwig van Beethoven
Complete Works for Cello and Piano.
Pierre Fournier (violoncelo), Friedrich Gulda (piano)
Deutsche Grammophon 477 6266
(1959)

Munch Conducts Romantic Favourites
Robert Schumann
Cello Concerto in A minor, Op.129. Symphony No.4 in D minor, Op.120.
Richard Strauss
Tod und Verklärung. Don Juan, Op.20. Orchestral Songs.
Ein Heldenleben, Op.40. Divertimento (after Couperin), Op.86.
Johannes Brahms
Concerto for Violin, Cello and Orchestra, Op.102. Symphony No.2, Op.73.
Academic Festival Overture, Op.80. Piano Concerto No.1.
Antonín Dvorák
Symphony No.9 in E minor, 'From the New World', Op.95.
Pierre Fournier, Samuel Mayes (violoncelos), Zino Francescatti,
Richard Burgin (violinos), Rudolph Serkin (piano), Irmgard
Seefried (soprano)
Boston Symphony Orchestra
Charles Munch
West Hill Radio Archive WHRA6017
(1951, 1953, 1954, 1955, 1956, 1957)


Internet



Pierre Fournier
Internet Cello Society / Pierre Fournier Award / Wikipedia

04/01/2010

SACDs #25: Josef Suk, Asrael

A música checa, apesar de não tão reconhecida como a alemã ou a austríaca, por exemplo, tem revelado extraordinários compositores ao longo dos tempos, nomeadamente desde o século XVII. Os seus expoentes foram, naturalmente, Antonín Dvorák (1841-1904) e Bedrich Smetana (1824-1884), mas, depois deles, já nos brindou com compositores como Leos Janácek (1854-1928), Vítezslav Novák (1870-1949), que ainda não passou por estas páginas, e Bohuslav Martinu (1890-1959).

Outro nome incontornável é o de Josef Suk (1874-1935) que, não sendo tão aventureiro como Janácek, acabou, de alguma forma, por representar uma certa extensão da obra de Dvorák. Os dois, aliás, estiveram intimamente ligados, ou não tivesse Suk sido aluno de Dvorák no Conservatório de Praga e, em 1898, casado com a filha deste, Otilie. Tiveram ainda em comum a sorte de ter um consagrado Johannes Brahms (1833-1897) a ajudar ao início das suas carreiras, promovendo as suas primeiras obras; no caso de Suk tal sucedeu com o seu opus 6, a Serenade for Strings.

O falecimento de Dvorák, em Maio de 1904, levou Suk a iniciar a escrita daquela que viria a ser a sua obra mais emblemática, a Sinfonia Asrael. A morte de Otilie, pouco mais de um ano depois, marcou mais um momento trágico, que o levou a rever a obra e a torná-la ainda mais sombria. Por altura do falecimento da esposa, Suk encontrava-se a trabalho no 4º andamento desta sinfonia; acabou por largar aquilo que dele já tinha composto, e escreveu um novo de raiz, que é geralmente considerado como sendo um retrato de Otilie, que nos é apresentada pelo violino. Foi também por esta altura que Suk adicionou o sub-título à obra, Asrael (ou Azrael), que é o Anjo da Morte, aquele que vigia os moribundos e tira as almas dos corpos. Esta sinfonia foi estreada no dia 3 de Fevereiro de 1907.

Josef Suk nasceu há 136 anos, no dia 4 de Janeiro de 1874.




Josef Suk
Asrael, Op.27.
Helsinki Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy
Ondine ODE 1132-6
(2008)


Internet



Josef Suk
Naxos / Answers.com / Karadar Classical Music / Wikipedia

30/12/2009

Maestros #49: Antonio Pappano (1959-)

Este é o dia dos maestros, assinalando-se o aniversário do nascimento ou do falecimento de vários (quais?!). Um dos constantes dessa lista é o inglês Antonio Pappano, que hoje celebra o seu 50º aniversário, o que, aqui para este vosso escriba, significa estarmos perante um jovem maestro. Claro que ele é igualmente conhecido como pianista, mas essa sua faceta não é hoje para aqui chamada.

Pappano é o director musical da Royal Opera House, Covent Garden, desde 2002, o que fez dele o mais jovem de sempre a assumir tal posição. Um feito e tanto, se nos lembrarmos de que o espaço começou a funcionar como uma casa de ópera em meados do século XIX... É à lírica, aliás, que pertencem algumas das suas mais significativas gravações, e que listo mais abaixo. É a minha lista pessoal, bien sur, discutível como qualquer uma...


CDs







Giacomo Puccini
La Rondine.
Angela Gheorghiu, Inva Mula-Tchako, Patrizia Ciofi (sopranos),
Roberto Alagna, William Matteuzzi, Gareth Roberts (tenores),
Alberto Rinaldi (barítono), Riccardo Simmonetti (baixo-barítono)
London Voices
London Symphony Orchestra
Antonio Pappano
EMI 5 56338-2
(1996)

Giacomo Puccini
Messa di Gloria in A flat. Preludio sinfonico in A. Crisantemi (arr. Cpsr).
Roberto Alagna (tenor), Thomas Hampson (barítono)
London Symphony Chorus
London Symphony Orchestra
Antonio Pappano
EMI 5 57159-2
(2000)

Giacomo Puccini
Tosca.
A. Gheorghiu (soprano), R. Alagna, D. Cangelosi (tenores),
R. Raimondi (barítono), M. Muraro, E. Fissore, S Coliban,
G. Howell (baixos)
Royal Opera House Chorus
Royal Opera House Orchestra
Antonio Pappano
EMI 5 57173-2
(2000)

Giacomo Puccini
Madama Butterfly.
Angela Gheorghiu (soprano), Jonas Kaufmann, Gregory Bonfatti (tenores),
Enkeledja Shkosa (meio-soprano), Fabio Capitanucci (barítono), Raymond
Aceto (baixo)
Accademia di Santa Cecilia Chorus
Accademia di Santa Cecilia Orchestra
Antonio Pappano
EMI 2 64187-2
(2008)

Richard Wagner
Siegfried - Act 3 scene 3. Tristan und Isolde - Act 2 scene 2
(concert version starting from 'O sink hernieder').
Deborah Voigt (soprano), Violeta Urmana (meio-soprano),
Plácido Domingo (tenor)
Royal Opera House Orchestra
Antonio Pappano
EMI 5 57004-2
(1999)

Richard Wagner
Tristan und Isolde.
Plácido Domingo, Jared Holt, Ian Bostridge, Rolando Villazón (tenores),
Nina Stemme, Mihoko Fujimura (sopranos), René Pape (baixo), Olaf Bär,
Matthew Rose (barítonos)
Royal Opera House Chorus
Royal Opera House Orchestra
Antonio Pappano
EMI 5 58006-2
(2004-5)

Jules Massenet
Manon.
A. Gheorghiu, A. M. Panzarella (sopranos), R. Alagna,
G. Ragon (tenores), E. Patriarco, N. Rivenq (barítonos),
J. van Dam (baixo-barítono), S. Koch (meio-soprano)
Chorus of La Monnaie
Symphony Orchestra of La Monnaie
Antonio Pappano
EMI 5 57005-2
(1999)

Sergei Rachmaninov
Piano Concerto No.1 in F sharp minor, Op.1.
Piano Concerto No.2 in C minor, Op.18.
Leif Ove Andsnes (piano)
Berliner Philharmoniker
Antonio Pappano
EMI 4 74813-2
(2005)

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Francesca da Rimini. Romeo and Juliet. 1812.
Eugene Onegin - Waltz; Polonaise.
Santa Cecilia Academy Chorus
Santa Cecilia Academy Orchestra
Antonio Pappano
EMI 3 70065-2
(2005)

Romance
Antonín Dvorák
Rondo, B181.
Alexander Glazunov
Mélodie, Op.20 No.1.
Édouard Lalo
Cello Concerto.
Han-Na Chang (violoncelo)
Santa Cecilia Academy Orchestra
Antonio Pappano
EMI 3 82390-2
(2005)

Richard Strauss
Vier letzte Lieder. Capriccio - Interlude (Moonlight Music);
Morgen mittag um elf! Salome - Ach, du wolltest mich nicht deinen Mund…
Nina Stemme (soprano), Liora Grodnikaite (meio-soprano),
Gerhard Siegel (tenor), Jeremy White (baixo)
Royal Opera House Orchestra
Antonio Pappano
EMI 3 78797-2
(2006)

Ottorino Respighi
Fontane di Roma. Pini di Roma. Feste romane. Il tramonto.
Christine Rice (soprano)
Santa Cecilia Academy Orchestra
Antonio Pappano
EMI 3 94429-2
(2007)

Giuseppe Verdi
Messa di Requiem.
Anja Harteros (soprano), Sonia Ganassi (meio-soprano),
Rolando Villazón (tenor), René Pape (baixo)
Santa Cecilia Academy Chorus
Santa Cecilia Academy Orchestra
Antonio Pappano
EMI 6 98936-2
(2009)


Internet



Antonio Pappano
IMG Artists / EMI Classics / Classical Archives / Telegraph.co.uk / MusicalCriticism.com / ArkivMusic.com / BBC / ANDaNTE / Fundação Calouste Gulbenkian / Wikipedia

26/12/2009

Óperas #23: Alonso e Cora, de Simon Mayr

Haverá certamente bom motivo para tal, que eu desconheço, mas o que é um facto é que, ao longo dos tempos, houve um número invulgarmente alto de óperas que foram estreadas num dia 26 de Dezembro; o mesmo se pode dizer de cantatas de Johann Sebastian Bach (1685-1750), mas neste caso não é difícil encontrar uma explicação... Voltando às estreias operáticas, e referindo alguns exemplos de óperas estreadas a 26 de Dezembro: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) contribuiu com duas (Mitridate, Re di Ponto e Lucio Silla); Gioachino Rossini (1792-1868) ajudou com quatro (Aureliano in Palmira, Sigismondo, Torvaldo e Dorliska e Bianca e Falliero); Saverio Mercadante (1795-1870) não lhe quis ficar atrás, e adicionou cinco à lista (Scipione in Cartagine, Andronico, Alfonso ed Elisa, Nicroti e La schiava saracena, ovvero Il campo di Gerosolima); para além de óperas de, entre outros, Christoph Willibald von Gluck (1714-1787), Gaetano Donizetti (1797-1848), Georges Bizet (1838-1875) e Vincenzo Bellini (1801-1835).

Foi também num dia 26 de Dezembro, de 1803, que se estreou a ópera Alonso e Cora do compositor alemão Simon Mayr (1763-1845). Apesar da nacionalidade, Johann Simon Mayr passou uma boa parte da vida em Itália, em Bérgamo e Veneza, e foi precisamente nesta última cidade que, no início do século XIX, começou a sua carreira operática. Mayr, quase totalmente desconhecido actualmente, gozou de grande prestígio no seu tempo, pelas obras que compôs e pela notoriedade atingida como professor, com Donizetti a ser o seu mais famoso aluno.

Mayr compôs um número incrível de óperas, a rondar as 80, mas poucas são interpretadas hoje em dia. À época foram interpretadas em variadíssimos palcos, de Roma a Londres, passando por Paris e Lisboa. Escreveu igualmente sinfonias, peças de música sagrada e de câmara, que poucas vezes são interpretadas, e mais raramente gravadas.


Internet

Simon Mayr
Guild Music / NationMaster / Answers.com / Naxos / Wikipedia

23/12/2009

Compositores #102: Ernst Krenek (1900-1991)

Em Março de 1905 trouxe a estas páginas o compositor Franz Schreker (1878-1934), tendo referido a actividade que foi mantendo como professor, bem como as suas passagens por território português durante a década de 1930. Um dos seus alunos foi Ernst Krenek, que com ele teve aulas numa primeira fase em Viena e, posteriormente, no Conservatório de Berlim.

As ligações de Krenek a personalidades já nossas conhecidas não se ficaram por aqui: chegou a ser casado com Anna Mahler (1904-1988), filha de Gustav Mahler (1860-1911) e Alma Mahler (1879-1964), e teve a oportunidade de conhecer pessoalmente os compositores Alban Berg (1885-1935) e Anton Webern (1883-1945), dois alunos de Arnold Schoenberg (1874-1951) que, conjuntamente com o mestre, formaram a conhecida 2ª Escola de Viena.

É assim fácil de entender que por essa altura, nos finais da década de 1920, Krenek se tenha deixado seduzir pela música atonal, a imagem de marca da referida escola. Mais tarde, já a viver nos Estados Unidos, render-se-ia à música electrónica, mas posteriormente, a partir da década de 1960, deixou-se de rendições e desistiu de seguir modas, passando apenas a compor à sua maneira.

Ernst Krenek faleceu há 18 anos, no dia 23 de Dezembro de 1991.


Internet



Ernst Krenek
Ernst Krenek Society / Ernst Krenek Institute / 8notes.com / Answers.com / Classical Archives / Wikipedia

19/12/2009

Quartetos de Cordas #8: Quarteto de Cordas Nº3, de Benjamin Britten

Benjamin Britten (1913-1976) foi um compositor prolífico, com imensas obras orquestrais, de câmara, operáticas e vocais no seu curriculum. A música de câmara foi o seu parente pobre, dado ter sido, dos géneros referidos, aquele a que indubitavelmente menos se dedicou. Outra curiosidade reside no facto de o piano, o instrumento que tocava, não ter tido direito a um protagonismo por aí além; as principais suites que compôs, por exemplo, foram para violoncelo.

Em 1975 escreveu aquele que viria a ser o seu e último quarteto de cordas, 30 anos depois da sua última incursão no género. Dedicou-o ao violinista e musicólogo Hans Keller (1919-1985), tendo sido tocado em público pela primeira vez no dia 19 de Dezembro de 1976; ou seja, 2 semanas depois da morte do compositor.


CDs



Benjamin Britten
String Quartet No.3, Op.94. Alla marcia. Quartettino. Simple Symphony, Op.4.
Maggini Quartet
Naxos 8.554360

Benjamin Britten
String Quartet No.1 in D, Op.25.
String Quartet No.2 in C, Op.36.
String Quartet No.3, Op.94.
Three Divertimenti.
Belcea Quartet
EMI Classics 5 57968-2
(2003)

Nicholas Maw
String Quartet No.3.
Benjamin Britten
String Quartet No.3. Three Divertimentos.
Coull Quartet
Somm Céleste Series SOMMCD065
(2005)


Internet



Benjamin Britten
Britten-Pears Foundation / Opera Glass / Boosey & Hawkes / Classical Net / Naxos / MusicWeb International / Classical Music Pages / allmusic / Bach Cantatas Website / Answers.com / Wikipedia

14/12/2009

Sopranos #19: Gré Brouwenstijn (1915-1999)

A única vez que por aqui se falou do soprano holandês Gré Brouwenstijn foi há mais de 2 anos, e apenas de passagem, pela sua participação numa extraordinária gravação da ópera Tannhäuser, de Richard Wagner (1813-1883). Este foi um dos compositores em que Brouwenstijn mais se salientou, mas o papel que a marcaria definitivamente seria o de Leonora em Fidelio, a única ópera de Ludwig van Beethoven (1770-1827).

Gré Brouwenstijn não teve uma carreira muito longa: estreou-se em 1940 n'A Flauta Mágica, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), e deu a carreira por terminada em 1971, interpretando o tal papel que a notabilizou, Leonora. Será esta, porventura, uma das razões que explicarão a menor frequência com que é lembrada actualmente.

Gré Brouwenstijn faleceu há 10 anos, no dia 14 de Dezembro de 1999.


CDs




Richard Wagner
Tannhäuser.
Wolfgang Windgassen, Josef Traxel (tenores), Gré Brouwenstijn (soprano),
Dietrich Fischer-Dieskau (barítono), Herta Wilfert (meio-soprano),
Josef Greindl (baixo)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
André Cluytens
Orfeo d'Or C643043D
(1955)

Richard Wagner
Der Ring des Nibelungen.
Gré Brouwenstijn, I. Hollweg, Gerda Lammers, Paula Lenchner, Astrid
Varnay, Lore Wissmann (sopranos), Maria von Ilosvay, L. Kamps, Jean
Madeira, Georgine von Milinkovic, E. Schärtel (meios-sopranos), Josef
Traxel, Wolfgang Windgassen, Ludwig Suthaus, Paul Kuen (tenores),
Gustav Neidlinger, Hans Hotter (baixos-barítonos), Josef Greindl (baixo),
Alfons Herwig, Hermann Uhde (barítonos)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Hans Knappertsbusch
Orfeo d'Or C660513Y
(1956)

Richard Wagner
Die Walküre.
Astrid Varnay, Gré Brouwenstijn, Herta Wilfert, Hilde Scheppan, Gerda
Lammers (sopranos), Hans Hotter (baixo-barítono), Ramon Vinay (tenores),
Josef Greindl (baixo), Georgine von Milinkovic, Elisabeth Schärtel,
Maria von Ilosvay (vozes)
Bayreuth Festival Orchestra
Joseph Keilberth
Testament SBT4 1391
(1955)

Richard Wagner
Götterdämmerung.
Astrid Varnay, Gré Brouwenstijn, Jutta Vulpius, Mina Bolotine (sopranos),
Wofgang Windgassen (tenor), Hermann Uhde (barítono), Maria von Illosvay,
E. Schärtel, Maria Graf (meios-sopranos), G. Neidlinger (baixo-barítono)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Joseph Keilberth
Testament SBT4 1393
(1955)

Giuseppe Verdi
Don Carlo.
Jon Vickers, Edgar Evans, Robert Allman (tenores), Gré Brouwenstijn,
Jeannette Sinclair, Ava June (sopranos), Fedora Barbieri (meio-soprano),
Tito Gobbi (barítono), Boris Christoff, Michael Langdon, J. Rouleau (baixos)
Royal Opera House Chorus
The Covent Garden Orchestra
Carlo Maria Giulini
Royal Opera House Heritage Series ROHS003
(1958)


Internet



Gré Brouwenstijn
Subito-Cantabile / Dutch Divas / Myoperas.com

08/12/2009

SACDs #24: Sibelius, Symphony No.2, Pohjola's Daughter

Depois de vários séculos em que fez parte da Suécia, a Finlândia viu-se transformada num grão-ducado russo a partir de 1809, situação em que se manteria por um pouco mais de um século. Os sentimentos nacionalistas foram entretanto crescendo, principalmente a partir da segunda metade do século XIX e, pouco depois da Revolução de Outubro de 1917, de que resultou a subida dos bolcheviques ao poder, a Finlândia solicitou e obteve a almejada independência.

Um dos marcos mais significativos neste processo foi a edição, em 1835, do primeiro volume do poema épico Kalelava, resultante da recolha e compilação de folclore finlandês efectuadas por Elias Lönnrot (1802-1884). No ano seguinte lançaria um segundo volume, mas é a edição que publicou em 1849, em que novos poemas foram adicionados, que é considerada definitiva. Este poema serviu de inspiração a muitas obras, nomeadamente musicais, e já por aqui falámos de uma delas, a propósito de um outro disco: a Sinfonia Kullervo, de Jean Sibelius (1865-1857), estreada, com grande sucesso, no dia 28 de Abril de 1892. Mais para o final dessa década, em Novembro de 1899, Sibelius estrearia o quadro sinfónico Finlândia, um manifesto contra a ocupação russa.

Cada nova obra do compositor passou a ser de imediato interpretada como mais um grito de revolta contra o opressor, independentemente de ser esse o caso ou não e das afirmações do próprio Sibelius. Foi o caso da sua Sinfonia Nº2, a obra central do disco que aqui hoje trago. Em 1901, quando se encontrava em Itália, Sibelius começou a compor uns temas à volta da lenda de Don Juan, pensando ele que dali resultariam alguns poemas sinfónicos. Em vez disso resultou a sua Segunda Sinfonia, terminada em Janeiro do ano seguinte, estava já Sibelius de novo na Finlândia. Estreada no dia 8 de Março de 1902, os finlandeses reconheceram nela um novo grito de revolta contra o invasor...

Jean Sibelius nasceu há 144 anos, no dia 8 de Dezembro de 1865.




Jean Sibelius
Pohjola's Daughter, Op.49. Symphony No.2 in D major, Op.43.
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO Live LSO0605
(2005, 2006)


Internet



Jean Sibelius
Jean Sibelius - the website / Helsinki.fi / Jean Sibelius / Virtual Finland / Classic Music Pages / Classical Net / Wikipedia / Naxos / Classical Archives / Karadar Classical Music

05/12/2009

CDs #218: Mozart, Vivaldi

Apesar dos sinais exteriores de riqueza de que Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) dava mostras nos meados da década de 1780, a sua situação financeira estava longe de ser boa, e com notórias tendências para piorar. Uma encomenda para uma ópera poderia resolver o problema, pelo menos parcialmente, mas enquanto tal não aconteceu Mozart teve que fazer pela vida. Compôs várias obras importantes, como os Concertos para Piano Nºs 20, 21, 22, 23 e 24, e... pediu dinheiro emprestado, nomeadamente a Michael Puchberg (1741-1822), um abastado mercador vienense.

Em sinal de reconhecimento, Mozart dedicar-lhe-ia o Divertimento para Violino, Viola e Violoncelo, K563, uma obra finalizada em Setembro de 1788 e uma das mais extraordinárias para aquele trio de instrumentos de cordas. Apesar de marcado pela morte da filha Theresia, a 29 de Junho, 1788 foi um ano em que Mozart compôs obras importantes, como o Concerto para Piano Nº26 e as Sinfonias Nºs 39, 40 e 41, as 3 últimas que escreveu. Insuficientes, contudo, para remediar a situação financeira.

Mozart morreu há 218 anos, no dia 5 de Dezembro de 1791, sem ter chegado a saldar na totalidade as dívidas que tinha para com Michael Puchberg. De tal se encarregaria a viúva, Constanze Mozart (1762-1842), mais cuidadosa na gestão das finanças familiares...




Wolfgang Amadeus Mozart
Divertimento for Violin, Viola and Violoncello in E flat major, K563.
Antonio Vivaldi
The Four Seasons, Op.8.
David Nadien (violini), Emanuel Vardi (viola),
Jascha Silberstein (violoncelo), Igor Kipnis (cravo)
Kapp Sinfonietta
Emanuel Vardi
Cembal d'amour CD125
(1960, 1961)


Internet



Wolfgang Amadeus Mozart
the Mozart Project / Classical Music Pages / MozartForum / Classical Music Archives / Wolfgang Amadeus Mozart / Essentials of Music / Wikipedia

01/12/2009

CDs #217: E. J. Moeran - the collected 78rpm recordings

Comecei o ano passado a referir um disco de Ernest John Moeran (1894-1950), e vou (quase...) terminar este trazendo para aqui outro deste compositor inglês. Que partilham entre eles uma obra, a Sinfonia em sol menor, resultante, tal como na altura referi, de uma encomenda do maestro e compositor Hamilton Harty (1879-1941), em 1924. Pouco tempo depois e já Moeran tinha começado a rabiscar umas coisas, mas parou em 1924, seco de ideias. A amizade com o compositor Peter Warlock (1894-1930) resolveu-lhe o problema da secura, pois trouxe-lhe três anos de festas, farras e bebedeiras intermináveis. Também lhe trouxe a polícia à perna mais do que uma vez, está bom de ver, só não lhe trouxe inspiração para as suas obras musicais...

Warlock faleceria em 1930, em circunstâncias não totalmente claras, mas só uns anos mais tarde E. J. Moeran voltaria a pegar na sinfonia, tendo-a apenas concluído em 1937. A estreia teve lugar a 13 de Janeiro de 1938, não com Hamilton Harty na direcção, mas sim com o maestro Leslie Heward (1897-1943), por quem Moeran tinha uma especial admiração, além de considerar que era quem melhor interpretava esta obra. Um dos principais motivos de atracção deste disco é o facto da Sinfonia em sol menor ser precisamente interpretada por Leslie Heward, a dirigir a Orquestra Hallé numa gravação efectuada nos finais de 1942, menos de meio ano antes da morte deste maestro.

E. J. Moeran morreu há 59 anos, no dia 1 de Dezembro de 1950.




E. J. Moeran
The collected 78rpm recordings
String Trio in G major. O Sweet fa's the Eve.
Can't you Dance the Polka. Sheep Shearing.
Diaphenia. The Sweet o' the Year.
Symphony in G minor.
Jean Pougnet (violino), Frederick Riddle (viola),
Antonhy Pini (violoncelo), John Goss (barítono),
Hubert Foss, Gerald Moore (pianos), Heddle Nash (tenor)
Cathedral Male Voice Quartet
The Hallé Orchestra
Leslie Heward
divine art 27808


Internet



E. J. Moeran
The World Wide Moeran Database / Naxos / Wikipedia / Classical Net / Presto Classical