01/05/2012

Maestros #56: Walter Susskind (1913-1980)

O plano inicial para hoje previa assinalar a passagem de mais um ano sobre o falecimento do compositor checo Antonín Dvorák (1841-1904), ocorrido no dia 1 de Maio de 1904. Intenção de breve duração, contudo, atendendo às inúmeras vezes em que este compositor já por aqui passou, e à ausência de grandes novidades susceptíveis de atrair a atenção de algum leitor mais distraído. Vai daí, houve que dar a volta ao texto e, partindo ainda de Dvorák, encontrar um outro assunto de alguma forma relacionado com este dia do trabalhador (e em que, por norma, a maioria de nós ainda trabalha menos do que nos outros dias...).

Pois dá-se a notável coincidência de o maestro Walter Susskind ter nascido a um dia 1 de Maio, no caso do ano de 1913, passam hoje 99 anos. E como diabo cheguei a este não tão conhecido como isso regente, perguntarão?! A ligação não é propriamente estreita, mas admitirão que também não é assim tão rebuscada: Susskind efectuou os estudos musicais no Conservatório de Praga, cidade onde nasceu, e teve lá como professor, entre outros, Josef Suk (1874-1935), genro de... Dvorák. Nada de particularmente avassalador, mas desculpa suficiente para ter hoje como convidado este nosso amigo.

Os alemães é que não foram muito amigos, e na altura em que Hitler informava as autoridades checoslovacas sobre as suas intenções invasoras, Susskind punha-se a milhas de Praga, rumo ao Reino Unido. O timing dificilmente poderia ter sido mais adequado: Susskind partiu no dia 13 de Março de 1939, apenas 2 dias antes da propalada invasão. Viria depois a desenvolver uma importante carreira de regente em vários países e continentes, destacando-se a Inglaterra, a Escócia, a Austrália, o Canadá e os Estados Unidos. Durante esse percurso, sendo essa outra das boas razões do meu apreço por ele, teve a oportunidade de partilhar o palco com alguns dos (grandes) músicos que por aqui já foram passando: Jascha Heifetz (1901-1987), Artur Rubinstein (1887-1982), Glenn Gould (1932-1982), Dennis Brain (1921-1957), Pierre Fournier (1906-1986), Szymon Goldberg (1909-1993), Leonard Pennario (1924-2008), Artur Schnabel (1882-1951), Shura Cherkassky (1909-1995), Tito Gobbi (1913-1984).


CDs





'Jascha Heifetz: The Unpublished Recordings'.
Ludwig van Beethoven
Romances - No.1 in G major, Op.40; No.2 in F major, Op.50.
Ernest Chausson
Poème, Op.25. Edouard Lalo Symphonie espagnole, Op.21.
Jascha Heifetz (violino)
Philharmonia Orchestra, Walter Susskind
San Francisco Symphony Orchestra, Pierre Monteux
Testament SBT1216
(1945, 1950)
 
Johann Sebastian Bach
Concerto for Two Violins and Strings in D minor, BWV1043.
Arthur Grumiaux, Jean Pougnet (violinos)
Philharmonia String Orchestra
Walter Susskind
Pristine Audio PASC093
(1946)

Solomon.
Edvard Grieg
Piano Concerto in A minor, Op.16.
Franz Liszt
Fantasia on Hungarian Folk Themes, S123.
Robert Schumann
Piano Concerto in A minor, Op.54.
Solomon (piano)
Philharmonia Orchestra
Herbert Menges, Walter Susskind
Testament SBT1231
(1948, 1958)

Johannes Brahms
Violin concerto in D major, Op.77.
Jean Sibelius
Violin concerto in D minor, Op.47.
Ginette Neveu (violino)
Philharmonia Orchestra
Issay Dobrowen, Walter Susskind
EMI 7 61011-2
(1945, 1946)

Internet





Walter Susskind
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15/04/2012

Sonatas para Piano #2: Sonata Nº3, de Sergei Prokofiev

Sergei Prokofiev (1891-1953) será sempre um dos convidados mais regulares aqui do burgo pois, além de ter sido um dos maiores compositores do século XX, facto já de si importante, é um dos meus favoritos, condição essencial e suficiente para aqui aparecer. Só que até hoje apenas aqui foi referido pela sua música concertante e sinfónica, nunca pela instrumental, em particular pela escrita para o seu instrumento de eleição, o piano.

Prokofiev entrou no Conservatório de São Petersburgo (que este ano celebra o seu 150º aniversário) em 1904 pela mão de Alexander Glazunov (1865-1936), tendo-se começado rapidamente a salientar não apenas pelo virtuosismo ao piano mas também, e principalmente, pela ousadia e rebeldia das peças que compunha e ele mesmo executava.

Sabe-se que entre 1907 e 1909, enquanto aluno do Conservatório, Prokofiev escreveu 6 sonatas para piano, sem que qualquer delas alguma vez tenha sido editada como tal; duas perderam-se definitivamente, e excertos das restantes 4 viriam a ser utilizadas posteriormente pelo compositor noutras obras. É o caso da terceira sonata, composta na Primavera de 1917, e que utilizou parte do tal material da época estudantil, daí ostentar o sub-título "segundo os velhos cadernos".

A estreia da Sonata para Piano Nº3 em lá menor, Op.28, de Sergei Prokofiev, teve lugar no dia 15 de Abril de 1918, passam hoje 94 anos.


CDs



Sergei Prokofiev
Piano Sonatas - No.2 in D minor, Op.14; No.3 in A minor, Op.28;
No.5 in C major, Op.38; No.9 in C major, Op.103.
Yefim Bronfman (piano)
Sony Classical SK53273
(1996)

Sergei Prokofiev
The Sonatas for Piano. Sacarsms, Op.17.
Anne-Marie McDermott (piano)
Bridge 9298A/C
(2009)

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Sonata No.6, K284. Rondo, K511.
Variations on 'Ah, vous dirai-je, maman', K265.
Sergei Prokofiev
Piano Sonata No.3. Toccata, Op.11.
Ten Pieces from Romeo and Juliet, Op.75 - excerpts.
Lise de la Salle (piano)
Naïve V5080
(2007)


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Sergei Prokofiev
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05/04/2012

CDs #226: Roussel, Symphony No.2

Apesar de ter demonstrado um grande interesse pela música desde muito jovem, a verdade é que o francês Albert Roussel (1869-1937), quando chegou a altura das grandes decisões, optou pela marinha francesa. Ao contrário do que eventualmente pensaria na altura, esta acabou por não ser uma decisão para a vida e, em 1894, zarpou rumo ao mundo musical, por onde ficaria até ao fim dos seus dias.

Em Paris estudaria com o compositor e organista Eugène Gigout (1844-1925), numa primeira fase, e com Vincent d'Indy (1851-1931) na recém-criada Schola Cantorum, 4 anos depois. Em 1902 Roussel lá ensinava contraponto, tendo tido entre os seus alunos Bohuslav Martinu (1890-1959) e Erik Satie (1866-1925).

É usual dividir-se a carreira de Roussel como compositor em 3 fases: uma primeira, impressionista, que vai do início do século XX até 1913, marcada pela influência de Claude Debussy (1862-1918) e Maurice Ravel (1875-1937); seguiu-se a fase das complexidades harmónicas, concentrada na década de 1920, caracterizada ainda pela inclusão de melodias tradicionais da Índia, e a que pertence a Sinfonia Nº2, a obra principal apresentada neste disco; finalmente, a fase neo-clássica, da maturidade do compositor, a que pertencem, nomeadamente, as Sinfonias Nºs 3 e 4. Porventura a produção musical de Roussel é apenas dividida nestas 3 fases porque o compositor mandou para o caixote do lixo tudo o que compôs na década de 1890...

Albert Roussel nasceu há 143 anos, no dia 5 de Abril de 1869.




Albert Roussel
Symphony No.2. Pour une fête de printemps. Suite in F.
Royal Scottish National Orchestra
Stéphane Denève
Naxos 8.570529
(2006, 2007)


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Albert Roussel
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01/04/2012

CDs #225: Great Pianists, Rachmaninov, Vol.1

Há exactamente 7 anos atrás trouxe aqui Sergei Rachmaninov (1873-1943), o compositor, num texto em que acabei por dar bastante realce a Rachmaninov, o pianista. A partir daí, e não foram tão poucas vezes quanto isso que ele regressou a este canto, apenas a sua faceta de compositor foi chamada à liça.

O que, se poderá ser aceitável nos tempos que correm, dificilmente alguém compreenderia nas primeiras décadas do século XX, em que as qualidades pianísticas de Rachmaninov brilhavam com grande intensidade.

Felizmente para nós, que apreciamos de sobremaneira as coisas ligadas à grande música, Rachmaninov deixou-nos várias gravações, muitas das quais das suas próprias obras, incluindo os 4 concertos para piano que compôs. Não é o caso do presente disco, editado pela Naxos, com gravações que Rachmaninov efectuou entre 1925 e 1942 de obras de Frédéric Chopin (1810-1849) e Robert Schumann (1810-1856).

Sergei Rachmaninov nasceu há 139 anos, no dia 1 de Abril de 1873.




Sergei Rachmaninov - Historical Recordings 1925-1942
Frédéric Chopin
Ballade No.3 in E flat, Op.47. Nocturne in E flat, Op.9 No.2.
Waltzes, Op.64 - No.2 in C sharp minor; No.3, Waltz in A flat.
Waltz in E minor, Op. posth. Sonata No.2 in B flat minor, Op.35.

Chants polonais, S480/R145 (excerpts).
Robert Schumann
Carnaval, Op.9. Spanisches Liederspiel, Op.74.
Sergei Rachmaninov (piano)
Naxos 8.112020


Internet




Sergei Rachmaninov
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25/03/2012

SACDs #26: Dvorák, Symphony No.6

Otakar Sourek (1883-1956) é hoje em dia um perfeito desconhecido, mas foi ele quem pôs ordem nas sinfonias do compositor checo Antonín Dvorák (1841-1904), após várias décadas de confusões. Das 9 sinfonias que Dvorák compôs apenas as últimas 5 foram editadas enquanto vivo e, além disso, numa ordem que não teve nada a ver com aquela por que foram escritas. Basta notar no facto de que a primeira sinfonia que editou foi a , corria já o ano de 1880, e que, por via disso, foi de imediato designada por Sinfonia Nº1...

Os últimos anos da década de 1870 tinham sido especialmente favoráveis para o reconhecimento internacional de Dvorák, primeiro com o sucesso das Danças Eslavas e, depois, com o obtido com as Rapsódias Eslavas. A estreia da 3ª Rapsódia Eslava teve lugar em Berlim em Setembro de 1879, sem que Dvorák estivesse presente, mas não faltou à estreia em Viena, em que o maestro austríaco Hans Richter (1843-1916) esteve à frente da Orquestra Filarmónica dessa cidade. Richter, deveras impressionado com a obra, solicitou a Dvorák que escrevesse uma sinfonia para a temporada seguinte, mas o compositor só começaria a trabalhar nela em Agosto de 1880, pelo que a estreia apenas aconteceu em 1881, no dia 25 de Março, passam hoje 131 anos. Apesar de dedicada a Richter, a referida estreia acabou por decorrer não em Viena, conforme previsto, mas em Praga, e com o maestro Adolf Cech (1841-1903) a dirigir a orquestra.

A Sinfonia Nº6 foi a última obra importante do período eslavo do compositor, e não esconde a influência do seu amigo Johannes Brahms (1833-1897), denotando mesmo algumas semelhanças com a Sinfonia Nº2 deste compositor, composta pouco tempo antes, em 1877. Justa homenagem de Dvorák aquele que tanto o ajudou, nomeadamente na publicação de várias das suas obras.




Antonín Dvorák
Symphony No.6 in D major, Op.60.
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO Live LSO0526
(2004)


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Antonín Dvorák
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18/03/2012

Sextetos de Cordas #1: Verklärte Nacht, de Arnold Schoenberg

Richard Dehmel (1863-1920) foi um importante poeta e escritor alemão, tendo sido por mais de uma vez alvo de acusações de obscenidade e blasfémia, sendo que um tribunal alemão chegou mesmo a ordenar a queima de uma das suas obras, o volume de poesia Weib und Welt. Como é normal nestas coisas, ou este poeta nunca para aqui seria chamado..., houve vários compositores que nele se inspiraram para algumas das suas composições, como Richard Strauss (1864-1949), Alexander Zemlinsky (1871-1942) e Arnold Schoenberg (1874-1951).

Schoenberg começou muito cedo a socorrer-se da obra de Dehmel: 3 das 4 canções que formam o seu opus 2 utilizam versos desse poeta e no mesmo ano em que as compôs, 1899, foi de novo nele que foi buscar inspiração para um sexteto de cordas. Verklärte Nacht (Noite Transfigurada) baseia-se no poema homónimo de Dehmel, pertencendo precisamente ao tal volume banido, Weib und Welt.

Descreve uma história um bocado insólita para servir de pretexto para um sexteto de cordas (uma mulher, durante um passeio ao fim do dia, confidencia ao amante que, ainda antes de o conhecer, ficou grávida de outro, ao que este responde que o amor que sentem um pelo outro tudo superará) mas, aqui entre nós, o que interessa é o resultado final, traduzido num extraordinário sexteto para 2 violinos, 2 violas e 2 violoncelos. Há ainda uma versão para orquestra de cordas elaborada pelo próprio Schoenberg em 1917 e posteriormente revista em 1943.

O sexteto de cordas Verklärte Nacht foi estreado há 110 anos, no dia 18 de Março de 1902.


CDs



Arnold Schoenberg
Variations for Orchestra, Op.31. Verklärte Nacht, Op.4.
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 415 326-2
(1993)

Johannes Brahms
Symphony No.1 in C minor, Op.68.
Arnold Schoenberg
Verklärte Nacht, Op.4.
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Testament SBT1431
(1988)


Internet



Arnold Schoenberg
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04/03/2012

Maestros #55: Bernard Haitink (1929-)

Em Agosto de 2005 tive a oportunidade de assistir a um concerto na Casa da Música em que a Orquestra de Jovens da União Europeia, sob a regência do maestro holandês Bernard Haitink, interpretou a Sinfonia Nº7 do compositor Gustav Mahler (1860-1911). Na altura referi o meu especial apreço por este maestro, em particular pelas suas interpretações das obras de dois dos maiores sinfonistas de todos os tempos, os austríacos Gustav Mahler e Anton Bruckner (1824-1896).

Quando me comecei a interessar mais por estas coisas da música Haitink era o maestro principal da Royal Concertgebouw Orchestra, de Amesterdão, posto que ocupou entre 1964 e 1988. Curiosamente, o fim dessa relação esteve relacionado com a decisão do governo holandês de cortar parte dos subsídios atribuídos à orquestra e que, na opinião do maestro, iriam colocar em causa a qualidade da mesma; em desacordo com a decisão Haitink pôs-se a andar, e só uns bons anos mais tarde voltaria a dirigi-la. Se por cá os nossos responsáveis, em face da situação que vivemos, decidirem tomar decisões semelhantes, vamos registar uma emigração cultural com uma dimensão nunca anteriormente vista...

Bernard Haitink nasceu há 83 anos, no dia 4 de Março de 1929. Por coincidência, foi também num dia 4 de Março, mas do ano de 1895, que Gustav Mahler, conduzindo a Orquestra Filarmónica de Berlim, estreou os 3 primeiros andamentos da Sinfonia Nº2, a primeira a incluir vozes. Um dia hei-de aqui voltar a esta sinfonia e à sua atribulada gestação, que incluiu a apresentação ao piano feita pelo próprio Mahler ao reputado maestro Hans von Bülow (1830-1894), e em que este passou o tempo com os dedos enfiados nos ouvidos...


CD



Gustav Mahler
Symphony No.2 in C minor, 'Resurrection'.
Miah Persson (soprano), Christianne Stotijn (meio-soprano)
Chicago Symphony Chorus
Chicago Symphony Orchestra
Bernard Haitink
CSO Resound CSOR901 916
(2009)


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Bernard Haitink
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26/02/2012

CDs #224: Carlos Kleiber, Erich Kleiber, Borodin, Symphony No.2

A música nunca foi a única, nem mesmo a principal, actividade para o russo Alexander Borodin (1833-1887), compositor que há mais de 7 anos andava ausente destas paragens. Muito por culpa, diga-se, da dificuldade em arranjar este disco, de edição limitada e indisponível na maioria dos meus habituais fornecedores. Mas que entretanto foi por aqui aparecendo nalgumas listas, a última das quais em Agosto de 2008, quando o convidado foi Erich Kleiber (1890-1956), que aqui nos aparece (excelentemente) acompanhado pelo seu filho, Carlos Kleiber (1930-2004).

Borodin estudou Química na sua terra natal, São Petersburgo, e foi a essa área que dedicou a maior parte do seu tempo, como investigador e professor, havendo mesmo uma reacção química que levou o seu nome. Apenas no intervalo dessas actividades é que Borodin se dedicava à sua outra paixão, a música, o que fez dele um compositor pouco prolífico, mas não menos importante no seio do Grupo dos Cinco. O pouco tempo investido na produção musical fez ainda com que levasse muito tempo a terminar as obras, como foi o caso da Sinfonia Nº2; iniciada em 1869, apenas em 1876 terminou a versão orquestral, que seria estreada no dia 26 de Fevereiro de 1877, passam hoje 135 anos. E passa também por ser não só a sua mais popular, como a mais significativa de toda a produção sinfónica do referido Grupo dos Cinco, composto por Rimsky-Korsakov (1844-1908), César Cui (1835-1918), Modest Mussorgsky (1839-1881) e Mily Balakirev (1837-1910), além, obviamente, de Borodin.

Este disco traz-nos 2 gravações desta obra, efectuadas por Kleiber pai & filho com uma diferença de 25 anos, a mais antiga efectuada em Dezembro de 1947 e a mais recente em Dezembro de 1972. E que nos permite, nomeadamente, observar as abordagens distintas de cada um, com a temperatura a subir no caso da interpretação de Carlos Kleiber, mais urgente e por isso despachada em menos tempo (cerca de 25 minutos e meio, contra mais de 27 minutos no caso da de Erich Kleiber). Grandes audições!




Alexander Borodin
Symphony No.2 in B minor, Op.5.
Radio-Sinfonieorchester Stuttgart, Carlos Kleiber
NBC Symphony Orchestra, Erich Kleiber
hänssler classic CD 93.116
(1972, 1947)


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Alexander Borodin
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20/02/2012

CDs #223: Prokofiev, Violin Concertos, Piano Concerto No.3

A relação entre o regente suíço Ernest Ansermet (1883-1969) e a Orchestre de la Suisse Romande durou uns estimáveis 50 anos, entre 1918, ano em que ele mesmo fundou essa orquestra, e 1967, altura em que lhe sucedeu o maestro polaco Paul Kletzki (1900-1973).

O violinista norte-americano de ascendência italiana Ruggiero Ricci (1918-) também não deixou os créditos da longevidade por mãos alheias, com uma carreira de 75 anos, que começou em 1928 em São Francisco e terminou apenas em 2003, com um último recital em França em que tocou na companhia da extraordinária pianista argentina Martha Argerich (1941-).

Tal como Ricci, também o igualmente norte-americano Julius Katchen (1926-1969) foi uma criança prodígio, com um primeiro concerto público em Outubro de 1937, com 11 anos mal feitos, e logo com a Orquestra de Filadélfia sob a direcção do grande maestro Eugene Ormandy (1899-1985). No meio destes todos o único que acabou por ter uma carreira curta foi mesmo o pianista Julius Katchen, falecido aos 42 anos vítima de cancro.

Um disco que junte todos estes músicos não pode ser, logo à partida, um disco qualquer, daí o meu apreço por este que trago aqui hoje, editado no âmbito da série Decca Ansermet Legacy, normal dada a longa relação de exclusividade que Ansermet manteve com a editora Decca. As gravações são da década de 1950 (e lá voltamos nós a esta década...) e incluem 3 obras do compositor russo Sergei Prokofiev (1891-1953).

Ernest Ansermet faleceu há 43 anos, no dia 20 de Fevereiro de 1969.




Sergei Prokofiev
Violin Concerto No.1 in D major, Op.19.
Violin Concerto No.2 in G minor, Op.63.
Piano Concerto No.3 in C major, Op.26.
Ruggiero Ricci, violino
Julius Katchen, piano
L'Orchestre de la Suisse Romande
Eugene Ormandy
Decca Eloquence 480 0837
(1954, 1958)


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Ernest Ansermet
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13/02/2012

Compositores #104: Colin Matthews (1946-)

Assim como hoje em dia se fala da maldição dos 27 anos (parece que houve uma quantidade assinalável de músicos mais ou menos pops e mais ou menos conhecidos que esticaram o pernil com essa idade), também durante muitos e bons anos se falou na maldição associada à 9ª sinfonia, com um número importante de compositores a não viverem o suficiente para poderem completar uma 10ª (Beethoven, Schubert, Bruckner, Dvorák, Mahler, ...). Antonín Dvorák (1841-1904) tentou mesmo enganar o destino, baralhando as contas das sinfonias e chamando à ; não ganhou nada com o negócio, e antes de escrever uma 10ª já tinha uns palmos de terra por cima.

Gustav Mahler (1860-1911) foi outro dos compositores que, aquando da morte, trabalhava na 10ª sinfonia, que deixou quase completamente esboçada mas com a maioria da orquestração por efectuar. Foi nas décadas de 50 e 60 do século passado que o musicólogo inglês Deryck Cooke (1919-1976) se empenhou em completá-la, e foi também por esta via que eu primeiro me cruzei com o nome do compositor inglês Colin Matthews, que com ele colaborou entre 1966 e 1972 na concepção da versão final desta última sinfonia de Mahler.

Com variadas obras dos mais diversos géneros musicais (onde apenas o operático permanece ausente), Colin Matthews passa por ser hoje um dos compositores britânicos mais proeminentes. Ainda recentemente, em Agosto do ano passado, estreou nos Proms a obra No Man's Land, tendo contado nessa altura com alguém já nosso bem conhecido, o tenor Ian Bostridge (1964-).

Colin Matthews nasceu há 66 anos, no dia 13 de Fevereiro de 1946.


CDs




Colin Matthews
Alphabicycle Order. Horn Concerto.
Henry Goodman (narrador), Richard Watkin (trompa)
Children's Choir
Hallé Orchestra
Mark Elder, Edward Gardner
Hallé CDHLL7515

Gustav Holst
The Planets, Op.32.
Colin Matthews
Pluto, The Renewer.
Kaija Saariaho
Asteroid 4179: Toutatis.
Matthias Pintscher
towards Osiris.
Mark-Anthony Turnage
Ceres.
Brett Dean
Komarov's Fall.
Women's Voices of the Rundfunkchor Berlin
Berliner Philharmoniker
Simon Rattle
EMI Classics 3 69690-2
(2006)

Claude Debussy
Jeux. Préludes (arr. C. Matthews) - Danseuses de Delphes; Voiles;
Les collines d'Anacapri; Des pas sur la neige; La sérénade interrompué.
Colin Matthews
Postlude: Monsieur Croche.
Hallé Orchestra
Mark Elder
Hallé CDHLL7518

Horizon 1
Moritz Eggert
Number 9 VI: a bigger splash.
Detlev Glanert
Theatrum Bestiarum.
Colin Matthews
Turning Point.
Theo Verbeij
LIED.
Jörgen van Rijen (trombone)
Royal Concertgebouw Orchestra
Markus Stenz
RCO Live RCO08003
(2008)

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Colin Matthews
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06/02/2012

Sinfonias #40: Sinfonia Nº3, de Robert Schumann

Apesar de ter cursado Direito na Universidade de Leipzig, as principais motivações de Robert Schumann (1810-1856) distribuíam-se por outras áreas, como a filosofia, a música, as tabernas e as mulheres. Aqui, e até porque somos um canto de respeito, só nos interessa a faceta musical, pelo que se quiserem saber das outras vão ter que procurar noutro lado.

No que então à música diz respeito, sabemos que o nosso amigo Schumann começou por estudar piano aos 10 anos, só que a carreira de pianista que chegou a ambicionar seguir nunca aconteceu, por problemas de paralisia parcial na mão direita. Não podendo tocar optou por compor para outros tocarem, acabando o conjunto de peças que escreveu para piano por ser um dos mais representativos do génio da sua produção musical. Não deixou, todavia, de abordar as formas sinfónicas e concertantes, com destaque para as 4 sinfonias e para os concertos para piano e para violoncelo.

Schumann despachou as 4 sinfonias no espaço de uma década, entre 1841, ano em que compôs as Sinfonias Nºs 1 e 4, e 1851, ano em que reviu a Sinfonia Nº4. A Sinfonia Nº3, apesar do número que ostenta, foi, assim, a última que compôs, no Outono de 1850, numa altura em que vivia em Düsseldorf, cidade banhada pelo rio Reno que, nas palavras do próprio compositor, serviu de inspiração para a obra.

A estreia, com direcção do autor e sem grande sucesso, diga-se, teve lugar no dia 6 de Fevereiro de 1851, passam hoje 161 anos.


CDs



Robert Schumann
Symphonies - No.1 in B flat, Op.38; No.2 in C, Op.61; No.3 in E flat, Op.97;
No.4 in D minor, Op.120. Concert for 4 Horns, Op.86.
Roger Montgomery, Gavin Edwards, Susan Dent, Robert Maskell (hns)
Orchestre Révolutionnaire et Romantique
John Eliot Gardiner
Archiv Produktion 457 591-2

Robert Schumann
Symphony No.3 in E flat, 'Rhenish', Op.97. Overture, Scherzo and Finale, Op.52.
Genoveva Overture.
Philharmonia Orchestra
Christian Thielemann
Deutsche Grammophon 459 680-2
(1998)

Robert Schumann
Symphony No.2 in C major, Op.61.
Symphony No.3 in E flat major, Op.97, "Rhenish".
Berlin Philharmonic Orchestra
Rafael Kubelik
Deutsche Grammophon 429 520-2
(1964, 1965)


SACDs



Robert Schumann
Symphonies - No.3, 'Rhenish', Op.38; No.4, Op.120. Manfred Overture, Op.115.
Hermann und Dorothea, Op.126.
Swedish Chamber Orchestra
Thomas Dausgaard
BIS-SACD1619
(2008)


Internet




Robert Schumann
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29/01/2012

Obras Vocais #8: Kindertotenlieder, de Gustav Mahler

O poeta alemão Friedrich Rückert (1788-1866) celebrizou-se pelas excelentes traduções que efectuou das línguas orientais, assim como pela veia orientalista da sua própria obra poética. Em 1834, e na sequência do falecimento dos seus dois filhos, escreveu o conjunto de poemas Kindertotenlieder que, nos inícios da década de 1900 iriam estar na base de um ciclo de canções do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911).

Estes não seriam os únicos poemas de Rückert que Mahler viria a musicar, pois por essa altura publicou um outro conjunto de 5 canções (que, ao contrário de Kindertotenlieder, não formam um ciclo), a que apropriadamente deu o nome de Rückert Lieder. Refira-se que Mahler foi apenas um dos muitos compositores que musicou poemas de Rückert, numa longa lista que inclui, por exemplo, Johannes Brahms (1833-1897), Franz Schubert (1797-1828), Robert Schumann (1810-1856), Richard Strauss (1864-1949) e Hugo Wolf (1860-1903).

O ciclo de canções Kindertotenlieder foi estreado há 107 anos, no dia 29 de Janeiro de 1905.


CDs




Gustav Mahler
Kindertotenlieder. Vier Lieder aus 'Des Knaben Wunderhorn'.
Lieder eines fahrenden Gesellen. Rückert-Lieder.
Siegfried Lorenz (barítono)
Gewandhausorchester, Kurt Masur
Berliner Sinfonie/Orchester, Günther Herbig
Staatskapelle Berlin, Otmar Suitner
Berlin Classics 0093972BC

Gustav Mahler
Symphonie Nº3 in D minor. Rückert-Lieder. Kindertotenlieder.
Martha Lipton, Jennie Tourel (meios-sopranos)
New York Philharmonic Orchestra
Leonard Bernstein
Sony Classical SM2K 61831


Gustav Mahler
Kindertotenlieder. Lieder eines fahrenden Gesellen. Fünf Rückert-Lieder.
Lieder und Gesänge - No.1, Frühlingsmorgen; No.3; No.5; No.10.
Stephan Genz (bar~tono), Roger Vignoles (piano)
Hyperion CDA67392
(2003)

Gustav Mahler
Symphony No.3 in D minor. Kindertotenlieder.
Kathleen Ferrier (contralto)
BBC Symphony Orchestra, Adrian Boult
Concertgebouw Orchestra, Otto Klemperer
Testament SBT21422

Ludwig van Beethoven
Egmont Overture.
Johannes Brahms
Symphony No.1.
Gustav Mahler
Kindertotenlieder.
George London (baixo-barítono)
Cologne Radio Symphony Orchestra
Otto Klemperer
Medici Masters MM005-2
(1955)


Internet



Friedrich Rückert
Biography of Friedrich Rückert / Poems Without Frontiers / allmusic / Encyclopædia Britannica / Wikipedia

Gustav Mahler
International Gustav Mahler Society Vienna / ipl2 / MusicWeb International / allmusic / Encyclopædia Britannica / Classical Net / Answers.com / Wikipedia

22/01/2012

Compositores #103: Henri Dutilleux (1916-)

O Prix de Rome, instituído em 1663 e destinado inicialmente a premiar jovens artistas nas áreas de arquitectura, pintura e escultura, estendeu-se aos domínios musicais a partir de 1803 e até à data da sua extinção (do prémio, não da música...), em 1968. Pelo caminho premiou respeitáveis compositores, como Hector Berlioz (1803-1869), Georges Bizet (1838-1875) ou Claude Debussy (1862-1918), mas ignorou outros do calibre de Camille Saint-Saëns (1835-1921) ou Maurice Ravel (1875-1937). Em 1938 premiou um jovem compositor francês, Henri Dutilleux (1916-), que se tinha apresentado a concurso com a cantata L'anneau de Roi; não teve muito tempo para gozar do prémio em sossego, pois um outro jovem, mais dado às artes da guerra, decidiu invadir a Polónia em Setembro do ano seguinte, e o mesmo viria a suceder à própria França, em Maio de 1940.

O facto de ser geralmente apresentado como um compositor que trabalha no duro pode levar-nos a antecipar uma extensa lista de obras de sua autoria, mas nada de mais errado: é que Dutilleux preza-se de preferir a qualidade à quantidade o que, aliado ao facto de ter desprezado todas as obras compôs até ao final da 2ª Guerra Mundial, faz com que a referida lista seja bem diminuta.

Ora, se a tudo isto adicionarmos o atraso que levo na actualização das minhas bases de dados (é já superior a 1 ano), então a lista de discos mais ou menos recomendáveis que apresento abaixo será inevitavelmente pequena. Caso falte alguma gravação recente já sabem quem é o culpado: o mensageiro, não há volta a dar-lhe.

Henri Dutilleux celebra hoje o seu 96º aniversário, tendo nascido no dia 22 de Janeiro de 1916.


CDs



Henri Dutilleux
Cello Concerto, 'Tout un monde lointain'.
Witold Lutoslawski
Cello Concerto.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Orchestre de Paris
Serge Baudo, Witold Lutoslawski
EMI GROC 5 67867-2
(1974)

Conlon Nancarrow
String Quartet No.3.
Gyorgy Ligeti
String Quartet No.2.
Henri Dutilleux
Ainsi la nuit.
Arditti Quartet
Wigmore Hall Live WHLIVE0003
(2005)

Henri Dutilleux
Concerto for Violin and Orchestra, 'L'arbre des songes'. Concerto
for Cello and Orchestra, 'Tout un monde lointain...'.
Pierre Amoyal (violino), Lynn Harrell (violoncelo)
French National Orchestra
Charles Dutoit
Decca 444 398-2


SACDs



Henri Dutilleux
Cello Concerto, 'Tout un monde lointain'.
Trois Strophes sur le nom de Sacher.
Witold Lutoslawski
Cello Concerto. Sacher Variation.
Christian Poltéra (violoncelo)
ORF Vienna Radio Symphony Orchestra
Jac van Steen
BIS-SACD1777


Internet



Henri Dutilleux
Bach Cantatas Website / Pytheas Center for Contemporary Music / IRCAM / Classical Archives / allmusic / Wikipedia

01/05/2011

Música Vocal #1: Nocturnal, de Edgard Varèse

Acabei de me aperceber de que o compositor de origem francesa Edgard Varèse (1883-1965) apenas foi mencionado nestas páginas uma vez, aquando da visita do maestro Leopold Stokowski (1882-1977) e da referência à quantidade de novas obras por este estreadas. Se, por um lado, isto mostra uma evidente falha da minha parte no que à música do século XX diz respeito, por outro lado poder-se-á explicar, mas não desculpar..., pelo reduzido número de obras que Varèse escreveu. A grande influência que teve na música do século passado, contudo, esconde o facto de apenas ter composto pouco mais de 12 obras.

Uma das tais obras estreadas por Stokowski foi Amériques, a primeira composta por Varèse depois de se mudar para os Estados Unidos, em 1915. A última que escreveu foi Nocturnal, uma obra vocal para soprano, coro masculino, piano, orquestra (pequena), percussão e ondas Martenot, com texto baseado em A Casa do Incesto, de Anaïs Nin (1903-1977). Varèse não chegou a terminar a obra, tarefa de que se encarregou o compositor de origem chinesa e seu antigo aluno Chou Wen-chung (1923-).

A estreia de Nocturnal teve lugar em Nova Iorque no dia 1 de Maio de 1961, passam hoje 50 anos.


CDs



Edgard Varèse
The Complete Works

Amériques. Déserts. Ionisation. Arcana. Hyperprism. Tuning Up! Poème
électronique. Nocturnal. Un grand sommeil noir. Offrandes. Octandre.
Intégrales. Ecuatorial. Density 21.5. Dance for Burgess.
Sarah Leonard, Mireille Delunsch (sopranos), Kevin Deas (baixo),
Jacques Zoon (flauta), François Kerdoncuff (piano), Edgard Varèse (electr)
ASKO Ensemble
Prague Philharmonic Chorus
Royal Concertgebouw Orchestra
Riccardo Chailly
Decca 460 208-2

Edgard Varèse
Amériques. Ecuatorial. Nocturnal. Ionisation. Hyperprism. Densité 21.5.
Un grand sommeil noir. Dance for Burgess. Tuning Up.
Elizabeth Watts (soprano), Maria Grochowska (flauta), Thomas
Bloch (ondas Martenot), Christopher Lyndon-Gee (piano)
Camerata Silesia
Polish National Radio Symphony Orchestra
Christopher Lyndon-Gee
Naxos 8.557882
(2005)


Internet



Edgard Varèse
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